Nao Vou Mentir
O que torna o mundo tão medonho não são feridos gemendo, mas a invalidação pelos que ainda não precisam gemer.
Não há jeito mais medonho de perder Tempo do que passar Tempo longe do Dono do Tempo.
Há os que erroneamente acreditam que o Tempo só se perde nas distrações, nos atrasos, nos desvios da vida…
Mas, na verdade, não há forma mais sombria de desperdiçá-lo do que tentar vivê-lo longe Daquele que o sustenta.
Distante Daquele que até dele é Senhor.
Tempo sem sentido é aquele que tentamos carregar sozinhos — como quem tenta segurar água nas mãos.
Esse é o Tempo que inevitavelmente escorre, some e evapora.
Estar longe do Dono do Tempo é caminhar com pressa, mas sem destino; é preencher os dias, mas não a alma; é envelhecer por fora sem amadurecer por dentro.
Quando nos afastamos da Fonte, até os minutos pesam.
Mas quando nos reaproximamos, até o silêncio floresce.
O Tempo ganha outra textura quando lembramos que não somos seu dono, apenas passageiros.
E que sentido maior existe do que entregar essa travessia a quem conhece todos os portos?
No fim, o maior desperdício não é o Tempo perdido — é a vida não vivida na presença de quem a criou.
É ali, e apenas ali, que os dias se encaixam, que as horas respiram e que o Tempo, enfim, encontra propósito.
Tempo bom é aquele vivido nos braços de seu Dono!
Não me preocupo com os que acreditam em Papai Noel, mas com os que alugam as cabeças e ainda acreditam que pensam com elas.
No fundo, a inocência dos que acreditam em Papai Noel ainda lhes conserva alguma forma de beleza.
O que realmente inquieta é perceber quantos, já adultos, seguem alugando as próprias cabeças — entregando seus pensamentos a quem grita mais alto, a quem promete atalhos, a quem dispensa qualquer reflexão.
Assusta menos a fantasia do bom velhinho do que a fantasia medonha de autonomia que muitos carregam.
E carregam-na com tanta convicção que quase sempre ela é bordada nos berros.
Pensam que pensam, mas apenas repetem ecos, devolvem opiniões prontas, vestem certezas emprestadas.
E, assim, vão cedendo o território mais sagrado que existe: o da consciência.
Talvez o verdadeiro e mais urgente milagre não seja acreditar em Papai Noel, mas resgatar o direito — e o trabalho diário — de pensar com a própria cabeça.
De duvidar, questionar, investigar…
De não permitir que ideias venham com contrato de aluguel, mas que sejam construídas com autenticidade, esforço e liberdade.
Porque, no fim, a maior ilusão não é a de um presente — embalado na inocência — na noite de Natal, mas a de viver sem perceber que a mente foi entregue ao comodismo, à manipulação ou ao medo.
E nada é mais urgente e necessário do que retomá-la.
Sob custódia da pá de cal, não há brechas para a famigerada “passação de pano”.
Porque a terra que sela o que foi feito — ou deixado de fazer — não negocia versões, não dilui culpas, não aceita desculpas tardias.
A pá de cal não apenas encerra histórias: ela revela, em seu silêncio deveras pesado, que todo ato tem peso próprio, e que nem todo peso cabe sob o manto da conveniência.
Ali, onde o último punhado cobre o inegável, percebe-se que o mundo só tolera o acobertamento enquanto ainda acredita ser possível reescrever o enredo.
Mas diante do irrevogável, a verdade emerge como eco: não há como lustrar o que apodreceu, nem como dourar o que se fez cinza.
É a justiça granítica da terra — simples, definitiva, incorruptível — lembrando que alguns erros não cobram explicação: cobram responsabilidade.
E que, quando o fim é posto, só resta aprender a não enterrá-lo outra vez dentro de nós.
Chega!?
Chega, já te perdoei as setenta vezes sete, vá e não peques mais…
Até o perdão tem um limite secreto onde a dignidade aprende a falar mais alto.
Já te perdoei as setenta vezes sete, e em cada uma delas deixei que o coração respirasse a esperança de que tu soubesses finalmente o peso do que fazias.
Mas o perdão, por maior que seja, não é convite para a repetição da mesma queda.
É aviso, cura, é último chamado.
