O Amor Nao se Espera Nao se Pede Nao se Implora

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Nenhuma coisa que tenha potência para não ser pode haver existido sempre.

Não façamos das nossas impossibilidades a nossa angústia.

A certeza de uma evidência prova a certeza e não a evidência.

A verdadeira paz é aquela que se funda, não só nos corações, não só na afetividade humana mas, sobretudo, na mente superior do homem, nas suas ideias, nas suas concepções, na sua maneira de interpretar as coisas.

Deus é onipotente porque Deus pode tudo o que pode; pode, portanto, todo o possível. Ora, o não-ser (nada) é impossível. A onipotência é proficiência e não deficiência. Pecar é não alcançar a perfeição do ato; portanto, pecar é ser deficiente na ação, coisa que repugna a onipotência. Deus não peca porque é onipotente. Não se deve dizer que não pode pecar, porque, neste caso, pecar não é produto do poder, mas de deficiência de poder. Os ateístas, que repelem a idéia de Deus, por lhe notarem deficiências, fazem apenas confusão entre poder e não poder.

“Eu conclamo a juventude de hoje que não se torne aquela juventude que perseguiu sempre os grandes homens, aquela juventude que perseguiu Sócrates, aquela juventude que perseguiu os pitagóricos, aquela juventude que levou à condenação à morte a Anaxágoras, mas sim aquela juventude que apoiou Platão, que apoiou Aristóteles no Liceu, que apoiou Pitágoras no seu Instituto, aquela juventude estudiosa, aquela juventude que dedica o melhor de sua vida para formar o seu conhecimento, aquela juventude que quer ser capaz de assumir as rédeas do amanhã, e não a juventude que quer apenas ser uma massa de manobras de políticos demagógicos e mal-intencionados, uma juventude de agitação, mas sim uma juventude construtora, uma juventude realizadora, uma juventude que lance para a história da humanidade os maiores nomes e os maiores vultos."

(Aula de agosto de 1965)

Não devemos desanimar se há certa monotonia na vida. Somos hoje tão solicitados para a diversidade, que toda repetição nos parece roubar uma possibilidade de novidade. No entanto, a própria novidade acaba por nos cansar, porque temos uma capacidade limitada para o sempre-novo.

Deu-se todo não reservando nada para si. Não comungar seria o maior desprezo a Jesus que se sente “doente de amor”.

"Não olhe para o céu, olhe para o pobre que lhe estende a mão, pedindo."

Contra fatos, não há mentira que se sustente.

Almas de luz não empurram e nem arrastam, elas apenas sopram.
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Quem não aprende a falar em público, leva uma vida "privada".

O silencio se faz necessário,
quando as palavras não surtem efeito.

A verdade não tem medo de confronto.

Não tão próximo quanto a lua desejaria, nem tão distante para deixá-la ir. o sol atravessava seus dias com uma luz que alcançava tudo, menos o vazio que existia entre os dois. a lua, em silêncio, fingia que algumas sombras eram suficientes para sobreviver. dizia a si mesma que amar também era aceitar o inverno, que nem todo calor precisa ser sentido para existir. mentia bem. porque toda noite ainda esperava que o sol esquecesse, por um instante, de iluminar o mundo inteiro e escolhesse aquecer apenas ela. nunca aconteceu. e, ainda assim, a lua permaneceu no mesmo céu. deverá acostumar-se ao frio de quem nasceu para ser calor, mas nunca soube aproximar-se o bastante para queimá-la.


Dizem que o sol jamais compreenderá o frio da lua. ele nasce disposto a aquecer, ela, acostumada ao silêncio, acredita que toda aproximação dura pouco. então afasta-se antes que precise sentir. o sol insiste por um tempo, confunde a distância com prudência, o silêncio com paz. até descobrir que há quem ame sem tocar, quem permaneça sem permanecer. talvez esse seja o preço do equilíbrio: aceitar que algumas luas nunca deixarão de ser inverno. e o sol… deverá acostumar-se a aquecer de longe.


