Nunca Magoe uma Mulher

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Desabafo de um escravo sem correntes.


No ano de nosso senhor... , nos foi contado uma história de uma princesa que em seu coração tinha o desejo que todos os opressos fossem livres, ela até redigiu esse seu desejo em pedaço de papel para dar-lhe vida.
Alguns anos se passaram e esse desejo tomou rumo e forma diferente do que ela havia idealizado, podemos não ter mais terreiros de fazendas nem o estalar do chicote do feitor, mas não somos livres.
Liberdade destino de poucos ou ilusão de muitos, que acreditaram no desejo de quem fechava a grade da cemzala e prendia os grilhões e amarras...
Dias atuais, as fazendas tem outros nomes, os feitores outros senhores, os não libertos continuam os mesmos, serviços modernos, senzala sem grades e grilhões o estelar do chicote não se ouve mais, os castigos são outros, para o tronco não mas.
Quem justifica o que se faz❓❓❓
Hô liberdade onde estás ❓❓❓
Por Hameses Faraó do Egito (BJ)

O silêncio do universo não é uma mensagem cuja tradução já tenha sido entregue à religião, à filosofia ou à ciência.

Se o universo guarda uma verdade definitiva, ainda resta descobrir se a inteligência que a procura possui os meios para encontrá-la.

A coerência de uma ideia demonstra que suas partes podem ajustar-se entre si; não demonstra que o mundo tenha sido construído à sua imagem.

Prefiro a vertigem de uma pergunta honesta à segurança de uma eternidade cuja existência eu precisasse fingir conhecer.

Não sei se Deus existe; sei apenas que minha necessidade de uma resposta não constitui evidência de que ela seja verdadeira.

O infinito não se torna propriedade da consciência porque a consciência encontrou uma palavra para nomeá-lo.

Em uma cidadezinha no meio das montanhas de Santa Catarina, encontrava-se uma casa cercada de abóboras assustadoras, onde pensava-se que era habitada por fantasmas dos antigos proprietários daquele lugar, próximo da casa existia um cemitério cheio de cadáveres enterrados dos professores que educaram os filhos daquela casa.
Tamanha era a assombração que ninguém podia residir nela❗️❗️❗️
Autor: Batista Júnior.

O medo é uma emoção causada pela ignorância⁠

Um escândalo nada mais é que uma grande encenação teatral daqueles que escondem sua má reputação atrás daqueles que acabaram de ser revelados.

Além das Ideologias

Não importa o lado, a cor ou a bandeira,
A verdade não pertence a uma trincheira.
Esquerda ou direita, pouco importa a direção,
Quando a honestidade é quem governa o coração.

Que se unam os justos, sem medo de discordar,
Pois quem busca a verdade não tem lado a idolatrar.
Que a consciência fale mais alto que o poder,
E que nenhum político esteja acima do dever.

Não somos inimigos por pensar diferente,
Somos um povo, uma nação, um futuro pela frente.
Que a corrupção não encontre abrigo na omissão,
Nem a cegueira ideológica silencie a razão.

Que a honestidade seja a nossa aliança,
A justiça, o caminho; e a união, a esperança.
Pois quando o povo se une para exigir o que é certo,
Nenhum poder deveria se considerar intocável.

A disciplina racional é uma forma de liberdade porque reduz a dependência do indivíduo em relação ao acaso de seus próprios impulsos.

Uma sociedade que educa adequadamente suas crianças reduz a necessidade futura de converter a sanção em instrumento permanente de governo.

A música demonstra que a ordem pode tornar-se perceptível aos sentidos sem deixar de possuir uma estrutura racional.

O princípio de todas as coisas não pode ser simplesmente identificado com uma delas, pois aquilo que fundamenta o conjunto não pode depender integralmente de uma parte do próprio conjunto.

O fenômeno não esgota o fundamento: aquilo que aparece constitui apenas uma dimensão da realidade cognoscível.

