O Poeta e o Passarinho
Quem sabe ou na certeza de sermos obra Dele...cruzamos as linhas do destino para sorrirmos enfim.
Arquiteto ímpar das nossas vidas...desenha as nossas asas para flanar novos ares e para velejarmos novos mares.
Nele coloco as minhas mais puras convicções de fé, de perseverança, pois sem a caridade não há obra edificada.
A vida é a oferenda dos detalhes mais singelos quando as sutilezas do afago clareia a noite escura pintando as estrelas com os seus olhos que desnudam a minha alma nesta entrega verdadeira.
Leve o suave cântico dos céus para ninar a sua noite confortando-a num sono amorável e repleto de sonhos já vividos para continuar o seu sorriso que tanto afaga.
Mergulho neste arrebol e não há nada mais dignificante do que a possibilidade de sentir estar magnífica obra do Criador.
Criatura imperfeita que sou... resta-me, apenas, agradecer: obrigado Mestre por poder senti-lo em cada linha da minha vida.
Canto.
Não tem sonoridade alguma.
Falo dos cantos que me encostam os sentimentos sem letras na declaração que canta.
Agora é melodia sofrida nesta solidão impura.
Não sei se é pior acreditar numa mentira fazendo dela uma verdade ou se é acreditar numa verdade fazendo dela uma mentira.
Enquanto o esforço se concentra em aferir o imensurável para auferir os resultados da alegria... o tempo passa, então, viva sem as máscaras do dia, pois a alegria não pode ser encomendada e, tampouco, adquirida em estabelecimentos comerciais.
Canto a falta de eco que tanto incomoda a minha alma.
Canto os ciscos do meu coração em cada estrofe e
em cada gesto que movimenta os vazios tão cheios de mim.
Muitas vezes marchamos por caminhos sem os cuidados dos avisos sentidos e, sem ao menos percebermos, estamos na repetição dos mesmos equívocos do passado.
Então, o tempo nos é concedido para meditarmos e
para sentirmos o que Deus nos oferece e só depois de amadurecidos os nossos sentimentos e termos eliminado os fantasmas do passado estaremos prontos para nova vida.
Ninguém poderá nos salvar das nossas dores, dos nossos desencontros.
Somos os únicos responsáveis por aquilo que temos e resultante de nossas escolhas.
A vida é a poesia vivida em cada gesto.
Os pontos são as vidas.
As reticências!... aquilo vivido e não encerrado em face da impossibilidade da eliminação das lembranças e das saudades.
Não pretendo nada além do meu merecimento.
Faço um enorme esforço para entender o que não mereço quando os pontos nascem do nada.
Quem disse que a vida tem preço?
Quase todo mundo.
Vivem pagando e comprando quase tudo... Só não conseguem encomendar a alegria e o respeito do próximo.
Muitas vezes ouvimos sons desajustados em forma de palavras que iludem nossa crença.
Muitas vezes somos as próprias palavras.
Queria não saber deste saber que pouco acrescenta ao conhecer a substância da essência necessária para não me lembrar de tantas coisas.
Quero pouco.
Pouco.
Nada...mas ainda quero saber de ti.