O sol nunca percebeu que a lua esperava ser aquecida. acreditava que sua simples presença bastava. enquanto isso, a lua colecionava silêncios, caminhava ao lado do próprio brilho sem jamais sentir o calor que imaginava existir. não havia abandono, apenas uma ausência difícil de explicar. perto o suficiente para alimentar a esperança, distante o bastante para fazê-la duvidar de si. e talvez seja essa a mais cruel das órbitas: aquela em que ninguém parte, mas ninguém realmente chega. a lua continuará olhando para o céu. o sol continuará nascendo. e ambos chamarão isso de equilíbrio.

carta aberta para mim

você entra em uma sala como quem procura saídas de emergência.

não porque queira fugir de mim, mas porque alguém fez do amor um incêndio e, desde então, qualquer faísca parece suficiente para reduzir tudo às cinzas.

eu percebo isso na maneira como você demora para acreditar em um elogio, como transforma carinho em coincidência, como espera que eu vá embora mesmo quando acabei de chegar.

quem foi que te ensinou que afeto sempre cobra um preço?

quem foi que fez você acreditar que toda gentileza esconde uma intenção e que toda promessa nasce com prazo de validade?

às vezes eu tenho vontade de pedir que você descanse.

não nos meus braços.

na ideia de que, desta vez, talvez ninguém esteja tentando vencer uma disputa invisível. talvez ninguém queira moldar você até caber nas próprias expectativas. talvez existir ao lado de alguém não precise ser um jogo onde sempre há um perdedor.

você não precisa me amar hoje.

nem amanhã.

eu só queria que, por um instante, você parasse de conversar com o passado como se ele ainda tivesse direito de responder pelo presente.

porque eu não sou as portas que bateram.

não sou as palavras que diminuíram você.

não sou os silêncios usados como castigo.

e seria uma injustiça comigo carregar a culpa por mãos que nunca foram minhas.

é estranho…

às vezes quem mais precisa de amor é justamente quem menos consegue reconhecê-lo quando ele chega. não por falta de coração, mas porque passou tempo demais aprendendo a sobreviver. e quem vive sobrevivendo esquece que carinho não precisa ser uma negociação.

eu não quero convencer você de nada.

o amor que precisa de provas o tempo inteiro acaba se tornando um tribunal.

eu só queria que um dia você olhasse para mim sem esperar a parte em que eu decepciono.

como quem finalmente entende que nem toda história precisa repetir o mesmo final.

e, quando esse dia chegar, talvez a pergunta deixe de ser “quem foi que te machucou?”

e passe a ser:

quem foi o primeiro que fez você acreditar que ainda era possível não se machucar?

Não do jeito infantil que promete o impossível, mas do jeito desesperadamente humano de quem encontra alguém e pensa: é aqui que eu posso repousar a minha alma.

eu queria ser o lugar onde você encosta a cabeça quando o mundo pesa mais do que seus ombros conseguem suportar. queria ser a primeira voz que te acalma depois de um dia cruel e o último pensamento antes do sono vencer seus olhos.

eu queria viver um amor onde a rotina fosse uma forma sofisticada de romance. onde comprar pão numa terça-feira tivesse o mesmo encanto de atravessar oceanos. porque, quando o amor encontra a pessoa certa, até o ordinário aprende a florescer.

eu queria ser indispensável sem que isso parecesse uma prisão. ser a chave esquecida no teu bolso, a música que você canta sem perceber, o perfume que insiste em permanecer nas roupas muito depois do abraço terminar. não por necessidade, mas porque algumas presenças deixam de ser companhia e passam a ser parte da arquitetura da vida.

eu queria que o nosso amor fosse tão íntimo que as palavras se tornassem um excesso. bastaria um olhar atravessando a mesa, uma mão procurando a outra no escuro, um sorriso quase imperceptível para dizer tudo aquilo que o idioma nunca conseguiu inventar.

e, se um dia o tempo tentasse desgastar o que construímos, eu não pediria promessas. pediria apenas que continuássemos nos escolhendo. porque amar, para mim, nunca foi sentir intensamente por alguns meses; sempre foi acordar milhares de manhãs e ainda encontrar beleza no mesmo rosto.

eu não sonho com paixões que queimam cidades. sonho com incêndios silenciosos, daqueles que aquecem uma casa inteira durante uma vida.

eu queria ser teu da forma mais simples e, justamente por isso, da forma mais absoluta.

não para te possuir.

mas para que, quando alguém perguntasse onde mora a paz, você pudesse responder sem pensar:

“nos braços dele.”

A nuvem negra não chegou de uma vez.

Ela não apareceu como uma tempestade anunciando que tudo iria mudar. Ela veio devagar, quase educada, como uma sombra que aprendia os caminhos da casa antes de tomar conta dela.

No começo eu ainda conseguia enxergar o céu.

Ainda existiam dias bons, momentos que pareciam provar que aquilo era só uma fase. Eu dizia para mim mesmo que amanhã seria diferente, que alguma coisa dentro de mim iria voltar ao lugar.