Por isso, vá…
não como quem foge, mas como quem enfim entende que não se pode ferir o mesmo lugar para sempre e esperar que ele permaneça vivo.
E não pequeis mais — não porque o erro seja proibido,
mas, porque há um momento em que machucar alguém que te ofereceu todas as chances deixa de ser falha humana e passa a ser escolha deliberada.
Vai, então.
Leve contigo toda a soma de perdão, mas não esperes que ele continue sendo casa.
Algumas trilhas só viram caminhos quando alguém — finalmente — aprende a caminhar sozinho.
Vá em Paz e não peques mais!
E se você não estiver nesse futuro pelo qual tanto se cobra e, em nome dele, se impede de viver o agora?
Talvez o amanhã tenha se tornado um credor impiedoso, cobrando juros altos demais sobre uma vida que só pode ser paga no presente.
Promete-se sentido depois, descanso depois, felicidade depois — e, enquanto isso, o hoje vai sendo adiado, silenciado, desperdiçado…
Vivemos como se a existência fosse um rascunho, um ensaio para um tempo que talvez nunca chegue.
Ora, negligenciamos tanto o percurso que alcançamos nossos objetivos, mas perdemos a empolgação por fragilizar-nos demais.
E quase sempre guardamos abraços, adiamos risos, engavetamos sonhos, tudo para honrar um futuro que não garante presença nem permanência.
Mas se — ao final — descobrirmos que ele nunca nos incluiu nos seus planos?
O agora não é um obstáculo a ser superado, mas o único território onde a vida de fato acontece.
Negá-lo é trocar o certo pelo hipotético, o palpável pela promessa.
Não se trata de abandonar o amanhã, de deixar de sonhar, mas de lembrar que nenhum futuro vale o preço de um presente não vivido.
Talvez a verdadeira imprudência não seja viver intensamente o hoje, mas hipotecar a própria vida em nome de um amanhã que pode jamais nos chamar pelo nome.
O melhor dia para viver é hoje, às vezes o amanhã tem a estranha mania de ser tarde demais.
Não há sussurro mais bonito e charmoso que o da Sabedoria entre os berros dos Cheios de Certezas tentando silenciar os Cheios de Dúvidas.
Há um encanto muito raro no sussurro da sabedoria, porque ele não disputa palco nem precisa levantar a voz.
Enquanto os Cheios de Certezas berram para abafar as perguntas — como se o volume pudesse substituir a verdade —, a Sabedoria prefere caminhar entre as Dúvidas, reconhecendo nelas o início de todo entendimento.
Os gritos tentam impor, o sussurro convidar.
Os que se dizem completos temem os silêncios, pois neles moram as perguntas que desmontam suas convicções frágeis.
Já os cheios de dúvidas, mesmo inseguros, carregam a coragem de escutar, de rever, de aprender e até a humildade de se questionar.
É a eles que a sabedoria se dirige, não para oferecer respostas prontas, mas para ensinar o valor de perguntar melhor.
No fim, o barulho cansa e se esgota.
O sussurro permanece.
Porque só quem não precisa gritar, sabe que a verdade não se impõe — se revela, livre e leve, sobre as sandálias da delicadeza, a quem aceita não saber tudo.
Se não escolhermos as nossas guerras, elas quebram nossa bicicleta.
E, para piorar, ainda nos escolhem.
A vida é uma estrada cheia de subidas, descidas e buracos invisíveis.
Em meio a tudo isso, a gente tenta pedalar — equilibrando sonhos, afetos, responsabilidades e o próprio fôlego.
Mas há dias em que o vento sopra contra, e a tentação de lutar contra tudo e todos parece inevitável.
O problema é que nem toda briga vale o pneu furado.
Guerras demais cansam, desviam, enferrujam o que ainda move a gente.
Algumas causas apenas disfarçam o ego ferido; outras são armadilhas bem pintadas de razão.
E quando lutamos em todas as frentes, esquecemos que a bicicleta — metáfora da vida que ainda precisa seguir — não aguenta tanto tranco.
Escolher as guerras é, antes de tudo, reconhecer as nossas fragilidades e escolher seguir inteiro.
É saber parar, respirar e entender que a paz não é covardia, mas sabedoria.
