O Silencio de uma Tela em Branco
O velho ditado versa que a palavra é de prata e o silêncio é de ouro. Corrigindo, a palavra é de prata, o silêncio é de ouro e latidos, miados, mugidos, relinchos, pios, canto de pássaros e todos os sons da natureza instintiva, são de diamante.
Talvez o silêncio seja a melhor opção, mas quem disse que consigo ficar um dia sem pensar em você? Sem imaginar nós dois juntos, sem te amar... Odeio esperar, o que fazer se nada mais depende de mim e se já estraguei tudo de novo? O que fazer se devo desistir, esquecer e não consigo?
Se o teu silêncio emudecer no meu, e juntos se acasalarem numa plenitude imoral, é chegado o sinal que nossa paixão efêmera é bem possivel.
Tem horas, que você prefere não se ouvir,
pois o silêncio que vem de dentro,
é doloroso demais para soltar-se num grito.
___Lene Dantas.
Caçando as palavras mais lindas para te falar, as que eu encontro em um silêncio do olhar, no meio do horizonte, na imensidão do amor...
"Eles fazem amor"
Eles são iguais
Na medida em que se desigualam
O silêncio
Em que, sem querer, falam
Não diz nada além do que, sem querer, pensam
Eles são respostas
De perguntas que não precisam ser feitas
Eles fazem amor
Eles não tem duvidas
Que toda certeza traz um pouco de insegurança
Ele faz musica, ela dança
Eles fazem amor
E vem...
Os olhos mirando o bloquinho, sou zanho, sou zen, sozinho. Quebrou-se o silêncio, no barulho do meu copo, o gelo frenético batendo no fino e fanho vidro, ao ser mexido pelo dedo. E vem o convite à escrita...
O verbo naufraga em silêncio
[como de costume]
E eu, avessa a tudo
Levo comigo o cofre com os meus sete desejos
Não há vírgulas enquanto sigo viagem
Há um único e maldito parágrafo
Que grita sem misericórdia!
E eu! Eu hemorrágica!
Nada estanca os delitos
Que saem das minhas veias rompidas
Confesso meus homicídios, mas não peço perdão
Há lacunas, há culpa, há sulcos em minha testa
(e há vultos passeando pela minha sala)
Tempo, tempo, tempo
Lembro salmos, provérbios, versículos
Percebo que desenho minha própria caricatura
[e não vejo graça alguma]
Continuo sangrando e quase desfaleço
Apresento os polos da minha versatilidade
Enquanto volto atrás e lembro-me que azar também é palavra
(mas que não se pronuncia)
Tento a sorte, então
E pergunto por deus...
[que mudou de endereço faz tempo]
Vê, Senhor, o meu olhar de súplica!
Trarias de volta a alegria da minha inocência???
E minha alma? Levaria de vez contigo?
Resgata-me com teus tentáculos de piedade
Ou,
Marca pra mim uma audiência com Cristo
Fala que sou poeta.
E desejo que ele escreva o prefácio do meu livro
Livro da Morte
Onde falo das minhas únicas certezas:
Do fim
Da decomposição da matéria
Dos ossos secos
Das minhas mentiras atenuadas pela licença poética
Ai de mim! Ai de mim!
No Livro da Morte
É onde escondo o meu vocabulário chulo
E os meus medos, os meus enganos, e todo esse meu ódio por ser volátil!
E por estar em um caminho sem volta
Mas há consolo, mas há poesia, mas há canções de amor por toda a parte
Então prossigo
Naufragando com um meio sorriso
Vou reticente...
Sempre.
Até achar o ponto.
E no quebrar do silêncio haverá sempre de ter um bom sorriso, melhor que calar é sorrir pelo fato de não ter dito nada e saber que tudo permanece como deveria ser!
Posso expor minha vida, mas silencio meu planos.
As expectativas e conquistas deles me fazem feliz.
E só eu sei!
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