Nunca Diga que Ama uma Pessoa
"Por favor dois drinks, uma dose de amnésia e uma dose de desapego, vou pagar com um punhado de saudade e um cofre de desilusão."
Às vezes penso que morri em pedaços —
não uma vez, mas tantas...
Mil mortes pequenas, silenciosas, invisíveis.
E mesmo assim,
há em mim uma centelha imortal,
um suspiro de estrela rebelde
que insiste, que arde,
que grita:
"Volta!
Volta para ti!
Volta para a tua origem de fogo e luz!"
Eu juro, alma minha,
eu hei de me encontrar.
Nem que seja na última batida,
no último fôlego,
na última lágrima que lavar os olhos da ilusão.
Hei de vestir novamente minha pele verdadeira,
hei de caminhar com os pés descalços sobre a eternidade,
e então, então sim —
saberei que jamais estive realmente perdida.
Só adormecida, esperando o momento certo para renascer.
Amor, mesmo quando teu sorriso se ergue como uma máscara para poupar corações queridos, ele continua a espelhar a força de tua alma; e não temas as lágrimas que lavam tuas angústias, pois é nelas que se revela a visão do coração, aquela que os olhos jamais alcançam.
E eu estarei sempre ao seu lado, sendo o porto e testemunha da tua beleza, mesmo na mais profunda tormenta.
Uma das muitas crueldades da morte é soar evitável, condenar os sobreviventes a permanecer estagnados, refazendo mentalmente as últimas condutas numa espécie de máquina do tempo insistente e ineficaz que ao mesmo tempo em que tenta destecer o passado vai moendo na outra ponta qualquer tipo de futuro.
Essa é uma das crueldades do mundo, você não se torna uma mulher sem filhos, você é para sempre algum tipo de mãe, porém de filho nenhum, a mãe que não deixou um filho existir.
Eles sabem tanto de amor, o amor tem dessas coisas, que é manter viva do lado de casa uma árvore venenosa que só quer acabar de viver.
