O Amor foi bom Enquanto Durou
" Teu cheiro
Ah!! que loucura
foi minha procura
meu Armagedom
teu cheiro
eterno poema
flor no alto da serra
teu cheiro
odor que embriaga o meu coração
+Q Teólogo
Lúcifer, o Diabo, antes Satanás, ainda que caído é um anjo e foi o querubim da guarda, grandioso entre as criaturas celestiais. Ainda que do mal, como todos os anjos é um mensageiro e ele é em seu nome o 'portador da luz'. De anjo também é chamado o teu guarda, o teu bem e o teu amor. Anjos todos são, mas nem todos te querem bem. Assim também são todas as pessoas, ainda que seres humanos nem todas são ou fazem o bem.
À você mãe, que já se foi
Que muito bela já existiu
À você mãe, que ainda é
Que formosa é
Te desejo todo o teu bem
Cura qualquer tipo de dor
Tenho o bem que é teu
Melhor exemplo de amor
Ontem foi o dia mais difícil sem você
O dia mais ambivalente
O dia em que a vida me fez lembrar que você não ficou aqui
para que eu pudesse te tocar
Você não ficou para que eu pudesse te olhar assim
e nem para que eu fosse olhada de volta com olhinhos curiosos
Não deu tempo de sentir seu cheiro
Olhar suas mãozinhas mexendo
Sentir você crescer aqui dentro
Não deu tempo de escutar seu coração batendo,
Nem por um segundo
Nada disso aconteceu
E tudo isso não passa, não sai, não vai
Só dói, só me faz sentir assim, vazia
Vazia de um amor que não se concretizou como eu sonhei
De uma saudade de coisas que eu nunca vivi
Eu não estava pronta para perder você
Te enfeitiçei,
Te confundi,
Estremeci sua base
Mas a verdade é que
Nada disso foi suficiente para mim
Como um bravo chacal
fez o meu peito sangrar,
Para ti convém dizer:
- Que tudo foi momento,
ferindo-me o sentimento.
Nos meus tristes olhos
você não quis olhar,
Talvez por medo,
De até mesmo sonhar.
Lágrimas de puro âmbar
saem dos meus olhos doidos,
Não tenho parado de chorar.
Vocação para se consumir?
Não tenho, tenho 'porquês'
na vida a embalar e seguir.
Cometa consumido sempre
traz uma prenda e regra,
Quando ele cai na Terra,
é capaz de marcar e virar
Campo de meteoritos.
O amor é caleidoscópio
nas mãos dos ingênuos,
O amor é mistério
nas mãos dos cientistas,
É algo que não se explica,
e nas mãos de quem crê,
É sempre pura mística.
Como o destino é irônico,
não exigirei mais nada,
Porque 'nada' tens a dar,
e mesmo se tivesse,
Nada vale a pena forçar.
O amor não se comanda
nem por um botão,
Quando chamado de idiota,
ele se recolhe e vai embora.
Sem fazer nenhum ruído
Um corpo foi despido
Diante do espelho,
Para arrancar um suspiro
De desejo lascivo,
Há de ser um belo bailado
No território [conquistado;
Será um pecado bem cometido.
A noite caiu desapercebida
De um jeito jamais visto
O luzeiro foi descansar
A Lua como a lamparina
Ilumina o altar da noite
De forma a fazer o céu gingar
Em companhia das estrelas.
A manhã surgiu desapercebida
De um jeito surpreendente
O luzeiro pôs-se a levantar
A Lua foi descansar
O luzeiro bem acordado
Surpreende o céu da noite
De forma a fazê-lo a se dissipar
E levar com ele todas as estrelas.
As moças sempre se encontram
Manhã, tarde e noite de mão dadas
Nestes versos mal escritos
As moças que mais parecem fadas
Estações da vida e dos tempos
Emoções que caem como chuva
Entre o céu e a terra - se apaixonam
Como certas brisas que se encontram
À beira do abismo bem em frente ao mar...
A noite foi chegando gentil
E transformando o céu anil
Numa imensa mandala
O degradê desabrochando
Os anjos cantarolando
E o céu se desdobrando
Num presente multicolorido
Acolchoado em madrepérola.
No sorriso do sol indo dormir
Vejo o teu lindo sorriso
Uma constelação a luzir
Provocando o meu coração
Convidando a florescer de leve
De amor e contentamento
Com a unção do firmamento
Cor de mandala multicor
Repleto de encantamento.
