O Poeta e o Passarinho
MENTE VAZIA:
Ecoa na minha mente
Aloo...
Vazia como o espírito
Levando apenas ideias reprimidas
Tem alguém aí?
Será que estou maluco?
Maluco? Você está maluco?
Fiquei sem resposta
Pois só ouço o eco
Mente vazia.
As vezes o vazio não é ruim
Do vazio que se florescem ideias
GRITO PRESO:
Nó na garganta,
O coração ferve,
A mente explode,
O grito que sai te endurece,
Destrói a alma,
Desgosto, ao olhar sinto cada vez mais.
Vontade de socar paredes,
De calar as vozes,
Grito continua preso em suas cordas
Grito encapsulado por um pavio prestes a queimar,
Por que? Me pergunto,
A garganta seca,
Os olhos se revirando,
A alma se despedaçando e se reconstruindo,
Grito, preso, não sai,
A chama queima e arde
Você não vai embora! Dizem os espéctros,
E eu encurralado, com o grito preso,
Apenas te odeio.
ACHISMO:
A vida é impaciente as vezes,
É curiosa como uma mãe brava,
E as vezes toma caminhos distintos,
Alguns caminhos doem como facas flamejantes,
Outros são como um campo de flores,
Mas essa é a vida,
Caótica, linda e importante.
Essa é a essência dela
Por isso é tão bela.
CRESCIMENTO:
Árvore germina,
Cresce, cresce,
A árvore cresce cada vez mais,
Começa a enrijecer sua casca,
Enrugar sua pele,
Criar labirintos internos,
Suas sementes se espalham,
Árvore germina...
NATAÇÃO:
Certa vez fui jogado na água,
Não sabia nadar,
Me debatia e me cansava,
Só pensava que fui jogado na água,
Minha mente fica em branco,
A vista escurece,
E a solução cada vez mais perto,
Me agarrei a borda da piscina.
AGUENTAR FIRME:
Me peguei divagando,
Pensando no eu,
Problemas,
Tudo consome,
Mas não me importo,
A porta continua aberta
Me divirto vendo a paisagem
"Você é louco" me dizem,
Eu nem ligo, o vento é mais fresco,
A casa queima,
Mas o calor não me incomoda.
SEM RESPOSTA:
Telefone toca e toca,
Mas continua sem resposta
Empoeirado e largado em um canto
O telefone toca,
Toca e toca,
Número desconhecido,
Vazio desconhecido
Ligação fraca e inútil,
As sirenes ecoam como um solo de guitarra
Você está bem?
Telefone para de tocar,
Mas o toque ainda ecoa
E mesmo assim fico sem respostas.
CONGELADOR FUMEGANTE:
Você congela e descongela meu coração,
Que como material orgânico, se desfaz
Com o choque térmico, me apago,
Chama fulminante,
Chama inquietante,
Chama que sai do congelador,
No qual congela a dor
E a aquece,
Se decida congelador.
UNHAS DE GEL:
Unhas de gel,
Garras artificiais,
Arma branca que me perfura o coração,
Colhe minha alma,
Ceifador enfeitado,
Foice de gel,
Gel amaldiçoado,
Danos permanentes,
Carcaça vazia.
MUNDO RÁPIDO:
Livros são chatos,
Luzes me atraem,
Letras são como um labirinto,
Flashes se misturam,
Quem é quem?
Luzes escritas em placas,
Livros queimados em eletricidade,
Isso é o mundo atual.
Se o que tenho na cabeça
Deixo sair pela boca,
De certo serei julgado
Taxado de boca loca.
Mesmo que seja verdade
As vezes sinceridade,
Te coloca numa fria;
Acredite no que digo
Silêncio não é perigo,
Mas sim, é sabedoria.
Meu quarto soneto
A tristeza
Substantivo abstrato;
Depende de alguém para existir;
É a marca da infelicidade;
É a companheira da saudade;
Ás vezes é motivo para sorrir;
Para disfarçar aquilo que qualquer pessoa ver;
Mas quando não tem jeito;
Não dá para esconder;
É a impotência de não poder ajudar;
É querer dizer e não falar;
É o sabor amargo da derrota;
É a consequência da desilusão;
É filha da traição e irmã do desamor;
É a distância entre a felicidade e a dor.
poeta Adailton
