Nunca Magoe uma Mulher

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É muita casca de banana fora da lixeira,
E dentro de porta-joias,

Achando que é uma joia.

Saudade é uma vizinha bisbilhoteira.

Bebi uma mistura do meu suor com lágrimas,
Isso virou potência.

O que a minha boca confessa que quer contigo,
É uma gota,
Perto do oceano que desejo.

A verdade é uma velha sábia,
A beira do caminho catando sementes.
Observando a mentira passar,
Causando redemoinhos.

Eu não desejo derreter pedras,
O pó delas não me serve.
Você é uma dessas sem valor.

O amor é apenas uma dança
Sem garantias de sair do baile acompanhado.

Uma mente que se abre para o bem,
É uma janela aberta para o sol.

A arte é uma criança brincando,
Diante dos olhos de um adulto.

Foi uma despedida sem volta,
Do meu eu de hoje,
Com meu eu de ontem.

Ameaçaram publicar meus segredos,
Nem estavam preparados para uma terceira guerra.

Ninguém foi embora sem deixar uma lição,
O resultado com o aprendizado
é pessoal.

Não reparei,
Que no fundo, bem lá no fundo.
Teus olhos,
Escondia um cadáver de uma menina.

Mataram as borboletas no estômago,
Não perceberam,
Que no peito eu tinha uma fênix,
E na mente uma águia.

Amar é quase isso
Baixar a guarda,
E entrar no ringue oferecendo uma flor.

Para ter uma boa convivência comigo,
Basta não confundir,
Minha gentileza com ingenuidade.

Se o vínculo é confuso,
A entrega é uma fraude.

Atenção é uma moeda de alta cotação,
Não troque milhões por centavos.

E se os seres humanos não fossem apenas uma criação de Deus, mas partes literais dele?


E se, ao criar os primeiros humanos, Deus tivesse dividido uma parte da sua própria essência para dar origem a seres verdadeiramente conscientes e independentes? Talvez quisesse testar a sua criação, observar o universo através de outras perspetivas, ter companhia ou simplesmente deixar de existir sozinho. Mas e se não tivesse previsto completamente as consequências dessa decisão?


E se cada novo ser humano precisasse de receber uma pequena parte dessa essência divina? Quanto mais a humanidade crescesse, mais fragmentada ficaria a força de Deus. O seu poder continuaria a existir, mas estaria distribuído por milhares de milhões de pessoas incapazes de agir como uma só consciência. Deus não teria desaparecido, mas estaria progressivamente mais fraco enquanto entidade individual.


E se os animais tivessem sido uma experiência anterior, criada com fragmentos menores ou sem a mesma liberdade e consciência? E se os dinossauros tivessem sido uma das primeiras criações a crescer para além do equilíbrio esperado? Talvez Deus tenha permitido que dominassem o planeta durante milhões de anos, até perceber que já não conseguia controlar a sua expansão e teve de recorrer a uma solução extrema para recomeçar.


E se os humanos fossem a tentativa seguinte? Seres fisicamente mais pequenos, frágeis e com vidas mais curtas, que aparentemente seriam mais fáceis de controlar. No entanto, Deus teria subestimado a inteligência, a capacidade de adaptação e a velocidade de reprodução da humanidade. Com a agricultura, a medicina e a tecnologia, os humanos começaram a ultrapassar quase todos os limites naturais, tal como os dinossauros tinham feito, mas de uma forma muito mais rápida e difícil de travar.


Nesse caso, e se aquilo a que chamamos “mal”, como doenças, catástrofes, epidemias e outros acontecimentos destrutivos, não fosse apenas castigo ou crueldade? E se fossem tentativas cada vez mais imperfeitas de abrandar o crescimento humano e recuperar parte da força divina? Ou, pelo contrário, e se essas tragédias fossem consequências involuntárias do enfraquecimento de Deus, que já não teria poder suficiente para manter o mundo completamente estável?


E se Deus já não conseguisse controlar com precisão aquilo que criou? Talvez apenas fosse capaz de influenciar forças naturais, originando acontecimentos demasiado grandes e indiscriminados. Isso explicaria por que motivo as catástrofes não atingem apenas pessoas consideradas más e também destroem vidas inocentes. Não seriam julgamentos perfeitos, mas ações desesperadas de uma entidade que está a perder o controlo.


Mas o que acontece à parte divina de uma pessoa quando ela morre? Regressa a Deus, fortalecendo-o novamente, ou permanece separada para sempre? Se regressar, talvez a vida e a morte façam parte de um ciclo de distribuição e recuperação de energia. Se não regressar, então cada nascimento aproximaria Deus de uma fragmentação definitiva.


E se Deus não puder simplesmente eliminar a humanidade porque isso significaria destruir partes de si próprio? Talvez tente apenas limitar o nosso crescimento, esperando que encontremos equilíbrio antes que a sua consciência original desapareça por completo.


E se a razão pela qual Deus parece silencioso não for a sua ausência, mas o facto de já não estar concentrado num único lugar? Talvez Deus esteja presente em cada consciência humana, observando o mundo através dos nossos olhos, sentindo através das nossas emoções e agindo através das nossas escolhas, mas sem conseguir reunir todas essas experiências numa única vontade.


E se os nossos impulsos para criar, proteger, amar, conquistar e destruir forem manifestações diferentes dessa mesma entidade fragmentada? Talvez o conflito humano seja, literalmente, Deus em conflito consigo próprio.


Nesse cenário, será que a humanidade está lentamente a destruir Deus, ou está a transformar-se numa nova forma dele? E se o verdadeiro objetivo não for obedecer a uma entidade exterior, mas aprender a unir as partes distribuídas por todos nós? Talvez Deus esteja cada vez mais fraco enquanto ser individual, mas possa tornar-se novamente poderoso se a humanidade algum dia conseguir agir como uma consciência coletiva.


E se Deus nos criou para ter companhia, mas acabou dividido entre todos nós? E se agora estiver à espera que as suas próprias partes percebam aquilo que são e encontrem uma forma de voltar a unir-se?

Boba, eu quase fui preso por roubando uma flor, e você aí, brigando comigo.