Nosso Amor como o Canto dos Passaros
É incrivel como depois desta noite fria,
O dia amanheceu ensolarado.
Não como se fosse uma coisa boa para nós...
Mas como se fosse uma claridade na escuridão que ficou minha vida.
Acredito que um dia ainda iremos nos permitir reecontrar-nos, e viver momentos intensos de pura e limpida amizade.
Acredito tambem que meus dias, serão prosperos longe de ti, por que saberei que não estando comigo, estará sempre melhor. Sinto ainda o amor borbulhando aqui dentro... mas é como a agua no fogão... quando apaga, ela esfria.
E quando esfriar, quero ve-la tão bem quanto como estavamos indo.
Quero ver seu sorriso, raiando como este dia de sol no Inverno. Poder sentir vc proxima a mim, sem precisar de você estar ao meu lado.
Deixo mais uma carta de amor.
As recessões são como as guerras. Quando não avançamos... voltamos à base, treinamos uma nova estratégia e aperfeiçoamos a técnica.
Os bons samurais sempre afiaram suas lâminas na esperança de nunca usa-las em batalha.
Na área técnica o conhecimento é um combustível para assertividade. É como se fosse um pão, onde os que se destacam possuem apenas migalhas quase insignificantes.
Algumas vezes, palavras ditas duramente não são para seu mal, assim como palavras ditas de forma doce e mansa são sinceras!
lê-se: não viva do passado.
ouve-se: – vivamos de futuro!
alguém pergunta: – como fazemos isso?
a quem é dito: – vivendo no presente.
(dia-logos).
"O transe hipnótico muda radicalmente a forma como enxergamos e pensamos sobre a realidade. Ele amplia a nossa percepção, nossa perspectiva e nosso entendimento".
Eu sei que você já aprendeu a se proteger tanto que até se esqueceu como é ser cuidada, mas eu estou aqui pra te lembrar. Lembra que vc merece isso também.
MEMORIAS DE UM FANTASMA
Foi como desligar uma televisão, apagar uma lâmpada,desconectar algum aparelho. Então quando eu abri os olhos, ainda ecoavam as palavras, alguém sussurrava alguma coisa, muitos falavam ao mesmo tempo; todos penalizados. No entanto, então diante de mim uma paisagem esplêndida de um rio caudaloso, uma brisa silenciosa numa tarde tranquila. Depois vieram as lembranças daquele sorriso que embalou toda a minha existência; a minha infância, a adolescência, a igreja enfeitada, todos os parentes e entes queridos; todos os votos de felicidade até o capotamento na estrada: foi a desconexão. Porém diante de mim todo aquele relevo, o rio, toda aquela luz silenciosa e tranquila quebrada apenas pelos passos e os risos de Bem-te-vi que corria ao encalço de uma linda borboleta azul; ele me contou que Denise nada sofrera, Catarina nasceria saudável; foi só um susto. No crepúsculo seguinte fui ao outro lado do rio, era um lugar sombrio e havia um elo com o material; alguém acompanhava sempre alguém como se não entendesse o que se passara. Denise estivera no médico e pude entender que em alguns dias nasceria Catarina; eu podia ver, era uma imagem embaçada, mas eu percebia tudo, tentei me comunicar, mas não era ouvido nem percebido por ninguém. Fiquei por algum tempo ali, até que Bem-te-vi surgiu na minha frente e me conduziu de volta ao relevo. Os dias que se seguiram foram de uma ansiedade impar pelo possível nascimento de Catarina; dia 27 de setembro era o aniversário de Denise e provavelmente fosse programado para que nesse dia acontecesse o nascimento, o que aconteceria no próximo sábado . Bem-te-vi com sua roupa amarela fazia umas piruetas numa brincadeira ingênua com os insetos e os pássaros, entre as árvores do vale, sua imagem me faz lembrar de mim mesmo na minha adolescência, com a diferença que ele pode flutuar. Além de bem-te-vi, tinha outros, todos com aparência de adolescentes e roupas, provavelmente de cetim, de tonalidades claras e que também atendiam pelo nome de pássaros: campina, pintassilgo, curió, cardeal; cada um desses guardava alguém. O rio representava a vida; os seus dois lados; Bem-te-vi já tinha me dito isso, mas não me respondeu onde desembocava aquele rio.
Era o aniversário de Denise e Deus lhe presenteou com uma menininha que mamava com a volúpia de quem tinha muitos anos pela frente, tinha os cabelos negríssimos como os do pai e recebera o nome de Roberta, e não mais catarina, em homenagem a mim. Denise tinha os olhos brilhantes de felicidade e por alguns momentos acho que ela percebeu a minha presença; alguém lhe deu as flores que eu lhe daria, era um amigo do cartório onde trabalhavam; acho que Denise merecia ser feliz, afinal, a Vida continua.
Nunca mais me foi permitido atravessar o rio, mas sei que Denise frequenta uma igreja e Roberta já é uma mocinha; Bem-te-vi soube através de um tal de Serafim. Estamos agora numa parte bem alta da montanha; dia desses Bem-te-vi me empurrou lá de cima, foi maravilhoso... eu ainda não sabia, mas assim descobri que podia flutuar...
