Nem Sabes Chegaste quando eu te Sonhava Poema

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A coisa mais bonita do mundo dá uma ansiedade,

Quando não acontece dá uma saudade

Então eu penso que o mundo dá tantas voltas...

E eu não mudo... já ficou tarde e eu ainda penso em você

Uma canção de longe quando amar não era brega

Me devolve momentos bonitos,

Agora eu fico aflito e tenho que obedecer regras

Mas nada impede que eu sonhe e acredite no verso

O amor é sem dúvida todo esse universo

Inserida por tadeumemoria

Eu me descomponho
quando eu componho
eu gotejo
eu me derramo
e a aridez o deserto vira um Oasis...

Inserida por tadeumemoria

PASSARADA
Bem te vi cantou teu nome...
Eu sempre quis te amar,
Quando vem manhã na serra,
Bem te vi me faz lembrar,
Que o amor engana,
Já que canta bem te vi,
E voa para bem longe...

Quando chove no sertão,
A passarada se agita,
Mil pardais no mangueiral,
Juriti foge pra serra,
Anuns a lamuriar
na caatinga espessa,
Corrupião na mangueira
Furando manga jasmim,
Sanhaçu voa de par,
Querendo fruta madura,
E a candura do algodão,
Clareando pela tarde,
Do teu sorriso e ternura,
Lembra-me felicidade...

Inserida por tadeumemoria

Quando eu cheguei a ser eu mesmo
eu ainda era uma caixinha de surpresa
dentro de outras dez caixas maiores...

Inserida por tadeumemoria

Quando eu pensei que eu já era eu mesmo
Havia ainda muita coisa a descobrir
Quando eu pensei que já tinha me descoberto
Havia ainda muitas caixas pra abrir
Quando eu pensei que eu era eu mesmo,
Eu ainda era uma caixinha
Dentro de outra dez caixas maiores
Quando eu pensei que te conhecia
Havia ainda muitas coisas a se encaixar
A vida é assim mesmo
Há sempre algum invólucro a se desempacotar
São caixinhas de surpresa
Que a gente vive encaixando e desencaixando
Até descobrir que nenhuma surpresa há...

Inserida por tadeumemoria

O CARA
Eu sou o cara que está longe
Quando estou perto
Eu sou o cara errado
Quando estou certo
Eu sou um cara louco num deserto
Seu olhar vai além do horizonte
Nunca acerta meu nome
Nunca sabe o que eu curto
Desconversa, desvia o olhar
Menciona: “que lindo crepúsculo”
É a senha pra dizer que já é tarde
Arde no meu peito, dói nos meus músculos...
Sou o cara mais perto do que está bem distante,
Sou o cara mais certo das suas incertezas,
Chocolates é sua fraqueza,
Poesia é até covardia;
O negócio é que gosto do seu jogo,
Quero imaginar que seria difícil,
Todo edifício saberia;
Espionam por frestas e janelas;
Sairia no face, no globo repórter depois da novela...
Ela sobe serena e segura, um riso no canto da boca,
Sabe que está no meu peito,
Permite que eu olhe da escadaria...
Eu sonho, não sou de ferro, quem não sonharia?

Inserida por tadeumemoria

DEMÊNCIA

Eu vou te beijar, quando você ficar triste...
E quando você ficar alegre, eu vou chorar...
E quando chegar a noite nostálgica e solitária
eu vou me esconder...

Entenda esta demência quando eu não sorrir...
Entenda esta ternura quando eu te agredir...
Quando eu chegar com algumas flores
Eu vou te possuir...

Posso te falar de tudo, menos o que você quer ouvir...
Posso ir a qualquer lugar, menos onde você quer ir,
Posso beijar a naja e caçar javali
Poderemos se esconder em Parati...

Pra te agradar, quando tiver vontade de chorar,
eu vou sorrir,
Vou morrer quando você quiser partir,
Vou odiar quando sentir vontade de te possuir...
Assim vou descobrir a realidade
Amar-te não depende da minha vontade

Inserida por tadeumemoria

Quando eu quis acreditar no amor...
já não era manhã...
já não tinha o sabor de hortelã,
os desejos já tinham dormido...

