Nunca Magoe uma Mulher

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A ONÇA DENTRO DE NÓS


Por: Marco Arawak


Há uma região em nós que não aparece nos espelhos.


É nela que permanecem as lembranças que o tempo não dissolveu, as perguntas que nunca terminamos de formular, os desejos que modificamos para caber nas expectativas alheias e os receios que, silenciosamente, participam de nossas escolhas.


Talvez conhecer essa região seja uma das tarefas mais difíceis da existência.


Porque olhar para dentro não significa simplesmente recordar. Significa interrogar a própria história.


Perguntar de onde vieram nossas certezas, quais experiências moldaram nossas convicções, por que determinadas situações despertam determinadas reações e até que ponto aquilo que chamamos de personalidade é, na verdade, uma construção feita de hábitos, circunstâncias e memórias.


É nesse território que encontramos a nossa autoanamnese.


Uma cartografia interior.


Um retorno às próprias origens para compreender os caminhos que nos trouxeram até aqui.


Quem fui antes de saber quem deveria ser?
O que escolhi por desejo e o que escolhi por necessidade?
Quais partes de mim nasceram de convicções e quais nasceram de adaptações?


Dentro de cada pessoa existe uma natureza que nem sempre se revela.


Há uma força silenciosa que observa antes de agir, percebe antes de responder e reconhece aquilo que muitas vezes tentamos ignorar.


É a onça dentro de nós.


Ela não precisa rugir para existir.


Move-se no silêncio das nossas percepções, atravessa nossas memórias e surge nos momentos em que algo essencial é ameaçado: nossa liberdade, nossos valores, nossos limites ou aquilo que profundamente reconhecemos como parte de nós.


Mas essa onça não representa apenas força.


Ela também representa consciência.


O instinto que observa.


A presença que não se precipita.


A capacidade de permanecer em silêncio antes de escolher um movimento.


Talvez por isso olhar para dentro exija coragem.


Porque podemos descobrir que aquilo que nos perturba nem sempre está no mundo exterior.


Às vezes, está naquilo que ainda não compreendemos em nós mesmos.


Há pensamentos que nos perseguem.


Há medos que condicionam escolhas.


Há padrões que se repetem porque jamais foram examinados.


E há partes de nossa própria história que permanecem à espera de serem reconhecidas.


Nem tudo aquilo que habita em nós precisa nos governar.


Pensar não significa necessariamente estar certo.


Sentir não significa necessariamente obedecer ao sentimento.


Ter medo não significa ser fraco.


E reconhecer uma parte difícil de nós não significa aceitá-la como destino.


A consciência começa justamente quando conseguimos observar aquilo que acontece dentro de nós sem sermos imediatamente dominados por isso.


Somos, ao mesmo tempo, experiência e observador.


Sentimos e podemos refletir sobre o que sentimos.


Pensamos e podemos questionar nossos próprios pensamentos.


Erramos e podemos compreender o erro.


É nessa distância entre o impulso e a escolha que surge uma das formas mais profundas de liberdade.


Também o passado precisa ser contemplado com honestidade.


Não para justificá-lo.


Não para condená-lo.


Mas para compreendê-lo.


A pessoa que fomos não possuía necessariamente os conhecimentos que possuímos hoje. Julgá-la apenas pelos olhos do presente pode transformar aprendizado em culpa.


O passado não pode ser refeito, mas pode ser compreendido.


E quando compreendemos aquilo que vivemos, nossa relação com a própria história começa a mudar.


A autoanamnese atravessa todas as dimensões da existência.


Está na família, onde recebemos histórias, valores e comportamentos que muitas vezes carregamos sem perceber.


Está nas amizades e nos afetos, onde descobrimos como confiamos, como estabelecemos limites e como nos relacionamos com o outro.


Está no conhecimento e no trabalho, onde nossas escolhas revelam aquilo que valorizamos e aquilo que desejamos construir.


Está nos erros, porque toda experiência pode se transformar em aprendizado.


Está nos sonhos, porque nem todo desejo que carregamos nasceu verdadeiramente em nós.