VERDE OU AZUL
Ainda acontece como se minha alma
afugentasse a calma...
Já adolesci faz tempo, faz tanto tempo
Que as tardes agora ardem de saudade
De algo que agora caminha nesse teu caminhar...
Quero entender toda a magia do verde ou azul
Que agora abriga a minha alma...
Sabe o que é ser tão triste, tão triste,
Profundamente triste de felicidade...
Ainda acontece caminhar sobre as águas...
Esta coisa divina me leva
Como se todas as coisas fossem novas,
Como se paixão fosse novidade
Fico na expectativa de que todos os dias sejam sábados
De que o céu tenha esse azul ou o mar tenha esse verde
E o que se perde entre o olhar e o sentir vire encanto
Sonho que todos os dias sejam sábados
E que todos os sábados sejam assim,
Mágicos, verdes ou azuis eu não sei...
Ou não tenho certeza mas hoje é sexta feira
E amanhã já é sábado de novo...
tenho sonhos...
sonhos como chuvas
como rigorosos invernos
e nessa realidade árida
só me resta chover...
MULHER
Eu te quero tanto agora
Como a aurora de ontem e anteontem,
Como a chuva de todos os invernos
Que alimenta o nordeste
Eu te quero como a tarde
Que arde de desejo
Sob o sol da primavera
Que as papoulas enrubesce
Eu te quero como as noites
Que alimentam os amante
Como as mães que seus filhos amamentam
Que amam seus maridos
E satisfazem seus homens
E se consomem nos partos
E morrem com seus abortos
Eu te quero como a vida
Que sai de suas entranhas
E sustenta a existencia da humanidade
Nesse ciclo que se renova
No teu beijo e abraço
Nessa essência de se dar e se fazer
MULHER
Ele desenhou um hamburguer como se fosse o sol
Pipocas como se fosse ondas de espumas
E refrigerantes como se fosse o mar,
Antes de tudo que sabia ,
Antes de tudo que pensava que sabia,
A lua seria uma imensa tapioca
E as mentiras de dietas era poeira de farinha...
Estava obeso feito o peso de sua solidão
Comia por carência, por compulsão...
O peso dos problemas pesava sobre o seu peso,
Ele desenhou um cuscuz como objeto de desejo,
Nada relativo a bundinha empinada da vizinha,
Não era mais uma fantasia ,
Era uma desilusão;
Trocara aquele desejo
Pelo prazer de pão de queijo,
Pelo frango assado, sem nenhuma metáfora,
Nada a ver com nenhuma posição...
Há tempos nenhuma ereção
Ele desenhou um beiju como se fosse a lua cheia,
O pão de açúcar, literalmente um pão doce,
Algo que adoçasse a sua vida, a sua desilusão;
Algo que não doesse ou não ameaçasse
Como aquela dor no coração...
Gosto do frio que faz ser só,
das palavras perdidas e amargas como jiló
da frieza inesperada de nunca mais
eu gosto de reminiscências
da inconsequência de amores impossíveis...
eu gosto de ficar olhando a chuva
e imaginar que os deuses choram de solidão
eu gosto de ser triste,
de imaginar-me um boneco de neve
perdido numa montanha
depois de uma avalanche...
essa rajada de vento gelada
compõe o meu espírito
eu gosto de ficar olhando o infinito
faço o meu verso
como se soubesse
que amanhã é sexta feira santa,
a sexta feira da paixão,
como se a santa da feira,
com seus olhos azuis turquesa
e peras por sob a blusa
ornamentndo seu colo
não alimentassem a rima
que completam a minha estrofe
deixando a mente confusa
tornando paixão tão forte
pra santa de qualquer dia
faço esse poema
como se houvesse harmonia
e a santa da novena
santa como santa maria
de filho pregado e morto
e no horto sepultado
deixando alma vazia
e coração angustiado
por mais que se prometesse
um Deus ressuscitado
que aliviaria as mentes
e lavaria os pecados
mas mesmo a mãe de Deus
sofreria por seu filho
porque carne é carne
assim como o meu poema
que sangra queima e arde
e assim faço o meu poema
que também se sacrifica
e crucifica a gramática
mas é um verso sincero
terno suave e austero
dentro da realidade
ROSA
Rosa está tão só no jardim
Que ouço seu soluçar
E bater seu coração
Como se a rosa no espinho
Arranhasse a solidão
Que arranha suas pétalas
E espetá-las assim
Com rima de verso e prosa,
Com a brisa do verão
Que acalanta a roseira
Lacrimeja no olhar
E faz de Rosa a rosa
Dos delírios a quimera,
Da estação primavera,
Das flores a mais formosa
Era tão bela, um rosto meigo, cabelo que brinca no vento,
riso raro como se o mundo não lhe apresentasse muitos caminhos;
voz suave, quase um sussurro como se tudo fosse um segredo,
ou como se mexer no silencio fosse proibido
não é bem assim, cante suave ou assobie uma canção
e o mundo vai parecer mais bonito...
contanto que seja uma canção de amor
e se for só paixão não prenda tanto a respiração
e se for só mistério...mistério está no ar que nos sustenta
então respire fundo e beba o mistério da vida...
