Nao Vim para Satisfazer suas Expectativas
Amizade
“Amizade não se faz,
se constrói.
Amizade não se tem,
se mantém.
Amizade com paz,
não destrói.
Amizade é estar bem
com seu bem”
Futuro incerto
"Não deixe o futuro tomar conta da sua vida, se você não vive o presente ... se você não tem prazer nas coisas boas da vida. Então, viaje, emocione-se e, principalmente, ame, porque o futuro é incerto, é irreal, é algo que não existe... quando ele parecer chegar, já será presente o hoje"
Principios não respeitados
processos acelerados,
com poder desenfreiado
muita coisa tem mudado.
Com FREIOS bem afrouxados,
CONTRAPESOS
pendendo só para um lado,
A BALANÇA tem quebrado.
Rinaldo Pedro
Momentos
A vida não se mede em anos,
mas nos instantes que tocam o coração.
Na mesa compartilhada, no riso solto,
no abraço que cura sem explicação.
Amizades chegam, outras mudam,
a família cresce, se transforma, se refaz.
Cada ano é um novo desenho do tempo,
nada igual ao ontem, tudo aprendizado de paz.
Tudo passa — é verdade.
As dores, as festas, os dias difíceis também.
Mas fica a força que nos sustenta,
e a fé que nos faz ir além.
O segredo da vida é simples e profundo:
saber estar inteiro no agora,
guardar momentos como quem guarda luz,
e agradecer — hoje, antes que vire memória.
Porque a vida é feita de momentos únicos,
e amar é o jeito mais bonito de viver.
De que vale a vaidade, se no caixão não há espaço para tantas extravagâncias?
Pra que tanta ambição e avareza, se no caixão não existe cofre nem gaveta para guardar os bens acumulados por toda uma vida?
A arrogância, a ignorância e a brutalidade podem dominar este lado da existência, mas do outro lado reinam o vazio e o silêncio — e eles não vivem em guerra.
Vaidade. Ambição. Luxúria. Orgulho. Ignorância. Fiação frágil que se desfaz por aqui.
A riqueza pode alcançar os cantos mais distantes da terra, mas quando a morte chega, nem a roupa do sepultamento será escolhida por quem partiu.
Tudo é empréstimo por pouco tempo.
O corpo será devolvido ao pó.
O espírito retorna ao Criador.
Porque, no fim, nada nos pertence — tudo é de Deus.
Eu não posso conter teus pensamentos dispersos e levianos,
despidos de afeto, atenção e cuidado.
Assim como não posso partilhar contigo
as escolhas sem rumo que te consomem.
Não me uno a ideias que clamam pela minha ruína.
São teus — pensamentos em decomposição,
não meus.
Antes que me expulsem da tua vida de conflitos,
suplico piedade:
apaga-me da tua memória,
risca-me dos teus devaneios impuros.
Que permaneçam contigo os caminhos extraviados,
sem horizonte,
onde não há respeito,
nem gratidão,
nem atenção.
Sê verdadeira, ao menos em teus delírios
efêmeros, descontrolados, sem raiz.
Não me arrastes para o pântano
onde teus pensamentos jazem adormecidos, enredados no caos.
Imploro:
até em teus pensamentos,
apaga minha existência.
Deus que divida é essa que tu me cobrar tanto?
Eu não sei mas em ti confio só peço que console meu pranto!
Se não valho nada agora, não valerei mais no futuro, mas se eu valer alguma coisa mais tarde, é porque também valho alguma coisa agora.
O Salmo do Descanso Eterno
Senhor, proteja este corpo que não foi feito para o fardo,
Afasta de mim o despertador e todo trabalho que seja árduo.
Livra-me da entrevista, do currículo e da seleção,
E que eu nunca caia na tentação da tal "prospecção".
Pai, Te peço com fé, num clamor quase mudo:
Que nenhuma porta se abra, que o cadeado segure tudo!
Se uma vaga surgir, que o RH perca o meu contato,
Que o LinkedIn trave e que o Wi-Fi morra no ato.
Se alguém vier falar em "vestir a camisa" e "suar",
Dê-me forças, Senhor, para eu nem do lugar me levantar.
Que a semana transcorra num eterno e doce cochilo,
E que minha única meta seja manter o meu estilo tranquilo.
Barre todo convite que me exija prontidão,
Pois meu corpo é de descanso e minha alma é de folgação.
Que o sustento venha por sorte, por herança ou por acaso,
Pois para o trabalho, Pai, eu sempre estarei cansado.
Que a rede balance e que o sol não me frite,
E que, se o emprego bater, meu santo logo o evite,
Amém.
Quem olha para trás vê o passado esquecido.
Um tempo que já não vive em nós, mas permanece vivo na memória dos outros.
O que foi deixado de lado, o que não quisemos carregar, encontra abrigo em lembranças alheias.
O passado não desaparece — ele se transforma em silêncio, em cicatriz, em história contada por quem ainda se lembra.
E é nesse contraste que mora a verdade: aquilo que esquecemos não deixa de existir, apenas muda de dono.
O esquecimento é escolha.
A lembrança é resistência.
E entre os dois, o tempo constrói sua própria justiça.
Não suporto dramas. Tem gente que não tolera lágrimas. Não tenho problemas com as lágrimas. São sinceras. Desconfio dos sorrisos.
O sorriso seduz e engana.
O drama me irrita. Coisa de gente fraca. Aversão herdada pelas lutas e dificuldades. Quem sobrevive às batalhas cria casca e não perdoa esse tipo de luxo.
Eu não perco a esperança no dia de amanhã por tudo aquilo que não deu certo hoje.
Nada como um dia após o outro, e a fé no bem, acima de tudo.
As pessoas disputam tudo, não é mesmo?
Poderiam disputar quem tem mais paz e a consciência mais tranquila.
03/08/2018
“Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.” (Perto do Coração Selvagem, 1944). Essa afirmação de Clarice traduz uma busca que não se contenta com o óbvio: é o desejo por algo que ultrapassa a calma aparente e rompe os limites da palavra. Quando pensamos em “emocionado”, percebemos que sentir é um gesto de libertação, um rompimento das barreiras sociais que tentam conter a alma e escondem sua vulnerabilidade.
Vivemos em uma época em que a eficiência se tornou medida de valor. A calma é exaltada como virtude, enquanto a emoção intensa é vista como desajuste, quase um erro contra a racionalidade. Nesse cenário, trocar a alma pela calma significa abrir mão da autenticidade, transformar o sentir em fraqueza e aceitar a serenidade como padrão imposto, mesmo que isso nos afaste de quem realmente somos.
Ao sufocar a emoção, o indivíduo se distancia de sua essência mais profunda. Clarice, em A Paixão Segundo G.H., mostra que o encontro com o indizível é doloroso, mas inevitável para compreender a própria existência. A calma pode oferecer estabilidade, mas também pode anestesiar, apagando o brilho da intensidade e transformando a vida em repetição sem surpresa, em rotina sem poesia. (@R_Drigos)
Pensar sobre essa tensão é admitir que viver exige equilíbrio. A emoção não deve ser reprimida, mas acolhida como parte inseparável da experiência humana. A calma, embora necessária em certos momentos, não pode se tornar prisão. Entre alma e calma, o desafio é permitir-se sentir sem se perder, encontrar intensidade sem descontrole e reconhecer que a vida se constrói justamente nos contrastes que nos atravessam.
