Nunca Magoe uma Mulher
Uma ideia registrada em um livro é uma voz que continua sussurrando séculos depois de o autor ter silenciado."
— Marcelo Cruz
nossa liturgia.
Entre nós há uma distância
que nenhum mapa saberia medir,
porque não se mede em léguas
o que duas almas precisam conter
quando nasceram querendo se encontrar.
Há cidades entre nossos passos,
noites inteiras entre nossas mãos,
e uma espécie de silêncio
que aprendemos a chamar de prudência
para não chamar de paixão.
Tu sabe.
Eu sei.
E talvez seja justamente isso
o que torna tudo tão difícil
não há dúvida que nos salve,
nem inocência que nos proteja.
Há apenas essa certeza mútua,
quieta e quase cruel,
de que se fosse fácil,
nós já teríamos vivido tudo.
Porque há um amor reprimido
morando no intervalo das palavras,
um incêndio educado pela distância,
uma vontade que baixa os olhos
toda vez que o desejo ameaça dizer seu nome.
E quando penso em ti,
não penso somente no encontro.
Penso naquilo que viria depois dele
a demora dos dedos,
o repouso da cabeça junto ao peito,
o abraço que não teria pressa de acabar,
como se nossos corpos finalmente descobrissem
uma língua que a boca jamais aprendeu.
Talvez nossas mãos já se procurem
sem que saibam.
Talvez, em alguma noite distante,
quando o sono demora e o quarto se cala,
tu também imagine minha presença
chegando devagar,
como quem atravessa a escuridão
sem querer acordar a saudade.
E eu te imagino fazendo o mesmo.
Dois desejos separados por quilômetros,
dois corações fingindo serenidade,
duas vontades absurdamente próximas
vivendo em geografias diferentes.
É estranho amar assim.
Ter alguém tão perto do pensamento
e tão longe da pele.
Saber o caminho até os olhos,
mas não poder percorrê-lo.
Conhecer a curva do sorriso,
mas não poder guardar o rosto entre as mãos.
Querer dizer fica
quando tudo ao redor insiste em dizer longe.
E talvez seja por isso
que nosso amor pareça tão pequeno por fora
e tão imenso por dentro.
Porque aquilo que poderia ser vivido
precisa ser imaginado.
O beijo se torna hipótese.
O abraço, memória de um futuro.
O toque, uma espécie de oração
que ambos fazemos em silêncio.
Mas há uma coisa que a distância não conseguiu levar
a vontade.
Ela permanece.
Permanece quando conversamos,
quando nos despedimos,
quando fingimos que certas palavras
não carregam segundas intenções.
Permanece naquela fração de segundo
em que nossos olhos se encontram
e ninguém sabe muito bem
quem desviou primeiro.
E se um dia a distância ceder,
se o acaso for gentil conosco,
se as estradas finalmente resolverem
terminar no mesmo lugar,
não haverá muito o que explicar.
Talvez apenas silêncio.
Porque depois de tanto tempo
reprimindo o que sentimos,
o primeiro toque dirá tudo.
E haverá nos nossos corpos
a estranha familiaridade
de quem esperou demais
por algo que sempre soube reconhecer.
Então talvez descubriremos
que não era exagero,
nem carência,
nem fantasia.
Era somente amor
sem espaço suficiente para acontecer.
E quando houver espaço,
quando não houver mais quilômetros
entre a tua mão e a minha,
não haverá pressa.
Haverá fome de presença.
Haverá o abraço demorado
de quem finalmente pode tocar
aquilo que passou tanto tempo
amando de longe.
E talvez seja essa a nossa tragédia
não nos falta amor.
Se ele tenta ser um navio? Sonhador, você está concretado. Se ele tenta ser uma onda? você não tem força para isso farol volte a me orientar
Há caminhos que não escolhemos conscientemente.
Acreditamos estar seguindo uma direção porque decidimos, porque planejamos, porque desejamos chegar a algum lugar. Mas, em silêncio, existem passos sendo dados muito antes de compreendermos para onde estamos indo.
Talvez o destino não esteja à frente.
Talvez ele esteja escondido naquilo que repetimos sem perceber.
