O Homem e seus Instintos

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“Quando o homem admite que não sabe, a verdade deixa de ser instrumento de poder.”

Entre a amizade e o amor: um dilema silencioso


Depois de viver um amor, o homem descobre que ficar sozinho não é só silêncio, é também aprendizado. Ele começa a se acostumar com a própria companhia, mas percebe que a vida fica mais suave quando aparece uma amiga presente, aquela que está ali no dia a dia, que escuta, que se importa.


E é aí que mora o problema: o coração dele, carente de afeto, acaba se apaixonando. Não por uma fantasia, mas pelo cuidado real, pelo jeito simples de estar junto. Só que, muitas vezes, para ela, ele continua sendo apenas “o amigo”.


O paradoxo dói: o homem que cuida não é visto como parceiro, e o parceiro que ela deseja pode não cuidar como o amigo cuida. Ele passa a medir todas as outras mulheres pelo carinho dessa amiga, e nenhuma parece suficiente. Ela, por sua vez, guarda o amigo no espaço seguro da amizade, sem nunca enxergá-lo como homem.


Talvez não exista saída fácil. Talvez seja preciso aceitar que nem todo carinho precisa virar romance. A amizade já é uma forma de amor, um amor sem posse, sem cobrança, que floresce na liberdade. E quem sabe, ao aprender a valorizar isso, o homem abra espaço para que outro amor, verdadeiro e recíproco, apareça no caminho.

Um homem talvez não conheça em vida a dimensão de suas ideias, nem alcance o mundo que imaginou; mas, se ensinar outras consciências a questionar o que parecia definitivo, sua existência não terminará com seu tempo: continuará na liberdade daqueles que aprenderam a pensar por si mesmos.

Se até Jesus chorou, tu acha que vai escapar?
Os fortes conhecem o peso da dor.
Nenhum homem é feito de aço, nem de gesso.
Pois até quem enfrentou o mundo sangrou em silêncio,
E cedo ou tarde, cada um encara sua própria verdade.




_Autor: James Richard Ferreira Pantoja


Pseudônimo: KANGAL

Havia música na cozinha,
panelas ao lume,
e um homem que ria alto
como se a vida não lhe pesasse.

Tinha fortuna nas mãos,
mas talvez tempestades na alma.
Porque o dinheiro enche uma casa,
mas não silencia o que nos falta.

Houve mãos que magoaram,
e feridas que não posso ignorar.
Mas também houve um riso
que ainda consigo recordar.

Hoje, sentava-me ao seu lado,
sem julgar, sem tentar adivinhar.
Perguntava-lhe apenas:

O que sentes quando estás a cozinhar?

Porque há fortunas que se contam,
e há pazes que não se podem comprar.

A morte é uma ilusão; eu já existia muito antes de nascer. O grande equívoco do homem é temer a morte e esquecer-se de viver, ignorando que o fim alcança a todos, indiferente ao medo. Meu único temor é abdicar de mim mesmo. Prefiro o fim do corpo a essa renúncia, pois deixar de ser quem sou é a única e verdadeira morte.

O maior risco à liberdade nunca foi o tirano, mas o homem que amou a própria escravidão e agora sonha em acorrentar os seus iguais.

A maior ingênuidade é você associar um homem bom a um homem ingênuo.

A verdadeira sabedoria antiga não estava em criar deuses à imagem do homem, mas em reconhecer o mistério do divino na natureza dos animais.

Há mais divindade no olhar atento de um gato do que em mil páginas escritas pelo homem.

