O Tempo Passa e a Gente nem Percebe
Existem muitas coisas
Que marcam a passagem do tempo
Outras mais a podem simbolizar
Uma torneira que goteja
Um ponteiro lento e constante
O movimento do Sol
Mudando a sombra de lugar
a todo instante
E assim a vida passa
Sem que a gente a veja
A fogueira se apaga
e a fumaça se dissipa
Chega outra sexta-feira
Acontece o ano inteiro
E quando você olha pros lados,
distraído
Esse ano já tornou-se
Ano Passado
Os bons momentos que você recorda
São tempos idos
dias distantes
Cada dia que a gente recebe
sem perceber
Se dissipa
Qual fumaça da fogueira
A gente viveu cada momento
Minutos que passaram lentos
Numa vida galopante
Você foi seguindo
O tropel da cavalgada
Até que um dia se dá conta
Que o movimento lento e constante
dessa viagem
Teve sempre o mesmo sentido
E esse sentido é pra frente
Agora você tem
O tempo que não chegou
E o momento presente
Mas não existe no mundo
Estrada
Que possa te levar
novamente àqueles lugares
a vida sempre pode ser vivida
Mas não pode jamais
Ser revivida ou melhorada
Faça o seu melhor agora
Amanhã
Poderá não te restar
Mais nada
Edson Ricardo Paiva
Uma centelha de vida
Surgiu, brilhou, voou
Escapuliu
Aquele tempo passou
e ninguém viu
Nem Percebeu
O tempo é um relógio
Quebrado e parado
Todas as coisas impossíveis
Apenas assim as são
Até que se tornem possíveis
O colorido que se apagou
Não mais poderá
Eternizar-se assim
Não se pode enganar o tempo
Aquela centelha de vida
Que surgiu
de onde ninguém sabia
Que viria
Voou, brilhou
Salvou o dia
Escute a melodia
Que vem do outro lado do espelho
E a tudo desmonta
Pra que as coisas possam
Eternamente e pra sempre
Remontar-se novamente
Num sonho
e é lá
Que a gente se encontra.
Edson Ricardo Paiva
Se o tempo passou
Jamais corra atrás
Outro tempo a vida traz
Faça dele tempo de paz
Ria bastante,
Ame a tudo constantemente
E tente ser consequente
Pois, mais importante que o tempo
Sempre será
Aquilo que do tempo a gente faz
Deixa o vento soprar no teu rosto
e sinta o gosto da amora
Colhida na hora e no pé
Pois há dias
Em que a vida é areia quente
Queimando no chão
Do teu peito deserto
Juntando tristeza e alegrias
Amores
Que deram certo ou não
de uma forma ou de outra
Todos se vão
Alguém vai ficar sozinho
Saiba
Que nem tudo na vida
A gente tem
Às vezes
Não temos nada ou ninguém
Faça dívidas
Tenha dúvidas
de vez em quando
Vire a mesa
Nesta vida, só existe uma certeza
O fim da vida um dia vem.