Nos encontros que evitamos. Nas pessoas que nos despertam. Nas portas que se fecham. Nas perdas que nos obrigam a abandonar versões antigas de nós mesmos.
O buscador aprende, depois de muito caminhar, que nem tudo o que parece desvio é afastamento.
Às vezes, perder o caminho conhecido é a única maneira de encontrar aquilo que sempre nos encontrou em silêncio.
Existe uma inteligência misteriosa nos ciclos que insistem em retornar.
A vida repete a lição até que a consciência pare de chamar destino aquilo que ainda é escolha inconsciente.
E talvez seja exatamente nesse ponto que algo desperta.
Quando percebemos que não estamos apenas caminhando por uma estrada.
A estrada também está caminhando através de nós.
Há decisões que tomamos com a mente, mas existem outras que parecem nascer de um lugar mais profundo um lugar sem nome, anterior às palavras, onde a alma talvez reconheça aquilo que o pensamento ainda não consegue compreender.
Por isso, nem sempre saber para onde ir é sabedoria.
Às vezes, sabedoria é perceber o que dentro de você está conduzindo seus passos.
Porque aquele que busca apenas chegar pode atravessar a vida inteira sem perceber quem está caminhando.
Mas aquele que silencia e observa começa a enxergar os sinais.
E então entende:
Talvez eu não esteja perdido.
Talvez eu esteja sendo desconstruído da pessoa que precisava acreditar que sabia o caminho.
E, no momento em que deixamos de exigir respostas para todas as perguntas, algo invisível começa a se revelar.
Não como certeza.
Mas como presença.
E somente quem já se perdeu dentro de si compreenderá que existem caminhos que não levam a lugares.
Levam a despertares.
E talvez você já esteja exatamente onde precisava estar...
Mesmo sem saber.
Lapidar uma pedra preciosa é fácil, o mais difícil é manter o seu real valor, assim é a vida em todos os sentidos!
“Quando a injustiça entra na vida de alguém, a omissão dos outros transforma uma violação individual em fracasso coletivo.”
“A maior vitória do Direito não é punir quem destruiu uma vida, mas construir uma sociedade na qual destruir uma vida nunca seja fácil.”
“A dignidade é o ponto em que o Direito reconhece que uma vida vale mais do que qualquer cálculo de conveniência.”
“Toda lei deveria recordar que, antes de ser cidadão, réu, credor ou devedor, existe uma vida que não pode ser reduzida ao processo.”
“A justiça é o esforço da humanidade para impedir que o poder de uma vida determine arbitrariamente o destino de outra.”
Tenho medo...De que o que eu pensei que era verdade, seja apenas uma alucinação passageira...
Oh céus! Me dê seu amor, mesmo que só por um instante...
Como posso estar tão ciente de que isso não ocorrerá?
De que nunca terei sua atenção?
Óh, céus! Me quebro em pedaços,
Sinto algo que não pode ser correspondido,
Uma carta enviada de volta...sem resposta...
Me desespero e procuro me acalmar de baixo dos alámos, que tentam me consolar...
Mas suas ações não colaboram...
Me vejo em um campo de Jacintos amarelos...
Com o céu estendendo seu véu nebulosoe se desperando junto de mim...
Posso estar exagerando,
Atordoada com a esperança de estar realmente alucinando.
Enquanto isso, vago pelo campo de rosas amarelas, procurando resposta em minhas próprias lembranças e reflexões, mas aparentemente essa neblina em meu caminho não vai sair tão cedo e irei me perder nele, me juntando ao vazio de não saber
“O poder mais perigoso é aquele que consegue transformar uma vida humana em número, estatística, expediente ou caso.”
“Toda decisão jurídica carrega uma responsabilidade maior que o processo: pode alterar o curso de uma vida.”
“No fim, talvez todo o Direito possa ser reduzido a uma pergunta: o que estamos dispostos a fazer para que uma vida humana não seja tratada como descartável?”
É uma questão de dar prioridade
e não uma questão de ter duas caras
ou ser falso. Tudo que fazes eu faço
mas não no mesmo tempo e espaço.
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