E está no futuro, porque nenhuma transformação consciente acontece sem alguma compreensão de quem somos hoje.


Por isso, talvez a pergunta mais profunda não seja simplesmente:


“Quem sou?”


Mas:


“O que está participando da construção de quem estou me tornando?”


Somos memória, mas não somos somente memória.


Somos consequência, mas também escolha.


Somos herança, mas também transformação.


Somos passado, mas ainda somos possibilidade.


A onça dentro de nós talvez seja essa parte primordial que nos lembra de permanecer atentos à própria existência.


Ela observa.


Espera.


Reconhece.


E nos ensina que força verdadeira nem sempre precisa fazer barulho.


Há momentos em que a maior demonstração de força é permanecer em silêncio.


Há momentos em que é preciso recuar.


Outros em que é necessário avançar.


E existem aqueles em que a verdadeira coragem consiste simplesmente em reconhecer o que acontece dentro de nós.


Conhecer-se não é domesticar a própria natureza.
É aprender a caminhar conscientemente com ela.


Talvez a maturidade seja justamente isso:


olhar para dentro sem medo de encontrar imperfeições;


compreender sem transformar compreensão em desculpa;


reconhecer nossas sombras sem permitir que elas ocupem todo o horizonte;


honrar nossa história sem permanecer prisioneiro dela;


e aceitar que ainda somos capazes de mudar.


A vida não é uma obra concluída.


Somos seres inacabados.


Cada experiência acrescenta uma camada.


Cada encontro desloca alguma perspectiva.


Cada perda modifica alguma medida de valor.


Cada descoberta reorganiza parte daquilo que acreditávamos saber.


Por isso, a autoanamnese não é uma resposta definitiva sobre quem somos.


É uma pergunta que aprendemos a fazer novamente.


De tempos em tempos, precisamos retornar ao silêncio e escutar aquilo que o ruído cotidiano impede de ouvir.


O que em mim é escolha?
O que é hábito?
O que é herança?
O que é medo?
O que é desejo?
E o que, finalmente, começa a ser liberdade?


Talvez a verdadeira autoanamnese seja esse retorno.


Não ao passado.


À consciência.


Entrar na própria floresta.


Reconhecer os rastros.


Perceber os movimentos.


E descobrir que, dentro de nós, existe uma natureza que não precisa ser temida nem negada, mas compreendida.


Porque conhecer a si mesmo não é encontrar uma identidade imóvel.


É perceber o próprio movimento.


É compreender de onde viemos sem nos aprisionarmos à origem.


É reconhecer aquilo que nos constitui sem permitir que isso determine tudo o que ainda podemos ser.


E talvez seja essa a grande lição da onça:


a força que realmente conhece a si mesma não precisa anunciar sua presença.


Ela simplesmente sabe quando observar.


Quando esperar.


Quando avançar.


E, sobretudo,


quando permanecer em silêncio.


Marco Arawak

A ONÇA DENTRO DE NÓS

Por: Marco Arawak

Há em cada ser humano uma região que não se revela inteiramente à própria consciência. É uma zona anterior às palavras, onde permanecem impressões que não sabemos quando adquirimos, medos que não lembramos ter aprendido, desejos cuja origem confundimos com liberdade e respostas que surgem em nós antes mesmo que tenhamos tempo de perguntar por quê.

Passamos a vida habitando esse território e, paradoxalmente, podemos permanecer estrangeiros dentro de nós mesmos.

Talvez uma das maiores ilusões humanas seja imaginar que nos conhecemos simplesmente porque carregamos conosco, desde sempre, o próprio nome, a própria história e a própria memória. Saber quem somos não é o mesmo que saber de onde vieram as forças que nos constituíram. Há uma diferença profunda entre ser e ter aprendido a ser. Entre aquilo que verdadeiramente escolhemos e aquilo que incorporamos para sobreviver, pertencer, agradar, proteger-nos ou simplesmente continuar caminhando.

A autoanamnese começa quando essa diferença deixa de ser uma abstração e transforma-se em pergunta.