Edson Ricardo Paiva
Enquanto o tempo passava
E enquanto eu aprendia
Ria da cara da sorte
Não sentia medo
Nem mesmo da morte
Um dia, então, me enganei
Abandonando aquele escudo
Por pensar que sabia de tudo
Saindo ao mundo
Sem nem mesmo um guarda-chuva
Cara fechada, coração vazio
Sem medo de perder
Por sentir, que tudo já estava perdido
Ontem, eu acordei com medo
e eu o sinto, ainda hoje:
Medo de quebrar cristal,
Medo de perder o que não tenho,
Medo de perder de novo
Tudo que estava perdido
Um novo medo a cada passo
Medo de escrever coisa boba
Medo de morrer num sonho
E não voltar nunca mais
Medo de perder sorrindo
Como naqueles jogos de gincana
A toalha de linho,
A luz na janela,
As xícaras de porcelana
E aquela esperança que eu tinha
Um medo que eu pensei
Que não ia sentir nunca mais
Medo da despedida
Onde a última alegria desta vida
Se vá
Sem nem mesmo olhar pra trás
Edson Ricardo Paiva
Deixei de guardar as datas
Me esqueci de como fazia
Pra lembrar-me dos nomes
Faz tempo que não me ocupo
Com aquela antiga aflição
Que me fazia lembrar
Endereços e preços
Agora compreendo
Que coisas, cujo valor se mede
Não valem muita coisa
E que não existe um dia combinado
Muito menos um lugar certo
Pra que aconteça
de a vida da gente virar ao avesso
e descobrir
Que nomes ou endereços
deixam de ter importância
E que as coisas realmente importantes
Podem estar bem perto,
Ou distantes
Não existe certeza
Pra nada
Aquilo que vem
Sem nome, lugar ou hora marcada
é que realmente vai fazer
A gente acordar triste ou feliz
No meio da madrugada
Um rosto sem nome certo
Um rastro a ser seguido
Sem a gente ao menos saber
A razão de estar
Tão contente
Indiferente ao fato
de tudo que tinha guardado na lembrança
Não servir pra nada
E aquilo que tanto interessa
Não tem nome e não tem preço
endereço ou hora marcada
Não tem passado; não tem cor
Não tem medida e nem peso
Nada que explique a pressa
Nada que àquilo mensure
Existe apenas suavidade
e um tanto assim de magia
Junto a tanta alegria
e uma grande quantidade
daquela coisa que faz a gente
Não querer saber como se faz
Só da vontade de fazer
Fazer exatamente
Perfeitamente perfeito
Aquilo que nunca fez
E fazendo do jeito que vier à mente
de repente a gente olha
E vê que não tinha outra escolha
Só tinha querer
Um querer que não podia ser
Guardado ou escrito
Não estava em lugar nenhum
No tempo ou no espaço
e independia
de tudo que houvesse nos bolsos
E mesmo assim
Tinha sim
hora e lugar pra ser
Mas demorou pra perceber
Que a real felicidade
Independe da nossa vontade
das nossa lembranças
E também das nossas crenças
Pois chega do inesperado
Sem nem ao menos pedir licença
Edson Ricardo Paiva
Uma folha de papel
Que se perdeu no tempo
Que talvez, pode ser
Nela houvesse uma frase bonita
Algo que se desconhece
E que nunca vai saber
O que é que estava escrito
Uma bolha de sabão
Que o vento leva
Passou bem pertinho das mãos
Passarinho que voou
Esse mundo não possui grades, nem paredes
Que sejam fortes o suficiente
de maneira a manter eternamente nada
Nem distante
E nem perto da gente
De certa forma, alguém em algum lugar
Conhece e sabe
A quantidade de alegria
Que queríamos viver
No decorrer do dia a dia
E não nos cabe
Alguma coisa não dá certo
É sempre assim
Algo foge ao controle
Talvez seja
Porque o mundo dá voltas
As águas do Oceano
Constantemente se revoltam
Areia de Mar
Ar de deserto
Por certo, nunca os saberemos
Não temos como saber
e nem sabê-las
E assim a noite se vai
Levando consigo lembranças
de antigos amigos
O brilhar das Estrelas
Coisas tolas
Vontades quase que nulas
Grades
Sem força bastante
E no instante seguinte
Está distante
O que andou bem diante dos olhos
E que sempre foi igual
Parece ser igual
de uma maneira diferente
A vontade da gente
Nem sempre é uma verdade
Nem tampouco
Vontade da vida.
Edson Ricardo Paiva.
Vida sem dor
Faz tempo que venho fugindo
de coisas que se sente
Se as sinto, minto pra mim
Eu não vim a este mundo pra sofrer
Creio ser correto ter receio de amar
Odiar, esperar, confiar e querer
Assim eu não sinto mais dor
Faz um tempo que não sei o que sentir
Não penso em ninguém
Se alguém pensa em mim eu não sei
Não amo, não odeio
Não confio e nem receio
Olho a chuva na janela
Estrelas na madrugada
Luz da Lua na varanda
Não penso nela
Não sinto nada
Quem manda no coração sou eu
Mas ele não mais me escuta
Por faltar uma razão
Meu coração morreu
Edson Ricardo Paiva
"A vida vai passando ... o tempo continua correndo. Pode ser que as coisas não pareçam eternas, ainda bem; isso faz parte do aprendizado, pois é preciso que o tempo passe, pra que a gente perceba que só o tempo não é eterno, ele apenas corre eternamente. Se as coisas que vivemos serão eternas, se as pessoas que passam pela vida da gente, se as amizades serão eternas ... tudo isso vai depender das nossas atitudes perante a vida. Tudo isso vai depender da gente e da maneira que a gente aprender, ou não, com a passagem do tempo. Mas o tempo vai continuar correndo eternamente."