Mas o tempo passou.

E a nuvem ficou.

Ela não precisava mais esconder o sol, porque eu já não lembrava exatamente como era sentir o calor dele.

As coisas continuaram acontecendo ao meu redor, pessoas rindo, histórias sendo criadas, músicas tocando em algum lugar. O mundo nunca parou por minha causa. E talvez essa tenha sido uma das partes mais estranhas: perceber que tudo continuava em movimento enquanto dentro de mim alguma coisa permanecia parada.

Eu comecei a existir mais do que viver.

Os dias viraram uma sequência de obrigações, os momentos viraram apenas momentos. Eu estava presente em lugares onde minha mente nunca estava. Eu respondia, conversava, sorria quando precisava, mas parecia que uma parte minha tinha ficado para trás em algum lugar que eu não conseguia encontrar.

E por muito tempo eu procurei um culpado.

Procurei em cada escolha errada, em cada palavra que eu poderia ter dito diferente, em cada versão minha que eu queria apagar. Eu carregava meus próprios erros como uma mochila cheia de pedras, e mesmo quando ninguém mais falava sobre eles, eu continuava voltando para buscá-los.

Até que um dia eu percebi que talvez eu nunca tenha sido o monstro que eu criei na minha cabeça.

Talvez eu só fosse alguém cansado.

Alguém que tentou, errou, perdeu coisas, machucou e foi machucado. Alguém que passou tanto tempo tentando entender onde tinha falhado que esqueceu que também estava sofrendo.

Talvez eu tenha finalmente conseguido me perdoar.

Mas o estranho é que o perdão não trouxe aquela paz que eu imaginava.

Não abriu o céu.

Não fez a nuvem desaparecer.

Ela continuou lá.

Só que agora eu não estava mais brigando comigo mesmo dentro dela.

E talvez esse seja o lugar mais estranho para se estar: quando você para de se odiar, mas ainda não sabe como voltar a se encontrar.

Quando você finalmente solta as correntes que você mesmo colocou, mas percebe que ainda está perdido no mesmo lugar.

A nuvem negra continua acima de mim.

Às vezes mais distante, às vezes tão baixa que parece tocar meu rosto.

E eu continuo andando sem saber exatamente para onde.

Não porque acredito que vou encontrar alguma coisa.

Mas porque ficar parado também já não parece uma opção.

Talvez esse seja o máximo que eu consigo fazer agora:

carregar a mim mesmo por caminhos que eu ainda não reconheço, tentando descobrir se em algum lugar existe uma versão minha que eu perdi no caminho.

Ou se eu estou apenas procurando por alguém que nunca mais vai voltar.

“I think I, I think I finally found a way to forgive myself”.

assassinato do auto ego

Existe um momento estranho em que o ego começa a perder a voz.

Não é uma morte completa, mas uma espécie de silêncio. Como se todas as certezas que eu carregava fossem uma casa construída com paredes de vidro, e bastasse uma queda forte o suficiente para perceber que, na verdade, eu nunca estive tão protegido quanto imaginava.

Talvez seja necessário chegar em algum tipo de fundo para enxergar.

Porque enquanto estamos no alto, tudo parece absoluto. Nossas dores parecem eternas, nossos desejos parecem indispensáveis, nossas versões parecem definitivas. A gente acredita que aquilo que sente naquele instante é a verdade final sobre quem somos.

Mas quando tudo desmorona, quando o personagem perde a fantasia, começa uma visão diferente.

Você começa a enxergar as próprias versões que já morreram dentro de você.

A pessoa que você era antes de certas dores. A pessoa que você tentou ser para ser aceito. A pessoa que você fingiu ser para não demonstrar fraqueza. A pessoa que você criou na sua cabeça e passou anos tentando alcançar.

E então vem a parte mais estranha:

perceber que nenhuma delas era realmente você.

E talvez nenhuma delas fosse falsa também.

Eram apenas momentos.

Porque no fim, tudo parece ter essa natureza passageira que a gente tenta ignorar. O sentimento que ontem parecia impossível de superar, um dia vira uma lembrança distante. A certeza que parecia inabalável, um dia parece uma ideia de outra pessoa. As coisas que jurávamos que definiriam nossa vida acabam sendo apenas capítulos pequenos em uma história que continua mudando.

A gente passa tanto tempo tentando encontrar significado em tudo, como se existisse uma explicação escondida esperando ser descoberta.

