Nunca Magoe uma Mulher
O Último Lugar ao Seu Lado
Há uma cadeira que o mundo esqueceu de mover,
ainda diante da janela onde o teu silêncio aprendeu o meu nome.
A poeira tornou-se a coisa mais fiel que ficou;
as pessoas, diferente dela, sempre descobrem um jeito de partir.
Carreguei a tua ausência
como antigas estações carregam o eco dos trens que partiram—
sem pedir que voltassem,
apenas lembrando o peso do adeus.
Dizem que o tempo é um cirurgião paciente.
O meu costurou a ferida com fios invisíveis,
para que ninguém pudesse admirar a cicatriz,
e mesmo assim cada batida do coração a rasga outra vez.
A pior solidão não mora num quarto vazio.
Ela sorri entre pessoas,
enquanto os olhos procuram, em rostos desconhecidos,
aquele que nunca mais voltará a ocupar o lugar ao nosso lado.
Há noites em que invejo a chuva.
Ela pode cair sem pedir perdão.
Eu aprendi a ser homem,
e isso tantas vezes significou sangrar sem testemunhas.
Talvez as mulheres conheçam outra dor:
a de deixar pedaços da própria alma
em quem jamais percebeu
que segurava um universo inteiro entre mãos delicadas.
Se o amor sobrevive em algum lugar,
não é nas promessas, nas alianças ou nas fotografias.
Sobrevive no gesto tolo
de virar o rosto para um espaço vazio,
como se alguém ainda pudesse estar ali.
Se um dia lembrares de mim,
não te lembres da minha voz.
Lembra-te do silêncio que ficou depois dela;
foi nele que escondi tudo
o que nunca encontrei coragem para dizer.
Um dia outro desconhecido ocupará aquela janela.
A cadeira não saberá os nossos nomes.
A poeira não contará a nossa história.
Mas, para além do alcance dos relógios,
toda alma que não conseguimos guardar
continua caminhando ao nosso lado—
calada, amorosamente,
como um trem que chega para sempre
a uma estação que existe apenas dentro do coração.
Acho que todo pensamento transmite uma
espécie de canção, mas em poucos momentos ele se organiza como uma
orquestra interior em nós e desvenda uma melodia. Cada insight, cada epifania
nesses momentos, é como uma nota musical em busca de harmonia na sinfonia
do universo, que por instantes nos leva a uma sintonia com o todo. Livro A inveja do meu Eu (Juliano Assis)
O ser e o tempo A vontade de poder ser
De Juliano Assis
Somos uma construção no tempo. Ou melhor, somos o próprio tempo em ato. Não há um ser completo e estático em nosso núcleo, mas um constante devir — uma “vontade de poder”, como sugeriu Nietzsche, que nos impele a nos refazer sem cessar.
Assim, o propósito do ser é simplesmente ser, sem jamais atingir um ponto final. Somos um rio que nunca é o mesmo, que se afirma justamente em suas próprias mudanças.
E no curso desse rio, nos deparamos com o tédio. Schopenhauer via nele a essência de nossa condição: oscilamos entre a dor e o prazer, mas o prazer é fugaz, ilusório. No fim, o que resta é o vazio do tédio, a percepção de que não controlamos a natureza dos acontecimentos.
Mas há outro caminho. Heidegger nos lembra que o ser é ser-no-mundo, projetado para frente, lançado em um tempo que não volta. Essa mesma força natural de seguir em frente pode ser vivida não como fardo, mas como afirmação cabal da existência.
É aí que Nietzsche ressurge, com o amor fati: amar o destino. Perceber que as mudanças são inevitáveis, que o rio nunca será o mesmo, e abraçar esse fluxo como parte intrínseca do que somos.
No fim, somos esse movimento: entre o tédio e a vontade, entre a dor e a aceitação radical. Ser no tempo é aceitar-se como tempo — e seguir, rio abaixo, sem retorno.
Não pretendo ser um modelo de seguir. Apenas ser mais uma pessoa que tenta despertar interesse e inflamar o entusiasmos para a prática dos valores humanos.
Para mim o socialismo é uma fabrica de pessoas que não sabem o que fazer, para outros, é fábrica de parasitas
Compreendo a maior reserva na aceitação de uma ideia nova; mas não compreendo a repulsão sistemática de toda ideia nova
A Arte de Acolher
Acolher vai além de abrir uma porta; é abrir o coração. É aceitar o outro como é, sem querer moldá‑lo. É escutar suas dores, sonhos e a mochila de sua história com atenção e respeito.
É ficar ao lado de quem sofre, sem pressa, distrações ou julgamentos, fazendo-o sentir-se visto e amparado. É carregar, por um instante, parte do peso da caminhada com ternura. Pela presença, pela palavra serena e pelo silêncio que conforta, transformamos tormentas em calmarias e apontamos caminhos onde a esperança pode florescer.
Acolher é oferecer abraço, colo, ombro e mãos cheias de gentileza. É ensinar pelo exemplo que o amor é a força mais necessária. É escolher compreender, perdoar e dialogar antes de julgar, acusar ou revidar. Reconhecer a humanidade do outro antes de seus erros.
Não é fácil: exige paciência, humildade, coragem e generosidade. Mas transforma tanto quem recebe quanto quem oferece. O mundo não muda de uma vez, mas o mundo daquela pessoa muda — e, lentamente, o nosso também. No fim da caminhada, seremos lembrados não por bens, mas pelos corações que acolhemos.
Peregrino Nino Carneiro
Estranho mundo:
Homens fazem curso para se tornar homens! Buscam ser uma lenda quando não servem nem para mito!
Uma reta pode ser a menor distância entre um ponto e o outro, mas não significa que é o melhor caminho!
"A ignorância e a inexperiência são o pedestal do orgulho; uma vez que esse pedestal seja removido, o orgulho logo desabará."
Quando a Esperança Pegou Carona
Ainda era madrugada quando um motorista aceitou uma corrida comum. O destino era um posto de combustíveis e, logo depois, o retorno para casa. Tudo indicava que seria apenas mais um serviço entre tantos. Mas os caminhos têm o costume de revelar histórias que os olhos apressados não conseguem enxergar.
Durante a conversa, uma mãe contou que estava comprando créditos de internet para que a filha pudesse assistir às aulas pelo celular, em plena pandemia. Com o único dinheiro que possuía, conseguiu colocar apenas quinze reais. O motorista percebeu que, por trás daquele valor tão pequeno, existia um enorme sacrifício.
Sem dizer uma palavra sobre pena ou compaixão, pediu o número do celular da senhora, entrou novamente na loja de conveniência e fez, por conta própria, uma recarga de cinquenta reais. Depois, conduziu a passageira de volta para casa como se nada de extraordinário tivesse acontecido.
Ao final da viagem, a senhora, envergonhada, explicou que não poderia pagar a corrida, pois havia usado todo o dinheiro para garantir os estudos da filha. O motorista apenas perguntou o nome da menina.
**Lourdes.**
Ao ouvir aquele nome, sorriu e respondeu:
Então diga à Lourdes que este é um presente meu. Mas peça a ela que estude bastante, para que um dia possa cuidar da senhora.
O peregrino aprende que a verdadeira generosidade não faz barulho. Ela não humilha quem recebe, nem procura reconhecimento. Apenas estende a mão no momento certo e segue viagem.
Naquele amanhecer, o motorista não ofereceu apenas uma recarga de internet nem uma corrida gratuita. Ele alimentou um sonho, fortaleceu a esperança de uma mãe e lembrou que, às vezes, o maior destino de uma viagem é o coração de alguém.
Peregrino Nino Carneiro
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