Nosso Amor como o Canto dos Passaros
Por mais que a verdade doa
Nunca minta pra si mesmo
Como quem mente
Com tanta desenvoltura
Que chega a crer
Na verdade das próprias mentiras
E jura que viu o não visto
Quando nega ter feito o malfeito
Insiste em não ver o que vê
Mas o tempo vai passando
E desvenda o oculto
A verdade mal contada
Um dia destoa na orquestra da vida
A lágrima contida
Com certeza um dia vai rolar
Se quiser, aproveite a hora pra chorar
Todo mundo sabe
Não existe um choro reprimido
Que um dia não doa
E dor, se muito guardada
Quando manda uma notícia
Não costuma ser notícia boa
Nem sempre sorriso é alegria
Assim como rotina
Não precisa ser igual todo dia
Alguma coisa acontece
Não há nada que se faça
Ou se possa fazer, quanto a isso
Existe um compromisso
Selado, assinado e não-escrito
Aproveita o teu tempo bonito e sorria
Mais dia, menos dia
A vida acontece
E quando acontece
O igual não é mais igual
Pra bem ou pra mal
As coisas mudam
São mudanças que se queria
Quando se queria que nada mudasse
Que bom seria
Se o mundo soubesse sonhar
Pois a vida acontece
E às vezes acontece
De um jeito que ninguém
Nem sequer sonhou que aconteceria.
Edson Ricardo Paiva
Pensamentos
Momento a momento
Um novo pensamento
Um mesmo velho pensamento
É como eu puxasse a algo
Que voltasse sempre ileso
E amarrado em um barbante
Monoideista
Coração egoísta
Lealdade insistente
Isso foi ontem
Tudo aquilo foi antes
Mas eu não posso ser eu mesmo
Sendo apenas eu somente
Se o dia de ontem
Não estiver lá amanhã
Nada vai restar de mim
Além desses pensamentos
Instante a instante
Presos insistentes
A um barbante
Invisível
Sempre ileso.
Edson Ricardo Paiva
Um dia o dia nasce
Como nascem os dias
Todo dia
Mas conforme o tempo passa
Vemos que se vão caindo
As vendas de nossos olhos
Os dias passam
Assim compreendemos
As lendas do passado no presente
Ou não
Isso é uma decisão só da gente
Compreender
A profundidade da vida e do Mundo
Podemos apenas passar por eles
Ser mais um
O Mundo prossegue girando
E não pára pra esperar ninguém
O vento carrega as folhas e o pó
Depende da minha vontade
Ser folha, ser só isso
Conhecer ou não
A verdade que me aguarda
No pouco que eu puder mudar
Em tudo isso
Os dias nascem
E vão continuar a nascer todo dia
Sem que a imensa maioria
Faça conta ou questão
De entender o motivo disso tudo
Mas saiba
Existe sim uma razão
Isso
É você que deve descobrir
Ou não.
Edson Ricardo Paiva.
Poema de compreensão.
Na vida nada se tem
Como o ar que te escapa entre os dedos
Vai rodando a longa estrada
Um dia há medo
Em momentos, coragem
A paisagem que sumiu pela janela
Coisas boas e ruins
As pessoas
Nada que se vive
A vida vem para mal ou para bem
Mas passa
Esvaindo igual fumaça
E nada se tem ou se leva
Até mesmo as lembranças evaporam
A tudo que tive
O momento mais suave da existência
Não se leva nada
Nesta estrada estreita
Só se deixa
Nossos passos vão ficando no caminho
A gente só precisa
Aprender o que não sabe
Atentar onde pisa
Para que os passos sejam leves
E as lembranças suaves
Pois
Nessa nossa breve existência
Nada se leva
Nada se deixa
Nada e ninguém nos pertence
A vida é uma curta experiência
De cujos resultados, nada saberemos
Diferente
De tudo que se pensa
Enquanto vive
Tudo passou por mim
Mas eu nunca nada tive.
Sempre
Que alguma coisa começa
Raramente a gente percebe
Tratar-se de algum começo
É como se fosse ar
Que normalmente recebe
Pra depois expirar
Sem dispensar maior atenção
Um chão sem endereço
Onde se pisa
Na hora nem atenta
Pro fato
De que vai precisar de novo
Não raro começa
Sem apreço
Coisa sem valor
Mas quando chega o amor
Não existe preço
Só vontade
Ninguém jamais poderá dizer
Onde nasceu a qualidade
Da coisa à toa
Mas que a gente não esquece
Não quer esquecer
Jamais esqueceu
de tão boa que era
Frase em frase
Quase passou despercebida
Mas o coração a recebe
No silêncio do amor que nasce
do qual se precisa pra sempre
E se quer
Sem razão ... sem porquê
Nisso consiste o querer
Não existia
Mas agora existe
E ... se for embora
Chora de triste
Um dia acontece
Normalmente acontece do nada
Provavelmente existia
Muito antes daquele dia
Mas disso, nada sabia
Mas agora sabe
Não nos cabe saber a razão
Resta apenas
Fazer que exista e exista e exista
Mais nada.