Inserida por tadeumemoria

Amar-te-ei tanto
que estaremos sempre juntos
e mesmo quando eu for defunto
haverá esse encanto...

Inserida por tadeumemoria

CIO

sabe como olhar,
como andar,
quando olhar,
caminha na minha frente
como se eu fosse santo,
fala comigo como se eu fosse o seu amo,
se abaixa como se eu fosse cego,
senta na minha frente
como se eu fosse de ferro,
eu também sei sonhar,
eu tenho um coração e um tênis,
não aguento mais maracujina,
pra essa febre só novalgina,
sorri pra mim como se eu fosse um beato,
me toca como se eu fosse Buda
esquece o decote,
o perfume que exala,
minh’alma se perdendo,
minha língua pedindo...
não percebe o desejo consumindo,
chega tão perto que eu farejo o cio...

Inserida por tadeumemoria

Quando eu crescer quero ser poeta
Para entender a linguagem das aves
E a devoção das ave-marias
Pra aproveitar as noites vazias
E entender os seus mistérios
Quando eu crescer eu quero ser poeta
Pra entender de saudade
E descrever as lembranças com minúcias,
Belezas e prazeres vividos
Quando eu crescer eu quero ser poeta
Para ter noção do que é ser triste,
Porque só quem tem essa noção
Sabe distinguir o que é felicidade

Inserida por tadeumemoria

AZUL TURQUESA

Quando era sábado eu era magro

E só tinha a ilusão incandescente de um adolescente

O céu era azul turquesa

Como as minhas poesias,

Julieta jamais morreria se eu tivesse um romance,

Mas antes, muito antes

Quando eu ainda não ousara sonhar

Eu só tinha as pipas e piões

E muitas indecisões

Eu já idealizara o olhar dos olhos dela...

Enquanto contemplava

Pássaros, borboletas e libélulas

Eu já era poeta e não sabia

E o olor de viver, o ardor de sobreviver

A dor de subviver era poesia

Eu só precisava daquele beijo

Pra perceber a abóboda azul turquesa,

Pra saber que nos sábados somos magros;

Nos domingos somos lindos

E nas segundas... nas segundas-feiras

Percebemos de quem sentimos falta...

Inserida por tadeumemoria

PROCISSÃO

Quando eu não tiver nada ainda terei as palavras

Terei o silencio e a virtude de saber não possuir

E as minhas palavras dar-se-ão as mãos

Numa ciranda a cantar poemas a edificar a solidão

E a minha solidão povoa,

Pavão, pavoa, encantos, penas e cantos

Leitos, lagoas, embarcação, canoas

Uma procissão, uma novena,

Meu verso vai de Tóquio a Cartagena

Porque minhalma não é pequena,

Minha estrofe é forte e minha verdade serena

E o meu silencio não dói; não dói quando passa a tarde

Quando passa o rio, quando passa o vento,

O meu silencio só dói quando passa o sentimento

Inserida por tadeumemoria

Eu fiz um samba tão triste

que quando saiu minha escola

desabou um temporal


chuva, vento e trovoada

e a minha batucada

parecia um berimbau


a letra do samba enredo

citava mistérios e segredos

de um sobrenatural


sob o frio tive medo

tremi voz, pernas e dedos

suei frio e passei mal

Inserida por tadeumemoria

⁠E quando for verdade o que não for verdade
eu levo dessa cidade o que não for cidade
eu levo o tempo que eu não tenho
pelo tempo que eu tenho perdido...
eu acredito tanto que a vida pode mudar,
se mudarmos um tanto nesse acreditar;
ah, podemos ser felizes sim
mesmo se só restar um olhar, um aceno, uma canção...
a vida é pródiga, a existência profícua...
temos a lua e o tobogã, a esperança e mente sã...
e o lago que eu imagino,
eu atravesso a nado como se fosse um menino,
mas, nada nada assim no nada...
o que não existe além do que eu imagino
se a estrada é o sonho e o caminho é caminhar,
ainda sou um menino de cinquenta anos,
tenho minhas fantasias, ainda faço planos
ainda me apaixono às vezes, às vezes sete vezes por dia...
dezessete vezes por dia eu acredito nesta rebeldia
de me acreditar menino, de me acreditar poeta.

