O Amor foi bom Enquanto Durou
Violáceas as piscadelas da lua.
Cheia, clara, insinuante.
Todos os lobos uivam enquanto
as sutilezas do seu olhar
perfuram o meu fígado.
Viscosidades que lambem o desejo.
Sorrateiros entumescem bicos
e vidraças inexpugnáveis.
Tão perto,
tão longe.
Geladas inutilidades.
Te abraçar salvaria algumas
das minhas almas.
Seus beijos me mandariam para
o inferno.
Resta nada,
quase nada.
Um último tubo de ar
na profundidade do oceano
ocre.
Um derradeiro olhar
de soslaio
nas sombras
agigantadas pela lua.
Um último querer
escondido entre meu copo
e o impossível.
O que queria era um pouco de silêncio,
de alma, de calma,
enquanto as flores faziam sentido,
enquanto buscava um abrigo.
Na pressa do tempo, a vida, a galope,
só sabe continuar...
O que queria era um pouco de espera para as esperas,
uma bagagem de sonho e uma de realidade,
e assim traçar um caminhar.
Encontrar um olhar que salva
e um abraço para descansar os cansaços...
O que queria era uma reserva de felicidade.
E só!"
Enquanto algumas pessoas trocam figurinhas,
Toco minhas pessoinhas compartilhando letrinhas!
Guria da Poesia Gaúcha
Viver faz parte da vida infelizmente morrer também , então que nós vivamos enquanto houver vida da melhor maneira possível,, amando eternamente quem nos deixou saudades, pois, este sentimento temos somente pelas pessoas que passaram por aqui e somaram , dividiram e muitas vezes multiplicaram sem nunca subtrair o nosso bem maior .}
A FELICIDADE!!!
A B I S M O
Teu sorriso amarelado
Louco incitado a acontecer do nada, enquanto
A dor de seu queixar deixa-me inquieto
Sinto-me novamente preso ao deserto.
Pensares randômicos nos cerca.
Teus olhos emanam luz que me liberta
Tu és veneno que cura.
E por não saber o que lhe dizer
Disse-a apenas que minha vida
Deixa de ser vívida quando estou sem você.
poemas retalhos
Hoje vi a vida.
Parecia feliz!
Tinha um belo sorriso no rosto
enquanto flutuava pela rua.
Hoje quando cheguei...
Estava a maior confusão.
Ufa!
Um sufoco.
Hoje não conseguia falar,
repeti duas vezes.
Não sobrou histórias
para contar.
Parei
para curtir
o último pedaço
de ser criança.
Vivo muito mais e melhor do que a maioria, pois enquanto os outros veem o fim, eu consigo enxergar sempre uma oportunidade de recomeço.
Somos todos castos frente à morte, nossa derradeira experiência inédita. Enquanto ela não chega, é bom aproveitar cada minuto dessa nossa inocência frente ao desconhecido.
Nota: Trecho da crônica "Os Virgens": Link
...MaisEnquanto o céu for azul
O poeta; translúcido é.
Cinzeia-se tal céu e
O poeta, claustrofóbico fica.
Gastrointerite do desassossego,
Antibiótico, és tu, poesia.
Uma vez minha avo me disse que no mundo nunca devemos gatinhar enquanto o impulso do ser humano e voar
"Enquanto em meu corpo, houver um sopro de vida.
Ela será sua! Depois...
Continuará o mesmo.
Pois minha alma, muito alem daqui...
Sempre lhe pertenceu!"
Enquanto os homens, de forma desinteressada e quase que mecânica, questionam-se sobre o que querem as mulheres, seguido pela constatação de essa ser uma pergunta sem resposta, ao lado de outros já conhecidos questionamentos de semelhante fim (qual o sentido da vida?), elas, por sua vez, parecem já saber exatamente o que os homens querem, e se encontram entediadas pela falta de mistério e de olhares. Não o mistério de um conto infantil, mas o de um simples e confiante "não saber" que permeia a imaginação, porque lá o universo feminino acontece, um não saber que te arrasta pela mão e te coloca na garupa sem dizer pra onde vai. Não de um olhar limitado, previsível, aprisionante, mas de um olhar quase neutro, de caçador. Que não capture apenas imagens estáticas (ela é assim, ela é assado), mas que reinvente a cada novo foco. Fixo e vazio, Onde é possível sentir-se dentro. Onde seja possível, até mesmo, viver.
Porque será que só os ingênuos
carregam o fardo da ideologia?
Enquanto os idealizadores
banqueteiam-se com mordomia?
A Europa nos mostra André Rieu enquanto a mídia brasileira nos empurra Valesca Popozuda em pleno horário nobre.
Uma lagarta espreguiçada
A tarde chegava mansinha enquanto eu praticava meu instrumento; os sentidos atentos aos sons e posições do dedilhado. A curiosidade instigou-me a fitar os olhos em uma lagarta. Estava ao meu lado, na cerca. Lagarta bonita: preta com certas listas amarelo-pálidos, corpo da largura de um dedo polegar adulto. Um conjunto de patinhas e aparelho digestivo bem planejados.
Enfim, ela estava suspensa na cerca de forma hábil. Eis a razão de minha curiosidade. Com oito pares de patas abraçava-se às hastes da cerca, deixando livre as patas dianteiras. Desse modo, permanecia envergada para trás, como se fosse um exercício de alongamento ou ioga.
Inerte, a lagarta espreguiçada e de vida morosa sugeriu-me pensamentos a respeito de nossas transcendências. Lagarta e homem têm desfechos semelhantes: ser pleno.
Após a eclosão dos ovos, a lagarta verá a vida de baixo. Uma existência carregada de limitações e inseguranças. Naturalmente, seu ofício é alimentar-se de folhas, paciência e esperança. Precisa estar bem nutrida para a metamorfose.
Todavia, a lagarta não conhece a transformação futura a que experimentar-se-á, mas, pode ser testemunha dos voos cheios de cores das borboletas se ergue a pequena cabeça para o céu. Esse bichinho virtuoso, objeto de fobia para muitos, terá de superar as vicissitudes para se tornar plena. E, para alcançar a plenitude, alçar voo rumo ao céu, seu ser viverá cá embaixo, experimentará a harmonia dos contrários, que une o selvagem e o divino no mesmo berço, digo, a vida.
