O Poema eu sei que Vou te Amar Inteiro
Escrevo
só
em último caso
ou como quem alcança
o último carro
como quem
por um triz
por um fio
não fica
no fim da linha
de uma estação sem flores
a ver navios.
Sem Endereço
Seus olhos não estão mais aqui.
De azul só ficou o céu
sem assinatura.
Não, não há nada, cadáver
neste apartamento cego
de seu olhar
que lembre o outro
onde você correu
desde a menina do princípio
até o precipício da mulher final.
Aqui não há nada, cadáver:
somente sua voz sozinha
e gravada – em off
que faz com que qualquer coisa
das que foram suas
ganhe corpo, sopro, retrato
enquanto escutamos
o repetido ataque de sua voz.
Virginia
Ouse. Ande, ainda dá pé
apesar do corpo empedrado
infiel consigo mesmo
como todos são.
Caminhe para o fundo
e enfrente o arrependimento
pois já é insuportável
continuar assim pisando
no chão firme e frio.
Ouse e alguns dias depois
terá chegado na vazante
na foz sem vozes
livre da corrente – partida.
Entre Nós Até o Segredo
Entre nós até o segredo
mais cheio de dedos
é escrito
e escarrado
no olho da rua, nos muros – para todos –
sem temer que venha a furo
a dor do tumor
e o que era antes
de um inaudível vermelho
agora ruge
feito uma ferida
fora das grades.
No calor do amor e da aventura
O amor e a tua beleza em si quando estamos na Galiza e no topo da serra da estrela, podemos apreciar a beleza e o encanto do Tejo e do Douro que nos transmite pela alma. De manhã os teus lábios são doces e frescos como a brisa do vento das lezirias, à tarde o teu calor como um vulcão e o teu suor do teu corpo doce como o mel e o amor.
À noite olhamos para os céus do Ribatejo e sentimos a tua essência pura e especial como o encanto da lua cheia e das estrelas.
Estrelas
Estrelas apaixonadas que vagam...
Frases apaixonadas que emergem...
Poesias apaixonadas que devoram...
Ilusão de poeta que se perde no mundo da imaginação...
Na margem dos rios...
Uma relva robusta e verde...
Arbustos floridos da nascente e ao poente....
Oh alma poética...
Porque dói...
Porque...?
Teus trages é como pano fino de cetim...
Cobre minh'alma....
Com seu manto verde abrasador....
Oh palco ilusório...
Como seria....?
Nesse palco....
Bem por trás dos bastidores....
Existe um mundo de ilusão...
Os poetas...
Os escritores...
Um cortejo...
Asas de uma ave....
Asas de uma nave...
Voa acompanhada de uma inspiração...
Pois esse direito de voar....
É de todos.....
E todos querem sonhar...
A falta de sonhos....
É empobrecimento da alma...
Uma imagem preto e branco...
Os poetas...
Gostam de escrever....
Somos poetas sim....
Falem....
Pois o poeta....
Torna a vida de muitos uma festa....
E observem....
Até as orquestras cantam....
Do mar ao sol...
Das estrelas a terra.....
Em noites de lua...
E em plena escuridão....
Levamos emoções....
Em corações tristes e apaixonados....
Visitamos olhos secos e marejados.....
E fazemos muitos até rirem de chorar....
Aquilo que não era lagrima sentida...
Tudo se torna uma alegria florida...
Fazemos poesias....
Mesmo chorando...
Só queremos alegrias...
Queremos Falar de amor....
Queremos falar de perdão...
Reduzir as dores da vida...
Com nossa terna e honrosa...
Poesia...
Autor :Ricardo Melo
O Poeta que Voa.
Final de tarde
Reflexos cinzentos
Micro movimentos
Esfrego-me
Estou bem atrás de você
Sob a sagrada conchinha
Donde nela moramos.
Fones
as vezes penso que não estão lá
que não estão altos o suficiente
ou que não são o suficiente
tento seriamente me distânciar
parece que me perseguem
que me seguem
talvez eu deva me desativar
parar de tentar ajudar
eu só quero alguém que me acolha
não que resolva se esnobar
queira parecer pior
caramba sou eu que estou mal agora
por favor não tenta piorar
não tenta rebaixar
não tenta me amostrar
que sou só mais uma
eu sei que não faço diferença alguma
mas caso queira me ajudar
manda um áudio
vou ouvir,sorrir,saiba que vai me agradar
Há pensamento que nem sempre parece,
Ou seja, está dum pensamento sensato,
Manto da esperança erguida por mente
Duma vida, a viver vivido,
Por pensamento solitário;
Em busca de ento dos pareces
Onde quem sonha
Sabe o paladar da saudade
Que o coração perceba
De noite sem escuridão e sem luz
No sonhar de que poderia ser iz
Numa manhã sem dia
Na procura de futuro sem presente;
Num futuro infinito por amor sem partir.
