O Homem que Nao se Contenta com pouco
Diz Camus, que o homem é o único ser que não aceita o que é
O espírito humano necessita de novidades diárias; e assim quando não as tem, as inventa...
Não viver satisfeito faz parte da natureza do homem, mas a natureza não é assim, sobretudo com os irracionais não ocorre a mesma insatisfação.
Os animais, que não possuem consciência nem sofrem com as ansiedades do amanhã, se contentam com seu vai e vem incansável de dias e noites sempre iguais. Contudo, se observa entre homens comuns, não raro a mesma motivação ou costume.
Vejo homens que vivem enjaulados, numa rotina obstinada ao fim caótico sem lamentar sua injusta sina.
Penso que entre homens que possuem o mesmo espírito, o da conformação, estes não são capazes de mudar seu Status quo, sua simples existência se resume em existir e não em viver.
SEM REFLEXÃO O HOMEM NÃO EVOLUI
O que me faz crer na razão sobre o instinto? Numa análise instintiva e descuidada eu diria que são as obras de artes humanas. A Nona Sinfonia de Beethoven, Dom Quixote, a Odisséia e a Ilíada de Homero, o mundo perdido de Proust, Hamlet, a inteligência crítica de Voltaire.
Mas todo este argumento me cai sobre terra, quando analiso nossos frutos podres, os das religiões, da política e da guerra.
Somos apenas instinto violento, o mais, a parte boa são animais esquizofrênicos.
ANGÚSTIA SÍMIA
Não entendo muito bem o que sinto, mas sempre que vejo um homem branco ou um homem negro se exercitando ao ar livre, penso na hipótese remota de sermos de fato parentes muito próximo dos macacos, e isto me causa uma angústia dolorosa.
Sendo ou não verossímil esta teoria, penso que é um tema ainda muito árido e de difícil explanação, falta de fato muito mais discussão e estudo sobre o assunto.
Poucos estudos científicos foram realizados depois de Charles Darwin. Na verdade, a Origem das Espécies é um tratado infantil para os nossos dias. Contudo, ainda se ensina nas escolas a evolução do homem sobre o macaco.
Penso que nós poderíamos usar a mesma teoria da frente para trás, aplicando o inverso, sendo o macaco originário dos humanos, pelo menos será mais lógico, uma vez que os humanos se embrutecem a cada dia, estão retornando ao estado animal.
Todavia, isto me causaria uma angústia muito mais severa, a de saber, que olhando os macacos em seu estado de inatividade cerebral, estaríamos de fato olhando a nossa involução.
A fortuna pode ser uma maldição,
pois o homem abastado
não conhece o milagre
de se forjar da fé
e do trabalho árduo
sua porção diária
de mel, de sal, de pão....
Só mesmo um homem extremamente virtuoso, e que não fosse poeta, conseguiria ser amigo de uma mulher inteligente e bela! Sem, contudo, ultrapassar a linha tênue que há entre o afeto fraternal e o desejo de poder!
"O egoismo é um ato de desespero, não raro, do homem acuado entre a razão frágil e o instinto voraz e cruel..."
O homem não é nada no contexto do universo, quando queremos ser grande coisa, isso é para outros nada como nós... está portanto justificada a nossa débil presunção.
Quando se atinge a maturidade é que percebemos, que a relação homem e mulher não é assim tão importante, nesta fase da vida o que importa de fato, para preservar algum sentido na vida é ter verdadeiros amigos!
A IGNORÂNCIA É A MÃE DA MEDIOCRIDADE
A mediocridade não é do homem. É, portanto, da causa que escolhe. Eu escolhi uma causa, que mesmo depois de décadas ainda a compreendo como tendo sido a melhor causa possível para um escritor abraçar. Se alcancei o meu objetivo? Respondo que não, pois a causa contra qual tenho combatido é a ignorância, em todas as suas nuances. Mas fiz o que podia, com os elementos com que pude contar até aqui. Está tudo escrito, formulado nos meus livros. No futuro, talvez, na verdade não posso afirmar, pode ser que as minhas teses de alguma forma, mesmo que simples, talvez em pequena escala sejam postas à prova, então é que saberemos se a luta que abracei valeu de fato a pena.
Evan do Carmo
Serei sempre defensor dessa ideia, "o homem deve morrer por uma causa de vida e não por uma causa de morte..."
QUEM É SÁBIO NESSE SISTEMA DE COISAS?
Não há um homem realmente sensato na terra, pois sensato é aquele que evita afirmações tais como: nunca mais faço isso ou aquilo, especialmente se houver algum prazer em praticar ou permitir tal ação.
Contudo, há ainda aqueles que não conseguem alcançar tal prodígio, o de permitir ser rebaixado, por não poder evitar repetir erros, mesmo quando esses erros são dolorosos e causa de desonra.
Penso de modo muito particular sobre isso. Uma vez que um sábio deve saber evitar problemas e sofrimentos. Então ser realmente sábio nesse sistema de coisas deve ser sempre dizer sim para toda estupidez humana.
