O Tempo Passa e a Gente nem Percebe

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⁠Toda ela feita só de tempo
Do tempo que transforma a pedra em pó
A vida, ela é composta de momentos
Alegrias, risos e lembranças
Lembranças, como as cartas de um baralho
Confusas, imprecisas
Um par de olhos indecisos
Há sempre um par de olhos
Diferentes da poética cegueira
Diferentes da cegueira
Diferentes da poesia
Um par de olhos céticos
Diante da eternidade
Dessa eterna alternância dos dias
Um par de olhos que se vê no céu
Na escuridão, na solidão da madrugada
Que nos vê quando não podem ser vistos
E que a gente os vê, se não nos vêem
A vida é toda feita de momentos
E um par de olhos, que ela sempre tem.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Este mundo anda sem tempo
Anda sem vida, anda sem alma
Este mundo anda sem voz
Anda sem antes, sem vez, sem após
Este mundo anda sem ama, anda sem gosta
De olhos e olhares vazios
Esperando pelas respostas que virão no vento
O tempo passa e venta e só faz frio
Este mundo anda bem triste
E por demais distante
Ao arrepio de tudo que a luz garante
Porque o tempo não responde
A quem não sabe nem ao menos a pergunta
O conceito de perto ou longe
Não junta o efeito à causa
Quando abrange para aquém do que se pode
Por ora, não se pensa em saber
Este mundo anda bem rude
Anda sem tempo e atenção
Nem mesmo para uma pausa, atitude ou reflexão
Enquanto isso o mundo passa
Este mundo anda sem graça
Sem poesia, sem melodia, sem quadra
Comprometido
Com qualquer ausência de compromisso
A beleza que não se vê, não vale
Aquele viço que se vai no dia a dia
Esse valia
É cão que ladra
É chão sem chão
O formato sem conteúdo
Eis o tudo que interessa
É pura espera por nada
Métrica quadrada
É tarde : breve e esquálida
Esférica ilusão
Colher o que não plantou...bem depressa
As respostas soprando no vento
Numa tarde linda, cujo vento ainda nem soprou
Nos momentos de silêncio
Em que as estrelas da noite conversavam
Num tempo em que se sabia
A maneira mais ou menos certa
De tentar fazer perguntas
Mas o mundo anda sem jeito pra formulá-las
Se esvazia, falando ao meu redor
Pior
Que tem falado de amor
Mas é que tem gritado tanto
E cada um, tão ocupado
Sentado num canto, pensando em pensar ou não
Este mundo anda sem chão
Mas voa através do universo
Um som que só faz sentido
Se ouvido no vácuo
Sem harmonia ou melodia
Um desenho sem vida
Num constante movimento de partida
Fraco de luz
Sem verdades, sem lume
Não chega em lugar nenhum
Anda perdido
Sob as dobras do tempo
No cume da ignorância
Que o traz e o carrega
Este mundo anda bem assim
Mas, enfim, isso não tem mais importância
Nem faz a mínima diferença
Quem não tem tempo pra pensar
Não pensa.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠O tempo que te faz pensar
No tempo que te resta, pra poder pensar
Pensar naquilo que te faz doer
Que te faz, de vez em quando, ver
Na paz que nos traz a cegueira
À hora costumeira, quando a vista falha
Que se enxerga de tudo ao avesso
Que se faz de cego a tropeçar nas tralhas
O tempo que te faz seguir a própria trilha
Compreender que há um preço a se pagar por tudo
Desde as pétalas aveludadas
Da rosa, cujo tempo há de fazer em espinho
A laje pesada de pedra moída
A lousa apagada, o senhor da razão que a escreveu
Mãe de todas as virtudes
O ninho, o caminho, a alegria e a vida
A areia da praia, que a gente sonhou pisar
Sozinhos, de mãos dadas, cada qual a seu tempo
Um sonho a se sonhar
Quando um beija-flor te fala, só de vê-lo
Batendo-te as asas
Te chamando a partilhar o mesmo teto
A mesma casa
Um repetitivo e eterno som que vem de perto
Olhando ao redor, é deserto...é tão longe
Na vida, quem pode te mostrar o errado ou certo?
O tempo que passa, que corre e morre junto
À graça da vida
Grata, ingrata vida
Que tanto um dia pediu
Pra ser assim, por igual dividida
E ela foi, porém...pra mal.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Eu tenho um coração tão livre
Que tem horas que sinto
Apesar de não saber voar
Ainda dá tempo de aprender
Pois eu tenho a alma solta
E vem do tempo que eu sonhava
Eu tive um tempo de sonhar
Só não consigo te explicar como é se sentir assim
Saber que o tempo é breve
E eu tenho um coração tão leve
Como num circo de domingo à tarde, cujo ingresso é livre
Mas que é preciso um par de asas para entrar
Porque ele voa ao vento
Voa lento e espera uma notícia boa
Mas há momentos em que ele se fecha
Quem quiser sair, ele deixa
Quem não quer entrar, não precisa
Pois a vida é tão breve; um sopro...uma brisa
Leve como a sensação de liberdade
Que não se sabe que tem e deixa ir num medo que sonhou
Não guardo o peso de nenhum segredo
Nem medo de batalha ou de acordar mais cedo
A vida é um folguedo que passa depressa
Um fogo que se apaga
Eu tenho um coração bem livre e só
Isso é tudo que eu tive.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Não me lembro bem que ano era
Tem bem mais que muito tempo
Era só mais outra primavera
Mas setembro tem o dom dessa saudade
Tinha um sapo que cantava à toa
Sua voz tinha o som de piano ou de sanfona
E tinha a sapa, que valsava
E tinha uma canção, que vinha no vento
O sapo era tão vagabundo
Que esperava a balsa pra ganhar o mundo
E tinha a rã, com cheiro doce, de hortelã
Porém, a sapa era do mês de agosto
A marrafona era mulher sem rosto
E eu ainda era criança
Mas o tempo passa e sempre tem setembro
Trazendo essa saudade, essa lembrança
Uma coisa boa, uma verdade que é so minha
E não me lembro muito bem que ano que era
Nem qual idade que eu tinha.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Baila, tempo.
Corre pra longe
Morre em outra dimensão
Vai lá, nos confins da última madrugada
Mostra o nada que são nossas vidas
E depois volta pra cá
Vem mais depressa que a luz
E depois nos entrega
A cada qual nossa cruz
A cada mal que se oculta
Em cada bem que carrega
Vem pra perto e se desfia
Desfila o nada bem diante dos nossos olhos
Nossos duros e imaturos corações
Quem sabe, assim que se enxerga
O quanto é incauto quem te desafia
Cada qual com sua bússola insular
Que faz perder, que desnorteia
Às vezes um soar de sino
Anunciando o sândalo da noite
Tu, que és tão forte, que derrete a neve
De sorte que cada segundo passa a ser tão breve
Leva contigo a marca da idade deste mundo
Só tu tens lugar no sem fim
Desembarca, tempo
Conta pra nós nossas vidas
E baila e dança e não descansa e depois volta
Vai lá, tempo velho e nos desaponta
Desponta lá no longe
Afronta esse universo e cada estrela sem porteira
Sem eira nem beira e tribeira e tão rico e tão leve
Livre, como o sol da primeira manhã
Tão forte, que move o moinho que mata a fome
Não negue que mata o homem que mata a morte
Leva minha vida nas mãos
Vai, que eu fico igual a todos
Entregue à própria sorte.

