O Copo Nao esta meio Cheio

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O espírito condena tudo o que não inveja.

Não há homens cultos; há homens que se cultivam.

O grande prazer que nos dá falarmos de nós próprios deve fazer-nos recear não darmos nenhum aos que nos ouvem.

Não há ofensa que não perdoamos, depois de nos termos vingado.

Nunca conseguimos fazer nada corretamente enquanto não pararmos de pensar em como o fazer.

O tédio é de certo modo o mais sublime dos sentimentos humanos. O não poder ser satisfeito por nenhuma coisa terrena nem, por assim dizer, pela terra inteira. Por isso o tédio é pouco conhecido dos homens sem importância, e pouquíssimo ou nada dos outros animais.

Aqui não andam só os vivos - andam também os mortos. A humanidade é povoada pelos que se agitam numa existência transitória e baça, e pelos outros que se impõem como se estivessem vivos. Tudo está ligado e confundido. Sobre as casas há outra edificação, e uma trave ideal que o caruncho rói une todas as construções vulgares. Debalde todos os dias repelimos os mortos - todos os dias os mortos se misturam à nossa vida. E não nos largam..

Como ao bem ocupado não há virtude que lhe falte, ao ocioso não há vício que não o acompanhe.

Nós não o conhecemos, mas sentimos: existe um irmão barco para a nossa vida que leva uma rota completamente diferente.

Todos esses caprichos filosóficos, a que se chamam deveres, não têm qualquer relação com a natureza.

Não há coisas de que mais te devas recordar do que daquelas em que hajas errado, para nas mesmas não tornares a errar.

Que grande dom de Deus é a beleza! / É preferível tê-la ao dinheiro: / pois a riqueza não dá beleza, / mas com beleza se conquista a riqueza.

O homem não precisa de viajar para engrandecer; ele traz em si a imensidade.

O belo é o supérfluo, o que não tem o seu fim em si, a flor da vida.

A aptidão para a felicidade não é igual em todos os homens. Ela é mais forte nos medíocres, do que nos homens superiores ou imbecis.

Não há duas pessoas no mundo que, por uma indiscrição diabolicamente concebida, não possam vir a tornar-se inimigos mortais.

Já é saber muito quando se sabe que não se sabe nada.

A censura que se pratica sobre as obras alheias não determina necessariamente a produção de obras melhores.

Bernard Fontenelle
FONTENELLE, B. Discours sur la nature de l'églogue, 1688

O futuro não pertence a ninguém. Não existem precursores, apenas existem retardatários.

Quem não dispõe de reservas em si próprio, é assaltado pelo aborrecimento que o espreita e em breve o dominará.