Inserida por tadeumemoria

CURRÍCULO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Comecei a ser eu próprio quando papai e mamãe fizeram... papai e mamãe. Depois cresci aprendendo a ser mais e mais quem sou, com a vida que é o que é. Até agora só fiz o que me deu vontade. Sempre dei o que tive, quando quis fazer um bem. Tive apenas o que foi meu e jamais dei um passo além de mim.
Tenho graduação em vida e mundo, e pós-graduação em gente. Não consegui o doutorado em verdade. Aprendi que nessa cadeira ninguém se forma, pois a verdade não é fixa nem absoluta, embora o que estou dizendo seja uma "contrarredundância". Quanto ao mais, ainda me sobrou tempo para ser escritor, educador e fotógrafo... E papai; porque também fiz papai e mamãe.
Tradicionalista e barroco, no sentido barro da palavra, morrerei comigo e me levarei para o túmulo, por não saber viver depois de morto. Afinal, sempre me aceitei como sou, com todos os meus defeitos... E os defeitos também.

Inserida por demetriosena

ERRO ÍNTIMO DE CONCORDÂNCIA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Eu é túnel sem luz, quando excede o rompante;
um instante que pode nos levar à cruz;
não há eu que nos muna da força do nós,
quando nós nos impedem de chegar ao outro...
É preciso que o eu se desligue de si,
se do ato depende a salvação do ele;
se pra ti é vital; se restitui a voz
que pra vós tem a força do próprio futuro...
Lá no eu se concentram desertos do mundo;
cá no meu, bem profundo, consigo entender
como falta poder, se não saio de mim...
Acharemos a vida se unirmos os eus
em um ninho de sonhos do mundo melhor;
eu é deus que não pode caminhar sozinho...

Inserida por demetriosena

COBRA FERIDA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Que me falte o meu dedo indicador,
quando eu der de apontar defeito alheio;
ser pastor de um rebanho imaginário;
rédea, freio, cabresto e corretivo...
Sou as manchas que mostro em verso e prosa,
tenho as falhas compostas por meus dedos,
onde a rosa desperta sou espinho,
teço enredos que visam me salvar...
Só não venha querer me descompor
nem expor meu veneno; armar meu bote;
se não vai me matar, também não fira...
Quando pago pra ver exijo entrega,
quem me prega na cruz tem que saber
que minh´alma devolve cravo a cravo...

Inserida por demetriosena

⁠DESDESISTÊNCIA

Demétrio Sena - Magé

Eu desisto da minha desistência,
sempre quando estou pronto a desistir,
pois preciso insistir em nunca mais
deixar minha insistência me deixar...
Mas o meu nunca mais, mais uma vez
e mais outra, num sempre que renego,
é o mesmo até três que se reconta
em meu vício de achar que ainda existo...
Ressuscito pro quanto já morri,
para rir de mim mesmo e do meu choro,
minha dor, meu decoro tão quebrado...
Não resisto e retomo a resistência;
desdesisto após tanto que desisto,
se meu isto é aquilo e vice-versa...
... ... ...

Respeite autorias. É lei

Inserida por demetriosena

⁠TRILHA SONORA

Demétrio Sena

Quando a chuva tocava no telhado,
eu menino, dançava em pensamento,
num encanto infantil inexplicado
que fazia esquecer qualquer lamento...

Muitas vezes cantava junto ao vento
a canção do silêncio e do segredo;
era quando enxotava o sentimento
de tristeza, solidão ou de medo...

Passarada nos galhos do arvoredo
me deixavam contente pra valer;
gibis velhos rangiam no meu dedo;
nem sabiam que eu nem sabia ler...

E a lenha estalando logo cedo
no fogão embolsado a barro branco,
meu avô de semblante sempre azedo
arrastando na casa o seu tamanco...

Os cachorros latindo do barranco,
pros meninos apostando corrida,
o Gordini que pegava no tranco,
entre gritos iguais aos de torcida...

Cantorias de galos, seresteiros,
o apito do trem ao dar partida
e tambores distantes de terreiros,
são a trilha de sons da minha vida...
... ... ...

Respeite autorias. É lei

Inserida por demetriosena