O HOMEM DO RIO
Eu não quero ser Caetano,
não sou o gênio imitador
sou como sou
homem que entra no rio
e se transforma
em tantas formas de existir.
eu não quero ser Heráclito
pré-socrático ou Platão
eu sou a soma de todos eles.
Poetas são como são
puros e controversos
sem contradição.
Eu não quero ser Caetano
contudo sou Gil-berto sou João
sou Tom Zé, sou Tom Jobim
você nunca ouviu falar de mim?
Ok, você não acredita em Deus.
Tudo o que há na terra, depois do homem,
foi projeto e criação da inteligência humana.
Pois é fato que o avião não poderia surgir do nada,
contudo, você presume que a inteligência
que criou o avião seja fruto do acaso.
Você não acha esta filosofia simplista demais?
O Homem não nasce bom e é mudado pelo convívio social. o Homem nasce com instinto de sobrevivência, este é quem lhe domina por toda vida, quanto a ser bom, precisa aprender administrar o instinto, para não oprimir seus semelhantes.
BEM COMUM
Pobre do homem que se faz instrutor
que anula o instinto em nome do amor
não quero com isso lhe ensinar o que sou
cairia no erro que sempre me enlaçou.
Doravante só direi não
não para tudo que é tese de alienação
não para todo sistema e esquema de dominação.
Até hoje disse sim, a fim de concordar
para sempre aceitar o melhor bem comum
de estranhos e amigo, que andavam comigo
me chamando de irmão.
Hoje fui despertado para outra razão
e voltei ao domínio da minha natureza
na sublime beleza que existe no não.
(...) Nosso prisioneiro, como todo homem preso, se encontra sem rumo, sem ninho, não pertence a lugar nenhum, apenas existe na memória. Contudo pertencer é habitar, fazer parte. Mas pertencer é mais que estar presente como ornato. Pertencer é compor, no sentido pleno, ser coautor de uma obra em movimento. Primeiro eu me pertenço, habito este universo chamado eu. Sou dono de mim, obra em construção, sendo autor único, posso alterar o curso do projeto de vida. Mas um homem preso não pertence a nada nem se pertence.(...)
FRUTO DE UM ABORTO
A Besta surgiu do abismo.
Não era besta,
Nem era homem.
Mas tinha aspecto
De lobisomem
Saiu do Rio,
Como seu arauto
E para tal função
Foi para o planalto.
Não tinha voz,
E foi rejeitado
No breu ostracismo,
Dedicou-se ao um culto
De mito morto,
Regando a semente
De um neofascismo,
Onde fez crescer
Fruto de um aborto.
Uma coisa não é boa por ser famosa e não é famosa por ser boa, o homem não fica bom por ser famoso nem é famoso porque é bom.
Eu não gosto dos otimistas.
São o avesso do que um homem deveria ser. Fracos, como flores nascidas no asfalto. Hipócritas, porque a esperança que carregam é emprestada e sabem disso. Não há virtude no sorriso de quem foge.
Todo homem conhece o peso do que o espera. Cada segundo é uma vírgula no discurso do fim. Por que fingem não saber? Por que disfarçam? Andam pela vida como se a tragédia fosse um acaso, não uma certeza, e enchem a boca de palavras leves, como quem tenta vender um barco furado ao próximo náufrago.
A verdade é dura, cortante. Vem como o som surdo de uma porta trancada para sempre, como o baque de um corpo ao chão. A verdade não se curva nem espera. É uma lâmina que vive no silêncio, e os otimistas... Ah, os otimistas são os que tentam cegar-se diante dela.
Mas o mundo não é gentil. Nunca foi. E os que riem à beira do abismo só prolongam a vergonha da queda. Não há dignidade no engano. Não há beleza na negação. Eu prefiro os que não mascaram o rosto com sorrisos. Os que olham para o escuro e dizem: “Eu sei.” Esses não se vendem à ilusão. Esses são os únicos que, de alguma forma, resistem.
Otimistas são traidores da própria condição. Não há coragem em esconder-se atrás de promessas fáceis. Só há mérito em encarar o inevitável de frente, sem artifícios. A vida exige muito mais do que sorrisos; exige força para carregar o peso de saber.
O ÚLTIMO HOMEM LÚCIDO
Há um homem que caminha
sem pressa, mas sem lugar.
Ele não tem casa, não tem templo,
nem tem vontade de rezar.
Carrega nos olhos o peso
de quem entendeu cedo demais
que viver é transitar entre enganos,
e amar, um luxo dos incapazes.
Recusou o conforto das crenças,
o colo das certezas vendidas,
preferiu o frio da dúvida,
a vertigem das palavras não ditas.
Enquanto o mundo se distrai
com espelhos e ilusões de poder,
ele sussurra perguntas antigas
que ninguém mais quer responder.
"Quem sou eu?" — ninguém responde.
"Pra onde vai o tempo?" — silêncio.
No teatro da existência,
ele é o ator sem texto, sem lenço.
Não é herói, nem mártir, nem vilão.
É só alguém que não dorme,
porque vê demais, sente demais
e já perdeu a fome.
Mas ainda canta, às vezes,
não por alegria ou fé.
Canta porque o som da própria voz
é tudo o que lhe resta em pé.
