O Poeta e o Passarinho
Viverei a chama que arde
No despontar da esperança,
E velarei o divino amor
No esplendor da aliança!
Que queime com intensa porfia
Enquanto a vida avança!
E viverei a chama que arde
No despontar da esperança!
Ao calor dessa bonança,
Desfrutarei o fim da tarde
Com a serena chama
Que outra vez me invade;
E no despontar da esperança,
Viverei a chama que arde!
Por sua divina ternura,
O amor renasceu
Da forma mais pura
Que em mim resplandeceu!
E nesse tempo abrasador,
A minh’áurea te escolheu!
Tudo tem um tempo certo,
Não adianta s'avexar,
Pois tem gente do seu lado
Tentando te derrubar!
Torcendo por sua queda
Por ver sua luz brilhar!
Não se entregue a tristeza,
E nem se atreva a chorar
Quem não gosta de você
Amaria festejar,
O pranto que empataria
A sua luz de brilhar!
Levante sua cabeça,
Não se deixe abalar
Não viva amargurado
E não vá se envenenar
Com aqueles que se entrevam
Por ver sua luz brilhar!
Vivi muito tempo tentando me adaptara essa fluidez,
acreditando que era preciso correr,
produzir, seguir sem apego.
Com o passar dos dias, fui entendendo
que alguns sonhos pedem espera,
outros se desfazem,e há aqueles que só surgem
quando o cansaço já ensinou demais.
Não era perda, era mudança de direção,
o rastro natural das escolhas feitas
em outros tempos de mim.
Para que eu escreva poesia que não seja política,
devo ouvir os pássaros, e para ouvir os pássaros,
os aviões de guerra devem estar silenciosos.
Sou como tantas árvores que secam
Em meio à multidão.
Mas renasço a cada amanhecer
Com um novo amor no coração!
Embora me digam... Que meus olhos são azuis
Eu ainda vejo as coisas em preto e branco.
Mais preto do que branco.
Embora o buraco do poço que eu me encontro
Seja fundo ou muito profundo
Assim mesmo, eu ainda quero
Uma corda para laçar a lua, e me libertar
Dessa escuridão.
Porque o amor nos toma por inteiro, o corpo a alma
E depois nos fatia o coração, em vários pedaços...
Prefiro me perder na escuridão dos meus olhos solitários
E viver num mundo sem culpa.
Que me encontrar na luz dos seus olhos traiçoeiros
E condenar a minh'alma... para sempre!