Edson Ricardo Paiva.
Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Vejo a estrela cadente
Na viagem que o universo abrange
Pelo tempo que o infinito, se o souber
Há de apenas te dizer que é longe
O lado mais bonito disso tudo
É que a passagem pela minha vida
Só perdura um breve instante
Me convida ao pensamento
Às vezes conclusivo, embora conflitante
Tão confuso quanto o amor baldio e mudo
É dor pra qual não tem remédio
O nada inexistente, ao arrepio do sentido
Se tudo que vejo é o momento presente
A chuva aumenta, lenta e tristemente
Deus alegra a vida, evoca a arte
Parte a luz à esguelha
A cor da rosa em sustenido; vermelha
Espelha o céu no chão
Põe pássaros à telha
Saudade, que morreu de velha
Dizem que foi desde ontem
Não há como o saber nem alcançar
Calou, deixou passar, consente
Estrela, leve em ti
O nosso breve olhar veloz, sem voz
Leve mormente
Nem que morra em alguma neve
Se tens mesmo que partir
Leve esse olhar
Guarda pra ti.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Aproveita o tempo agora
Enquanto o coração chora à toa
Enquanto o fruto cai perto
Olha em volta o teu deserto
Pois nem sempre o vento sopra para o lado certo
Ajeita a vela da vida
O caminho todo é pensamento, é hora boa e passa lenta
O tolo pensa em ser feliz, desorienta
Aproveita a hora triste, enquanto a tristeza é passageira
Molhe as plantas na janela
Escolhe a cor da escuridão futura
Pois nem sempre o vento sopra pro deserto
Corre, enquanto as pernas obedecem
Pise forte as pedras, elas esquecem
Olhe isento as coisas lá do alto
A descida toda é só momento, grite alto
Lá do alto, onde subiste
Deixa o vento carregar a voz
As vozes de todos nós
Tão velozes quanto a vida em direção
A um lugar onde o tempo inexiste.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠O Tempo está Correndo.