Quem sou eu por trás daquilo que aprendi a ser?

Que parte das minhas convicções nasceu de uma escolha consciente e que parte delas foi herdada, absorvida, imposta ou construída como defesa? Quantas das minhas certezas resistiriam se eu tivesse coragem de investigar sua origem? E quantas das minhas reações pertencem realmente ao presente, quando talvez sejam apenas ecos de acontecimentos que o tempo levou, mas que a consciência ainda não elaborou?

É nesse ponto que entramos no território mais delicado da existência: o encontro entre aquilo que sentimos e aquilo que pensamos.

Antes de existir uma ideia, muitas vezes existe uma sensação. Antes de formularmos um julgamento, alguma coisa em nós já se aproximou ou recuou. O corpo percebe, a memória associa, o instinto responde. Só depois a razão chega, procurando compreender o acontecimento e, não raro, construir uma explicação para algo que já começou a nos mover.

O instinto possui uma inteligência própria. Ele não argumenta; reconhece. Não constrói teorias; responde a sinais. É a herança silenciosa de incontáveis experiências acumuladas no corpo e na memória, uma forma de percepção que frequentemente alcança o perigo, a oportunidade ou a mudança antes que a linguagem consiga traduzi-los.

É nesse sentido que a imagem da onça encontra sua força.

Ela não representa simplesmente a ferocidade que carregamos, tampouco uma natureza selvagem que precisaria ser vencida pela civilização. Representa uma dimensão primordial da existência: aquilo que percebe antes de explicar, que reage antes de justificar, que conhece determinados caminhos sem precisar transformá-los imediatamente em conceitos.

Mas justamente por possuir essa força, o instinto não pode ser confundido com verdade.

Aquilo que sentimos com intensidade não se torna verdadeiro apenas porque foi intenso. O medo pode ser um excelente guardião e, em determinadas circunstâncias, um péssimo intérprete. Uma experiência passada pode ensinar prudência, mas também pode deformar nossa percepção do presente. Uma ferida antiga pode continuar reagindo a acontecimentos que já não possuem a mesma natureza.

É nesse instante que a razão se torna necessária.

Não para destruir o instinto, mas para conversar com ele.

A verdadeira razão talvez não seja aquela que procura calar tudo aquilo que não consegue explicar, mas aquela que possui coragem suficiente para perguntar ao próprio impulso o que ele está tentando dizer. De onde veio esse medo? O que exatamente estou tentando proteger? Por que essa situação me ameaça tanto? Estou respondendo ao que está diante de mim ou ao que alguma experiência anterior me ensinou a esperar?

A pergunta inaugura uma distância.

E nessa distância começa a consciência.

Existe uma diferença decisiva entre sentir medo e ser governado pelo medo; entre sentir raiva e tornar-se instrumento dela; entre desejar alguma coisa e acreditar que todo desejo precisa transformar-se em ação. O impulso pode surgir sem nossa autorização. A escolha, porém, pode nascer justamente daquilo que fazemos depois de reconhecê-lo.

Talvez a liberdade humana resida nesse intervalo quase imperceptível entre o estímulo e a resposta.

É um espaço pequeno, mas nele cabe uma existência inteira.

Ali podemos interromper a automatização da própria vida. Podemos observar aquilo que se levanta dentro de nós sem imediatamente obedecer. Podemos reconhecer o impulso sem confundi-lo com destino. E, sobretudo, podemos descobrir que consciência não significa ausência de forças interiores, mas capacidade de estabelecer uma relação lúcida com elas.

Por isso, a maturidade não consiste em fazer com que a razão esteja sempre à frente do instinto. Seria uma pretensão impossível. Existem momentos em que o corpo saberá antes da mente; existem percepções que chegam sem pedir licença; existem respostas que pertencem a uma camada tão profunda da experiência que nenhum raciocínio poderia substituí-las inteiramente.

A maturidade está em aprender a voltar ao impulso.

Olhar novamente.

Interrogá-lo.

Compreendê-lo.

