O Efêmero e o Eterno
Fotografar é...
Fotografar é capturar o instante,
O efêmero momento que passa voando,
E prender no papel, num gesto constante,
A memória que o tempo vai desfiando.
Fotografar é ver além do óbvio,
É espiar a alma que vive escondida,
Transformar luz e sombra em alívio,
Na imagem que guarda o sopro da vida.
É mirar o mundo com olhos atentos,
Desvendar a beleza que muitos não veem,
Revelar os segredos guardados nos ventos,
Os detalhes sutis que poucos retêm.
É fazer da lente um portal do tempo,
Eternizar o riso, a lágrima, o olhar,
Transformar cada clique num monumento
Do instante que insiste em se eternizar.
É dar voz à cena que em silêncio grita,
Ouvir a paisagem que ninguém escuta,
Captar o caos e também a harmonia
De um mundo repleto de luta e ternura.
Fotografar é tocar o invisível,
Sentir na pele o que está além,
É tornar visível o intangível,
Descobrir o que o olhar comum não tem.
É roubar um pedaço de eternidade,
Guardar o agora, para sempre, talvez,
E ao revermos a imagem, em outra idade,
Reviver o passado, a infância, o que já fez.
É um ato de amor e também de coragem,
Desnudar a alma em cada registro,
Contar a verdade, mesmo que a imagem
Nos mostre as rugas, as marcas, o visto.
Fotografar é uma dança de luz e sombra,
Uma busca constante, quase um ritual,
É deixar que o coração assombre
Cada imagem, tornada essencial.
Pois fotografar é, no fim das contas,
Sentir a vida em sua impermanência,
E, com um clique, manter as pontas
Entre o fugaz e a persistência.
É ver o mundo como um milagre raro,
Guardar na lembrança o que é difícil segurar,
E perceber, por um instante tão claro,
Que a vida é breve — mas vale eternizar.
A natureza e a joalheria se completam entre o belo efêmero e a perpetuação harmônica do belo para eternidade.
Espelho
Mergulhei no sono eterno da alma,
Vi-me refletida no espelho moldurado
Em madeira entalhada ao molde europeu,
Pendurado na parede branca e fria
Analisei o espelho, e eu
De pé em sua frente procurei
Respostas para as perguntas
Que eu mesma formulei.
Meu rosto empalideceu.
Moldado pelo efêmero modelo
Que me fizeram usar,
Arranquei-o junto com toda tristeza e pranto
No chão espatifou-se a máscara fria.
Vi meu rosto em vários pedaços
Olhei-me no espelho novamente
Estava eu lá diante dele
Só a máscara caiu...
Não quero amores eternos! Quero amores que sejam deliciosamente passageiros, que deixem marcas, feridas, saudades e o cheiro de perfume impregnado em minhas roupas.
Se acabou não era amor?
Tenho certeza que em algum momento de sua vida você já ouviu essa frase como prova que o amor é indissolúvel e eterno, confesso que até acho a frase bonita e de certo fundo poético, mas não concordo com isso. Quer dizer que se uma pessoa vive com a outra durante 10 anos se dando muito bem, vivendo bons momentos e por algum motivo (ou motivos) um cansa do outro e resolvem se separar, o amor nunca existiu? Ah, pelo amor de Deus, prefiro dizer que o amor não resistiu, e se está infeliz qual o motivo de continuar com a outra pessoa? A felicidade de fazer o outro infeliz é tentadora, mas não é suficiente pra ficar atrelado ao outro, como se diz por aí "até que a morte os separem", pior do que morrer é não viver, se for pra brigar se matriculem numa academia de MMA. Se sua felicidade depende de outra pessoa que não você mesmo, você é "dodói" da cabeça.
Talvez uma vida feliz não seja necessariamente a mais longa, mas a que tenha "eternidades" suficientes para não fazer-te prisioneiro do efêmero.
Entre uma noite e outra a gente sabe que existe um amanhecer ;
Entre uma lágrima e outra a gente sabe que mora um sorriso;
Entre um cansaço e outro a gente sabe que tem o descanso.
Entre uma dor e outra a gente sabe que tem um prazer.
Entre um fim e outro a gente sabe que existe um recomeço.
É essa contradição que move a vida e, é a certeza do efêmero que nos dá forças pra seguir confiantes de que nada é eterno, mas mesmo assim podemos viver eternidades.
Os dias e os anos passam, homens nascem e morrerem.
Alguns são esquecidos, outros deixam um legado que não podem contemplar.
Quantos viram o céu azul, as ondas do mar, as montanhas ou as estrelas
e pararam para observar tamanha beleza que gerou inúmeros pensamentos.
Nos vamos rapidamente, às vezes sem chance de nos despedir.
Bilhões de pessoas, histórias e sentimentos.
Sobre isso tudo está um só Deus Criador, que contemplou e conheceu a todos, que tudo sabe, que é eterno...
Somos instantes efêmeros na imensidão da existência, um sopro que se desfaz como a névoa ao amanhecer; mas, enquanto o tempo apaga pegadas, o amor verdadeiro permanece eterno na memória de quem cativamos. Por isso, ame sem medidas, viva com intensidade e deixe marcas que se perpetuem para sempre.
