O que as Pessoas Querem que a Gente Seja
Cancela tudo
Eu conheço gente muda
Que diz coisas melhores
A melhor arte que existe
É aquela que me faz
Sentir em Marte
e mesmo assim
Sentir-me em paz
E sem vontade de voltar
e se voltasse
Eu pediria a Deus
Que me fizesse vagalume
e que a minha bioluminescência
Atraísse um amor ciumento
na medida exata
Pois amor sem ciúme é crime
e ciúme demais incrimina
bom mesmo seria
viver de uma maneira criminosa
e ter como comparsa
um amor amigo
e nessa cumplicidade
viver a vida
cometendo crimes sem castigo
Seríamos algozes de nós mesmos
felizes simplesmente
por estar juntos um do outro
e que todos os demais
se esquecessem da gente.
Um dia a gente pensa
Pensa sinceramente
Pensa com a mais profunda
pureza do coração
Pensa em desistir de tudo isso
E quem pensa assim
Pensa por sentir-se só
Mas nunca está só
Está comigo
Pois eu quase desisto
Constantemente
Mas então a gente pensa de novo
E faz de conta
Que está tudo bem
E mesmo não estando
A gente mente
A melhor mentira que existe
é aquela que convence o mentiroso
E se ela não convencer
A gente insiste
O gostoso nesta vida
é viver mais um dia
Viver de verdade
Mesmo que seja
Uma verdade de mentira
A capacidade
de aplacar a própria ira
é que um dia irá
Fazer com que a gente
deixe pra este mundo
pelo menos
Um pouco de saudade
Nem tudo precisa ser
da maneira que a gente quer
Pode haver coisa melhor
Se a gente der uma chance à vida
Talvez ela até nos surpreenda
Nem sempre a razão
está perto de mim
Pode sim, chover no deserto
A gente só não pode
desertar da vida
Apenas porque ela
Não cumpriu a nossa vontade
O destino nunca entra em nossa casa
e põe a verdade sobre a mesa
A melhor coisa que há na vida
É de manhã sair de casa
E quando voltar cansado
deixar a tristeza de lado
tirar do bolso
a pouca verdade que restou
E reconhecer-lhe a qualidade
Por saber
Que aquela sim, é a que vale
Pois foi você que a conquistou.
Eu pensava
Que tudo na vida
Podia fazer sentido
Conforme a vida vai passando
A gente percebe que não sente
Que aos poucos vai perdendo
Muita coisa que realmente interessa
O tempo passa
E apesar de passar
Sem nenhuma pressa
Quando a gente olha os tempos idos
Percebe que a vida passou
Rapidamente
A vida passa de repente
Repentinamente
Sem fazer sentido
Ela te escapa e passa
pelos cinco sentidos
Sem ao menos ser sentida
Inesperadamente
a gente olha e sente
Que a vida passa
e Parece que passou por mim
Com muita pressa.
Quando o choro vem
Ninguém tem nada com isso
E quando a gente ri
Faz isso sem compromisso
A tristeza está sempre atada
Ao fato da compreensão
O ato de ser feliz
É porque finalmente
Eu não quis saber de nada
Eu olho ao redor e percebo
Que a vida é uma obra de arte
E eu faço parte deste Universo
Sou um verso à parte
desta poesia perfeita
Escondida na luz
Uma pauta de sete cores
e dá vida ao perfume das flores
Quando olho pros lados
O traçado do voo dos pássaros
Finalmente faz sentido
Porém, está tudo escondido
Aos olhos de quem não sente
Amor e gratidão suficientes
A fatalmente iluminar o coração
e despertar nele a certeza
de que a vida
É a mais perfeita canção
e nela está inserida
em cada oração de letras escondidas
Muita beleza
a passar despercebida.
