Nao Vim para Satisfazer suas Expectativas
Sinto frio, não sei para onde ir.
Desânimo, vontade de desistir.
Quero largar tudo...
Sair de casa e fugir do mundo.
Minha mente está mórbida.
Meu corpo nem levanta.
Que nó na garganta.
O Sol desta manhã não queima meu rosto pálido.
Não esquenta minha mão.
Quem dirá meu coração.
Logo quando eu vejo o dia já passou,
Nada me marcou.
A Lua já começa a brilhar, mas meu ânimo nada de raiar.
*VOCÊ NÃO É A CASA*
Naquela noite o bar estava quase vazio. Duas mesas ocupadas, um sujeito dormindo sobre o próprio copo e eu, no balcão, fingindo que ainda havia alguma coisa para esperar. O dono tinha colocado uma moeda no jukebox e a música saía baixa, um pouco torta, como se até ela soubesse que não valia a pena se esforçar demais.
Eu estava olhando para a garrafa quando vi a fotografia.
Uma mulher de vestido branco, descalça, subindo uma escadaria destruída.
Fiquei algum tempo olhando aquilo.
Não sei por quê.
Talvez porque havia alguma coisa familiar naquela escada.
Os tijolos estavam expostos. O reboco tinha caído em pedaços. Havia entulho nos degraus. A casa parecia ter sido abandonada depois de uma briga longa demais. Daquelas em que ninguém lembra mais quem começou e todos saem perdendo.
Ela subia.
De costas.
Não dava para saber quem era. Nem precisava.
O que importava era que ainda estava subindo.
Pedi outra dose.
O homem do meu lado olhou para a fotografia e disse:
— Lugar perigoso.
Eu disse que sim.
Mas não era a escada que me preocupava.
Era reconhecer a casa.
A gente passa uma parte da vida construindo paredes. Trabalho. Família. Amigos. Algumas mulheres. Hábitos. Pequenas certezas. Vai colocando coisa dentro e chamando aquilo de vida.
Depois começam as rachaduras.
Primeiro ninguém percebe.
Uma porta que já não fecha direito. Um joelho que reclama. Um nome que você esquece. Uma pessoa que antes ligava e agora não liga mais. Um amigo que morreu e deixou uma cadeira vazia que ninguém tem coragem de ocupar.
Depois vem o resto.
A casa começa a perder pedaços.
Aos sessenta e poucos anos, eu já não tenho a mesma disposição para fingir que não vejo.
O corpo diminui um pouco.
A paciência também.
A gente começa a carregar menos coisas porque percebe que carregar tudo nunca foi sinal de força. Às vezes era só medo de deixar alguma coisa para trás.
Olhei novamente para a mulher.
O vestido branco destoava daquela destruição toda.
Aquilo me incomodou.
Talvez porque eu tivesse passado tempo demais acreditando que era preciso estar inteiro para continuar.
Não é.
Você pode estar cansado e continuar.
Pode ter perdido gente e continuar.
Pode olhar para trás e descobrir que boa parte daquilo que chamava de futuro já virou entulho.
E continuar.
A escada estava quebrada, mas ainda era uma escada.
Isso bastava.
A mulher levantava um pouco o vestido para não tropeçar. Não havia heroísmo naquilo. Nenhuma grande lição. Ela simplesmente precisava subir.
Foi quando entendi uma coisa que demorei décadas para entender.
Eu não sou a casa.
Passei muito tempo confundindo as duas coisas.
Achei que cada perda arrancava um pedaço de mim. Que cada fracasso derrubava uma parede. Que cada despedida me deixava mais perto do fim.
Talvez não.
Talvez algumas coisas apenas precisem cair.
Há construções que só continuam de pé porque ninguém teve coragem de abandoná-las.
A música terminou.
O dono do bar não colocou outra.
Ficamos alguns segundos ouvindo o silêncio das garrafas, dos copos, da rua quase vazia.
Paguei a conta e saí.
Na calçada, o ar estava frio.
Não me senti renovado. Não houve epifania. Minha vida continuava com os mesmos problemas e algumas contas novas.
Mas, naquela noite, eu tinha uma pequena diferença.
Eu sabia que a ruína não era necessariamente o fim.
Às vezes era só o lugar onde a gente finalmente percebe que não precisa morar para sempre.
E então sobe.
Mesmo descalço.
Mesmo tarde.
Mesmo sem saber exatamente o que existe no andar de cima.
Sobe porque ficar parado dentro dos próprios escombros também é uma escolha.
E eu já tinha passado tempo demais escolhendo errado.