A poesia independe de rima
Ela surge até sem escrita
E não depende de metrificação
Porque ela brota do coração
Longe da isenção de sentimento
Ela é como uma canção
Transformada em oração
Amante, pungente e tocante
Dependente do teu calor
Que traz a inspiração...
O encontro foi
obra do destino,
- há um carinho
e um caminho
Mesmo que se tente
o descaminho,
- não surgirá o desatino
Temos fé um no outro,
- confio
Por nós vibro,
- escrevo
E nos imagino...
Um sentimento
tão lindo,
- tenho por você
um fascínio
Um amor tão puro,
tão fino
- que nasceu
para ser meu
Venha tomar conta
desse coração
- que é todo teu
Porque ele rima
apaixonado,
- e te quer desacorrentado
Para viver
contigo libertado.
O meu coração nunca
deixou de ser atento,
- espalhei sementes
de ternuras ao vento
Para que eu não me perca
do nosso caminho,
- só as sementes de ternura
marcam com luzes
Para que dos meus olhos
você não se perca,
- e para que não saia da tua cabeça
Porque mesmo que a vida
nos coloque noutros
rastros e direções,
- assim lembraremos
das nossas emoções
E não esqueceremos
que um dia
vivemos a mais especial
de todas as paixões.
Desta volúpia nascida de mim
Volúpia que foi semeada por ti
Não faço questão de esconder
Os desejos audazes estão aqui
Prontinhos para serem colhidos
Desejos doces e provocativos
Não temo de entregá-los
Inteiros para serem cometidos
Confio nos teus cuidados
Por tua mão escorregadia
Escrevo versos com cravo
Perfumo poemas com canela
Tempero poesias com pimenta
Também sei ser tua e Gabriela
Estou em plena sintonia
Como gaivotas no pleno revoar
Aprendi a desenhar no mar
Estou aqui para te acariciar
Trago dos teus olhos negros
O fruto dos nossos segredos
Trago sementes e lembranças
Com certeza as mais obscenas
Das ternuras entre as açucenas...
Fico esperando
pelo teu beijo,
- você sabe
Essa foi a forma
que encontrei
Para me fazer pequena,
- é desse jeitinho
que consigo caber
Na palma da tua mão
Faço isso para ver
Se um dia entro de vez,
E fico no teu
(coração),
- porque no meu você
Mora de vez há um tempão.
A tua iniciativa
é uma forma
De fazer cativa
a minha atenção,
Basta você estalar
o teu dedo
Que me entrego
com paixão,
O teu carinho errante
em meu corpo
Acaba sempre
com qualquer escuridão.
A tua carícia está
aqui te esperando
Em qualquer estação,
- tenho por ti uma
espera afetuosa
Ditosa é a paz
que embalo no peito
Pelo nosso envolvimento,
- é delicioso saber
que aguarda
Por mim um beijo
que é suculento
- um doce fruto -
Da tua emoção
Tenho por ti um
desejo tórrido,
As minhas letras
que te encantam
E essa minha canção;
- quero o teu colo
não só por um verão
Você me deixa acesa,
sabemos direitinho
O roteiro da nossa empolgação,
De ti sou prisioneira
- meu pedaço de bom caminho -
Se te amar é tentação: não faço
Nenhuma resistência à nossa prisão...
Escrevo para correr perigo,
Para cair nas tuas mãos,
- és meu doce menino -
E por ti dou todas as voltas,
cambalhotas e arrepios.
Não me importo com o quê
neste momento
Estão pensando desses
versos messalinos;
- versos que nasceram
da tua atenção
E dos teus carinhos,
Se um poeta fosse
se preocupar em ser poeta,
Jamais escreveria,
porque escrever
Ocultando o quê sente é
uma enorme covardia!...
Escrevo muitas vezes
de forma erradia,
E não tenha dúvida que as minhas
linhas são vadias;
- mas são todas escritas para você
Sim, meu amor louco amor
escrevo para regar-te,
E regalar-te a tua alma
para quem sabe um dia
Tu sejas inteiramente meu
- completamente meu -
E plenamente meu
- por mais do que um dia,
Não digo à ninguém quem é você,
Para que não tenha fim
os nossos versos intimistas
- e toda a poesia.
Eu tenho um passo que é só meu,
Não suporto o quê por mim
Não foi criado
- nada me coloca -
Amarrada.
Sou bela porque voo livre,
Vivo solta e não me prendo à nada
- sou indomada -.
Eis-te aqui e um roseiral
Em floração que não
teme o tempo,
E que nasceu em meio às rochas.
