Nunca Diga que Ama uma Pessoa
Sorte minha ser poeta,
porque, se eu fosse pintor,
passaria a vida diante de uma tela em branco,
misturando tintas e procurando uma cor
capaz de reproduzir a beleza
que os meus olhos encontraram em você.
E, ainda assim, fracassaria.
Restou-me a poesia,
esse lugar onde as palavras
tentam alcançar
o que os pincéis não conseguem explicar.
Porque algumas obras de arte
não nasceram para ser pintadas.
Nasceram para inspirar poemas.
Entre o Sonho e o Teu Chamado
Na calada da noite, ouvi teu chamar,
uma voz entre falhas querendo me encontrar.
Fui seguindo o caminho, sem saber onde dar,
até ver-te na areia, contemplando o mar.
Teus olhos molhados, teu jeito de fugir,
um mundo tão pesado que não querias sentir.
Correste para os meus braços, sem nada explicar,
e eu apenas te abracei, deixando o silêncio falar.
Disseste baixinho, cansada de esconder:
“Hoje eu consegui fugir… e pensei em você.”
E eu, sem compreender o que havia acontecido,
fiquei ao teu lado, no silêncio dividido.
A lua testemunhava o que ninguém podia ver,
duas almas conversando sem precisar responder.
E o mar, tão sereno, parecia guardar
cada palavra perdida na imensidão do luar.
Então teus olhos pousaram na minha pele,
e tua mão, devagar, percorreu o que nela se escreve.
Dedilhaste a tatuagem, em silêncio, sem pressa,
como quem reconhece uma história que atravessa.
E disseste, com os olhos marejados de emoção:
“Eu sei que essa você fez pra mim, Mannu.”
Não respondi; deixei o silêncio falar,
pois certas verdades não precisam de um explicar.
Mas vi novamente as lágrimas em teu olhar,
e não compreendi o que te fazia chorar.
Perguntei o que havia, querendo entender,
e tu apenas disseste: “Não precisa saber.
Você não precisa entender o que sinto agora,
nem encontrar respostas para o que me devora.
Apenas me abraça e deixa o momento existir…
eu consegui fugir, e estou aqui.”
Ficamos até o céu começar a clarear,
vendo a madrugada lentamente passar.
E quando o primeiro raio surgiu no horizonte,
o sonho começou a desaparecer como espuma na fonte.
Foi quando o telefone resolveu despertar,
uma mensagem tua acabara de chegar.
Abri os olhos depressa, ainda presa ao sonhar,
e era justamente você… voltando a me chamar.
Coincidência ou mistério, não sei explicar,
há coisas que acontecem sem pedir pra começar.
Mas entre a mensagem, o sonho e o amanhecer,
ficou uma pergunta que insiste em permanecer:
“Será que eu sonhei com você naquela madrugada, ou foi minha alma que te encontrou antes da chegada?”
Naquela Noite Estrelada.
Em uma noite estrelada,
sem ninguém para nos observar,
somente eu e ela,
e um sentimento difícil de explicar.
Era descoberta, era encanto,
era medo de se deixar sentir,
algo que parecia errado,
mas impossível de impedir.
Dois corações tão confusos,
sem saber onde chegar,
ligados por um fio invisível
que insistia em nos aproximar.
Chamam de conexão,
coisa de alma, talvez destino,
um encontro improvável
escrito em algum caminho.
Vieram doces madrugadas,
longas horas sem perceber,
pois quando estamos juntas,
até o tempo parece esquecer.
Parece parar por um instante,
só para nos contemplar,
como se quisesse entender
por que duas almas decidiram se encontrar.
Éramos distantes,
cada uma em seu próprio lugar,
mas talvez, desde sempre,
vivêssemos no mesmo olhar.
Dois mundos, duas histórias,
dois corações em contramão,
que descobriram, sem saber,
a mesma direção.