Porque, no fim, quem insiste em guerrear por tudo e contra tudo, se arrisca a ficar a pé — com o guidão torto, os sonhos empenados e a alma exausta.
Nem toda batalha merece tanto o nosso pedal.
O político influencer tem o direito de considerar idiotas seus asseclas apaixonados, mas não mais que ele.
Quando ficamos presos num ambiente que não nos pertence, o nosso ser busca forma de se libertar. O ser humano nasceu para ser livre em diversas formas, tudo que prende a espécie torna-se pequeno diante a quem nasceu para ser livre. Essa liberdade talvez sequer saiu do papel, muitos chamam de utopia e outros de fantasia, quimera... e assim somos livres o suficiente para tornar o inimaginável em realidade.
Quem não se curva aos caprichos dos apaixonados — não precisa mendigar respeito, sobretudo de gente tão confusa.
Especialmente das que confundem coisas tão simples como: arrogância com bravura, autoritarismo com autoridade, discurso de ódio com liberdade de expressão e bajulação com admiração.
Salve as Forças Armadas brasileiras!
São tão confusos a ponto de trocarem princípios por gritos, razão por devoção cega, e coragem por brutalidade.
Chamam arrogância de bravura, como se elevar a voz fosse prova de grandeza.
Confundem autoritarismo com autoridade, sem perceber que a verdadeira autoridade não se impõe — se sustenta.
E ainda se vestem de discurso de ódio com o rótulo de liberdade de expressão, ignorando que liberdade não é licença para ferir.
E, pasmem, confundem descaradamente bajulação com admiração, porque nunca aprenderam a respeitar sem se ajoelharem.
O problema não está em ter convicções, mas em permitir que elas substituam o discernimento.
Paixões desenfreadas não constroem — atropelam.
E quem vive de idolatria costuma se ofender com qualquer espelho que revele a própria incoerência.
Respeito não se implora.
Se pratica, se demonstra, se preserva.
E quem sabe disso não se curva a histerias coletivas nem se deixa intimidar por certezas barulhentas e vazias.
Salve as Forças Armadas brasileiras —
não como instrumento de paixões momentâneas,
mas como instituições de Estado,
que existem para servir à nação, à Constituição e à ordem,
nunca a delírios, vaidades ou projetos pessoais.
Porque maturidade democrática também é saber distinguir força de violência,
autoridade de abuso,
e amor ao país de fanatismo disfarçado de patriotismo.
O amor não se sustenta nem se eterniza só na calmaria, mas também na fidelidade nas tempestades.
Na saúde, na doença e na eterna gratidão por estarmos juntos.
Sem revolta, passamos o Natal no hospital.
Sabíamos — e seguimos sabendo — que o Grande Aniversariante veio pelos doentes.
Sem revolta, passamos o réveillon no hospital.
E hoje, sem revolta, passaremos também o nosso aniversário de casamento no hospital.
Porque sabemos que estar juntos não é circunstância — é aliança: na saúde e na doença.
Naquele que tem autoridade até sobre a tempestade, confiamos:
Ele jamais permitiria que a atravessássemos se não pudesse dominá-la.
Mas ainda assim, Pai Amado, humildemente Te suplico:
restaura a saúde da mulher da minha vida —
aquela que me deste por esposa.
Toca seu corpo com a Tua cura,
acalma sua alma com a Tua paz
e renova suas forças dia após dia.
Dá-nos vigor quando o cansaço insistir,
silêncio quando o medo tentar falar mais alto
e esperança quando os dias parecerem longos demais.
Sustenta-nos na travessia
e permite que, ao final dela, saiamos mais inteiros,
mais gratos
e ainda mais unidos em Ti.
Que o Pai Amado continue abençoando a nossa jornada!
A Ti, Pai, gratidão por mais um ano de casados!
Amém!
Se a Partida dos que amamos não fosse tão Dolorosa, talvez quiséssemos fazer baderna no céu.
Talvez quiséssemos habitá-lo antes do Tempo de Deus — e sem ao menos nos dar ao trabalho de construí-lo.
Mas a dor existe — e não por crueldade.
Ela é o limite que nos ensina reverência.
É o peso que desacelera a alma para que ela atravesse o mistério com humildade, não com euforia inconsequente.
A Saudade, o Choro e o Silêncio que ficam nos que permanecem, são parte desse rito.