E neste momento está
dançando no vendaval...
Expressão de fé e de entrega
Ao mundo celestial.
Não vivo à toa, gosto
de ser apreciada,
E de viver levemente sempre
Tendo um bom motivo
para estar apaixonada.
Há um mundo em movimento
Dentro de mim,
E uma audácia que não se acaba.
O meu coração é inteiro
quando se trata
De lealdade,
Quando você der
a minha falta:
Irás colher a fina
safra da saudade...
E quando você pensar
em me procurar:
Entenderás para sempre
que agiste tarde.
Deste meu corpo nascido
prum bom beijo,
E também para o perigo:
Sou nascida para o pecado, admito.
Resolvi deixar-te
de castigo,
Só porque você não
está aqui comigo.
Acostume-se com esse meu
jeito doido e bandido.
O teu sorriso é um presente divino, é dádiva, é magnestismo e fruição... Foi com a beleza desse sorriso que você ganhou o meu coração
No Universo foi
o sonho escrito
para as estrelas,
ele que é feito
de humanidade
para se ver nos
corais e por todos
dar tudo de si;
e cantar o amor
para esquecer
as divergências
e embalar
todos os povos.
Não sei se haverá
este encontro,
só sei que há
beleza na coragem,
e ela que faz
com que eu persista.
A única coisa certa
nesta vida sempre
há de ser a poesia
que passa para
que eu possa,
e certamente fica.
É nas fases da Lua
que tenho saído por aí
em busca tua
entre os bonsais
terrenos e marinhos;
e entre corais
para refazer paraísos
onde foram
garimpados minerais,
e quem sabe ser
a presença que
nem o tempo desfaz.
É recorrente lembrar
do período das cheias,
e que a vida por aqui
nunca foi um
factóide existencial:
Na Terra dos Homens
que se esqueceram
das boas maneiras,
e recordar da época
que o Pantanal
nunca houve seca,
No meu nostálgico
rimar interior ainda
canta a chalana
nas águas dos rios,
e recorda a Lua
que solitária rompia
a madrugada crua.
Na Terra dos Homens
que se esqueceram
de viver corajosamente,
sem ter medo da vida
das tempestades
e das correntes,...
A Lua que reunia
estrelas infinitas
para cobrir cidades,
aldeias indígenas
e a tropa que ao som
da moda de viola
ao redor da fogueira
se distraía até
o aguaceiro abaixar,
e com o seu rebanho
conseguir passar;
Na Terra dos Homens
que se esqueceram
como o peão era
feliz por vir de longe
para o amor encontrar
e por ele se deixar levar.
Intuição prístina
de que em algum
lugar do mundo
você foi criado
para se encaixar
na minha vida,
Sem te ver
imensamente
te percebo,
é só questão
de tempo,...
Tu virás inteiro
para mim,
virás livre, leve
e solto como
o sol beijando
os oceanos:
sem nos conhecer
já nos amamos;
Sem te ver
imensamente
te escrevo,
é só questão
de tempo,...
Tu virás cruzando
estradas com
o teu carro
que se confunde
com as cores
das noites de luar;
porque não
haverá nada
mais para te deter,
seremos a festa
por todo o lugar.
Sei que virás
liberto de qualquer
e toda tormenta,
e com o tempo
que tudo ajeita;
do teu destino
será riscado
até o contratempo.
Lenda Chinesa (Lin e a sogra)
Era uma vez uma jovem chamada Lin, que se casou e foi viver com o marido na casa da sogra. Depois de algum tempo, começou a ver que não se adaptava à sogra. Os temperamentos eram muito diferentes e Lin se irritava com os hábitos e costumes da sogra, que criticava cada vez mais com insistência.
Com o passar dos meses, as coisas foram piorando, a ponto de a vida se tornar insuportável. No entanto, segundo as tradições antigas da China, a nora tem que estar sempre a serviço da sogra e obedecer-lhe em tudo.
Mas Lin, não suportando por mais tempo a idéia de viver com a sogra, tomou a decisão de ir consultar um Mestre, velho amigo do seu pai.
Depois de ouvir a jovem, o Mestre Huang pegou num ramalhete de ervas medicinais e disse-lhe:
“Para te livrares da tua sogra, não as deves usar de uma só vez, pois isto poderia causar suspeitas. Vais misturá-las com a comida, pouco a pouco, dia após dia, e assim ela vai-se envenenando lentamente. Mas, para teres a certeza de que, quando ela morrer, ninguém suspeitará de ti, deverás ter muito cuidado em tratá-la sempre com muita amizade. Não discutas e ajuda-a a resolver os seus problemas”.
