Nao Vou Mentir

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O homem não é feliz enquanto o seu estorço indeterminado não fixar a si mesmo os seus limites.

Não podemos deixar de ser difusos com os ignorantes, mas devemos ser concisos com os inteligentes.

A felicidade é como um eco; responde, mas não se aproxima.

Assusta pensar que talvez a admiração mais sincera de que gozamos seja a das pessoas que não nos compreenderam.

Pastelaria

Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura

Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante

Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício

Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola

Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come

Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra

Não quero que Deus me dê nem um dia de vida a mais de que eu não possa me orgulhar.

Não conseguimos segurar uma tocha para iluminar o caminho de outra pessoa, sem clarearmos o nosso próprio.

Ficar calado tanto quanto possível e não deixar, por isso, de estar alegre.

Nas ditaduras, a frase, famosa, de Descartes, mudou para «Existo, logo não penso».

Caso você não se programe, será programado pelos outros.

Se não tivéssemos tantos defeitos, não nos agradaria tanto notá-los nos outros.

Pouca ou nenhuma vez se realiza com a ambição coisa que não prejudique terceiros.

Quem procura amigos, merece encontrá-los; quem não tem nenhum, nunca os desejou.

Gotthold Lessing
LESSING, G., Epigramas

Nenhum de nós sabe o que existe e o que não existe. Vivemos de palavras. Vamos até à cova com palavras. Submetem-nos, subjugam-nos. Pesam toneladas, têm a espessura de montanhas. São as palavras que nos contêm, são as palavras que nos conduzem. Mas há momentos em que cada um redobra de proporções, há momentos em que a vida se me afigura iluminada por outra claridade. Há momentos em que cada um grita: - Eu não vivi! eu não vivi! eu não vivi! - Há momentos em que deparamos com outra figura maior, que nos mete medo. A vida é só isto?

Corremos sem preocupação para um precipício, após termos posto uma venda para o não poder ver.

É preciso não relaxar nunca, mesmo tendo chegado tão longe.

As amoras

O meu país sabe às amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.

Eugénio de Andrade
O Outro Nome da Terra

Não há paixão que abale tanto a sinceridade dos juízos como a cólera.

É uma grande tolice o «conhece-te a ti mesmo» da filosofia grega. Não conheceremos nunca nem a nós nem aos outros. Mas não se trata disso. Criar o mundo é menos impossível do que explicá-lo.

Não lamento os homens, os homens refazem-se; não lamento o ouro destes tesouros, os tesouros voltam a encher-se; mas quem restituirá a estes povos os anos que vão passando?