A morte não é um convite à festa, é um chamado ao recolhimento.
Se fosse fácil demais, talvez banalizássemos o Sagrado, transformando o eterno em continuação do ruído que fazemos por aqui.
A dor nos lembra que a passagem é muito séria, que algo imenso está acontecendo.
Ela organiza o caos interior, cala a pressa e quebra o orgulho.
Ensina que não se entra no céu como quem invade um lugar, mas como quem é recebido — desarmado, despido de excessos, sem baderna, sem aplausos.
Talvez seja por isso que dói tanto: para a Eternidade começar em profundo e reflexivo silêncio.
Os ouvidos
da minha alma
não estavam preparados para
recusar carinho.
Esbanjando melodia, você ajuda o vovô a quebrar as próprias regras!
Os que conhecem um pouquinho de mim, sabem ou deveriam saber que detesto Áudios e Ligações por WhatsApp.
Mas aí está um dos áudios que fizeram a minha alma se sentir tão Amada e Laureada que até retornou a ligação.
Porque quando o afeto chega cantando, até as estranhas manias se calam.
Minha resistência, tão orgulhosa e rendida, só puxou a cadeira para se sentar e sorrir.
Não era só um áudio — era um colo em forma de som.
Nem era só uma ligação — era um abraço que aprendeu a discar.
E assim, a alma, antes desconfiada, aprendeu que algumas exceções não quebram regras:
elas revelam sentimentos.
Quando tropecei na certeza de acreditar que só precisava de três mulheres para ser Feliz: uma para me chamar de Filho, uma de Amor e outra de Papai, Deus me presenteou com a que me chama de vovô.
E quando esse carinho todo nos chama pelo nome, a gente atende.
Quando o amor insiste, a gente retorna.
Vovô ama porque reconhece.
E reconhece porque sentiu.
Te amo, lady Laura!
Talvez não haja
livro mais bobo
do que o
“Livro Aberto”
da nossa própria vida.
Pois, não há imaturidade maior que colocar nossa história nas gôndolas das curiosidades.
Não por falta de páginas, mas por excesso de exposição.
Há histórias que não foram feitas para vitrines, mas para travesseiros.
Não pedem aplausos — pedem silêncio.
Não querem curtidas — querem maturidade.
Transformar a própria trajetória em material de exposição na gôndola de curiosidades é — no mínimo — confundir transparência com exibicionismo, sinceridade com carência e coragem com imaturidade.
Nem tudo o que vivemos precisa ser explicado.
Nem toda dor precisa de plateia.
Nem toda vitória precisa de testemunhas.
Há capítulos que só fazem sentido quando lidos absolutamente em segredo.
E há aprendizados que se perdem no instante em que viram espetáculos.
A vida não é um Livro Aberto.
É um manuscrito sagrado, com trechos que só o tempo, a consciência e Deus têm permissão de folhear.
Num mundo onde quase tudo se polariza, são os asseclas que têm o líder que merecem, não todo um povo.
Pois, onde quase tudo se polariza, tornou-se muito comum culpar povos inteiros pelos desvarios de alguns.
É um erro bastante confortável, porém recheado de injustiça.
Povos são plurais, contraditórios, cheios de silêncios e consciências que não gritam.
Quem grita costuma ser minoria — mas faz barulho suficiente para parecer maioria.
Os asseclas, esses sim, escolhem.
Escolhem seguir sem questionar, repetir sem compreender, defender sem ponderar.
Não são conduzidos apenas pela falta de opção, mas pela abdicação do senso crítico.
O líder que os representa não surge do nada: ele se molda à conveniência dos que preferem terceirizar o próprio juízo em troca de pertencimento.
Já o povo… o povo trabalha, sofre, discorda em silêncio, resiste como pode.
Nem sempre tem voz, nem sempre tem palco.
Generalizá-lo é repetir a injustiça que a polarização produz: reduzir a complexidade humana a rótulos fáceis.
Por isso, quando um líder se revela pequeno, autoritário ou ruidoso demais, não é todo um povo que ele traduz — são apenas os que o seguem de olhos fechados.
A Responsabilidade não é coletiva por conveniência; é individual por escolha.
E é essa distinção que impede que a crítica vire preconceito, e que a lucidez se perca nos ruídos dos extremos.