Talvez uma das maiores injustiças que cometemos com o próprio coração seja exigir que ele se recupere dentro de um prazo. Como se a passagem dos dias fosse suficiente para reorganizar aquilo que uma decepção desarrumou por dentro.

QUE A FOME NÃO ENCONTRE O CAMINHO DE VOLTA

Vi a fome sentada à mesa,
usando o prato de uma criança.
Comia as horas,
roía os domingos,
deixava os ossos do tempo
debaixo da cama.
A mãe mexia uma panela
onde a água sonhava ser feijão.
O menino desenhava um pão,
e o papel fazia um barulho
que ninguém tinha coragem de ouvir.
No meu Brasil,
houve quem dormisse cedo
para encurtar a distância
até uma refeição.
Mas a noite crescia,
esticava suas pernas sobre a casa,
e a manhã demorava
uma eternidade para chegar.
Depois, em tantas mesas,
o alimento voltou.
O arroz soltou pequenos sóis,
o feijão abriu suas janelas,
e uma criança largou o lápis
para segurar uma colher.
A mãe chamou pelo nome de cada filho.
A fome ouviu.
Recolheu sua cadeira
e saiu arrastando os pés.
Agora falam de uma caixa
que chegará à nossa porta.
Vem embrulhada em promessas,
com uma fita feita de amanhã.
Eu olho para ela
e penso nas mesas do meu povo.
Quem sabe o que dorme lá dentro?
E se houver uma mão
capaz de apagar o fogo?
E se aquele velho visitante
estiver dobrado entre os papéis,
esperando que alguém
lhe devolva a cadeira?
Meu medo atravessa a distância,
bate nas portas do Brasil,
encosta o ouvido nas cozinhas.
Quero ouvir pratos,
conversas,
uma criança perguntando
se ainda pode repetir.
Não quero ouvir outra vez
uma colher raspando o vazio.
Que abram essa caixa à luz do dia,
diante de quem conhece
o peso de uma panela sem comida.
Que cada promessa diga
o que fará com aquela mesa.
Meu povo já ensinou o pão
a encontrar o caminho de casa.
Que nenhuma mão
lhe troque o endereço.

Interpretaçâo:

Esse poema expressa a preocupação com quem já passou fome e o medo de que essas pessoas voltem a sofrer. Ele reúne a lembrança da privação, a alegria de ter comida novamente e a incerteza diante de uma mudança de governo.

O surrealismo transforma esses sentimentos em cenas impossíveis, mas que conseguimos sentir:

* “A fome sentada à mesa, usando o prato de uma criança”: a fome ocupa o lugar do alimento. A imagem da criança torna essa ausência especialmente dolorosa.
* “Comia as horas, roía os domingos”: a fome consome também o tempo, o descanso e a alegria. Até um domingo pode se tornar apenas mais um dia de espera.
* “A água sonhava ser feijão”: representa uma mãe tentando alimentar os filhos com recursos insuficientes. O desejo de oferecer comida está ali, mas falta o alimento.
* O menino desenhando um pão: a criança tem no papel aquilo que deveria ter no prato. O “barulho” desse papel é uma denúncia que incomoda quem a escuta.
* Dormir cedo e a noite se alongar: dormir aparece como uma tentativa de escapar da fome. Para quem espera uma refeição, o tempo parece não passar.

Quando “o arroz soltou pequenos sóis” e “o feijão abriu suas janelas”, a comida devolve calor, esperança e possibilidades à casa. A criança deixa de desenhar o pão e passa a comer: aquilo que era apenas desejo se torna realidade. A fome recolhendo sua cadeira representa o fim daquela privação.

A caixa embrulhada em promessas simboliza um futuro governo cujo conteúdo ainda não conhecemos. A embalagem pode ser bonita, mas o poema pergunta pelas consequências concretas: haverá alimento? As famílias estarão protegidas? A fome poderá voltar? Essas perguntas expressam um receio, sem afirmar que esse resultado acontecerá.

O trecho “meu medo atravessa a distância” mostra você longe do Brasil, mas ligado à vida de quem ficou. Seu desejo é ouvir os sinais simples de uma casa alimentada: pratos, conversas e uma criança pedindo mais.

