O que Nao Elabora se Repete Freud
Reflexos no espelho
Mesmo que veja mil formas em mim
Cada olhar é só sombra do que não tem em si
Eu caminho pelas minhas ruas de vento
Cada passo meu é poema que invento
E se me julgar pelo que faço ou deixo
É reflexo dela, não do meu desejo
Faço por mim, canto por mim
Não é culpa, não é dívida, não é fim
O mundo pode sentir, pode comentar
Mas o coração que pulsa é só meu lugar
A cada nota que solto na noite vazia
Eu devolvo ao silêncio a minha alegria
Se houver espinhos no que deixo passar
São sementes que nela vão brotar
E que veja o que falta, não o que tenho
Que a sombra do outro não apague o meu lenho
Porque cada gesto, cada fio de voz
É meu, é meu, não importa o que ela sós
Faço por mim, canto por mim
Não é culpa, não é dívida, não é fim
Que ela veja, sinta, chore ou sorria
O que eu busco é só minha poesia
O que fica
O que fica depois do tempo,
É o toque que não foi vento,
É o amor que fica mesmo
Quando o corpo já se foi...
Fica o som da tua risada
Pendurada na varanda,
Fica o cheiro na lembrança,
Fica o rastro do que eu fui...
Fica o gesto em tua xícara,
O café que nunca esfria,
Fica a calma e a ventania,
Fica o canto que te inclui...
Fica o que a pressa não levou,
O que o tempo não varreu,
Fica a fé no que restou,
Do que é teu, do que é meu...
Fica o sol na tua sombra,
O abraço que desdobra,
Fica o sim que o medo ouvia
Mas fingia que não via...
Fica a paz no improviso,
Fica o passo sem aviso,
Fica o amor que não precisa
De promessa pra existir...
Fica o que a pressa não levou,
O que o tempo não varreu,
Fica a fé no que restou,
Do que é teu, do que é meu...
E se um dia eu me perder de mim,
Segue o som, segue o jardim...
A flor só floresce onde há espera,
E o amor só vive se for primavera...
Fica o que a pressa não levou,
O que o tempo não varreu,
Fica o amor que resistiu,
Mesmo quando tudo ardeu...
O que fica depois do tempo
É o toque que não foi vento...
É você.
A Razão do Amor
Não tem fórmula, nem explicação exata,
não se mede em lógica, nem se conta em valor —
é a resposta que o coração desata,
a própria essência do que é viver com amor.
Está no olhar que compreende sem falar,
na mão que ampara quando o caminho é incerto,
é a força que ensina a perdoar,
o refúgio do mundo mais aberto.
Sua razão é simples e profunda:
faz de dois um só, sem perder o próprio ser,
transforma a dor em calma fecunda,
e ensina a alma o jeito certo de crescer.
Não vem de fora, brota do interior,
é a verdade mais pura que existe —
a razão do amor é o próprio amor,
que faz a vida ser mais bela e mais forte. 💛
A capacidade de racionalizar a dor a ponto de não senti-la não é uma demonstração de alta inteligência emocional, mas apenas um de seus aspectos. Inteligência emocional também é permitir-se sentir, seja a tristeza, seja a felicidade.
Racionalizar um sentimento é como correr para um abrigo em um dia de chuva: em algum momento, você terá que se molhar.
A racionalidade nasce da introspecção; a introspecção, da dor. Não há guerra sem cicatrizes. Quem se aventura pelos mares da própria consciência corre o risco de naufragar no próprio ego.
Maturidade:
"A verdade não deixa de existir só porque alguém decidiu não concordar com ela."
@Suédnaa-Santos
Há muitas pessoas que nada sabem; contudo, o maior problema não reside na ignorância em si, mas na atitude de fingir saber. Ao assumir tal postura, acabam por fechar a porta à oportunidade de aprender, pois quem acredita já possuir o conhecimento dificilmente se dispõe a buscá-lo.
Assim, a verdadeira limitação não está no não saber, mas na recusa silenciosa de reconhecer a própria ignorância e transformar essa consciência no primeiro passo para o aprendizado.
Não destruam a capacidade das crianças de sonhar. Não desestruturem, em suas mentes, os princípios que orientam a formação da família e dos relacionamentos. Não lhes apresentem como modelo a prostituição, a embriaguez, a violência doméstica, a busca desenfreada por bens materiais ou concepções de sexualidade que contrariem os valores morais e religiosos que suas famílias desejam transmitir. Não lhes vendam uma existência distante de Deus e dos princípios espirituais que dão sentido à vida.
As crianças necessitam de referências que fortaleçam o caráter, a responsabilidade, o respeito, o amor e a esperança. A qualidade moral e humana de uma sociedade depende da formação que oferece às suas futuras gerações.
Somos a versão que quase ninguém vê.
Somos o que dizemos sobre os outros quando eles não estão por perto para ouvir. Somos o resultado das batalhas que travamos em silêncio, dentro de nós mesmos.
Somos, muitas vezes, aquilo que criticamos nos outros, mas praticamos às escondidas. Somos um pouco do que as pessoas enxergam em nós, mas também muito do que escondemos do mundo.
Somos os desejos que guardamos por medo de sermos julgados, os sonhos que não confessamos, os gostos que preferimos manter em segredo.
Somos a forma como enfrentamos os nossos próprios conflitos e, ao mesmo tempo, a maneira como julgamos os conflitos alheios.
No fim, somos um conjunto de luzes e sombras, de verdades e contradições. Conhecer quem realmente somos exige coragem, porque a nossa essência nem sempre está naquilo que mostramos, mas principalmente naquilo que fazemos quando ninguém está olhando.
Não é falta de carácter, nem desinteresse, muito menos mesquinhez. É a vida adulta.
Na vida adulta, as relações já não nascem da mesma forma que na nossa fase embrionária. Na infância e adolescência, tornamo-nos amigos sem termos nada para oferecer além da nossa presença. Criávamos laços para viver aventuras, partilhar sonhos e crescer juntos. Nessa fase, nem o ter nem o ser eram condições para uma amizade; bastava existirmos.
Na vida adulta, a realidade muda. As pessoas aproximam-se, muitas vezes, porque existe algo que as une: o mesmo ambiente, a mesma profissão, os mesmos objetivos ou algum valor que um pode acrescentar ao outro. Não significa que as amizades adultas sejam falsas, mas, na maioria das vezes, antes da amizade existe um ponto de encontro, uma utilidade, uma afinidade ou uma oportunidade de convivência. É dessa convivência que, por vezes, nasce uma verdadeira amizade.
Por isso, é tão importante preservar as amizades da nossa fase embrionária. São essas pessoas que nos escolheram quando não havia títulos, dinheiro, estatuto ou reconhecimento. Escolheram-nos antes das luzes, antes dos holofotes, antes dos fatos elegantes e dos privilégios. Permaneceram porque encontraram valor em quem somos, e não naquilo que possuímos.
Essas amizades são um lembrete de que existem pessoas capazes de amar a nossa essência, mesmo quando a vida não sorri, quando os planos falham e quando nada parece dar certo. São raras e, por isso, merecem ser cuidadas como um dos maiores patrimónios da vida.
— Gilguete
Amar também é entender que a outra pessoa pode ser feliz sem você, é suportar a saudade pra não atrapalhar o caminho do outro.
