O que Nao Elabora se Repete Freud
O maior perigo para a liberdade talvez não seja o tirano que proíbe, mas a multidão que exige proibições em nome da própria virtude.
A lei torna-se injusta quando pretende resolver pela força aquilo que a razão ainda não conseguiu resolver pelo argumento.
Uma sociedade realmente esclarecida não teme que seus princípios sejam questionados; teme nunca mais questioná-los.
A verdade não precisa de polícia; quem precisa de polícia para proteger uma verdade talvez possua apenas uma crença.
A dúvida não destrói a razão; impede que a razão se transforme em autoridade sobre aquilo que desconhece.
O maior triunfo do Iluminismo não seria descobrir todas as respostas, mas tornar legítimo perguntar novamente.
A liberdade precisa de leis não para impedir o pensamento, mas para impedir que alguém possua o pensamento dos outros.
O verdadeiro esclarecimento não consiste em substituir antigos dogmas por novos, mas em conquistar o direito de duvidar de todos.
A consciência não nasce preenchida por verdades prontas; é a experiência que fornece à razão a matéria com que ela constrói o conhecimento.
O intelecto não inventa sozinho aquilo que conhece; grande parte de sua matéria-prima chega através da experiência.
Nossas ideias não são necessariamente reflexos perfeitos da realidade; são construções do entendimento que precisam ser examinadas pela razão.
Onde a experiência não oferece matéria ao pensamento, a razão pode imaginar possibilidades, mas dificilmente poderá transformá-las em conhecimento seguro.
Reconhecer os limites do conhecimento não diminui a razão; impede que a ignorância seja disfarçada de certeza.
Liberdade não significa ausência de toda norma; significa não estar submetido à vontade arbitrária de outro ser humano.
O poder político não pertence pessoalmente ao governante; é uma responsabilidade confiada para proteger direitos que não foram criados pelo próprio poder.
O Estado encontra sua razão de existir na proteção da vida, da liberdade e dos bens, e não na transformação do cidadão em objeto de sua autoridade.
A sociedade política não deveria apagar os direitos que os indivíduos possuíam antes do Estado; deveria criar mecanismos capazes de protegê-los contra a arbitrariedade.
A lei não encontra sua dignidade na capacidade de constranger, mas na função de limitar a arbitrariedade e tornar previsível o exercício da liberdade.