“O passageiro que levava uma tarde no bolso”

O homem sentado à minha frente viajava com uma tarde dobrada no bolso da camisa. De vez em quando, retirava uma ponta para conferir se o sol ainda estava lá.
É de quando minha mulher era viva explicou.
Deixei a tarde acabar uma vez. Não cometo esse erro de novo.
Achei melhor não perguntar como se dobra uma tarde. Naquele trem, as perguntas costumavam envelhecer antes das respostas.
O vagão tinha suas particularidades. A chuva caía do lado de dentro quando alguém recordava uma despedida. Uma senhora precisava podar semanalmente o braço do banco onde o marido se sentara: desde sua partida, a madeira vinha criando ramos. Ela pendurava os óculos entre as folhas e continuava seu bordado.
Eu carregava uma mala tão pesada que o assoalho se curvava sob ela. Dentro, havia discussões cuidadosamente preservadas, três humilhações de estimação e uma frase que eu ensaiava havia vinte anos para dizer a alguém que já não podia escutar.
O homem da tarde apontou para a bagagem.
Deve ser difícil trocar de lugar.
Respondi que eram coisas importantes.
Ele concordou com a cabeça, e isso me incomodou mais do que uma discussão.
Pedi café. A moça do carrinho serviu duas xícaras, embora eu estivesse sozinho.
A outra é para quem o senhor estava pensando em chamar.
Fiquei olhando o café até que esfriasse. Tive uma vontade absurda de chorar por todas as vezes em que dissera “qualquer dia”.
Na estação seguinte, entrou um menino com os joelhos sujos de terra. Reconheci a cicatriz antes do rosto.
Era eu, aos oito anos.
Sentou-se sobre minha mala e perguntou se tínhamos conseguido conhecer o mar.
Conseguimos responde eu
E por que você está com essa cara?
Falei de contas, de perdas, de certas dificuldades que ele ainda não compreenderia. O menino escutou com a paciência desconfiada das crianças diante das explicações dos adultos.
Mas o mar continua lá?
Disse que sim.
Ele pareceu aliviado. Tirou do bolso uma pedrinha e começou a desenhar ondas no vidro.
Durante algum tempo, viajei ouvindo aquele pequeno ruído. A paisagem acompanhava o desenho: onde ele riscava mais fundo, levantavam-se ondas; onde descansava a mão, o oceano ficava liso. Uma baleia passou pela janela com um prédio inteiro nas costas. Em uma das sacadas, alguém regava gerânios.
Foi então que o homem à minha frente se levantou.
Guardou sua tarde, abotoou o casaco e estendeu a mão. Eu quis fazer alguma pergunta que o mantivesse ali mais um pouco. Perguntei se precisava de ajuda.
Preciso que segure isto.
Entregou-me a xícara vazia.
Desceu antes que eu pudesse devolvê-la.
Fiquei com aquele objeto banal entre as mãos, ainda marcado na borda pelo café que ele bebera. Lá fora, a estação se afastava devagar. Pela primeira vez, percebi que uma despedida podia acontecer enquanto a gente estava ocupado segurando uma xícara.
O menino encostou a cabeça no meu braço. Adormeceu com a pedrinha na mão.
Abri a mala com cuidado para não acordá-lo.
A frase ensaiada escapou primeiro: atravessou o corredor, bateu duas vezes contra o vidro e encontrou uma fresta. Depois saíram as discussões, miúdas e barulhentas, disputando entre si a razão. As humilhações deram mais trabalho. Haviam se agarrado ao forro.
Quando terminei, restava uma camisa limpa.
Cobri o menino com ela.
Já anoitecia quando senti um calor no peito. Pensei que fosse febre, mas havia uma claridade atravessando o tecido do meu bolso.
Lá dentro, muito bem dobrada, estava a tarde daquele homem.
Abri apenas uma ponta.
Uma mulher ria numa cozinha. Havia farinha em seus braços e alguma coisa no forno. Ela ergueu os olhos, como quem acabara de ouvir a porta.
Fechei devagar.
Depois chamei a moça do carrinho e pedi mais dois cafés.
O banco à minha frente estava vazio. Mesmo assim, puxei a cortina para que a luz chegasse até ele.