MILÊNIOS
Neblina... é uma neblina muito fina apesar de uma certa constância, como para aliviar os que jazem sob este solo árido, como para acalentar os fantasmas que se encresparam nessas caatingas; ah, os valentes jamais desistiram desse solo, eles ainda apascentam suas criações e alimentam suas lembranças; aprenderam com seus antepassados que estas terras são ricas e que as águas do Jaguaribe... as águas do Jaguaribe também são inconstantes. Aqueles heróis que ouviram o crepitar dessa vegetação no calor do meio dia se deslumbraram com os corpos celestes no silencio da noite e viajaram fugazes na opala ilusão lunar ambiciosos pelos brilhantes de uma pétala estelar. Sonhar não custa nada, mas pela manhã Serafim perceberia o gado em busca de toda espécie de cactus para sobreviverem mais alguns dias na estação de estio. A casa acanhada comportava alguns pés de goiaba, mangueiras, castanholeiras,cajueiros e um pequeno milharal já devastado por cabras e carneiros. Ali tinha vivido a sua infância disciplinada pela figura rígida do pai, Januário e compartilhada por dois irmãos mais velhos: jonas e Hernesto, que partiram na sua maior idade para o sudeste. Neblinava... a tênue luz fugidia d'alguma estrela parecia salpicar diamantes naquele solo árido premiando os que se embrenharam na caatinga; agora com frequência as noites eram assim, aquietando os fantasmas que padeceram na luta contra o estio, afugentando as carcaças que não resistiram a sede e a fome; era só uma promessa mas os telhados e as árvores chichiavam com os pingos e a brisa, e os bichos nos currais ruminavam ruidosamente numa espécie de comemoração. Era um grande momento, mas sua fascinação era o pai, Januário vestido de vaqueiro nas brenhas da caatinga em busca de algum animal desgarrado; ninguém saia daquilo sem um ou outro arranhão, mas o pai sempre voltava com o animal perdido. Aquela vida dura também tinha seus encantos, como pela manhã despertar com o canto de uma sabiá, um corrupião, um galo de campina; tinha a vila da Matilde, de belas moças acima de qualquer suspeita, e tinha as moças que envelheciam a espera de príncipes que não chegaram; mas o que seria a solidão se o universo se expunha explicitamente todas as noites e quem não teria uma história ou uma fantasia que não preenchesse qualquer vazio; aquele quê inconfessável,que parecia o pior dos pecados. quem saberia tudo sobre as caatingas, milênios jaziam sob aquele solo arenoso e os espíritos de nossos ancestrais gritavam seus segredos; nalguma pedra uma gravura delatava suas descobertas, suas caças, suas aventuras. Chovia... os deuses sopravam misericórdia e esperança sobre olhares acostumados com horizontes devastados. pela manhã perceberíamos mandacarus orvalhados, a terra ligeiramente úmida e sob a relva queimada e inerte uma semente qualquer germinava mostrando o milagre da vida e sua persistência. Histórias mais trágicas ficaram muito para trás, ali surgiram nossos maiores heróis, nossos anjos e santos, a fé se fortaleceu, pois a fé se alimenta da fome, da sede e de todas as dificuldades que debilitam o corpo. Templos foram erguidos; esta nação tem agora a referência de um povo incansável e combativo e de uma fé inabalável. Então quem viaja por estes sertões, perceberá ao longe, na janela de uma casinha de taipa, alguém que o tempo descoloriu suas cãs e curvou sua espinha; um sentinela que vigia. Vigia o tempo, o vento a eternidade... todas essas coisas inconstantes que um dia possam fazer sentido, assim como procurar pela janela um sentido para a solidão.
não posso mais te olhar como o céu, a noite e as estrelas, agora outra imensidão me preenche e os raios da manhã dourando a tua silhueta na calçada me faz imaginar que o infinito é o espaço ínfimo entre teus olhos, teu sorriso e tua boca... sei que essa viagem é longa e a eternidade é feita de segundos, mas onde estarei na ausência do teu abraço, a eternidade é tão lacônica e a brevidade das ilusões sussurra nas brisas matinais... não posso mais te olhar como um luar que morre nos primeiros raios da manha; este sentir me ensinou pra sempre que pra sempre é sentir assim... as aflições que conduzem a noite trazem a serenidade que nos ensina a esperar, é isso que chamam de esperança. ah, este sentimento esquisito de sentir as estações como se pudéssemos manusear o tempo... o tempo bate portas, colore as florestas, descolore as nossas cãs em busca de horizontes, mas essa ilusão que acolhe nossos olhares é só um tema poético batido, surrado e de validade prestes a vencer. quero caminhar por uma trilha que me conduza sempre a tua presença