“Que abram essa caixa à luz do dia” é um pedido de transparência. As promessas precisam ser examinadas diante de quem conhece a fome, porque essas pessoas sabem o que está em jogo.

E o final “Meu povo já ensinou o pão a encontrar o caminho de casa. Que nenhuma mão lhe troque o endereço” pede que o alimento continue chegando às famílias. É a sua maneira poética de dizer: “Quem voltou a comer não pode ser condenado a sentir fome novamente.”

A FEIRA DOS DESEJOS

Esta manhã, meus desejos organizaram uma feira na sala. A liberdade vendia gaiolas abertas; a felicidade oferecia sapatos para dançar nos dias difíceis; e a ambição, de cima de uma escada, anunciava o céu em suaves prestações. Eu queria um pouco de tudo: conhecer o mundo, escrever um livro, mudar a vida e ainda chegar a tempo para o café. Foi quando a paz apareceu carregando uma cadeira. Sentou-se entre minhas vontades e perguntou: “Se todos os seus sonhos se realizarem, haverá lugar para você?” Fiquei pensando. Enquanto isso, um pequeno desejo, que eu quase havia esquecido, puxou minha manga: queria apenas uma tarde com alguém querido. Dei-lhe a mão. Os outros continuaram anunciando suas maravilhas, mas saímos juntos para tomar um sorvete.



Interpretação:

Essa crônica fala da variedade dos nossos desejos e pergunta se, na vontade de conquistar tantas coisas, ainda reservamos espaço para viver e estar com quem amamos. O surrealismo transforma sua vida interior numa feira: cada vontade tem uma voz e oferece algo atraente.

“Meus desejos organizaram uma feira na sala” mostra muitas aspirações reunidas, disputando sua atenção. A sala, um espaço íntimo, fica ocupada por tudo aquilo que você gostaria de realizar.

A liberdade vendendo gaiolas abertas representa a possibilidade de sair das limitações. A porta está aberta, mas atravessá-la ainda exige uma escolha e, às vezes, coragem.

A felicidade oferecendo sapatos para dançar nos dias difíceis sugere a capacidade de encontrar alegria mesmo quando existem problemas. Os sapatos permitem continuar participando da vida, com seus tropeços e suas possibilidades.

A ambição anunciando o céu em suaves prestações brinca com a promessa de alcançar tudo. Como numa propaganda, um objetivo enorme parece fácil de adquirir. As “prestações” também podem sugerir seu custo: tempo, esforço e compromissos que vamos assumindo.

Quando você deseja conhecer o mundo, escrever um livro, mudar a vida e chegar para o café, aparecem juntos os grandes projetos e os pequenos hábitos. Há entusiasmo, mas também a vontade de fazer tudo caber no mesmo dia.

A paz chega com uma cadeira porque propõe uma pausa. Sua pergunta “Se todos os seus sonhos se realizarem, haverá lugar para você?” é o centro da crônica. Ela pergunta se suas conquistas permitirão que você descanse, reconheça seus sentimentos e desfrute daquilo que construiu. Uma vida pode ficar tão cheia de metas que a própria pessoa se sinta apertada dentro dela.

O pequeno desejo que puxa sua manga representa uma necessidade afetiva quase esquecida. Ele fala baixo, enquanto os outros anunciam suas maravilhas: quer apenas uma tarde com alguém querido.

Ao lhe dar a mão e sair para tomar um sorvete, você escolhe atender esse desejo naquele momento. Os grandes sonhos continuam existindo, mas o carinho também recebe seu tempo.

O sorvete representa uma alegria simples, concreta e compartilhada. A crônica nos convida a perceber que uma tarde assim também faz parte da vida que desejamos construir e não precisa esperar até que todas as outras conquistas estejam prontas.

A Seletividade em Cascata revela que uma exclusão aparentemente insignificante pode se tornar decisiva quando filtros sucessivos transformam pequenas omissões em invisibilidade institucional.