Edson Ricardo Paiva
Houve um tempo
Em que eu quis fazer as coisas certas
Pra poder ser visto e aceito
Como um bom menino e bom rapaz
Eu acreditava que se agisse assim
E Deus me visse
Ele iria gostar mais de mim
A vida foi passando
E eu insistia que havia uma boa razão
Pra prosseguir sendo um bom homem
Sem querer ser melhor em nada
Apenas via a cada dia que amanhecesse
Como a uma nova oportunidade
De fazer o meu melhor
Pelo mundo, por Deus, pelos meus irmãos
Hoje eu olho pro mundo
Olho a vida
Olho pra mim mesmo e pra cada manhã
Que foi perdida no meu passado
Percebo que a gente não precisa
Ver a vida como oportunidade
de ser bom ou agradar a ninguém
Na verdade
O mundo não está
Prestando a mínima atenção
Pois o ato de viver neste mundo
Não chega a ser compromisso
Contrato ou obrigação
E as coisas que eu faço hoje
A maneira que faço as coisas
Conduzindo meus próprios passos
Tem de estar de acordo
Unicamente com a minha consciência
E a maneira que eu achar a mais certa
Quando ninguém estiver me olhando
Sem procurar santidade ou atenção
Pois ninguém está olhando mesmo
Pra nada de certo que a gente fizer
Ou deixar de fazer
A não ser que faça errado
Pra ser apontado, julgado, condenado
A solução que encontrei
Pra viver esta vida
É eu mesmo saber
Se presto ou não presto
Sem corar branco ou vermelho
Diante do espelho
Sem jamais e nunca mais
me ater ao julgo de ninguém
...de resto
Eu deixo este mundo de lado e amém
Pois nem a gente e muito menos a vida
Tem que ser bom ou ruim
Ela é só vida
E eu sou apenas alguém
Que não vai consertar
E nem carregar os pecados do mundo
Isso não me dá o direito de piorá-lo
E nem obrigação de fazê-lo melhor
Mas a tudo de melhor que eu puder fazer
Eu o faço pra ficar de bem comigo
Sem esperar aplausos do mundo
Pois, a bem da verdade
Isso é coisa que nunca vem.
Edson Ricardo Paiva.
Imagine o espaço territorial de um país como um corpo e seu povo como a sua alma.
Quando um grupo ou uma ideologia ruim chegam ao poder e passam a prejudicar esse país, é como se fosse um tumor malígno que precisa ser extirpado.
Quando esse grupo ou ideologia passa a se apossar da mente desse povo com leis que afetam nas relações interpessoais desse povo, isso já se assemelha a um espírito malígno: Isso é um demônio que precisa ser exorcizado.
Mas só se houver uma influência prejudicial, Isso é você que responde, de acordo com seus conhecimentos e consciência.
Hoje em dia não posso mais
Correr como eu corria
Se eu tentasse
Tenho certeza
Que com o tempo
Recuperaria o meu fôlego
Perderia esse jeito
Trôpego de agora
Não vejo razão pra isso
Não há mais com quem correr
Aqueles amigos partiram
Os meninos que corriam
Se foram todos embora
Não saem mais para brincar
Parece que me esqueceram
Inventaram uma brincadeira
de esconder
Em que a gente procura
E não encontra
Entraram num túnel
de onde ninguém sai
depois que entra
E eu fiquei aqui
Sentado à sombra da saudade
Privado da liberdade
de rir como a gente ria
E a cada amigo que partia
Uma parte da minha vida
Consigo eles levaram
Ou será que ainda estão lá
Esses pedaços?
Em cima de árvores que cortaram
Ruas de terra que asfaltaram
Bicicletas que enferrujaram
Nos planos que a gente fez
e eles não viveram
Pra cumprir
Foram viver em outros mundos
Outros planos, outros níveis
Às vezes eu os sinto aqui
Ninguém vê, só eu os vi
Pois hoje eles são apenas
Meus amigos invisíveis.