Descrição do meu texto:

Essa crônica apresenta a vida como uma viagem em que carregamos lembranças, encontramos pessoas e aprendemos a conviver com as despedidas. O surrealismo torna visível aquilo que acontece dentro de nós: a saudade ganha forma, as mágoas adquirem peso e a infância pode sentar-se ao nosso lado.
O homem que guarda uma tarde no bolso deseja preservar um momento vivido com a esposa. Naquela pequena porção de tempo, ela continua rindo, preparando comida e ocupando a casa. Isso representa uma experiência profunda do luto: recordar alguém também é reencontrar os gestos simples que tornavam sua presença tão querida. O receio de deixar a tarde acabar expressa o medo de perder até mesmo a lembrança de quem partiu.
A senhora cujo banco cria ramos mostra outra maneira de viver a ausência. O lugar do marido continua participando de sua rotina e produzindo vida. Ela cuida desses ramos enquanto borda, como quem aprende, aos poucos, a cuidar da própria saudade.
A mala pesada representa os sofrimentos que o narrador continua carregando. As discussões preservadas, as humilhações e a frase ensaiada durante vinte anos revelam quanto espaço podemos entregar ao que nos feriu. Chamar as humilhações de “estimação” traz uma ironia dolorosa: às vezes, alimentamos certas lembranças até que se tornem companheiras habituais.
A observação do homem sobre a dificuldade de trocar de lugar sugere que esse peso também limita nossa capacidade de mudar.
As duas xícaras de café aproximam o narrador das oportunidades adiadas. A segunda xícara pertence à pessoa que ele pensou em chamar, mas não chamou. Quando surge a vontade de chorar por todas as vezes em que disse “qualquer dia”, aparece o arrependimento pelos encontros que poderiam ter acontecido. Uma intenção afetuosa precisa encontrar algum momento para se tornar gesto.
O menino de oito anos é o próprio narrador antes de acumular aquelas preocupações. Sua pergunta sobre o mar recupera um desejo antigo e simples. Ao perguntar se o mar continua lá, ele lembra ao adulto que ainda existem coisas capazes de despertar alegria e espanto. As ondas desenhadas no vidro passam a mover a paisagem porque, naquele instante, o olhar da infância volta a transformar o mundo.
A partida do homem acontece enquanto o narrador segura uma xícara. Esse detalhe concentra a fragilidade das despedidas: podemos estar diante de um último encontro sem reconhecê-lo. Depois, um objeto comum guarda a dimensão daquela presença. A xícara vazia passa a lembrar alguém que, pouco antes, estava ali.
Ao abrir a mala, o narrador começa a se desprender do sofrimento acumulado. As humilhações agarradas ao forro mostram como esse processo pode ser difícil. A camisa limpa que resta permite um cuidado imediato: cobrir a criança adormecida. Ele encontra uma utilidade amorosa para aquilo que carrega e acolhe a parte mais vulnerável de si.
A tarde que aparece em seu bolso sugere que o encontro deixou uma herança. Agora ele também conhece um fragmento da vida daquele homem e pode preservá-lo. A memória atravessa pessoas: alguém conta uma história, outro a recebe, e uma existência continua alcançando o mundo.
No final, pedir dois cafés e iluminar o banco vazio expressa uma mudança no narrador. Ele consegue oferecer um lugar à lembrança de quem partiu. Seu gesto contém saudade, gratidão e uma disposição renovada para o encontro.
A crônica nos convida a perceber quem está ao nosso lado enquanto ainda podemos conversar, repartir um café e escutar uma história. E deixa uma pergunta delicada: quanto da nossa vida está ocupado por feridas antigas, e quanto espaço ainda podemos abrir para cuidar de alguém?

2Coríntios 4:16

Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia.

“A força do cristão não está no corpo, mas na renovação diária em Cristo Jesus.”

O homem que não sabe o que quer acaba por desejar aquilo que os outros desejam.

O Senhor é Deus de justiça e faz conforme seu juízo.Ele conhece a vaidade do homem e não é conduzido por leis.

TRÊS ILUSÕES QUE CONFUNDEM O HOMEM

Primeira:
Crer que somos um corpo e não uma alma, quando o corpo é o instrumento da vida e se acaba com a morte.