“O maior mistério do universo não é aquilo que ainda não descobrimos, mas o fato de existir alguém capaz de perguntar.”
"Tem gente que não quer tão somente uma flor, quer árvores com flores, frutos e passarinhos... muitos passarinhos!
Haredita Angel
01.05.23
Alguns dias parecem não ter fim. Talvez eu não esteja perdido talvez apenas esteja condenado a repetir o mesmo ciclo, tentando encontrar no amor uma saída que meu próprio coração nunca me deixa alcançar.
"A ausência de elogios pode ensinar alguém a não depender da aprovação alheia, mas também pode impedi-lo de acreditar, com naturalidade, quando finalmente é reconhecido."
Saber calar o que o coração grita não é sobre omissão ou fraqueza, é, na verdade, uma das maiores demonstrações de força e elegância emocional que alguém pode ter. É a arte sutil de transformar tempestades internas em brisa leve para o mundo. Muitas vezes, a nossa mente e o nosso peito viram um cenário de ventanias, dúvidas e sentimentos que pesam. O impulso natural seria deixar transbordar, mas quem escolhe o silêncio compreende que nem todo mundo está pronto para acolher a nossa chuva. Há um valor sagrado em recuar, em fechar os olhos e permitir que o turbilhão aconteça apenas do lado de dentro.Nesse processo silencioso, a gente se torna o próprio abrigo. Em vez de espalhar raios e trovões por onde passa, quem domina essa arte escolhe respirar fundo e filtrar a própria dor. É como se no aconchego desse isolamento voluntário, o coração conseguisse desacelerar o vento, acalmar as ondas e transformar o caos em aprendizado. Quando finalmente voltamos a interagir com o exterior, o que entregamos aos outros não é o estrago da tormenta, mas o frescor que vem depois dela. Oferecemos paz, maturidade e uma brisa leve aquela que acalma quem está ao redor, enquanto mantemos intacto e protegido o nosso próprio mundo secreto.
_Enzo Ruchell_
E se a vida for um jackpot?
E se a vida não for apenas uma sequência de dias, mas um jackpot... um bônus inesperado concedido pela existência?
Talvez cada amanhecer seja uma nova rodada, uma oportunidade silenciosa de recomeçar. Não para apagar o passado, mas para fazer diferente da última vez.
A vida pode não garantir vitórias, mas oferece tentativas. E, às vezes, o maior prêmio não é o sucesso imediato, e sim receber mais uma chance quando tudo parecia perdido.
Talvez o verdadeiro jackpot não seja encontrar riqueza, fama ou poder. Talvez seja simplesmente acordar, respirar e perceber que ainda existe tempo para mudar, aprender, construir e vencer.
Enquanto houver vida, o jogo ainda não terminou. E cada novo dia pode ser o bônus que a existência concede para que você escreva um final diferente daquele que imaginava.
Pense com a razão e não com a emoção: se nós que temos esperança e confiança que tudo dará certo, temos que torcer até o final, imagine o que pode acontecer com quem não tem esperança em mais nada?
Vida boa é vida com liberdade. Não se prenda às coisas que você não pode tê-las para sempre. Use a sua liberdade para semear e colher bons frutos.
Você pode chegar onde quiser; a escolha é sua. Às vezes, não sabemos para onde estamos indo, mas é continuando a caminhar que encontramos o caminho.
Não te preocupes com o julgamento do outro. Se o que tu fazes, te deixa com a consciência tranquila, o que o outro pensa é apenas algo próprio dele, não diz respeito à sua pessoa. Você, se quiser, será sempre você.
O lugar que é seu
Existem lugares
que não aparecem no mapa.
Não têm endereço,
não têm portas,
nem precisam de nome.
São lugares que a gente carrega por dentro.
E, sem perceber,
você encontrou um desses lugares em mim.
Não sei quando aconteceu,
nem exatamente como...
Só sei que hoje,
quando penso em paz,
meu pensamento encontra você.
Talvez porque algumas pessoas
não precisam pedir espaço.
A alma simplesmente reconhece
onde elas pertencem.
E você...
Você encontrou o seu lugar em mim.
Não é o vento que decide onde sua pipa vai, é a sua mão que não solta a linha mesmo quando o braço cansa.
A historia de um homem começa e vale quando ele nasce e não através e dependendo do brilho ou opacidade de seus antepassados.
Hoje a gente brinda pelas mensagens que a gente tem a decência de não mandar — porque às vezes o maior gesto de amor que resta é o silêncio que a gente escolhe segurar.”