E então decidir.

A razão, quando verdadeiramente amadurece, deixa de ser uma tirana que pretende governar todos os movimentos interiores e passa a ser uma consciência de direção. Ela não elimina a espontaneidade; oferece-lhe contexto. Não destrói o desejo; investiga sua origem. Não nega o medo; procura distinguir proteção de aprisionamento.

Porque também a razão pode servir àquilo que deseja combater.

Podemos construir argumentos brilhantes para justificar escolhas que já havíamos decidido fazer. Podemos transformar orgulho em princípio, ressentimento em justiça, medo em prudência e conveniência em convicção. O pensamento, quando utilizado apenas para justificar aquilo que já queremos acreditar, deixa de ser instrumento de compreensão e torna-se advogado de nossas próprias ilusões.

Pensar muito não significa compreender profundamente.

Às vezes, pensar é apenas encontrar palavras sofisticadas para não olhar aquilo que nos incomoda.

A autoanamnese interrompe esse mecanismo porque nos obriga a retornar à origem. Ao revisitarmos nossa própria história, percebemos que quase nenhuma reação é absolutamente isolada. Há uma genealogia dos nossos medos, dos nossos desejos, das nossas recusas e até das nossas certezas. Aquilo que chamávamos simplesmente de personalidade pode conter antigas estratégias de proteção. Aquilo que interpretávamos como intuição pode carregar experiências mal elaboradas. Aquilo que acreditávamos ser uma escolha pode ter sido, em algum momento, apenas a alternativa que encontramos para continuar pertencendo.

Conhecer-se, então, não é acrescentar definições ao próprio nome.

É retirar camadas.

É distinguir a voz da experiência da voz do condicionamento. É reconhecer aquilo que herdamos sem necessariamente precisar perpetuá-lo. É compreender que algumas respostas foram úteis para quem fomos, mas talvez já não sejam necessárias para quem estamos nos tornando.

O passado não pode ser refeito.

Mas pode ser compreendido.

E existe uma diferença extraordinária entre essas duas coisas.

Compreender o passado não significa absolvê-lo de tudo nem transformar nossas escolhas anteriores em algo justificável. Significa devolvê-las ao contexto em que aconteceram. A pessoa que fomos possuía os conhecimentos, os medos, os recursos e as limitações daquele momento. Julgá-la exclusivamente com a consciência que adquirimos depois pode produzir culpa onde deveria existir aprendizado.

A memória, quando examinada com honestidade, deixa de ser apenas arquivo e transforma-se em matéria-prima para a consciência.

É assim que o instinto começa a mudar de estatuto dentro de nós.

Ele deixa de ser uma ordem.

Torna-se informação.

Essa talvez seja uma das maiores transformações produzidas pelo autoconhecimento. Não precisamos deixar de sentir; precisamos compreender o que sentimos. Não precisamos eliminar o impulso; precisamos impedir que ele permaneça invisível. Não precisamos expulsar a onça de dentro de nós; precisamos conhecê-la suficientemente para compreender quando sua força está protegendo nossa existência e quando está apenas repetindo uma ameaça que já não existe.

A razão, nesse encontro, não reina sobre o instinto como um soberano sobre um súdito. Ambos participam de uma realidade mais ampla.

O instinto nos ancora no presente imediato. A razão introduz distância. O instinto reconhece sinais; a razão compara possibilidades. O instinto percebe urgências; a razão considera consequências. Um nos aproxima da realidade concreta do momento; o outro nos permite imaginar aquilo que ainda não aconteceu.

Entre os dois nasce o discernimento.

E discernir talvez seja uma das formas mais elevadas de liberdade.

Nem todo medo merece obediência. Nem todo desejo exige satisfação. Nem toda provocação necessita de resposta. Nem toda oportunidade precisa ser perseguida. Nem toda certeza merece permanecer intacta.

A verdadeira força talvez não esteja em reagir com maior intensidade, mas em possuir liberdade suficiente para escolher quando reagir e quando não fazê-lo.