Fustigando-me a alma triste
como se fosse leve brisa
o tempo me traz a lembrança
da tua distante presença
sorrindo de forma indecisa
Uns dias dá-me paz
Noutros insiste
Sem noção do mal que faz
Ao coração que tanto pisa
Fecho meus olhos, no escuro vejo
Aquele melancólico olhar
Que se recusa a me enxergar
Cabelos de Mar, pele de diamante
presença tão radiante
Que se faz sentir na ausência
Tem dias em que simplesmente
Minh'alma se eleva
Flutua por breve momento
É como se meu corpo
voasse ao vento, de tão leve
Não trago comigo
remorsos que me lesem
Não guardei na vida
nenhum ouro
e nem nada que hoje me pese
divido o que me caia às mãos
se não houver o que partilhar
partilho a fome
não quero e não desejo
aquilo que não me pertence
e é desta maneira que eu vejo
que devo viver
minha vida de homem
Não pergunto a ninguém
se estou correto
Na verdade, nem quero saber
a leveza que me invade
faz sentir
Que esta é minha única
e intrasferível
verdade.
Uma criança perguntou-me
o que é sucesso
Não sei como alcançá-lo,
acho que não
Portanto, não sou indicado
a descrevê-lo
mas, tentei, com certo zêlo
traduzí-lo para aquela criança:
Creio que sucesso
É não estar presente
no início de algo bom
Mas ser chamado
a estar por ali
Quando aquilo estiver
perto do fim
pois quem te chamou
talvez tenha a esperança
de que assim, não acabe,
Ou, quem sabe, termine melhor
Sucesso é não pôr preço no que faz
Não dar o endereço a ninguém
E mesmo assim, as pessoas quererem saber
onde você está
E dizerem
que realmente não tinha preço
Os sorrisos
que você distribuiu de graça
Ter sucesso
é quando não é preciso
Pedir licença e nem acesso
Mas não porque
você seja alguém importante
ou arrogante
ou tenha ingresso permanente
Pois o sucesso está no fato
de você ser amado
por muita gente
e as pessoas pensarem com certeza
Que a sua presença garante
Que mesmo que aquilo
que está ruim não melhore
Mesmo assim,
haverá de não perder
a beleza que lhe restava
Sucesso,
é quando gostam da convivência
com você
e quando você não está
Perceberem sua ausência
Sucesso é poder diminuir a dor
daqueles que perceberem
que quando fizeste algo
jamais o fez por dinheiro
e, sim, por amor
Sucesso é algo
difícil de alcançar
é não cobrar, mas mesmo assim
honrar
todos os seus compromissos
e estar compromissado com o bem
sem dizer isso a ninguém
Portanto, aqueles que o alcançam
Nem ao menos sabem disso
Como haveria
de haver estrelas
sem noite
Como haveria
de haver as noites
sem os dias
Como haveria
de haver os dias
sem as saudades
Como haveria
de haver saudade
sem a ausência
Como haveria
de haver ausência
sem a distância
Como haveria
de haver distância
Sem um adeus
Como haveria
de haver adeus?
Pergunte pro seu coração,
pois o meu
parte sem culpa.
A minha dificuldade
Não consiste apenas em não compreender
Como pensa a maioria
E, sim, a minha total incapacidade
de concordar com ela.
O Mundo é como um violão pendurado na parede e a vida é como uma canção. Existem milhares de canções pra se cantar e muitas mais que ainda não foram escritas. Aprenda os segredos do Mundo como quem aprende os segredos de um instrumento e faça da sua vida a mais linda canção que já se ouviu. Ainda dá tempo!
A Rua da Saudade existe em Muitas Cidades
Lá, como em qualquer outra rua
Vão morar pessoas de todas as idades
Pessoas ruins, medianas e boas
Gente honesta, meio-termo e gente à toa
Tem o cara que Guardava as Chaves
E os caras que ficaram atrás das Grades
O velho e o menino, o senhorio e o inquilino
O fervoroso, o ateu e aquele, cujo coração
Foi uma semente que caiu na areia
Mulher bonita, remediada e mulher feia
Lá nessa rua eles tem toda a eternidade
E também não há mais tempo pra nada
Ela tem esse nome para honrar
Algumas pessoas que moram lá
Outras não deixaram nenhuma saudade
Um dia todos nós seremos vizinhos
Mas ninguém virá bater à sua porta
Pra pedir açúcar ou café
Portanto
Se você tem algo a dividir
divida agora
Aquele que por último, melhor vai rir
É aquele que sabe o que há no porvir
E muitas vezes, hoje chora
Existe alguma coisa
da qual ninguém se recorda
É como um sonho
Que rapidamente se dissipa
Assim que a gente acorda
E isso permanece latente
Independente do que a gente viva
E enquanto a gente vai vivendo
Coloca tantos outros interesses
Acima daquilo que interessa realmente
Principalmente a pressa
Que não nos permite
Enxergar os raios coloridos