Lin respondeu: “Obrigado, Mestre Huang, farei tudo o que me recomenda”.
Lin ficou muito contente e voltou entusiasmada com o projeto de assassinar a sogra. Durante várias semanas Lin serviu, dia sim, dia não, uma refeição preparada especialmente para a sogra. E tinha sempre presente a recomendação de Mestre Huang para evitar suspeitas: controlava o temperamento, obedecia à sogra em tudo e tratava-a como se fosse a sua própria mãe.
Passados seis meses, toda a família estava mudada. Lin controlava bem o seu temperamento e quase nunca se aborrecia. Durante estes meses, não teve uma única discussão com a sogra, que também se mostrava muito mais amável e mais fácil de tratar com ela.
As atitudes da sogra também mudaram e ambas passaram a tratar-se como mãe e filha. Certo dia, Lin foi procurar o Mestre Huang, para lhe pedir ajuda e disse-lhe:
“Mestre, por favor, ajude-me a evitar que o veneno venha a matar a minha sogra. É que ela transformou-se numa mulher agradável e agora eu gosto dela como se fosse a minha mãe. Não quero que ela morra por causa do veneno que lhe dou”.
Mestre Huang sorriu e abanou a cabeça:
“Lin, não te preocupes. A tua sogra não mudou. Quem mudou foste tu. As ervas que te dei são um elixir para melhorar a saúde. O veneno estava nas tuas atitudes, mas foi sendo substituído pelo amor e carinho que lhe começaste a dedicar”.
– Se insistirmos em atitudes boas, vamos conquistar a bondade para nossa alma.
– Se insistirmos em atitudes negativas, vamos engrandecer/fortalecer nossas imperfeições.
Se eu oferecer ódio/rancor a alguém e este o aceitar, aumentará nossos laços de ódio para com ele.
Se eu oferecer ódio/rancor a alguém e este não o aceitar, este sentimento ficará retido em mim.
Ou seja, atitudes negativas inevitavelmente farão mal a nós mesmos.
Não vamos pedir que os outros tenham atitudes bondosas para conosco, vamos NÓS oferecermos bondade aos outros e os outros responderão conforme cada um, porém estamos desta forma, cultivando/semeando nosso caminho. Se a Lin (do conto) tivesse pedido carinho e afeto à sogra, jamais teria recebido. No entanto, ela começou a oferecer carinho e afeto, e não tardou para receber em troca.
O espiritismo nos diz que fomos criados simples e ignorantes, porém destinados ao bem. Deus não criou uns já com virtudes e outros com imperfeições. Nos reforça a idéia de SOLIDIFICAÇÃO das virtudes em nossa alma, dependendo do nosso livre-arbítrio. A Lin solidificou o afeto e o carinho em sua alma. Ou seja, depende de nós a conquista das virtudes.
A repetição pode parecer tola, mas pode ser uma ferramenta para conquistarmos um hábito e a solidificação dos caracteres (bons ou ruins) em nossa alma. Quando falamos “alma” cabe ressaltar que nossa alma é o nosso verdadeiro patrimônio, é aquilo que sobrevive a morte do corpo.
A Lin repetia exaustivamente, com esforço sua atitude de carinho e afeto à sogra e conquistou, em 6 meses, uma virtude. Solidificada em sua alma.
Nós podemos repetir a direção defensiva toda vez que dirigirmos um veículo, com certeza em alguns meses, esta atitude vai se tornar o nosso modo de dirigir, solidificado, um hábito.
Nós podemos repetir o ato de “hoje” não discutir com aquele colega de difícil convivência.
Nós podemos repetir o ato de “hoje” não alimentar um vício.
“Milhões de velas iluminam como um sol” – Emmanuel.
Nosso objetivo deve ser o de sermos “vela”. Não precisamos ser um “sol”, se nos dedicarmos a sermos uma vela, que ilumina a nós e ao nosso redor já estaremos fazendo a nossa parte.
A LEI DO AMOR COMO EIXO MORAL DA CONSCIÊNCIA HUMANA.
A Lei do Amor, Uma Lenda Chinesa e Doação" , apresenta uma construção pedagógica que harmoniza narrativa simbólica e fundamento doutrinário. Seu núcleo conceitual converge com o que está exposto no Capítulo XI de O Evangelho Segundo o Espiritismo, obra organizada por Allan Kardec e publicada em 1864, onde se afirma que a lei de amor sucede à lei de justiça e constitui o ápice da evolução moral da humanidade.