Edson Ricardo Paiva.
"Entre todas as coisas que existem
Só o tempo não é eterno
Ele apenas corre eternamente"
Edson Ricardo Paiva.
A beleza duradoura
No lugar onde o tempo inexiste
Esperança
Em tudo que podia, sim
Ter ou não ter sido
Só presente
Sem futuro ou passado
Beleza eternamente bela
Aquela na qual se acreditou
Tendo ela acontecido em mim
Assim eu vou levando a vida
Lembrando da esperança
e da fé que depositei
Agora estou vivo ainda
Perdidas tantas apostas
Creia ainda na beleza das promessas
da vida que há de existir depois desta
Onde a gente simplesmente
Depositou tanta esperança
Beleza ilusória
Alegria inexistente.
Edson Ricardo Paiva.
O tempo é ferrugem
No metal da vida
A água foi sob a ponte
Um pássaro que eu nunca vi
Cantando perto da janela
Outras flores que surgem
A vida passa
Seja ela
cheia ou vazia
A lenha queima na fogueira
Ofusca a estrela lá no Céu
Um dia
de todas as estrelas que se vê no Céu
Restarão somente cinzas
Outras estrelas surgirão
Outro chão
Outros Céus
Outras vidas
Devagar e lentamente
Mas a gente nunca dispõe
de tanto tempo assim
Pra prestar atenção que nosso tempo
Diante do tempo
é nada.
Edson Ricardo Paiva.
Janela
Paisagem distante
Tem coisas que não dá
Pra enxergar ou definir
Espaço e tempo
Prenúncio de tempestade
Um buraco no Céu
O Sol ainda arde
Mas agora é tarde
Difícil
Segundo a segundo
O dia escurece
Não se pode dizer
Quando a chuva cai
Mas é fácil dizer que ela vem
Janela aberta
Paisagem distante
Nada ou ninguém
Calado
Penso no passado
Tem dias que tudo passou
Eu murmuro uma oração
Ela há de ecoar pra sempre
A janela se fecha
Deserto por dentro e por fora
Agora só me resta uma certeza
Fechou-se a janela certa
A tarde parecia tão morna
Noite morta
Esquecida eternamente
Essa sensação parece boa
Somente a oração
Que no silêncio ecoa.
Edson Ricardo Paiva.
O maior desafio da vida
É vivê-la, sendo a quem nós somos
Na maior parte do tempo
Não somos quem pensamos ser
Nem aqueles a quem
Enxergamos em nós
Como sendo a nós mesmos
Mudanças acontecem
Baseadas no primeiro pensamento
Que lhe vem pela manhã
O mundo muda num momento
Pra depois a gente ver, ou não
Que tudo ainda é do jeito que era
Sem nunca mais poder ser de novo
Do jeito que um dia foi
Pensamentos são como folhas que vem e vão
Procure olhar pra si mesmo
Com a mesma isenção de quem o vê
De longe e pelo lado de fora
Perceberá
Nossas ideias e pensamentos
Não são quem nós somos
Mas podem e mudam a vida
Sejam eles bons ou ruins
Conduzem decisões
Fazem escolhas importantes
Tudo muda
Mas você ainda
É o mesmo de antes
Mas não tem como voltar a ser quem era
Não pense ser a parede
Nem veja a si mesmo
Como sendo a mancha na pintura,
A pesca generosa
E nem o buraco na rede
Alegria, euforia, melancolia, tristeza
Um pouco de cada coisa
Do brilho do ouro à leveza do pó
Para o qual fatalmente se volta
Mas, enquanto isso
Pense nisso
Conheça-se e ame-se
Pra poder ser um milhão
Sendo sempre uma pessoa só.