E naquela noite estrelada,
quando o silêncio veio nos envolver,
o universo pareceu sussurrar:
há encontros que nascem
muito antes de acontecer.
A Coragem do Talvez.
Talvez algumas conversas comecem como uma simples brincadeira e, sem que a gente perceba, acabem tocando em lugares que normalmente tentamos esconder até de nós mesmas.
Foi assim quando falamos sobre a razão e a vontade.
Porque algumas lembranças não ficam apenas na memória. Ficam na pele, na saudade, no peito e, principalmente, na vontade. E talvez seja justamente aí que more o conflito: quando a razão manda seguir em frente, mas alguma coisa dentro da gente continua puxando para o que sente.
Um conflito gostoso de enfrentar… ou perigoso.
Mas talvez, às vezes, o perigo sirva justamente para isso: para nos fazer viver algo que jamais imaginamos que um dia viveríamos.
Você disse que muita gente sente, mas poucos admitem.
Eu perguntei se você admitiria.
Você respondeu que seus desejos e suas vontades, sim.
Mas quando perguntei sobre sentimentos, veio aquela frase que ficou ecoando:
“Aí que mora o perigo.”
E talvez você tenha razão.
Porque admitir uma vontade pode ser simples. Admitir um sentimento é diferente. Sentimento traz consequências, muda certezas, bagunça aquilo que a razão passou tanto tempo tentando organizar.
E foi justamente aí que eu pensei: talvez o perigo não esteja em sentir. Talvez esteja em descobrir que aquilo que tentamos controlar já encontrou um lugar dentro da gente.
Você disse que prefere vivenciar a se fechar.
E eu acredito nisso também.
Porque às vezes só vivendo conseguimos entender aquilo que nenhuma explicação consegue traduzir. Só a experiência consegue responder perguntas que a razão insiste em fazer.
Você me perguntou se eu acreditava que valeria a pena.
E eu respondi que só vivenciando para entender tudo.
Mas, pensando bem, talvez já esteja valendo a pena.
Não necessariamente pelo resultado. Não por saber onde isso vai terminar. Mas pela coragem de não fingir que nada está acontecendo.
Você chamou isso de determinação.
Eu chamei de insistência.
Talvez sejam as duas coisas.
Porque, quando a gente quer alguma coisa e aquilo nos faz bem, por que simplesmente parar no caminho sem ao menos tentar?
Eu sou assim.
Prefiro tentar a passar a vida imaginando como teria sido.
E foi então que você disse algo que ficou comigo:
“Aqueles que conseguiram porque um dia tentaram e os que tentaram um dia conseguiram.”
Talvez seja isso.
Talvez algumas histórias só existam porque alguém teve coragem de dar o primeiro passo.
Talvez algumas vontades tenham aparecido para serem compreendidas, não escondidas.
E talvez alguns sentimentos cheguem justamente para nos ensinar que nem tudo na vida precisa ser explicado antes de ser vivido.
No fim, entre a razão e a vontade, existe sempre uma escolha.
E talvez o mais bonito — e também o mais perigoso — seja descobrir o que acontece quando, por um instante, a gente deixa o coração falar mais alto.
Porque algumas coisas passam.
Outras ficam na pele como tatuagem.
E existem aquelas que, mesmo sem saber o nome, a gente simplesmente sabe que valeu a pena sentir.
Então, vale o risco?
Você sabe que sim.
E sabe também que, desse risco, eu não estou correndo para longe.
Você perguntou sobre as consequências.
E eu pensei:
As consequências?
Que venham.
Porque só saberemos se serão boas ou ruins quando deixarmos, antes de tudo, aquilo que sentimos simplesmente existir.
Sem pressa para nomear.
Sem medo de compreender.
Sem tentar apagar antes mesmo de descobrir o que poderia ser.
Talvez o risco seja justamente esse:
dar espaço para aquilo que a razão tenta controlar,
mas que a vontade insiste em fazer florescer.