Mas talvez o universo nunca tenha prometido sentido.

Talvez nós sejamos seres tentando organizar o caos, criando narrativas para suportar a passagem do tempo.

Chamamos de destino aquilo que aconteceu.

Chamamos de aprendizado aquilo que conseguimos aceitar.

Chamamos de personalidade aquilo que são apenas padrões repetidos até parecerem permanentes.

E quando o ego fica despido, quando não existe mais a necessidade de parecer certo, forte ou invencível, sobra uma percepção quase assustadora:

nós somos muito menos fixos do que imaginamos.

Somos feitos de fases, encontros, perdas, memórias e versões que vão surgindo e desaparecendo conforme atravessamos a vida.

Talvez o fundo do poço não seja apenas um lugar de destruição.

Talvez seja o único lugar onde a gente consegue olhar para cima sem mentir sobre a altura que caiu.

Porque lá embaixo não existe mais personagem.

Não existe imagem para sustentar.

Não existe plateia.

Existe apenas você, diante de tudo aquilo que tentou esconder, percebendo que talvez a maior ilusão nunca tenha sido o mundo lá fora.

Talvez tenha sido a ideia de que algum dia nós realmente fomos uma coisa só.

Quimera Cinza

Dizem que o mundo nasceu em sete cores.

O meu esqueceu uma.

Não a mais bonita. Não a mais rara. Apenas aquela que fazia todas as outras parecerem vivas.

Desde então, tudo aqui existe em tons de cinza. O céu não ameaça chuva, ameaça permanência. As árvores não morrem; apenas desaprendem a crescer. As pessoas sorriem como quem assina um recibo.

Passei anos acreditando que algum caminhão estava atrasado.

Um simples lápis de cor.

Deveria chegar em qualquer manhã, descarregado por alguém distraído, e bastaria um risco torto sobre o papel da realidade para que tudo finalmente lembrasse que era primavera em algum lugar.

Mas os dias passavam.

E toda entrega vinha sem o pacote que importava.

Comecei a desconfiar que o atraso não era da estrada.

Era do próprio universo.

Então continuei andando.

Porque também me disseram outra coisa: existia um caracol. Um único. Em algum lugar impossível de encontrar. E quem tocasse sua concha deixaria de carregar o próprio peso. Não morreria do corpo primeiro. Morreria da espera. Como uma vela que finalmente entende que foi feita para apagar.

Passei a procurar o caracol.

Em cidades cheias demais para perceber o silêncio.

Em pessoas que juravam possuir mapas.

Em espelhos.

Principalmente nos espelhos.

Às vezes eu achava que estava perto. Via um brilho úmido no concreto, diminuía o passo, prendia a respiração…

Era apenas chuva.

Outras vezes confundia rastros com destino.

O curioso sobre perseguir uma quimera é que ela nunca precisa correr.

Você faz todo o trabalho por ela.

Enquanto isso, a tinta cinza continuava secando sobre tudo.

Descobri que o cérebro inventa cores quando passa tempo suficiente olhando para a ausência delas. Chama isso de esperança. Um defeito elegante da percepção. A mesma ilusão que faz marinheiros enxergarem terra antes da costa existir.

Talvez seja por isso que eu ainda acordava.

Não porque acreditasse.

Mas porque a imaginação sempre chega alguns segundos antes do desespero.

No fim, encontrei um velho caderno.

Folheei página por página procurando aquele lápis perdido.

Não havia espaço vazio onde ele deveria estar.

Nem marcas de que alguém o tivesse roubado.

Apenas uma observação escrita numa caligrafia que parecia ser minha, embora eu não lembrasse de tê-la feito:

“Você não está esperando uma entrega atrasada.

Está esperando uma lembrança de algo que nunca foi fabricado.”

Foi quando entendi.

O lápis não estava preso em alguma estrada.

Não havia caminhão.

Não havia fábrica.

Não havia catálogo.

Assim como o caracol.

Passei a vida procurando uma saída desenhada por alguém que jamais existiu.

E talvez seja essa a crueldade mais sofisticada do mundo:

não é que algumas pessoas morram sem encontrar o caracol.

É que certas almas sobrevivem para sempre porque perseguem uma criatura que o universo nunca teve a intenção de criar.

A cidade continuou cinza.

Eu também.

Mas agora já não olho para o horizonte esperando uma entrega.

Apenas caminho.

Como quem finalmente percebeu que algumas ausências não são atrasos.

São a arquitetura inteira do lugar.