Edson Ricardo Paiva.
O tempo mescla, mistura, revolve
Enquanto existe a passagem do tempo
O Universo apenas se move
E, em havendo movimento no Universo
E sendo o Universo um todo
Tudo se mescla, se mistura e se revolve
Mas o tempo não cura nada
Nessa simples passagem
O tempo apenas move a tudo
Na medida em que a sua existência
Possibilita que o Universo
Tenha vida própria
E cada coisa viva
Vai vivendo a própria vida
As vidas palpáveis e as invisíveis
Hão de ser pra sempre
Simplesmente indivisíveis
Mas "pra sempre" é questão para o tempo
Que a tudo mescla e revolve
Sem depois pôr nada, nunca
No seu devido lugar
Pois o lugar de tudo é misturado
Revolvido e mesclado
Tem momentos que tenho a impressão
Que vão se purificar
Mas o constante movimento do todo
Novamente a tudo mistura
O que era mal, pareceu melhorar
Mas depois o mal se cura
E tudo volta a ser ruim
É assim que as coisas são
Pois, no aparente caos desse movimento
Nada acontece em vão.
Edson Ricardo Paiva.
De tanto querer
Que o tempo não passasse
Sem querer o vi passar
E tem horas que parece
Que só vi
Porém, sem vê-lo
Penso uma imensa lista
De coisas que queria ter feito
E que fiz
Mas vejo que fiz de outro jeito
Senão não cabia a mim
Esse vasto cabedal de desamor
Eu acho que só se desama
Porque na vida que se vive de verdade
Quando alguém encontra o amor
Pensa, infeliz, que só amor não basta
Difícil dizer
Os nomes dessas coisas tristes
Cidade onde nunca fui
Lugar que só existe em mim
Que no fim compõem as horas
Conjunto de longas horas
Que na falta de quaisquer outras
Insisto em chamar de vida.
Edson Ricardo Paiva.
Houve um tempo
Em que eu quis fazer as coisas certas
Pra poder ser visto e aceito
Como um bom menino e bom rapaz
Eu acreditava que se agisse assim
E Deus me visse
Ele iria gostar mais de mim
A vida foi passando
E eu insistia que havia uma boa razão
Pra prosseguir sendo um bom homem
Sem querer ser melhor em nada
Apenas via a cada dia que amanhecesse
Como a uma nova oportunidade
De fazer o meu melhor
Pelo mundo, por Deus, pelos meus irmãos
Hoje eu olho pro mundo
Olho a vida
Olho pra mim mesmo e pra cada manhã
Que foi perdida no meu passado
Percebo que a gente não precisa
Ver a vida como oportunidade
de ser bom ou agradar a ninguém
Na verdade
O mundo não está
Prestando a mínima atenção
Pois o ato de viver neste mundo
Não chega a ser compromisso
Contrato ou obrigação
E as coisas que eu faço hoje
A maneira que faço as coisas
Conduzindo meus próprios passos
Tem de estar de acordo
Unicamente com a minha consciência
E a maneira que eu achar a mais certa
Quando ninguém estiver me olhando
Sem procurar santidade ou atenção
Pois ninguém está olhando mesmo
Pra nada de certo que a gente fizer
Ou deixar de fazer
A não ser que faça errado
Pra ser apontado, julgado, condenado
A solução que encontrei
Pra viver esta vida
É eu mesmo saber
Se presto ou não presto
Sem corar branco ou vermelho
Diante do espelho
Sem jamais e nunca mais
me ater ao julgo de ninguém
...de resto
Eu deixo este mundo de lado e amém
Pois nem a gente e muito menos a vida
Tem que ser bom ou ruim
Ela é só vida
E eu sou apenas alguém
Que não vai consertar
E nem carregar os pecados do mundo
Isso não me dá o direito de piorá-lo
E nem obrigação de fazê-lo melhor
Mas a tudo de melhor que eu puder fazer
Eu o faço pra ficar de bem comigo
Sem esperar aplausos do mundo
Pois, a bem da verdade
Isso é coisa que nunca vem.
Edson Ricardo Paiva.
Um pouco mais distante.