O que a gente precisava, realmente
Era um mundo mais positivo
Mais abraços e menos discursos
Menos ira e prepotência
um pouco menos de mentira
De gente que fosse lá
E visse a cara da verdade
Ao invés de tanta credulidade
Menos aplausos pra tanta indecência
Um pouco mais de livros
Um pouco mais de voos de pássaros
E mais água pura nos cântaros
Menos gols combinados
Menos troféus comprados
Nenhum resultado tratado
Cansei-me se ser enganado
E que daqui a cem anos
Só houvesse verdades nos arquivos
Basta de corte nos orçamentos
Somente quando o destino do gasto
For o refestelo e o repasto do povo
Basta de tirar o ovo da ave
Cansei de ver bola na trave
Não cheguei até aqui
Pra contar somente com a sorte
O que a gente precisava
Há de ser bem mais ativo
Precisamos de mais coisas belas
Em vez de telas pintadas de morte
e tantas mortes ao vivo
Precisamos de mais arte
Mais ciência
Mais fotos de Marte
Mais festas de aniversário
Mais festas no calendário
Um pouco mais de alegria
Um pouco mais de trabalho
Precisamos disso urgente
Antes que se acabe o dia.
Há mais coisas sobre a gente
Que a gente não sabe
Que é melhor nem mesmo pensar
Não é medo de andar de avião
e nem vontade de pisar com o pé no chão
Perdi meu medo de fantasma
Mas às vezes me assusta o marasmo
Me assusta o descaso
Me assusto em ver
Tanta gente que se supervaloriza
Sem que ninguém as avise
Que tanto brilho
Que enxergam em si mesmas
São pelo fato de viver ensimesmadas
Mais nada
O que a gente, às vezes, não percebe
é que não é preciso nada disso
Pois o nosso compromisso
é com algo invisível
E quando a gente
Atinge o grau da simplicidade
Acabou de subir um nível
Não faz mal ter medo de escuro
O mais puro medo que se oculta
é aquele
Que nem mesmo o coração escuta
e a alma refuta
Um medo descabido
Que a cada dia
Tanto mais descabe
Mesmo que a casa caia
Nem mesmo que o Céu desabe
A gente vai morrer sem saber
Muita coisa sobre a gente
Que a gente não sabe.
Abaixo do Sol
depois de outra noite
sem sonhos
Tanta gente acorda
E se propõe a sonhar
Portanto se lavantam
E se põe a correr devagar
Por uma estrada acidentada
Que a bem da verdade
Ninguém sabe onde ela conduz
Talvez não leve a nada
Inconscientemente acordados
Fazem um acordo consigo
Abaixo do Sol
Muitos sonhos amansam
Tristonhos
Se lançam à vida
Numa dúvida doída
A única certeza
é que as folhas caem
após o outono
Mas os sonhos não descansam
Talvez seja por isso
Que em certas noites
Eles não vem durante o sono.
Existem coisas tão bonitas
Que a gente pensa
Que não estão aqui,
Não acredita e não espera
Pois elas estão escondidas
Atrás daquela densa atmosfera
Que criamos ao nosso redor
Que é pra nos proteger
E tornar este mundo
Um lugar um pouco pior
Essas coisas bonitas
Existem de verdade
Estão espalhadas
Nas coisas grandes
escondidas nas pequenas
Aguardando apenas
Um pouco de boa vontade
Pra poder saltar aos olhos
de quem não acredita
Que fadas vem na madrugada
E que há Anjos
caminhando na Avenida
Não crê
No Sorriso de Deus no pôr do Sol
E Seu Olhar, a nos guiar no escuro
Nosso Farol, Nosso Porto Seguro
Seu carinho na chuva que molha
E a nova vida que brota
Protegida
Sob a folha rota
E se oculta aos olhos de quem
Não vê e nem quer ver
E passou pela vida
Sem ter aprendido nada
Um dia o mundo Deus criou
Criou a vida pra viver
do jeito que a gente escolher
e não me pergunte por quê
Mas eu nasci pra te querer]
e de tanto querer vou vivendo
todo dia um pouco morrendo
vivendo de amar você
a saudade faz doer
e essa dor me faz sentir
mais vontade de você
um querer que me faz viver
e eu vivo de te querer
pois nasci pra te querer
portanto não posso te ter
porquanto se te tivesse
não tinha razão pra viver
Nada na vida muda tanto a gente
quanto este tal de tempo
Algo abstrato, algo que não se mede
Porém, mente estratosfericamente
Quem diz que os sentimentos
são inatingíveis quantitativamente
Nunca mais pude me expressar tão bem
como quando era criança
e podia ignorar as regras
"Mãe, eu gosto de você até no céu"
"Minha amizade por você é maior que o mundo"
Todo mundo morria de rir
enquanto eu vivia chorando
mas me vinha aquela ideia de vez em quando:
Quando crescer, serei poeta
e quanto mais souber escrever
menos usarei a forma correta
criaram tanta regra pra gente
me impedindo de ser feliz,realmente
Três toneladas de felicidade
dez quilômetros de alegria
quinhentos graus de entusiasmo
porém a justa forma
transforma tudo em marasmo
desisti de ser poeta
usando as unidades de medida
de forma correta
E enquanto o tempo eu media
os anos me consumiam
enquanto os dias contava
o tempo me transformava
nada muda tanto a gente quanto ele.