Segunda:
Crer que o sentido da vida é o prazer, porém excesso de prazer não há mais felicidade, apenas dependência... Prazer e felicidade não são o mesmo. Há que se consagrar o prazer à vida e não a vida ao prazer.

Terceira:
Crer no poder material; desejamos o poder infinito de viver no mundo. Viver sem saber do que realmente necessitamos para viver. Esse poder é uma ilusão.

Black Elk

Sob a orientação de nosso Eu Espiritual, nossa Vida Imortal, o Homem veio ao mundo para adquirir conhecimento e experiência e para se aperfeiçoar como ser físico.

O corpo sozinho, sem comunhão com o Espiritual, é uma concha vazia, uma rolha sobre as ondas, mas, quando há união, a vida é uma alegria, uma aventura de interesse absorvente, uma jornada cheia de felicidade, saúde e conhecimento.

Há um método bastante seguro para o alívio de todo sofrimento – a transformação do egoísmo em altruísmo. Se desenvolvermos suficientemente a qualidade de nos fundirmos no amor e no cuidado para com aqueles que estão ao nosso redor, alegrando-nos com a gloriosa aventura de alcançar o conhecimento e ajudar os outros, nossas tristezas e sofrimentos rapidamente chegarão ao fim. Este é o grande objetivo final: a perda de nossos próprios interesses no serviço da humanidade.

Cada um de nós tem uma missão divina neste mundo e nossas almas usam nossas mentes e corpos como instrumentos para a realização dessa missão, de modo que, quando os três, alma, mente e corpo, trabalham em uníssono, o resultado é a perfeita saúde e a perfeita felicidade.

Como Filhos do Criador, temos dentro de nós toda a perfeição e viemos a este mundo simplesmente para podermos perceber nossa Divindade. Deste modo, todas as provas e experiências porque passamos não nos derrubam, pois, através desse Poder Divino, tudo nos é possível.

O objetivo supremo de toda a humanidade é a perfeição.

Um homem procurou um mestre muito aclamado pela sua sabedoria. Esse homem aproximou-se do mestre e disse:

- Mestre, gostaria de entender melhor a passagem bíblica em que Jesus diz que o reino de Deus é daqueles que são como as crianças. O que significa isso? Por que precisamos nos fazer tal como as criancinhas para que possamos entrar no Reino celeste?

- Pois bem – disse o mestre – antes de te explicar isso, gostaria de perguntar algumas coisas:

- Claro mestre, diga…

- Em que momento de toda a sua vida – perguntou o mestre – você se sentiu mais aberto para a existência?

O homem pensou, pensou e respondeu:

- Na infância.

- Em que momento de sua vida – voltou a perguntar o mestre – você se sentia menos preocupado?

- Certamente quando era criança. Não tinha nenhuma preocupação…

- Em que momento de sua vida você sentia tudo mais simples, mais espontâneo e mais natural?

O homem pensou e sem hesitar, disse mais uma vez: na infância…

- Em que fase de sua vida você observou a natureza de forma mais pura e clara, sem mil coisas em sua cabeça para ofuscar o verdadeiro contato com tudo?

- Também quando eu era menino.

- Em que momento de sua vida você era mais inocente, e acreditava mais na vida? Perguntou o mestre.

- Sem dúvida, ainda na infância. Acreditava que tudo era belo, puro, pleno, autêntico e virginal.

- Em que momento de sua vida você vivia a maior parte do tempo com uma alegria e um desprendimento autêntico, original e imaculado, sem nada que te prendesse, te colocasse para baixo ou distorcesse sua visão?

- Sim, na infância mesmo, respondeu o homem.

- E, finalmente, em que momento você mais sentiu que a vida fluía mais livremente em ti?

- Certamente, na quando era pequeno.

- Então a sua pergunta já foi respondida, disse o mestre.

O homem agradeceu o mestre e partiu.

Nenhum homem detém poder se não souber utilizá-lo.

A natureza constrói e o homem destrói.

“O homem nunca deve se por em posição em que perca
o que não pode dar ao luxo de perder,
entre esses luxos o maior, é o de ser amado."

☆ Haredita Angel