Era uma vez um cara
Que viveu num tempo
Um pouco mais distante
E saiu de casa de manhã
Em busca de uma longa espera
Na ânsia, como a conhecemos
Confundindo lágrimas com pérolas
Enxergou como pérolas grandes
As coisas simples e pequenas
Na inexperiência
de quem não se afasta,
Nem guarda a devida distância
Mas ele era apenas um cara
Que viveu num tempo diferente
E saiu pra colher diamantes num campo florido
Se soubesse, que depois do sol à pino
Perderia o rumo (no silêncio há sombras que se arrastam)
Inebriado, pelo falso colorido do desconhecido
Não tivesse ido tão longe
Escolhesse outro destino
Recolheu migalhas, como os próprios pássaros
Que apagaram o rastro na floresta
Só que agora ele não era mais
apenas mais um cara
Que viveu num tempo um pouco mais distante
Era alguém que estava perdido
Tão perdido como todo tolo
Que pensava saber onde estava
Iludido por pensar saber quem era
Perdido desde o dia
Que saiu de casa em busca de uma longa espera
O mundo não era assim
Porém, tinha se tornado, ao fim
Pra alegrar os olhos
de todo aquele que se vê perdido
E que, a partir de agora
Pra sempre ele estaria assim.
Edson Ricardo Paiva.
Hoje em dia não posso mais
Correr como eu corria
Se eu tentasse
Tenho certeza
Que com o tempo
Recuperaria o meu fôlego
Perderia esse jeito
Trôpego de agora
Não vejo razão pra isso
Não há mais com quem correr
Aqueles amigos partiram
Os meninos que corriam
Se foram todos embora
Não saem mais para brincar
Parece que me esqueceram
Inventaram uma brincadeira
de esconder
Em que a gente procura
E não encontra
Entraram num túnel
de onde ninguém sai
depois que entra
E eu fiquei aqui
Sentado à sombra da saudade
Privado da liberdade
de rir como a gente ria
E a cada amigo que partia
Uma parte da minha vida
Consigo eles levaram
Ou será que ainda estão lá
Esses pedaços?
Em cima de árvores que cortaram
Ruas de terra que asfaltaram
Bicicletas que enferrujaram
Nos planos que a gente fez
e eles não viveram
Pra cumprir
Foram viver em outros mundos
Outros planos, outros níveis
Às vezes eu os sinto aqui
Ninguém vê, só eu os vi
Pois hoje eles são apenas
Meus amigos invisíveis.
Hoje
Eu pensei em você
Passei um tempo assim
Meio triste
E meio sem saber
O quê te fiz
Olhando fotos
Hoje, antigas
Fitei-me no espelho sem mentiras
Concluí
Que ainda sou o mesmo
Porém o teu olhar
Mudou demais
Há ainda
Um Oceano infinito
de lugares vazios
Ao redor de mim
Você não quis ficar
em nenhum deles
mesmo assim
Aquelas quadras de amarelinha
e a corda que a gente pulava
Estão para sempre apagadas
das tardes que, porventura
você talvez ainda traga
Nesse teu duro coração
E assim
A história se acabou
antes do fim
Melhor eu levantar-me
e ir-me embora
No teatro que encenas na vida
Eu sei, não pode haver
Lugar pra mim
Às vezes, enquanto anoitece
Me sento num canto qualquer
E dirijo uma prece ao tempo
Imploro que ele me esqueça
E o tempo, sem muita pressa
Responde que eu não lhe aborreça
Então eu o ouço e fico mudo
Estudo como ele trabalha
A maneira com que faz as entregas
E quando vai, tudo carrega
O tempo que nada nos nega
Enquanto passa; tudo nos toma
O tempo é uma fera que não se doma
E me espera na próxima esquina
Passa por mim enquanto anoitece
Falso amigo que não me esquece
E me torna a cada dia mais cansado
Me disse uma vez no passado
´´TE darei o que quiseres,
Farei o que me pedires
em seu caminho haverá arco íris
no teu Céu porei estrelas
porém, a nada se apegue
pois um dia haverá de perdê las
Não espere que eu te obedeça
nem imagine que eu vá esquecer te
És semente que um dia eu plantei
e um dia haverei de colher te´´
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