Eu queria saber aonde é Longe
lugar tão simples, ignorado
e que tanta coisa abrange
a gente sempre ouve falar
de tanta gente que está lá
que veio de lá
ou que está pra chegar
e vem vindo de lá
eu às vezes chego a pensar
que longe é aqui
Longe dos sonhos
longe das soluções
longe de quem me entenda
longe de quem goste
de mim de verdade
eu esperava no passado
por um dia que estava longe
esperava sem perceber
que a cada dia que passava
eu ficava cada vez mais longe
Longe de quem me amava
longe de quem me queria
longe de quem
junto comigo sonharia
eu queria ir pra bem longe
mas esse lugar está
muito distante
no tempo e no espaço
e agora não sei o quê faço
já que tudo agora
está tão longe
A gente se dá
todo nosso amor
depois se retribui
em companhia
me chame para ver
o pôr do Sol
qualquer dia
não é preciso
ter dinheiro
a gente se senta
aqui no quintal
e se lembra
do quanto pode ser bom
dividir um momento
assim tão normal
mas que parece
que o esquecimento
ou algo assim
transformou num
incontrolável vendaval
a distração pra completar
não deixa ver
que minha companhia
ainda pode ser sensacional
você faz o chá
e eu ligo o rádio
faz de conta
que hoje
é nosso primeiro dia
ainda me lembro
o quanto você ria
então
vamos olhar o Céu
e procurar vestígios
da passagem do rouxinol
então espero
me chamar
pra ver
o pôr do Sol
Quando a gente era criança
e a mãe deixava sair
Depois da chuva
a gente podia então
dividir a rua
e fazer guerra de barro
Eu puxava o galho baixinho
E chovia de novo em você
Que escrevia meu nome
com folhas
O vento carregou meu nome
o tempo passa e tudo some
Fica a saudade
Que a chuva carrega
pra terra da recordação
Em vez de barro
Hoje a chuva
Faz tristeza
Hoje a Mãe deixou sair
Mas eu queria
ficar no quarto
e tentar ficar contente
ao lembrar
Que um dia
Eu podia puxar a folha
E então via chover
Novamente
Sobre você
Que ria.
Não é nada disso
E não há nada que faça
A gente saber como é que faz
Compreender ou saber explicar
A enxergar o que há atrás
da cortina de fumaça
Atrás daquela porta
O sentido daquela palavra
Que disseram e não entendi
Agora não importa
A palavra já está morta
E só eu fiquei aqui
Olhando pela janela
O sino suspenso
No alto da Torre da Igreja
Lugar aonde penso
em pendurar meus pensamentos
Quem sabe assim
Alguém veja
Mas não há nada que faça
Compreender ou explicar
Coisas que nem precisavam falar
No meu tempo de criança eu entendia
No gesto, no olhar
E até num pensamento
Antes que fosse exposto
Agora já não importa
Só eu fiquei só
Aqui.