No Capítulo XI, intitulado "Amar o próximo como a si mesmo", encontra se a formulação clara de que o amor é a síntese de todas as virtudes. A caridade, entendida não apenas como esmola material, mas como benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias e perdão das ofensas, é apresentada como a expressão prática dessa lei. A máxima evangélica deixa de ser mera exortação religiosa e torna se princípio estruturante da ética espírita.
Essa mesma orientação ao afirmar que o amor não é emoção transitória, mas disposição constante da vontade moral. Trata se de uma disciplina interior que exige superação do egoísmo, domínio das paixões e exercício consciente da alteridade. Nesse ponto, há perfeita consonância com o ensino espírita de que o egoísmo é a chaga da humanidade. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, lê se que a destruição do egoísmo é a chave do progresso moral. O texto contemporâneo reafirma essa tese ao sustentar que somente o amor praticado transforma ambientes e consciências.
A lenda chinesa apresentada funciona como alegoria moral. A jovem que decide modificar sua postura diante da sogra não altera inicialmente a conduta da outra pessoa, mas reorienta a própria atitude interior. Este aspecto é profundamente coerente com a pedagogia espírita. O progresso moral, segundo a codificação de 1857 a 1869, não é imposto de fora para dentro. Ele ocorre pela reforma íntima. A transformação exterior é consequência da transformação interior.
Há, portanto, um paralelismo didático entre a narrativa simbólica e o ensinamento doutrinário. Enquanto o Evangelho segundo o Espiritismo oferece a fundamentação teórica da lei de amor, a lenda ilustra sua aplicação concreta no cotidiano familiar. A moral não permanece abstrata. Ela torna se operativa.
Outro ponto de convergência encontra se na reflexão sobre doação. O texto contemporâneo afirma que a felicidade autêntica reside no amor que se oferece e não no que se espera receber. Essa proposição dialoga diretamente com a afirmação evangélica segundo a qual há mais felicidade em dar do que em receber, princípio também comentado no Capítulo XIII da mesma obra espírita. A doação, sob a ótica espírita, não é perda. É expansão do ser. Ao doar, o indivíduo amplia sua consciência e sutiliza sua sensibilidade moral.
Do ponto de vista psicológico, essa compreensão antecipa conceitos hoje estudados pela ciência do comportamento. A prática constante de atitudes benevolentes reorganiza padrões emocionais e cognitivos. O amor, enquanto escolha reiterada, modifica o caráter. A tradição espírita já afirmava no século XIX que o Espírito se depura através das experiências e das decisões morais reiteradas. Esse princípio sob linguagem acessível e narrativa simbólica.
Eticamente, a lei de amor é superior à mera justiça retributiva. A justiça corrige. O amor eleva. A justiça equilibra. O amor harmoniza. O Espiritismo ensina que a humanidade progride da força para o direito, e do direito para o amor. O texto do Portal da Luz reforça essa trajetória ao propor que as relações familiares, sociais e comunitárias podem ser regeneradas pelo exercício perseverante da benevolência.
Não se trata de sentimentalismo ingênuo. A lei de amor, conforme apresentada na codificação espírita, exige esforço, renúncia e disciplina interior. Amar o adversário, suportar ofensas sem revide, cultivar indulgência diante da imperfeição alheia são exercícios morais complexos. A lenda chinesa demonstra precisamente esse esforço gradual. A jovem não experimenta transformação instantânea. Há constância, repetição, perseverança. Esse aspecto corresponde ao entendimento espírita de que o progresso é lento e contínuo.
Historicamente, a publicação de O Evangelho Segundo o Espiritismo em 1864 marcou a sistematização do aspecto moral da Doutrina Espírita. Desde então, a lei de amor tornou se eixo interpretativo para a compreensão do sofrimento, das provas e das expiações, ainda que em formato devocional, mantém fidelidade a essa estrutura conceitual.
Em síntese, a comparação revela unidade essencial. O Capítulo XI apresenta o fundamento filosófico e moral. O texto contemporâneo oferece ilustração pedagógica e aplicação prática. Ambos convergem na afirmação de que o amor é lei universal, princípio evolutivo e método de transformação da consciência.
Quando o ser humano compreende que amar é decisão ética e não mera emoção, inicia se verdadeira revolução interior. E toda revolução moral autêntica começa silenciosamente no coração daquele que escolhe transformar se antes de exigir transformação do mundo.