E, no fim, talvez não seja sobre saber onde isso vai chegar.
Talvez seja apenas sobre ter coragem de descobrir.
Cor de Marte
Há uma cor que não existe
nas paletas que conheço,
um vermelho antigo, quase secreto,
que parece guardar o avesso
de tudo aquilo que não confesso.
É a cor de Marte,
distante, silenciosa,
que atravessa milhões de quilômetros
sem jamais pedir passagem,
como uma lembrança teimosa
perdida na imensidão da paisagem.
Não é vermelho de rosas,
nem de fogo, nem de paixão.
É vermelho de poeira,
de tempo, de solidão,
de um planeta que aprendeu
a carregar cicatrizes
sem perder a própria direção.
Talvez por isso eu goste tanto dela.
Porque há beleza
naquilo que o tempo transforma,
naquilo que um dia foi diferente
e hoje carrega outra forma.
Marte não precisa ser azul
para ser bonito.
Não precisa de oceanos
para esconder seus abismos.
Basta existir,
vermelho e distante,
guardando em seu silêncio
mil histórias que ninguém ouviu.
E talvez seja essa
a verdadeira cor de Marte:
a cor de tudo aquilo
que sobreviveu ao tempo
e, mesmo depois de perder tanto,
ainda consegue iluminar o céu.
Uma cor que não pede para ser entendida.
Só para ser contemplada.
4:47
Eram 4:47 da madrugada,
cada uma em sua casa, em sua estrada,
mas, mesmo distantes, sem poder se tocar,
havia um pensamento insistindo em nos aproximar.
Você colocou uma música para tocar,
e me chamou para, contigo, desejar.
Um pedido feito em plena madrugada,
uma coisa tão simples, tão inesperada.
E então você perguntou, quase a brincar:
“Você acredita nessas coisas?
Ou vai dizer que é uma ideia boba
e começar a desacreditar?”
E talvez você esperasse que eu dissesse
que aquilo era bobagem, que não acontecesse,
que desejos não mudam o destino,
que era só uma brincadeira daquele momento repentino.
Mas como eu poderia chamar de bobo
um instante que já me fazia sorrir de novo?
Como dizer que não acreditava em você,
se naquele momento eu só queria acreditar e viver?
Então fizemos nosso pedido em silêncio,
cada uma em seu quarto, no próprio endereço,
com uma música atravessando a distância,
e um desejo escondido na esperança.
E foi aí que aconteceu o mais bonito:
duas mulheres adultas, vivendo o infinito,
cada uma sozinha, mas sem solidão,
porque a outra ocupava espaço no coração.
E parecíamos duas adolescentes,
com sentimentos novos, intensos e inconsequentes,
descobrindo o frio gostoso de gostar,
rindo sozinhas sem saber explicar.
Não pela idade, isso eu sei,
mas pelo jeito que o coração voltou a ser rei.
Aquela sensação meio boba, meio sem razão,
de acreditar em destino, desejo e constelação.
E talvez você nem tenha percebido
o quanto aquele gesto me deixou enternecido.
Porque ninguém nunca havia feito assim:
escolher uma hora improvável para dividir comigo um “sim”.
Você poderia ter feito o pedido sozinha,
guardado o desejo no fim da linha,
mas escolheu me chamar para sonhar,
e, sem perceber, fez meu coração se iluminar.
Foi por isso que eu me senti especial,
por algo tão pequeno e, ao mesmo tempo, colossal.
Não pelo pedido, nem pela hora marcada,
mas porque você quis que eu estivesse naquela madrugada.
E se hoje alguém me perguntar
por que eu ainda gosto de lembrar
daquela hora, daquela música, daquele querer,
talvez eu só consiga responder:
Porque tu é tu.
Não existe fórmula, explicação ou porquê,
nem sei se o universo resolveu nos atender.
