Ninguem Perde Ninguem
Tudo na vida funciona como bumerangue, mas na maioria das vezes, perde-se de vista ou se ignora o retorno das coisas.
PONTO NO VAZIO
Acha-se sempre um ponto no vazio
Aonde perde-se no tempo
Onde se encontra muito sobre si mesmo.
Eis a razão de viver a fixar
os olhos no nada: Querer saber mais sobre si mesmo.
Varias coisas que o olhar perdido traz:
O vácuo e as lágrimas.
Um pouco ou do que sobrou de si mesmo.
A nostalgia dos momentos os felizes e infelizes.
As evidências das virtude e das deficiências.
Os ressentimentos das verdades e das mentiras.
As saudades dos amores conquistados, perdidos e vividos.
Pelo menos uma vez num segundo Se é perdido no ponto vazio.
Quem não tem tempo para aprender, perde tempo em ensinar; pois a maior lição que se pode dá como educador, é o exemplo de ser sempre um aprendiz.
Às vezes, perde-se tudo o quê é precioso por não abrir mão do insignificante. O
Propósito, o significado e valores de tudo deve ser medido.
Tenho medo de chegar ao ponto de só repetir pensamentos dos outros, perde-me na capacidade expressar o que estou pensando por dúvida de mim mesmo.
DESENCANTO
Na vida se perde
Se ganha...
Envergonha-se.
Se tira vantagens
Se engana...
Se encanta.
Se sorrir e gargalha
Se chora, soluça
Se engole o choro..
Se tem esperança
Se desencanta
Se ama
Se apaixona...
Perde-se
tanta gente se perde por aí,
sem saber pra onde ir.
mente perdida.
é a palavra corrompida
clã da sabedoria
se soubesse resolvia
sem se perder
se entregar
se levar
o cheiro é tão forte
o sábio faz a sorte
de viver ou morrer!
ILUSÂO
O que além do azul se perde no verde
Entre o mar e as estrelas,
Entre as vagas e as marolas?
A ilusão é como bolas de sabão
Perdidas na abóboda,
Um arquipélago de ilhas misteriosas
Consome o Japão,
Um Samurai com sua adaga a punir a traição;
Se eu não sonhasse nunca mais ruiria o templo,
O que temos de espírito.
Se eu contemplo esse palácio
A tua vaidade profana os ritos,
O horizonte se abre uma imensidão,
Mas o que é o horizonte
A não ser algo relativo a sua posição
E além do verde e do azul,
Da negritude, do que eu tenho de mestiço;
Caravelas e navio negreiros contribuíram com isso,
Do índio com o negro nasce o mameluco,
O que é mais romântico que nascer em Pernambuco
E pensar que é francês
Ouvir Asa Branca e cantar Ne me quitte pás,
Ilusão me espera com seus arreios
Cravejado de brilhantes e suas ferraduras de ouro
Para um passeio por entre e além do azul e do verde...
Aonde iremos quando só lembranças festejarem os sentimentos
e o maior significado de viver se perde nos mínimos detalhes do passado?
poderei sonhar, sempre poderei sonhar perdido na imensidão das estrelas
e do mundo misterioso que elas nos intui. Suas belezas refratárias tornam profícua
a imaginação e mais que esse fascínio, só, e singularmente
a solitude deste vulto poético. Então antes que nossos olhares lânguidos
se percam nos labirintos do passado, vasculho um pretexto, qualquer desejo
que ficou implícito nos desvarios das emoções; a ordem das coisas muda, tudo muda de ordem mas a ordem dos fatores não altera o produto... haverá um momento... mesmo por alguns instantes, uma sensação de perda, um olhar...uma atitude que era uma mensagem mas não foi percebida e ficou perdida; então sob as estrelas, sob os signos e os mistérios, o magnetismo que harmoniza... parece que a noite e a capacidade de ver de novo é um paliativo... tudo torna-se mais brando e assimilamos os golpes mais duros, as acusações, os dedos em ristes, as palavras ásperas... então eu questiono: quando só lembranças festejarem os sentimentos e o maior significado de viver se perde nos mínimos detalhes do passado, aonde iremos? onde quer que formos teremos nossos corações sobre nossas cabeças, os sentimentos a fazer pulsá-los, o mistério e o cintilar das estrelas sobre o firmamento e a nossa única e grande certeza: a inabalável capacidade de recomeçar.
TINO NORDESTINO
Se tudo se perde na cinza com o tempo
E no crepúsculo apagam-se todos os momentos
Se verde eu me prendo nesse fruto,
Essa cica de um azedo absoluto,
A alma seca de tempos de estio
O coração árido e vazio
Nossas essências vagam entre os fantasmas
Que gemem no crepitar da caatinga
O vento alimenta a ilusão de mudanças
Como se ainda fôssemos crianças
E na sede, na fome nesse destino
Nessa eternidade sem tino
Que seca açudes, que racha a terra, que mata o gado,
Não passamos de meninos...