Que no calor Cavalcante do sol
Serei a sua sombra
E que no frio darei o calor
Quando a chuva incomodar
Mudarei o incursão das nuvens.
Passei por terras distantes
Onde elefantes e seu peso gigante
Não era comparado à uma mosca
Já gritei sem abrir a boca
Já naveguei pelas amargas lágrimas que uma vez já caíram do meu rosto
Já arrastei o mundo uma vez,e cai
Já inventei mil idéias e depois novamente as criei
Já ouvi mil mentiras
Já quis fugir de casa
Mas a razão, me puxava tanto que meus pés que estavam brancos, queimaram de ódio
E eu não me importo
Pois a vida é um livro e eu escrevo sem auxílio de família ou de fã
Amor meu
Sou como uma flor cheia de espinhos e tu é como uma criança que não sabe o perigo que isso pode te acusar,me observando com o tempo se passando resolveu se aproximar .Eu com profundo medo de sentir a ti se cortar com meus afiados espinhos que escolhi carregar
Se amadurar
Dê repente.
Um ninho quentinho.
Um balançar suave.
O aconchego da mãe. E sonhar.....
Era bom flutuar e respirar nesse
Paraiso de amor e ternura; feito peixe.
Sabia não precisar de mais nada.
Já me acostumara. Não sabia o que era.
Mas a gente se acostuma fácil. Com é bom.
Ouvia vozes terna, vinda do lado de
Fora. Momentos de outros tempos.
Sendo tecido, pelos enamorados.
E descansava confiante.
Estava no Paraíso.
Em algum estante. Rompesse feito
Bolsa. E um frio envolve todo meu
Ser. Mãos para todos os lados.
Luzes que faziam arder, minhas pupilas.
E um tapa....
Verte-se pela primeira vez.
Águas da bolsa, por meus olhos.
E dali; em diante.
Ainda sinto a saudade daquele paraíso.
A aprendi a passar.
E; se amadurar.
Para os próximos momentos
descortinando, que
Eram apenas. Formas de adaptação.
Para novos lugares. E para novos sentidos.
Para se alojar.
No ventre da Mãe.
Marcos fereS
Era enorme a pedra do caminho.
Sobre ela, sentei e relaxei.
Naquele raro instante, sozinho,
me entreguei.
Poderia gravar em muros. Tom vermelho sangue. Usando somente as unhas das mãos, escreveria o quanto a solidão me faz companhia. Riscando e riscando até o sangue ser tinta. A dor como matéria prima. Esse seria meu tributo original. Tudo estaria em lingua antiga. Iniciaria em latin e terminaria em yorubá. Pontos e vírgulas estariam dispensados. Quando a carne nas extrimidades dos dedos
já não existissem. Quando o próprio osso fizesse ranger, alternaria com a outra mão. Verdadeiro manifesto de amantes. Daquele dia em diante, aqueles que por alipassarem não conseguirão evitar tamanha contemplação, ajoelharao. A parede fria seria beijada como se beijassem as feridas de jesus ainda cruas. Bem ali, seria constituído ponto de oferenda para os diferentes deuses. Sacro muro. Pagãos seriam bem vindos. Ratos encontrariam verdadeiros banquetes. Baratas dançariam em sincronia com outros insetos. Mariposas teriam refúgio à sombra do muro. Nada poderia ser profanado. O pé que ali pisar, untado em azeite deverá estar. A boca que ali abrir, em vinagre terá sido inundada.
Tudo terminaria assim:
para ela,
solidão
minha algoz e fiel companheira
Nodo norte e nodo sul.
Já fui morte, já fui ao azul
nublado e à dourada estrela
enquanto ardia em chamas púrpuras. Treda
sou, a verdade eu prego.
Neste planeta ou em outro,
não importa. Pra sempre eu
serei horrivelmente bela,
magnificamente torta.