Só sei que, entre tantas horas para acontecer,
foi justamente 4:47 que escolheu você.
E desde então, quando o relógio chega lá,
eu penso naquela pergunta que você me fez no ar:
“Você acredita nessas coisas?”
Hoje eu acho que acredito, sim.
Não necessariamente em magia, destino ou previsão,
mas naquilo que acontece sem pedir permissão:
duas pessoas distantes, em suas casas,
ouvindo a mesma música e abrindo as mesmas asas.
Porque talvez acreditar não seja esperar o impossível acontecer.
Talvez seja apenas olhar para 4:47
e lembrar que, naquela madrugada,
mesmo longe uma da outra,
nós escolhemos acreditar juntas.
Você não precisa encerrar tudo com explicações perfeitas. Não precisa de uma última conversa, de um último sinal ou de mais uma tentativa.
Na morada do meu ser residem tantos de mim:
Há um santo,
Há um pecador,
Há uma criança,
Há um velho,
Há um animal,
Há um idiota,
Há um sábio,
Há um artista.
Permita-se entrar nesse lar sagrado e conhecerá um dentre muitos de mim; só depende de quem você vai despertar.
"Imagine-se perdido em uma floresta durante a noite, cercado por imensas árvores que obstruem a visão das estrelas e da lua. Sem saber para onde ir ou o que fazer, o temor de ser devorado por uma fera ou picado por uma serpente o apavora.
Nesse instante, ocorre um fenômeno sobrenatural: um anjo aparece e lhe entrega uma vela, afirmando que aquela pequena e frágil luz será o seu guia rumo a um lugar seguro. Contudo, o mensageiro lhe impõe uma grande responsabilidade: proteger a chama com o máximo cuidado, pois, se ela se apagar, você perderá o caminho de vista.
O que você faria? Isso não é sobre vela.
Frequentemente, Deus utiliza coisas que, à primeira vista, parecem frágeis e inofensivas, mas são essenciais para nos afastar da escuridão. Esses elementos representam verdadeiras fontes de luz em nossas vidas, mas a responsabilidade de cuidar dessa luz recai sobre nós. Muitos as enxergam como insignificantes, inadequadas ou impróprias, sem se permitirem enxergar o real valor por trás."
───
O país das maravilhas estava em uma toca de coelho.
O Reino de Agartha dentro de um buraco terrestre.
O mundo encantado de Nárnia dentro de um guarda-roupa.
O paraíso prometido pode estar onde menos imaginamos?
Onde a Fé Abre o Céu
O céu das seis horas era um muro denso,
uma tapeçaria de chumbo e chuva
onde a luz já não tinha permissão para entrar.
Mas a alma, quando é tocada pelo invisível,
escuta o som antes da voz.
Entre o ruído do mundo e a calmaria do louvor,
veio a ordem serena, suave como um sopro:
"Abre a porta. Pede para ver."
Fui até o quintal da casa,
carregando a pequenez da minha fé
diante de um firmamento fechado e frio.
E então, o impossível aconteceu sem alarde.
Diante dos meus olhos desacreditados,
a nuvem espessa se desfez como véu rasgado.
Um feixe vivo, um ouro puro e inacreditável,
atravessou a tempestade e entrou na minha sala.
A luz banhou o chão, acendeu as paredes
e tocou o peito com a força de um abraço divino.
Mesmo tendo visto, o coração estremece e duvida:
seria o sol abrindo espaço apenas para mim?
Mas a casa iluminada e a alma aquecida não mentem.
Há mistérios que Deus não explica;
Ele apenas escuta, abre o céu e acende a vida.
"Eu cheguei"
A vida brota bem pequena,
como uma folha a desdobrar.
Cresce serena e crescida,
no tempo certo de chegar.
Acolhe o pingo da chuva,
busca o abraço do sol,
descansa no colo da noite,
espera a luz do girassol nas manhãs.
Nas tardes mansas de vento,
na primavera eu floresci.