É por isso que dominar a si mesmo não deveria significar dominar a própria natureza. Uma natureza reprimida não se torna necessariamente uma natureza integrada; muitas vezes apenas aprende a esconder-se. Aquilo que negamos não desaparece. Pode mudar de forma, encontrar outras saídas, reaparecer em comportamentos que já não reconhecemos como seus.

A integração é mais difícil do que a repressão porque exige conhecimento.

Exige olhar para dentro sem transformar cada descoberta em condenação.

Exige reconhecer nossa agressividade sem glorificá-la; nossa fragilidade sem envergonhar-nos dela; nossos desejos sem transformá-los automaticamente em direitos; nossos medos sem permitir que eles decidam por nós.

Talvez seja esse o verdadeiro significado da onça dentro de nós.

Não um monstro a ser derrotado.

Não uma força a ser adorada.

Mas uma dimensão da própria natureza humana que precisa ser reconhecida, compreendida e integrada.

A onça não pergunta quem somos. Ela simplesmente existe.

Nós é que precisamos perguntar o que fazemos com aquilo que existe em nós.

E essa pergunta nos devolve à autoanamnese.

Porque investigar a própria história é perceber que somos feitos de camadas: memória e esquecimento, herança e ruptura, instinto e reflexão, necessidade e escolha. Somos consequência de acontecimentos que não escolhemos, mas também somos responsáveis pela maneira como continuamos a interpretá-los.

Não somos autores de tudo aquilo que nos aconteceu.

Mas podemos tornar-nos autores daquilo que fazemos com o que nos aconteceu.

Talvez essa seja a fronteira mais profunda entre condicionamento e liberdade.

Não escolhemos todos os impulsos que surgem.

Não escolhemos todas as marcas que recebemos.

Não escolhemos o primeiro movimento da consciência.

Mas podemos, pouco a pouco, aprender a escolher o segundo.

E talvez seja justamente nesse segundo movimento que comece a verdadeira autoria de uma vida.

Entre a sensação e o significado.

Entre o impulso e a decisão.

Entre aquilo que fomos ensinados a temer e aquilo que finalmente compreendemos.

Entre a onça que reage e o ser humano que observa sua própria reação.

É nesse intervalo que a existência deixa de ser apenas acontecimento e começa a tornar-se consciência.

Talvez conhecer a si mesmo nunca signifique chegar a uma resposta definitiva. Somos seres inacabados, atravessados continuamente por experiências que reorganizam nossa percepção, deslocam nossas certezas e revelam aspectos de nós que antes permaneciam ocultos. A identidade não é uma estátua concluída; é uma construção em movimento.

Por isso, a pergunta mais profunda talvez não seja apenas “quem sou?”, mas:

“O que, dentro de mim, está participando da construção de quem estou me tornando?”

Essa pergunta exige coragem porque retira de nós a comodidade de sermos apenas espectadores da própria história.

Ela nos devolve responsabilidade.

E, com a responsabilidade, a possibilidade de transformação.

A onça continuará dentro de nós. O instinto continuará surgindo antes de muitas explicações. A razão continuará tentando compreender aquilo que a experiência apresenta. O passado continuará deixando rastros. Nada disso precisa ser eliminado.

O que pode mudar é a relação que estabelecemos com tudo isso.

Quando aprendemos a reconhecer o impulso sem nos tornarmos seu instrumento, a memória sem sermos prisioneiros dela, a razão sem transformá-la em máscara e a própria natureza sem precisar negá-la, alguma coisa essencial se modifica.

Já não somos apenas aquilo que nos atravessou.

Começamos a participar conscientemente daquilo que nos tornamos.

E talvez seja essa a forma mais profunda de liberdade: não a liberdade de deixar de possuir uma natureza, mas a liberdade de conhecê-la; não a liberdade de nunca sentir medo, desejo ou raiva, mas a liberdade de não entregar automaticamente a eles o governo de nossa existência.

A onça permanece.

Mas agora sabemos que ela está dentro de nós.

E saber disso muda a maneira como caminhamos pela floresta.