Que a Terra também emite
Todo dia, quando o Sol se põe
O quão bonito que é
Olhar os pássaros a se recolher
Eles pousam em algum lugar
Sempre em bando
E um deles fica distante
Piando de vez em quando
Procurando algum recalcitrante
Que ainda não veio
Eu gosto de olhar as folhas que caem
e a maneira que se comportam
Cumprindo a sua missão
encerrando seu ciclo, humildemente
às vezes, elas tem ao seu lado as pedras
E está tudo interligado
Intrinsecamente unido
de modo que a única coisa que falta
é aquilo que eu disse
que a gente não recorda
Se a gente descobrisse isso
Talvez a gente se integrasse a esse todo
E deixasse de ser somente
Um Ser à parte
Perdido e esquecido
Tenho a impressão de que somos
Em meio à criação
O pássaro que não veio
E tudo isso está esperando por nós
Pra não nos deixarem sós
O Alfaiate de Jerusalém
Trabalha como ninguém
Fazendo os acessórios necessários
para acompanhar a dor alheia
Isso não lhe causa, em absoluto
O mínimo prazer
Mas alguém precisa fazer
E ele procura atender à demanda
Outrora produzia Cruzes
Mas a Humanidade concluiu
Que toda aquela produção
Era por demais pequena
E, desde que produzimos
A bela primeira centena de arcabuzes
A produção vem, desde então
Crescendo vertiginosamente
O alfaiate só promove as despedidas
E não gosta do que faz
E também não faz
Somente consolida
Nomes, o alfaiate os tem, de toda sorte
Muita gente o chama de Morte
Conclamando seu nome
Qual fosse uma vitória
O Alfaiate produz
Indumentárias em madeira
E as costumeiras tralhas
Que as acompanham
Por hora faz mais de Cem
Pra mandar embora, sem demora
Aqueles que um grupo encomendou
Enquanto outro grupo chora
Amanhã, se invertem os papéis
Há milhares de anos não tem descanso
Nunca o teve, nem um dia
Não há lugar para os mansos
Bem-Aventurados, amanhã serão
Aqueles que hoje tiverem
A mais precisa pontaria
Por mais que eu seja visto
como incompreensível
Por este mundo complicado
Eu creio que vou morrer
Sem também compreendê-lo.
Por mais que cada gesto meu
Repleto de amor e desprendimento
seja, a cada dia mais
repelido somente com indiferença
Eu creio que vou morrer
Sem levar comigo qualquer sentimento
de vingança, ingratidão ou ofensa
Por mais que eu saiba
O quanto de tristeza vou sentir
Por distorcerem aquilo que eu digo
Simplesmente
Por não haverem prestado
A mínima ou a devida atenção
é a vida
Tudo isso me vem do coração
e eu não vou me calar
mesmo sabendo que eu digo
Em português
A quem só lê javanês
E mesmo que nada esteja igual
e eu esteja sempre
Nos fundos do quintal deste mundo
eu vou permanecer pra sempre lá
e tenho certeza
Que um dia haverão de me procurar
pra me dizer
Que finalmente a minha piada
inteligente e sem graça
realmente, anos mais tarde
Fez muita gente rir
Principalmente pelo fato
de eu não estar mais aqui.
A vida que Deus me deu
é a vida que Deus nos dá
Um Presente Divino
E como qualquer outro menino
Me atrapalhei pra desembrulhar
E rasguei-lhe
Quase que completamente
Sem nem ao menos olhar
A fina estampa
dos papéis coloridos que a envolviam
Queria enxergar-lhe a essência
desvendar e provar-lhe a substância
Passar correndo pela infância
Com pressa de chegar em algum lugar
Sem nem ao menos saber
O que é que eu ia encontrar lá
O papel colorido se perdeu
E eu não me lembro nem
Quais as cores que ele tinha
Ou se havia desenhos de Montanhas
Estrelas ou flores, talvez uma casinha
Quem sabe Deus não tenha Escrito
Algumas palavras
Naquele papel tão bonito
Que eu rasguei sem olhar.
No interior daquele embrulho
Havia peças espalhadas e dispersas
Era um Enorme Quebra-cabeça
E ainda agora
Por mais que eu peça
Por mais pessoas que eu conheça
Até hoje eu não achei
Alguém que o soubesse montar.
A vida é curta
Como é longo o dia
As estrelas estão perto
Mas as flores, por demais distantes
Minha infância, parece que foi ontem
Mas o dia de ontem
há muito tempo se passou
As montanhas parecem pequenas
antes, tudo pra mim
era mesmo assim, possível
Mas hoje
diante destas colinas
Que eu ainda não transpus
tudo me parece intransponível
Atrás das colinas tem guerra
mas estão tão longe
todos os amores que já senti
E, se voltar a sentí-los
Não vou mais amar como antes
Meu amor a mim mesmo me basta
e eu, a mim mesmo me basto
Longos são os meus segundos
Como é vasto o mundo
Me recolho a um canto, soturno
Agradeço ao dia, pelo fim de mais um dia
Adormeço lendo poesia.
