Nunca Diga que Ama uma Pessoa
Céu vestido de seda cinza
sobre uma praça pública
em algum lugar esquecida,
Esplendem árvores nativas,
militantes silenciosas da vida
acenando a poesia dos dias.
Disseste-me que tens
uma mente louca;
fiquei bem contente
por saber que
tens o suficiente
para lidar com a minha,
com o igual encanto
da Ilha da Magia.
Tens as qualidades
para sabotar todas
as minhas defesas
e transformar diariamente
cada uma delas
num parque de diversão
para o amor e a paixão.
Que bom que você
seja assim deste jeito!
Por favor, não mude, não!
Porque é um sinal
de que nós dois de tédio
não padeceremos,
e frutos colheremos.
Até mesmo quando
formos colher guabirobas,
será razão para doçuras,
trocas de assanhamentos,
e sem precisar que adivinhemos.
Sem dizer uma palavra
és meu continente austral,
a Via Láctea, a respiração,
a inspiração e a silenciação.
Sem dizer uma palavra,
és meu continente austral,
a Via Láctea, a respiração,
a inspiração e a contemplação.
És a verdadeira significação
existencial do que é o amor
plenamente na imensidão.
Seja no Médio Vale do Itajaí
ou na adorada Ilha da Magia,
em tempos de agosto
e da florada do araçazeiro,
Tu me deixas devotada
com o teu doce e amoroso jeito.
Íntegra mesmo sem estar
sob a tua amorosa presença,
sempre vejo beleza, mágica
e luz até nos dias sombrios,
Porque não impedem de traçar
rotas entre os beijos e os arrepios
que haverão de ser bem recebidos.
Porque a semente para encontrar
o Sol conhece primeiro a sombra,
E há tempos de mim tomaste conta
aqui em Rodeio, da onde a minh'alma
encanta inteira quando te encontra.
Sempre que eu não conseguir falar do jeito que quero sempre procuro uma forma de falar de maneira mais lapidada.
O meu romantismo poético é opção estilística, uma maneira de manter a chama acesa e também é filtro num mundo habitado pela guerra dos sexos e pela vulgaridade extrema.
No céu surge a Aurora austral
quando os deuses dançam,
Há uma pulsão transcendental
que nossos corações cantam
no mesmo ritmo e idioma:
As urgências não amainam
o sonho na imensidão universal.
[Não é apenas querer, é sem igual.]
Chega uma hora que em alguns temas o melhor mesmo é não comentar com algumas pessoas para não entrar em confronto direto que não leva a lugar nenhum.
Estamos vivendo
uma época onde
o banquete de ego
leva à vacuidade,
Melhor manter-se
distante para não
perder a tranquilidade.
Fique com a amizade
do que é autêntico
e de quem é de verdade.
Querendo viver
uma vida normal
ouvindo o som
de Miss Anthropocene
na minha sala
ao redor deste
isolamento social,
Parece piada
por aqui eu li
que 'o dilema
é bíblico',
há quem defenda
trabalhar,
há quem defenda
ficar em casa,
e até agora nada
está resolvido;
Apenas o quê
me resta é
ficar reclusa,
dançar a música
na mais plena
figuração
da linguagem,
escrever poemas
sobre a Lua
para não morrer
de doença
ou ir para a cadeia,
Esperando sigo
perguntando
qual será a próxima cena,
porque quem lambe
a borda da taça,
a alma não cala
e não busca
por 'indulgência' barata.
Tocam no Universo
como uma partitura
as asas do Condor,
não consigo da Lua
e nem das estrelas
que quero só meu
o teu infinito amor.
Inti me presenteou
constelações incas
que lembram no céu
a beleza do teu olhar
e a nobreza do amor
que estou a cativar
neste mundo a girar,
e que insistem parar.
Fortes são as minhas
cordilheiras que criei
para ninguém tentar
tocar em tudo aquilo
que é de inspiração
e na eterna canção
que irá nos embalar.
O amanhecer será
nosso e indomável,
a última ópera fiz
questão de escutar,
e toda hora vivo por
dentro a me preparar
para quando o amor
vier a nos encontrar.
Uma mulher que se conhece bem e se respeita não fica onde ela não cabe, não aceita pré-julgamentos, não implora por atenção, não se acomoda onde há comparação e não aceita atitudes
que a induzam a pensar qualquer coisa
que seguem neste fluxo de idéias retroalimentadoras de pensamentos doentios.
Itá
De Gaurama passando
por Santo Antônio,
Três Arroios e Dourados,
foi aberta uma picada
para dar abertura aos sonhos
as margens do Rio Uruguai
que abrigou ali colonos
e assim ergueu orgulho brasileiro.
Batizada de Itá pelo caboclo
Luís de Campos,
Pedra fundamental és
e pedra para todo
o sempre em tupi-guarani,
Torres da Igreja em meio
as águas é assim que lembro de ti.
Neste meio do Vale do Rio Uruguai
quem um dia vai sempre volta para ti;
Do ciclo da cachaça a energia,
és a minha Itá amada e minha alegria
que desta água que conheci,
nadei, provei e jamais me esqueci.
Conheço as violeteiras
das duas Américas,
Diante dos meus olhos
uma desabrochou,
Você me espera
em teus braços
como quem anseia
a Primavera,
Percebo que tens
desenhado esquemas
para viver grudado
em meus beijos,
Em nós fazem
festas os desejos.
Elegia
Sentir na profundeza
d'alma o impulso
que leve a uma Elegia
é uma experiência
de quase-morte
para quem é poeta.
Ficar triste e estar
de braços dados
com a morte são
os únicos apelos
para descarregar
o fardo dos lamentos.
A Elegia num sentido
mais amplo é todas
as vezes que sinto
e escrevo reclamando
com o destino o fato
de não ter você comigo.
Sem a compreensão
da morte e da tristeza,
e sem lamentar por não
ter você nunca será
possível escrever
uma Elegia com exatidão
de corpo, alma, poesia e todo o coração.