Eu queria escrever um poema simples
Que falasse um pouquinho só
De coisas que a gente, normalmente
Tem deixado sempre de lado
Eu queria dizer coisas
Que te fizessem perceber
Ou que talvez me acordassem
E fizessem olhar
Pro ar
Pro Mar
Olhar para o Céu
Parar de olhar somente
Para as coisas que definitivamente
Não valem
Por mais que, de repente
Me calem
E que mais tarde
Olhando direito
Não convencem
Muito menos
Impressionam
Pois, na verdade
Nada me impressiona tanto
Quanto os raios do Sol
A fugir por detrás das nuvens
Irradiando Luz prateada
Eu queria só saber
Por que é que não consigo
Te convencer
Por que é que você
Olha, ouve... diz que pensa
Faz cara de paisagem
Mas nunca, porém
Entende nada
Continua vivendo ensimesmada
Parada, julgando o que não viu
Chorando o que não sentiu e nem viveu
Por que é que eu não consigo
Num simples poema simples
Fazer-te entender
As coisas que digo?
Quando a gente era criança
e a mãe deixava sair
Depois da chuva
a gente podia então
dividir a rua
e fazer guerra de barro
Eu puxava o galho baixinho
E chovia de novo em você
Que escrevia meu nome
com folhas
Faz tempo que o vento
carregou meu nome
O tempo passa, tudo some
Vão-se com as escolhas
Fica a saudade
Que a chuva carrega
pra terra da recordação
Em vez de barro
Hoje a chuva
Faz tristeza
Hoje a Mãe deixou sair
Mas eu queria
ficar no quarto
e tentar ficar contente
ao lembrar que um dia
Eu podia puxar a folha
E então via chover
Novamente
Sobre você
Que ria.
Quando a gente era criança
Pensava que os jovens
Eram bem mais espertos
E conheciam melhor que a gente
Os passos de cada dança
Mas passam-se alguns dias somente
E quando a gente vê
Já os alcançou também
Mas ninguém, absolutamente ninguém
Ninguém nos avisa
de que a gente não precisa
Conhecer os melhores passos
Pra poder saber viver
Pois o mais culto nem sempre dá certo
O tempo faz os melhores laços
E os lança sobre todo mundo
Pois a vida não é à toa
E a vida boa é ilusão que se vai
E quando eu era adulto que nem meu pai
Pensava que os velhos sabiam de tudo
E os mais velhos, a seu momento
Faziam cara de sérios
Levantando a aba do casaco
A esconder o rosto ao vento
E diziam que cada idade
Tem seu tempo e tudo mais
Mas a mais pura verdade
É que a gente jamais cresce
Porque não dá tempo pra isso
A vida corre depressa demais
E a gente, compromissado
Não vê que deixou de lado
A coisa mais importante da vida
Que era dançar sem saber o passo
E era prender para sempre
Pertinho de nós
A um único abraço
Aquele que a gente queria
O importante é saber
Que por mais tempo se viva
Não se sabe ou se vive o bastante, jamais
Pois o tempo, sim; joga seus laços
Mas cada um tem seu tempo
E todo nó se desfaz.
Edson Ricardo Paiva
Quando a gente se sente só
E solidão é só o que se sente
Percebe que a solidão
Nunca chega só
Pois sempre vem junto a ela
Um frio suor nas mãos
Arrepiando a barriga
Na visão da janela fechada
Um rio de tristeza
Inundando o coração
Vem a inseparável saudade
E não vem mais nada
Solidão, quando é da boa
Faz ouvir a uma voz que ecoa
E é sempre uma só, somente
Causando um cortante frio
Daquele que dói a alma
Num vazio de não sei o quê
Pois a solidão
Não é só estar só
É estar diante do mundo
E não ver o chão
É querer voar, sem ter ter asas
É buscar ao odor do alecrim
Num jardim de malmequeres
Sem haver no final do dia
Uma casa pra voltar
E, sem ter aonde ir
A solidão vem dizer
Que não há no mundo lugar melhor
Nem na vida coisa pior
Pois qualquer lugar é lugar.
Edson Ricardo Paiva
