O Poeta e o Passarinho
Vivo dias de chuva nas belas primaveras de minha vida;
Chuva de tristeza e desalento.
Dor que faz meu coração sangrar,
Dor essa, que não está doendo;
Vou ao inverno de meu ser
para mostrar o verdadeiro eu,
Pois deves analisar o homem ali,
Não nas suas belas e floridas primaveras.
Oh! Porteiro do céu,
Permita-me falar com o pequeno pastor
Para tocar uma canção para meu amor
Uma doce melodia, alegre e poética.
Contratar-te-ei para tocar para ela
Todas as manhãs.
Veja, meu amor, a flauta do pastor que tocará para ti.
Alegra-te sempre, pois és tua essa melodia perene.
Na tinta ardente dos meus versos, ecoa o querer,
De uma paixão que incendeia a escuridão,
Eloquente e amado poeta, és meu eterno prazer.
Entre suspiros e gemidos, na dança da paixão,
Mil sonhos, enquanto o tempo nos conduz,
Separados na eterna canção do coração.
Livro "Entre Pétalas, Desejos e Paixões"
Todos os registros CBL
O que posso ser
mais do sei ou mais do que sou?
O que penso conflita
Àquilo que imagino.
O que imagino
é a realidade paralela
do irreal.
Sou poeta;
Sou filósofo.
Sou ser humano
em busca do ideal.
Quão fácil é julgar alguém pelos erros dele, mas quão difícil é ser julgado pelos seus próprios erros! A balança da justiça não pode ser uma gangorra
Uma gota de lágrima machuca mais que dez gotas de sangue, pois as feridas do corpo se curam mais fácil que as feridas da alma
O segredo da vida é não ter expectativas, não crie falsas esperanças que possam resultar em tristezas reais
Há muito mais pessoas na plateia torcendo pelo teu fracasso do que esperando pra aplaudir o teu sucesso, o mundo é um lugar frio, cruel e sacana, mas você não pode abaixar a cabeça e desistir, não dê esse gosto para quem torce contra você, se esforce ao máximo para mostrar pra quem te apoiou que valeu a pena te apoiar e se esforce mais ainda pra mostrar pra quem torceu contra que ele perdeu sem tempo fazendo isso, você pode tudo, se tiver Deus do seu lado ninguém poderá te deter.
Fui, por tempos,
o mais ingênuo dos poetas.
Traduzi minha alma em escritos,
ofertados a rostos que jamais souberam ler;
justamente por esconderem-se atrás de máscaras.
As palavras — essas que julguei importantes —,
definhavam-se à medida do correr do tempo.
Então, tornaram-se meras lembranças do que poderiam ser:
pontes de transformação,
não muros de adorno.
Foi à escuridão do meu quarto —
a única leal que me restou —
que compreendi:
não era a beleza que faltava aos versos,
mas o merecimento dos olhos.
Toda poesia é imperfeita,
como todo homem;
e é essa a essência da natureza.
Os dissimulados, na vã procura do eterno,
hão de pasmar-se aos espasmos da tênue verdade.
Agora, ao ausentar-me,
deixo um rastro de luz contida —
mínima, talvez,
mas real.
Aqueles que um dia lerem,
não mais embuçados
— com a alma aberta —,
sentirão o brilho de minha partícula viva,
explodindo no silêncio cósmico.
“Não fui lido,
mas fui real.”
SOZINHO AQUI
Na minha infância morando na roça
Agente namorou pegados na mão
Em meio às rosas e a poeira do chão
Eu te beijei foi a despedida
No seu intercâmbio perdemos contato
Pra relembrar olhava seu retrato
Hoje ela voltou, quase nem acreditei
Se tornou um mulherão
E eu continuo com a mesma paixão
Olhando pela janela ela passou num carrão
Com o vidro aberto disparou meu coração
Ela me viu com um abraço aperta ela sorriu
Me apresentou o marido e os filhos
Vou continuar vivendo mais parece que morri
Foi um choque no meu peito porque nunca te esqueci
Você casou com outro e eu sozinho aqui
Sem querer olhei o calendário
Ta marcado a data que agente se conheceu
Foi um sinal do espaço
Você tão perto de mim se esqueceu
Vou continuar vivendo mais parece que morri
Foi um choque no meu peito porque nunca te esqueci
você casou com outro e eu sozinho aqui.
Carrego nas costas algumas décadas e, no peito, a certeza de que há muito a caminhar. Desejo ainda ser lido, mesmo depois de, enfim encontrar minhas origens. Até lá, espero que meus olhos pareçam mais sábios aos que me descobrirem. Não sou proprietário do que é meu. Tudo o que tenho e fiz só faz sentido se puder ser apropriado pelos outros, de alguma forma. Sou poeta, e a poesia não tem dono; cada um que a ressignifica torna-se coautor. Essa é a forma que encontrei para me tornar eterno, cada vez que for recontado.
Distopia.
Desajeitado, andei, falei,
pensei.
O estranho é mais poético,
cada ato é verso,
já fui poesia.
Ambição de poeta é se tornar anônimo.
Ser, e só.
Improvável, o singular não cabe
no anonimato.
Para enquadrar-me,
travesti-me de multidão.
De poesia virei prosa, prosaico.
Descomprometi-me com a rima e seu desfecho,
conotação limitou-se a denotação,
o lirismo acabou com a chegada da distopia.
Matei o poeta, limitando-o.
E de mar, virei arroio.
Já fui verbo encarnado,
hoje sou texto inconcluso.
“Já tenho algumas décadas e sei, tenho muito a caminhar. Desejo ainda ser lido mesmo depois quando enfim for encontrar minhas origens. Espero até lá parecer mais sábio aos olhos dos que me descobrirem. Não sou propriedade da minha propriedade. Tudo que tenho e fiz só faz sentido se puder ser, de alguma forma apropriado por outros. Sou poeta e a poesia não tem dono cada um que a ressignifica se torna co-autor. Essa é a a forma que encontrei de me tornar eterno a cada vez em que eu for recontado.”
Pela palavra tudo se fez.
Pela palavra nasce a esperança mesmo depois da morte.
Na palavra perdidos encontraram um lugar seguro.
Pela palavra o cego enxerga sem ver
Pela palavra um coxo caminha imóvel
O milagre não está na cura.
O milagre está na palavra.
Quando o verbo se fez poeta a poesia virou sinônimo de Deus.
"Sinto saudade do teu perfume e do teu afago. Sinto e morro de desejo quando estou longe dos teus braços!"