Marco Arawak

Angústia


Há uma estranha beleza na noite ! Há uma estranha beleza !
Oh, a transcendente poesia
que verso algum traduz...

A via-láctea, inteiramente acesa
parece a fotografia
de um tufão de luz !

- Quem seria,
quem seria
que pregou lá no céu aquela imensa cruz?

Que infinita serenidade...
Que infinita serenidade misteriosa
nesse infinito azul dos céus e em tudo mais:
nos telhados, nas ruas, na cidade...

( Só os gatos gritam na noite silenciosa
sensualíssimos ais !)

Meu Deus, que noite calma... E aquela trepadeira
feminina e ligeira
veio abrir bem na minha janela
uma flor - como uma boca rubra e bela
que não terei...

- E ainda sinto nos lábios um travo nauseante
do amor que faz bem pouco, há apenas um instante,
paguei...

E o céu azul assim... E essa serenidade!
Silêncio- A noite, o luar ... Tão claro o luar lá fora...
Juraria que há alguém, não sei onde que chora...

Oh, a angústia invencível que me prostra
invade
e me devorar ...

Da próxima vez que sua mente começar a contar uma história sobre alguém, pare um instante. Respire. Espere. Antes de tirar uma conclusão, pergunte. Talvez a verdade seja bem diferente daquilo que você imaginou.

Um sentimento que me corrói por dentro, um conforto desesperador, uma alegria indefinida, essa é a melancolia.

Sinto uma vontade desesperadora de nadar até o fundo do mar. Há algo assustadoramente confortável nesse sentimento, e talvez seja isso o que mais dói em meu peito. Carrego um sentimento sem nome, sem direção, sem origem aparente. Não sei para onde apontar, por onde começar ou o que dizer. Só sei que estou cansada de lutar contra algo que nem consigo explicar.
É uma agonia enorme que sorri e me impede de continuar, mas eu sigo em frente, vivendo dessa forma monótona e consciente de que, muitas vezes, o arrependimento de não explorar esse mar é menor do que deixar-me afogar.

“O Direito é uma humilde invenção humana contra a antiga tentação de homens se comportarem como deuses.”

“Quando uma lei exige fé para conceder direitos, ela já deixou de ser lei e começou a ser dogma.”

Na simplicidade da vida
No desabrochar de uma flor
Num sorriso de criança
Em uma lágrima de alegria e dor
Compartilhada a certeza
do verdadeiro amor.

A dor da humilhação virou sua zona de conforto; trocar o carinho por uma bofetada constante tornou-se a sua pior e mais silenciosa prisão.

O perfeito louvor sai dos lábios de uma criança, onde o coração é puro, sem maldades ou desejo de vingança.

Muitos acham vivem no engano e ilusão, achando que louvar é interpretar um arranjo musical, expressar em voz a letra de uma canção.

Louvar é fazer a vontade do Altíssimo e Soberano Pai Celestial, Deixar os vícios e caminhos mal.
É expressar a todo o tempo o verdadeiro desejo em praticar o bem, servir e ajudar o próximo sem importar a quem.

Louvar a Deus não é segurar o microfone na congregação e fazer uma linda apresentação. Vai muito além de dominar as técnicas vocais e se apresentar também.

De que adiantar louvar com os lábios e manter o coração tão distante do Senhor?
Qual proveito tem se glorifica com a boca, e o coração vazio do verdadeiro louvor?

Louve ao Senhor, em espírito e em verdade, não importa onde estiver, seja no campo ou na cidade.
Exalte ao Senhor Jesus, nosso único e verdadeiro mediador, o elo perfeito entre nós humanos e o Eterno e Altíssimo Pai criador.

Tudo o quanto tem fôlego, Louve ao Senhor.

Halleluyah!!!

Você é uma pessoa amada ou usada?
Se for amada certamente, sempre será lembrada e admirada.
Se usada, vai ter prazo de validade, e chegará o momento ao qual não servirá para mais nada, logo então, para sempre descartada.

