O meu Amor foi em Vao
Vá em paz, meu amigo!
Leve consigo toda aquela inocência que lhe foi característica, acreditando que o mundo seria melhor empregando sua autenticidade.
Sua missão, embora não cumprida, sempre foi muito nobre.
Vá descansar da sua labuta!
Percorra o caminho preparado a todos os iluminados!
No meu país, a abolição foi assinada no papel, mas revogada pela indiferença. Hoje, a escravidão é praticada à luz do dia, enquanto a multidão caminha apressada, fingindo que o cansaço extremo do outro é apenas parte da paisagem.
Durante todo o meu passado fui alimentando a chama, mas houve alturas em que foi difícil mantê-la acesa, consumia muita energia, por vezes ficava esgotada, as experiências trouxeram-me conhecimento e sabedoria!
Hoje graças ao passado e à aprendizagem, cuido-me e gasto muito pouca energia, já não tremo tanto, vivo mais constante, mais equilibrada, e a chama não se apaga, a energia mantém-se e a paz acompanha-me.
Meu inominável Deus nunca foi antropomorfizado, Ele é vida em plenitude regendo em perfeição tudo que existe e vai existir em qualquer tempo e dimensão.
o artista Moacir Andrade foi o meu maior mestre sobre as cores da Amazônia. Tudo de um jeito simples, como é típico de quem sabe, entre os igarapés, igapós e balneários da Grande Floresta. Suas palavras embebidas de magia do dia a dia, das que se encontra por esperança nas populações ribeirinhas ecoam no meu imaginário nas noites de lua cheia.
Moacyr Andrade, meu grande mestre sobre a arte e a cultura amazônica sempre foi forte e gordo, tinha muita fome em comer generosamente as cores, os sons e os mitos da Grande Floresta. Uma fome gratuita e bela, onde o coração de quem ama é bem maior que a barriga, o comer de conhecimentos para generosamente passar para quem aprendeu a amar também por respeito e liberdade. Hoje sei que quem sabe verdadeiramente distribui o que sabe. O mundo ainda não reconheceu o valor da extensa cultura amazônica deste grande pesquisador e artista. Moacyr Andrade e Manoel Santiago foram meus mestres por graça divina e devem ser considerados os maiores expoentes desta rica cultura regional brasileira.
Foi em seus braços
o entrelaço do meu ser por você.
Está em teus lábios
o sabor e a sabedoria,
o doce que enriquece minha vida.
Sou abençoado por te conhecer.
Em parte sou alegria,
tu és a outra metade:
Junção de Felicidade e Prazer.
Pano de fundo
Saltei da tristeza à alegria
Qual foi a magia?
Foi o meu blefe à cilada.
Resgatei a variável
Do modelo, já descartada.
Foi no aguçar do pensamento
Que reformulei todo o problema
Com interações complexas do esquema
Simulei a resposta mais convicta
De não mais dar o próximo passo.
Deixei o estratagema intacto
Devolvi sutilmente o drama ao íntimo
Do infeliz criador do artifício,
Ficando por inteiro enredado.
Entre o erro e o acerto, construí meu ego. Ego de banana, foi bacana porque todos a minha volta sambavam alá brasileirinha. E eu inquieto, obsoleto, zombei da sorte, achei graça na trapaça, aliás, só pode ser trapaça se couber nos meus conceitos (quebrados e falidos). Bom, agora vou seguir minha vida, não pode descrever minha dor, exceto eu, consegui vislumbrar minha bela imagem no espelho e, cá entre nós, não gostei nada do que vi. Eu que sempre sonhava com moinhos de ventos e dragões, agora vejo a lua e a luz que ela reflete na rua. Fui deus, de mim mesmo, fui parasita de outrem, fui rebelde de hoje e espetáculo de ontem. Mas, e daí? A vida é minha, eu faço o que quero e não pago nada, se você tem um pedaço de mão eu lhe estendo a mão, se não fique a nau, uma hora, um dia, um mês, depois de 84 dias, talvez você encontre o peixe de ouro que tanto procura, afinal; o sol também se levanta no reino da Dinamarca.
Eu não mudo uma vírgula do meu passado, até porque quando foi presente aproveitei, entre erros e acertos.
Cometi muitos erros,nenhum foi intencional, eles foram cometidos quando meu lado humano resolveu falar mais alto.