Tu bem sabes que não adianta
mentir pra ti mesmo.
Nesta vida e em outras,
tal mania te trará autodesemprego:
vazio de ti, teu não-ser comandante do caos orquestral.
“Corre, e vê se acelera!
Te apressa que essa chance única
é escorregadia. Tu não merece nada além disso, vadia!”
E, assim, a lúdica ilusão te encarcera.
minha alma tanto chora
so queria entender o nascer da aurora
de onde e que flui tantos presentes
se eu não mereço, nem toda essa gente?
eu não consigo fingir
talvez, pra mim eu tente mentir
só, é humano Pai aquele que achar
que um dia esse mau todo, ira acabar
mas a verdade é que todos veem
apenas não sabem se creem
o Pai está no obvio da criação
ora, nascemos pra ser todos irmãos.
apenas oque se leva é oque se faz,
então de coração desejo que suas obras
não sejam más..
Para alguns é misericordioso
há quem diga ser ardiloso,
mas não se desespere,
não o perca de vista, antes seja cauteloso.
Imperceptível aos olhos humanos,
testemunha das eras,
deixando rastros ao longo dos anos,
dos tempos atuais à pangeia.
Contempla-te da gestação e após o nascimento,
conhece seus traumas, também seus anseios,
continua a te observar isolado em teu lar
descrevendo a realidade através de seus efeitos.
Temo não reconhecer sua real faceta
por isso não te desafio a qualquer contenda,
confesso que por vezes tentei entender seus sinais,
mas de que me adianta, se já não me servem mais?
Seria ironia crerem que os têm em seus braços?
se por não te domarem as vezes pegos são em atrasos.
Sinceramente desisti de te entender,
somente um pouco, para melhor viver.
Quão magnífica és tua essência,
muito embora em ti não haja aquiescência.
Por direito aprendera com os sábios
vistes as quedas dos fortes e as ascensões dos fracos.
Reconhece o poder de um abraço,
mesmo que nunca o tenha experimentado.
Não cursou universidade, não tem diploma,
é simples se aceitá-lo, mas basta observá-lo
e entenderá de quem eu falo.
Sem jaleco branco, exame ou estetoscópio
sabe que a solução para muitos males não está no óbvio
com paciência, uma hora ou outra ele te cura,
mas, não confunda-o com o ócio.
Quem sabe seu nome?
De onde veio ou quem o criou?
A única coisa que realmente sei
é que é um exímio professor.
Com amor, meu grande amigo
Senhor Tempo.
Pseudomoda
Fácil seria se tu me odiasses,
mas não tenho a coragem necessária
para adotar outras faces.
Te quero bem perto e bem longe, emoção hilária
esta! Tu já estás imersa em meu ser
e canta numa distância saudosista. O que adianta
te querer como quero, se essa mista
vontade-amor-dor já é finalista
nesse concurso de identidades não-santas?
Berrantes, eufóricas, barrocas, eu-fora
do eu-dentro. Adentro o pseudo-eu
que sou eu mesma. Perco-me nesse desfile
cruel, frio, pegajoso, estridente.
Pois não sou nada,
mas sou todas concorrentes.
Capa de chuva num dia ensolarado
porque, no altar, forte é a tempestade.
De acordo com o combinado,
os membros todos vestidos de ambiguidade.
Na igreja eles rezam, rudimentam-se e roem
suas próprias vísceras. Comida não há
e a sanidade os destrói.
As portas de madeira, lacradas. Lá
no céu, os portões enferrujaram.
“O altar está em chamas!
Socorro! Não quero morrer
tido como louco!”
“A água benta evaporou!
Deus, me perdõe
mas para o inferno sei que vou!”
E berram até perderem a voz
aqueles que não desmaiaram de pavor.
Morrerão, sim, todos. Nós
assistiremos tal sacro-divertimento sem respingo de dor.
Fingimos amores e paixões,
Fingimos felicidades e melancolias,
Fingimos alegrias e tristezas,
Fingimos lagrimas e sorrisos,
Fingimos rancores e afeições,
Fingimos orgasmos e dores,
Fingimos acreditar, ter fé e esperança,
Fingimos ser ricos, pobres e coitados,
Fingimos chegadas e despedidas,
Fingimos doenças e saúde,
Fingimos acreditar em deuses, em milagres,
E as fingimos tanto que nos confundimos entre a verdade ou mentira.
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