Noite
Já era tarde da noite. Fazia muito frio.
Dividíamos o mesmo táxi.
- Então, vai mesmo voltar ao Brasil?
- Vou sim. Prefiro amor.
- Você acredita mesmo no amor? Perguntou-me, e gargalhou. Gargalhou muito.
- Acredito sim. E fechei-lhe a cara.
Pois é...Desculpa ter até quebrado o gelo com a minha grosseria.
Eu deveria mesmo era ter gargalhado junto contigo.
O Sol clareia o dia;
A Lua ilumina a noite;
Agradeça essa magia e queira ser também uma luz que sempre irradia.
Ontem à noite conversei com as estrelas, pedi para elas um sinal e então descobrir que o sinal já estava ali, só bastava enxergar dentro de mim.
Eu tenho uma amiga que coleciona amanheceres,
mesmo quando a noite insiste em não partir.
Ela costura esperança entre os próprios afazeres,
como quem aprendeu, na dor, a resistir.
Tem o coração maior que o próprio medo,
e um sorriso que desarma qualquer solidão.
Faz do silêncio um abrigo, do afeto um segredo,
e transforma tempestades em canção.
Se um dia o mundo esquecer de ser bonito,
ela ainda encontrará beleza pelo caminho.
Porque há pessoas que são luz sem fazer alarde,
dessas que iluminam a vida, devagarinho.
E, no fim, descubro sem nenhum engano:
ter uma amiga assim... já é um presente raro.
A noite preferida do poeta é aquela com o céu estrelado; aquela com a lua passeando...sim, com a lua passeando.
Sábado à Noite/poema
Hoje o dia foi mais tranquilo —
mas o trabalho, cansativo,
mil pensamentos querendo sair correndo
pela porta do serviço.
Vontade de ir embora,
mas o medo da instabilidade
segura meus passos
como âncora no peito.
E no meio do barulho das tarefas
surge o sonho antigo:
abrir meu próprio negócio,
ser dono do meu tempo,
da minha coragem,
do meu caminho.
Foi um dia corrido.
Relógio apressado,
mente acelerada,
coração dividido.
À noite cheguei em casa mais leve,
mas não vazio.
Pensando em mudar de cidade,
por não ter amigo nem parente
onde estou agora,
achando a cidade tão chata,
tão silenciosa demais.
Fui ao posto,
na conveniência comprei
uma coxinha e uma coca —
pequenos confortos de sábado.
Na esquina, perguntei do hospital.
Particular. Pago.
E lá veio de novo a pergunta
que nunca dorme
onde está minha estabilidade?
No meio de tudo isso,
só queria alguém para desabafar,
uma conversa sincera na madrugada,
um ouvido que ficasse.
Mas não encontrei.
Entre sonhos e contas,
entre vontade e medo,
o sábado termina
quieto por fora,
barulhento por dentro.
Domingo à noite
Domingo silencioso,daqueles em que a noite parece ouvir a gente. Lá fora, o mundo segue acontecendo,carros passando, luzes acesas, uma calmaria que cobre as ruas.
Aqui dentro, porém, mil pensamentos caminham sem descanso. Ideias de mudança,vontade de sair do mesmo ciclo, de fechar portas antigas para que outras se abram devagar.
O domingo tem disso:ele faz a gente olhar para dentro,rever caminhos, sentir o peso e também a esperança.
E mesmo no meio dessa inquietação, existe um agradecimento silencioso: por perceber, por sentir, por estar vivo nesse instante.
Porque até os domingos quietos carregam uma grandeza escondida — a chance de recomeçar quando a segunda-feira nascer.
Quando a noite estava cheia
De temores e as lágrimas corriam
Pelo seu rosto e nossas mãos
Nao haviam se tocado
Eu senti, você me chamar tão profundamente como a lua e o mar
Era apenas um bilhete.
Noite fria, e o choro não cessava. Medo! Reflexão me apavora. Calma, é apenas minha alma se mexendo na cama da tempestade.
Maltrapilho e esquecido!
Abandonado e desconfiado!
E nas andanças da vida, percebo a dúvida ao meu lado. Incansável e insistente, ela querendo saber mais das minhas Procrastinação.
Sombria e demorada.
Presa em castelos de papel timbrado. Ouso em dizer, são versos, são letras de um coração pensativo em meio as trevas da dúvida.
Quero, mas não posso!
Desejo, mas não compartilho!
Sinto, mas não permito avançar! Amo, mas dúvido desse amor! Investigada minh'alma, magoada por ter escolhido eu. Paradoxol me apavora, mas como tentar explicar a Carência e a solidão se não forem versos em caixão. Não me refiro a morte, mas o luto que inflamar ela.
Quero. Quero tanto!
Quero. Mas querer o quê
Quero ser feliz, amado, lembrado e admirado. Não pelas virtudes que insisti em não me querer, mas pelo simples fato de ser lembrado. E em meio a objetos duradouros. Estou eu, de vidro e porcelano. Aguardando a realidade me visitar.
Depois da Noite de Prazer
Helaine Machado
Depois da noite de prazer…
fica o silêncio.
Um silêncio cheio de lembranças,
de toques que ainda vivem na pele,
de respirações que ainda ecoam
no fundo da alma.
Os corpos se afastam,
mas o calor insiste em ficar,
como se cada gesto
se recusasse a ir embora.
Ainda sinto você
no espaço vazio do lençol,
no cheiro que ficou perdido
entre o agora e o que já passou.
Foi mais que pele…
foi entrega,
foi intensidade
que não cabe em palavras.
Mas o depois…
ah, o depois sempre revela.
Revela quem fica,
quem some,
quem transforma o instante
em algo que valeu a pena…
ou só em mais uma lembrança.
E entre o desejo que ainda arde
e o silêncio que responde,
fica a pergunta que ninguém diz:
foi só uma noite…
ou foi você?
Porque o corpo pode até esquecer,
mas quando toca a alma…
nunca é só prazer.
Helaine Machado
No silêncio da noite eu me encontrei
Entre pedaços de mim que escondi
Tantas dores, tantos medos guardei
Mas a minha alma insistiu em florir
Meu peito chora, meu peito canta
Entre feridas eu tento me achar
Tem dias que a vida pesa tanto
Mas ainda existe luz pra me guiar
Helaine machado
"Vocês amigos são como as sombras: durante o dia me acompanham, à noite me abandonam."
— Jalison Santos
