Ninguém Ama outra Pessoa

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Um versificador não considera ninguém digno de ser juiz dos seus versos; se alguém não faz versos, não sabe nada do assunto; se faz, é seu rival.

Ninguém desenvolverá alguma vez as faculdades da sua inteligência, se, pelo menos, não intercalar alguns momentos de solidão na sua vida.

Ninguém olha para o que tem diante dos pés: todos olham para as estrelas.

Ninguém consegue ser subversivo após uma feijoada.

Ninguém, a não ser um idiota, escreve a não ser por dinheiro.

Ninguém se julga como o julgam; penso de mim o que tu pensas de ti; qualquer tem pela melhor a maneira de tratar-se, por mais correcta a vida, por mais justa a sua causa, pela maior a honra e por acertadas as selecções que faz.

E tem certeza disso: é casta apenas aquela que nunca foi pedida por ninguém, ou que, se pediu, não foi ouvida.

Ninguém quer passar por tolo, antes prefere parecer velhaco.

Ninguém considera a sua ventura superior ao seu mérito, mas todos se queixam das injustiças dos homens e da fortuna.

A imagem que um homem só pode conceber é a de que não toca ninguém.

Uma forma de o medíocre convencido imitar a grandeza é não dizer mal de ninguém.

Vergílio Ferreira
FERREIRA, V., Pensar, Bertrand, 1992

A amizade, como o dilúvio universal, é um fenômeno do qual todo o mundo fala, mas que ninguém ainda viu com os seus próprios olhos.

Ninguém nos aconselha tão mal como o nosso amor-próprio, nem tão bem como a nossa consciência.

Noite. Um silvo no ar.
Ninguém na estação. E o trem
passa sem parar.

Ninguém resiste à lisonja sendo administrada, oportunamente, com a perícia e destreza de um hábil adulador.

Ninguém pode ser juiz em causa própria.

Basta Pensar em Sentir

Basta pensar em sentir
Para sentir em pensar.
Meu coração faz sorrir
Meu coração a chorar.
Depois de parar de andar,
Depois de ficar e ir,
Hei de ser quem vai chegar
Para ser quem quer partir.

Viver é não conseguir.

Fernando Pessoa
Poesias Inéditas (1930-1935). Lisboa: Ática. 1955. (imp. 1990). p. 73

Todo o prazer é um vício, porque buscar o prazer é o que todos fazem na vida, e o único vício negro é fazer o que todos fazem.

Fernando Pessoa

Nota: Trecho do "Livro do Desassossego", de Fernando Pessoa (heterônimo Bernardo Soares). Link

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Se eu te pudesse dizer
O que nunca te direi,
Tu terias que entender
Aquilo que nem eu sei.

Fernando Pessoa
Quadras ao Gosto Popular. (Texto estabelecido e prefaciado por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1965. (6ª ed., 1973).

Nota: Quadra de Fernando Pessoa, por vezes erroneamente atribuída a Freud.

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Deixei atrás os erros do que fui

Deixei atrás os erros do que fui,
Deixei atrás os erros do que quis
E que não pude haver porque a hora flui
E ninguém é exato nem feliz.

Tudo isso como o lixo da viagem
Deixei nas circunstâncias do caminho,
No episódio que fui e na paragem,
No desvio que foi cada vizinho.

Deixei tudo isso, como quem se tapa
Por viajar com uma capa sua,
E a certa altura se desfaz da capa
E atira com a capa para a rua.