A vida qual flor. Cada uma com sua beleza ímpar. Umas mais agradáveis e belas que as outras, e todas com uma função a cumprir durante seu lapso existencial. Ela surge exuberante e cativa a todos, mas seu fim encerra todo auge de sua glória.

No âmago de uma alma atormentada, o mentalista não lê os pensamentos que habitam a mente, mas traduz os silêncios que a arquitetam.
Reno Fioraso

Cada instante de vida é uma dádiva dos céus, e o ser humano ensoberbecido não possui capacidade para determinar quantos instantes haverá de viver, faz muitos planos, alguns consegue realizar, mas não possui o domínio de sua existência.

Título: "Fim de uma era"
Autoria: ayache Vidal

O amor se findou
Segue então teu caminho Que estou indo embora
a jornada na estrada da vida
Termina agora
Melodias tão lindas Perdidas no tempo.
Que foram esquecidas deixadas pra traz e a historia levou
não se ouviu nunca mais um romance sincero de amor de compositor...

Melodias que nascem e que falam de amor Toca nos corações faz sorrir faz chorar, faz sentir emoções que vivemos ás canções que ouvimos em cada momento...

103🙏🌹A mentira deixa uma enorme sequela e seu portador nem imagina o mau que faz a ele mesmo, quando causa com suas falsas verdades intrigas em vidas alheias, são feridas marcantes para os intrigados e consequências graves para o portador...
Com uma pequena mentira, se destrói grandes amizades, famílias e relacionamentos, abrem feridas muita das vezes irreparáveis, cruéis... "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará" praticai-vos... BOM DIA FAMÍLIA.🌹🙏Ayache Vidal.

406🙏🌹 nós caminhamos só, não que queiramos mas que não nos querem mais, uma total negligência e desprezo do ser humano conosco não temos mais valores, nada temos que despertemos no próximo atenção, não se importam com nada que sentimos ou gostamos, acabou a graça, o tempo passou e somos deixados de lado esquecidos...
Não temos mais nada para despertar no próximo e isso provoca um vazio muito grande em nós, uma tristeza sem tamanho, imensa, somos inguinorados por onde passamos, ficamos invisíveis para uns e outros , esquecem que a idade vai chegar, o abandono os alcançaram no momento de cada um ...🌹🙏BOM DIA FAMÍLIA...Ayache Vidal.

398 🙏🌹E aí surge a luz de um novo dia, novos tempos, uma nova era de luz e esperança renovada em nossas vidas, abracemos então o novo caminhar, amemos uns aos outros buscando a paz desejada, o bom viver no brotar do amor divino, do amor de Deus em nossos corações, sigamos com fidelidade no criador, em Jesus o nosso caminho, verdade e vida, a renovada caminhada nos estimula a seguir com fé e amor nas nossas vidas, a chegada da nova era nos renova...🌹🙏BOM DIA FAMÍLIA. Ayache Vidal.

390🙏🌹"De um sentido à sua vida, uma razão de existir, faça o necessário para viver o amor. A riqueza da nossa existência está nos valores que, muitas vezes, ignoramos e deixamos para depois, caindo no esquecimento. A vida passa tão depressa e, quando percebemos, é tarde. Retornamos para casa sem nada, a nossa morada espiritual, e arrependidos... Perdemos todas as oportunidades que a vida nos dá, vivemos sem sentido algum, deixando para trás os valores reais da vida... Nossas origens, um bem maior que se torna um passado em nosso viver. Como águas do rio que vêm e se vão, deixamos um rastro de tristeza em vidas desprezadas e esquecidas.

O homem que despreza e nega o amor, depois de conquistá-lo em vidas pretéritas, é de uma total negligência e paga um preço muito alto na sua consciência: 'é tarde'...

A família é um instrumento de progresso espiritual. Entenda e lembre-se de que não pode ser esquecida, desprezada e trocada por qualquer migalha... Nossa tendência é amar ao próximo, mas nunca esquecer os que nos amam. É esse o sentido da vida...🌹🙏

BOM DIA, FAMÍLIA!

Ayache Vidal