Daqui onde estou
Eu vou olhando a vida
Rindo pra mim de mim também
Não cabe a ninguém me compreender
Muita coisa, atrás do muro, sob o céu
Só sabemos sobre ele
Depois de muito imaginá-lo
Por detrás de escuro véu
Um dia, a vida te convida a compreender
Que a sorte te vem nas escolhas
Caminhos, verdes folhas
A graça da vida, escondida
Não em tudo que ela traz
A alma é algo limitado
E pode transbordar
Daqui onde estou
Eu vou olhando a vida
Sorrindo pra mim apenas
Porque vejo nas coisas pequenas
Veleidades, orgulho, a vaidade
O tempo que evapora
A graça que a vida nos tira
Quando a hora era de rir
Deixar que caíssem as folhas
Manterem-se as poses
Lustrarem-se as máscaras
Renovarem-se as mentiras
A vida era só brincadeira
Mas não era
Não existe sorte nas escolhas
Só escolhas
A alma é algo que transborda um dia
Pode ser que, de tristeza ou de alegria
Não existe talvez
Uma vez escolhida.
Aqui, de onde estou
Vou sorrindo pra vida
Amanhã pode chover
Há de ser um lindo dia!

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Um Texto sobre a Poesia da Relatividade.

Enxergamos despedidas
Tempo e lugares distantes
Borboletas antigas
Buscando uma pétala vaga
Pra descansar as velhas asas
Vagando sobre flores desbotadas
Que recobrem um resto de alegria
Que flutua na memória
Uma pintura
Uma palavra do Mestre
Arte rupestre do acender das luzes
Traz de volta à vida outras luas passadas
A felicidade primordial, rudimentar
A única que foi real
Vem romper com a ruptura
Em formato de palavra dura
E mostra uma flor que não víamos naqueles dias
Provando que o tempo não retrocede
Senão como saudade
Que nem mesmo a sede, uma vez saciada
Há de voltar às nossas vidas
Se despede, se despe de nós
Vai zunir nas asas de uma velha abelha
Fazer morada nas telhas
De uma casa há muito demolida
Tudo está pra sempre lá
Porém velho, desbotado e sem vida
Talvez seja essa a relatividade do tempo
A velha roseira ao meu lado
Sempre trará flores novas
A roseira nova do passado
Não há provas que tenha existido.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Era uma pena
Era uma pena
Era uma pena vazia e inflexível
Era uma pena renegada pelo tempo,levada pelo vento
Quem dera fosse de pavão ou de gavião,mas era uma pena
Tão triste era à pena.

Inserida por joaoeudesdeana

Saudades são vidas roubadas pelo tempo.Deixando apenas uma absoluta certeza que nunca será encontrada.

Inserida por joaoeudesdeana

Pelos segundos,
Pelos minutos,
Pelas horas,
Te ofereço o senhor do tempo, e o senhor do tempo te dirá a melhor resposta.

Inserida por joaoeudesdeana

⁠Vi o tempo levar vidas...
Vi as estações fugirem...
Vi às horas correrem...
Vi o sol a lua e as estrelas desaparecerem...
Vi as nuvens mudarem de cor...
Vi no céu arco-íris e raios darem sinais..
Vi flores nascer e morrer, mas não vi aquela velha pedra se mover.

Inserida por joaoeudesdeana

⁠O tempo
Cada um com o seu...
Cada um com a sua forma...
Cada um com as suas escolhas...
Cada um com as suas pelejas...
Cada um com os seus louros...
Cada um no seu cada um...
Cada tempo no seu devido lugar!
É o seu tempo que determinará o seu tempo!

Inserida por juliobaiz

⁠"Você pode até fugir e ficar bem por um tempo...
Até que a realidade te encontre e lhe tire da sua zona de fuga!"

Inserida por juliobaiz

⁠Dizem que
a paciência é dom dos sábios!
Desses sábios que - respeitado o tempo
e entendimento de cada um - seremos
todos, ora revestidos de certa parcimônia;
da mais propositiva
acuidade!

Inserida por maurotoledo

⁠O tempo
das frugalidades plurais se foi...
Porquanto será toda relevância
e singularidadedo eu nos pondo
a caminho do necessário;
e, sobretudo, respaldos pelo
mais vertical dos fundamentos:
a Verdade!

Inserida por maurotoledo

⁠Memórias
são nossas digitais no tempo!
Sempre únicas, reveladoras, intransferíveis!
Bem como todos os afetos
e sensibilidade que origina;
nos propicia!

Inserida por maurotoledo

⁠Nossos
mais honestos pensamentos
são aqueles que teimam
em nos contradizer...
O tempo todo!

Inserida por maurotoledo