O Amor Nao Morre apenas Adormece
Oração à Mãe Terra
Mãe nossa, cujo corpo é a Terra, santificado seja o teu ser.
Floresçam os teus jardins campos e florestas.
Seja feita a tua vontade, assim nas cidades como na natureza.
Agradecemos há este Dia, o alimento, o ar e a água.
Perdoa nossos pecados contra a Terra, como nós perdoamos uns aos outros.
E não nos deixes ser extintos, mas livra-nos da nossa insensatez.
Pois tua é a beleza e o Poder, e toda a vida,
Do nascimento à morte, Do princípio ao fim.
Que assim seja e assim se faça para o bem de todos.
Abençoado sejas!
Eis que o vento sopra em meu rosto, em meu corpo.
Vindo de frente, refresca minha fronte, massageia meus cabelos.
E eis que me fragmento num sem-número de sementes de dente-de-leão, sopradas pelo vento.
De minha essência nada resta, pois me espalho por onde ando, por onde as sementes voam.
Quisera ser flora para te encantar, e o fora, fora um dente-de-leão. Leão manso, de altivo passo, retumbante rugido e suave respiração.
Meus cabelos, ora juba, ora inflorescência, balançam ao vento e espalham sementes de dente-de-leão pelos campos ondeantes onde ando.
Outrora rugi, outrora rosnei, outrora agarrei, mas não aguentei. Outrora, eu era. Agora, deixo de ser.
Nada detém o vento, que num redemoinho me envolve, meus fragmentos revolve, num rodamoinho me dissolve. Sou capítulo soprado.
Me fragmento num sem-número de sementes, que voam pelo vento. E na terra, em minhas pegadas de leão, nascem dentes-de-leão.
(Epitáfio anemocórico, no livro O Bruxo de Curitiba)
Água fria, que do céu cai,
revigora o verde, faz brotar.
Água quente, do mate extrai
suave amargo, faz trovar.
"A metrópole é dura? Ótimo! Porque o diamante só nasce sob pressão extrema, meu nobre. A vida urbana tenta te esmagar, mas mal sabe ela que você é feito de pura resiliência e vontade de potência. Pegue o barulho infernal das buzinas e transforme na sinfonia da sua vitória. Você não veio para essa selva de pedra para passear, você veio para dominar a cadeia alimentar corporativa!"
"Acorde, guerreiro da selva cinza! O sol nasce quadrado entre os prédios, mas o seu brilho tem que ser esférico e total! Engula o estresse com farinha e faça da adversidade o degrau para o seu pódio. A cidade é grande, mas a sua ambição tem que ser astronômica. Vá e vença!"
Tamborilando da cinza abóbada celeste, serenamente pousa nas folhas.
Verdes copas, ao balanço de uma dança, fresco sabor do ar que se enevoa.
Vento frio, de suave toque, em torvelinhos e espirais escoa.
Como é bela a canção do vento na floresta com garoa.
a vida é o espaço-tempo entre a dor e a alegria.
dias ruins, como lição;
dias bons, como glória.
mas só é possível brindar a alegria plena
quando se conhece o valor
de vencer o sofrimento.
afinal, contemplar o amanhecer
é a beleza que nasce da escuridão.
Deite-se embaixo de um céu estrelado.
Encare o seu passado
como encara as estrelas:
algumas já se foram,
a luz antiga
insiste em chegar.
Tudo o que você fez até aqui
tem seu brilho próprio.
E ainda assim,
há sempre uma chance de recomeçar.
Não se permita cair
na escuridão dos arrependimentos.
Há astros mais intensos.
Há outros sóis.
Seremos todos eles.
os olhos mantêm a alma esperançosa
estes fazem-na enxergar motivos na Terra
para se contentar
e não querer fugir do plano físico
muito mais que ser apenas um sopro vagante pelo mundo,
é melhor ter um corpo
para tocar, sentir e ser
Café amigo-
Um café pra escrever,
escrever pra esquecer,
esquecer essas angústias
que pesam no peito
como chuva em telhado velho.
Por isso tomo café pra despertar,
despertar essa tal de alegria
que todo mundo fala,
mas que às vezes me esquece.
Mas que alegria?
Se sou só um poeta
que não aprendeu a amar,
que tropeça nas lembranças
e se esconde nas palavras.
Escrevo e esqueço,
o café só acompanha,
feito amigo calado
numa madrugada qualquer.
Escrevo pra me manter de pé,
pra dar sentido à dor
que o mundo finge que não vê.
E o café, esse velho cúmplice,
me aquece o vazio
que ficou de você.
Assim, somos feitos de infinito aprisionado no finito, de absoluto fragmentado no relativo, de felicidade que chora na dor, da sabedoria que se tornou ignorância, de vida eterna despedaçada no ciclo das vidas e das mortes; somos verdadeiramente anjos decaídos. Então, para reencontrar o infinito, vamos acumulando insaciavelmente fragmentos de finito e tentamos aproximar-nos da imortalidade, agarrando-nos a esta vida breve e prolongando a sua recordação com grandes obras. (...) E prosseguimos, cimentando as pedras com lágrimas e sangue para refazer a nossa bela morada de conhecimento, de liberdade, e de bondade, donde saímos. (...) Queremos viver. A centelha divina originária do espírito, embora sufocada nas angústias da morte, não pode morrer. Sobreviverá a todas as lutas e a todas as dores, até que o organismo imperfeito, correndo em busca da perfeição, a torne a encontrar e tudo assim fique sanado, para poder reentrar no seio do grande organismo perfeito, o Tudo-Uno-Deus do qual derivou"
Nós temos muita coisa em comum, a mesma terra, o mesmo ar, o mesmo céu.Talvez se olhássemos o que temos em comum em vez de sempre procurar o que temos de diferente... Bem, quem sabe?