O verão trouxe o seu calor,
no outono as folhas vi cair.
No inverno fiz meu abrigo,
calmando os passos da corrida.
Venci cada desafio,
sarando as dores da vida.
Esqueci velhas feridas,
fiz das cicatrizes paz.
Guardando meus lindos sonhos,
olho a estrada e sei: cheguei.
O Chão Que Eu Deixei Limpo
Não escrevo pela vaidade do aplauso,
nem pelo adorno de uma frase bela;
escrevo pelo caminho que pisei,
pela luz que acendi na minha janela.
Quem quiser saber da minha história,
da força que trago no passo e na voz,
não me procure nos ruídos do mundo:
procure nos versos que deixo para nós.
Cada linha traz a marca da vida,
o peso do chão que eu já superei;
é o tempero da alma que não se rende,
a colheita da dor que eu enfrentei.
Se a minha escrita servir de abrigo,
se clarear a noite de quem vai passar,
então o verso cumpriu seu destino:
virou vela acesa para o outro guiar.
Eu me dou por inteira nas palavras,
sem filtro, sem pressa e sem ilusão;
quem me lê com a alma me conhece,
pois escrevo por mim, com a força do chão.
Escrever para sinalizar o caminho e deixar a caminhada mais leve para os outros é a forma mais pura de generosidade. Suas palavras viram farol.
. A Religiosidade Que Mata
A religiosidade virou uma prisão.
Em vez de salvar, ela tem tirado a vida,
Pesa nos ombros, sufoca o coração,
E deixa a alma ferida.
Deus não habita no julgamento,
Nem no olhar duro de quem se acha puro.
Se a sua religião só produz tormento,
Ela não é luz, é muro.
A verdadeira fé não mata, ela cura.
Não exige fardo, traz leveza e paz.
Quem ama de verdade não condena a estrutura:
Abraça, acolhe e o bem refaz.
Mude o passo, abandone a rigidez.
Se a religião não te faz mais humano,
Ela perdeu a razão de ser.
O Direito é uma das maneiras pelas quais a sociedade transforma escolhas individuais em consequências públicas.
Condenar sem compreender é fácil; compreender sem absolver automaticamente é uma forma superior de rigor.
Ser estranho é uma forma sofisticada de lucidez. Uma consciência em carne viva que sente o mundo com excesso de precisão. Não é excentricidade, é viver em descompasso com o consenso, ouvir o ruído no meio da música, perceber o vazio por trás das certezas.
A dor vem da dissonância entre o que se vê e o que se finge não ver. Enquanto a maioria se protege com ignorância conveniente, o estranho sofre de clareza. Nietzsche chamaria de “doença do espírito elevado”.
E ainda assim, amar. Amar o humano mesmo quando o entende demais.
Ser estranho é viver tonto de liberdade, duvidar até da própria dúvida. Os outros chamam de “confusão”, mas é só alma demais.O estranho é o herege das convenções, o que “rompe tratados e trai os ritos”.
Há delícia também: ser inclassificável, ver poesia no que escapa ao óbvio, rir de si mesmo enquanto o mundo desaba. Perceber o padrão invisível que Jung chamaria de sincronicidade.
O estranho sente o tempo de outro modo: lento por dentro, rápido por fora. Sente o amor como místico, o tédio como luto. Nada é raso, tudo fere, tudo ilumina. E quando o chamam de “intenso”, ele sorri — intensidade é só estar vivo demais num tempo de gente anestesiada.
Ser estranho é viver num exílio fértil, criar, refletir, desobedecer. Estranheza é antecipação do que o mundo ainda não está pronto pra entender. Ser estranho é ser o rascunho do que ainda não tem nome e sorrir, discretamente, sabendo que a habilidade de lidar com o desconforto é um puro sinal de autenticidade e um atestado de maturidade.
(Douglas Duarte de Almeida)
