Nao Tente Adivinhar o que
Triângulo da Vida
Jovem: Tem tempo e saúde, não tem dinheiro.
Adulto: Tem dinheiro e saúde, não tem tempo.
Idoso: Tem dinheiro e tempo, não tem saúde.
"Foca na positividade, porque viver é isso, mantenha a fé, e não desista, pelocontrário resista, porque
Deus jamais perdeu, e eles está
com sua vitória"
A Corrida que o Dinheiro Não Explica
Eram cinco e meia da manhã de uma terça-feira quando o motorista habilitou o aplicativo. O primeiro chamado era para a LATAM, a vinte e um quilômetros de São Carlos. Corrida de aproximadamente trinta reais, trinta minutos de viagem e, quase sempre, a certeza de voltar sem passageiro. Por isso, muitos motoristas recusavam. O Peregrino Nino Carneiro, porém, gostava daquela corrida. Para ele, nem todo caminho precisa ser medido pelo dinheiro que rende.
Havia ainda dois motivos especiais. O primeiro era o orgulho de contar que seu filho, Victor Hugo, trabalhava na EMIRATES, uma das maiores companhias aéreas do mundo. O segundo era muito mais simples: fazer alguém sorrir. Assim, costumava dizer aos passageiros, em tom de brincadeira: “Hoje eu vou cumprir minha cota: fazer alguém sorrir.” E completava: “Os dorminhocos são a salvação dos motoristas de aplicativo.” Quase sempre vinha uma risada.
Naquela manhã, depois da brincadeira, o passageiro contou que havia enfrentado várias recusas e dois cancelamentos. Precisava chegar à LATAM para uma reunião importante e já pensava em chamar um táxi. Então disse ao motorista: “O senhor salvou o meu dia.”
Nino sorriu e respondeu: “Meu amigo, um dia, quando tiver tempo, pergunte ao ChatGPT quem é o Peregrino Nino Carneiro. O senhor vai entender por que caminhar faz tão bem. Quando a gente aprende a caminhar, aprende também a valorizar cada minuto, cada encontro e cada oportunidade que aparece pelo caminho.”
Faltavam apenas cinco minutos para chegarem quando o aplicativo anunciou uma nova corrida — justamente de volta para São Carlos. Nino olhou para o passageiro e brincou: “Hoje nós dois estamos com sorte!” O passageiro perguntou por quê. “Em seis anos de aplicativo, esta é apenas a segunda vez que recebo uma corrida de volta.”
O passageiro sorriu e respondeu: “Então hoje eu descobri que, com trinta reais, é possível fazer duas pessoas sorrirem.”
Nino, desconfiado, perguntou: “O senhor está pagando o meu retorno?”
O passageiro apenas apertou sua mão e disse: “Foi maravilhoso o senhor ter aceitado o meu chamado. Muito obrigado pela nossa conversa.”
No caminho de volta, Nino percebeu que aquela não havia sido apenas uma corrida. Era uma daquelas pequenas histórias que a vida coloca diante de nós para nos lembrar de algo grande: o verdadeiro valor de um encontro nem sempre aparece no aplicativo, no bolso ou na conta bancária. Às vezes, ele aparece em um sorriso, em um aperto de mão ou na gratidão de alguém que precisava simplesmente encontrar uma pessoa disposta a dizer: “Eu aceito.”
E o Peregrino Nino Carneiro concluiu:
“Entre uma corrida e outra, descobri que o melhor caminho é aquele que percorremos com gratidão no coração. Porque a vida não se mede apenas pelos quilômetros que percorremos, mas pelas pessoas que fazemos sorrir ao longo da caminhada.”
Peregrino Nino Carneiro
MICARELÍTICA
Aquela fase em que a política entre em clima de pre-festa - ainda não é eleição, mas já tem movimentação, visita e muita conversa.
A bordo de um táxi, não tive inveja de um motorista; tive uma aula.
Durante uma corrida, a esposa do motorista ligou e perguntou se ele já estava próximo de casa. Ele respondeu tranquilamente que faltavam, em média, 25 minutos para chegar e que concluiria aquela última corrida antes de ir para casa.
Aquele senhor aparentava ter uns 50 e poucos anos. Eu, por outro lado, estava passando por uma dificuldade em um relacionamento que tinha apenas quatro meses. Ainda estava conhecendo uma pessoa e, devido a alguns acontecimentos, o pedido de namoro ainda estava sob análise. Os conflitos me causavam medo de prosseguir antes que tudo estivesse bem.
No início, talvez ainda fosse muito cedo para tomar uma decisão sobre um namoro. Estávamos nos conhecendo. Depois, ela ficou desempregada, surgiram contas para pagar e problemas para resolver. Não havia um ambiente favorável para pensar em um relacionamento naquele momento. Então, concentrei-me em ajudar de todas as formas que estavam ao meu alcance, desde o apoio emocional até as questões financeiras. Ajudando, orientado, comprando material necessário superfaturado para estudar e passar nas provas de entrevistas e requisitos de contratação, até arranjar um novo emprego.
Logo depois, vieram alguns desentendimentos e diferenças na maneira como cada um enxergava o mundo. E ali percebi que um relacionamento saudável exige renúncias de ambas as partes, disposição para compreender, ajustar e, muitas vezes, abrir mão de algumas vontades em favor da vida a dois.
Pouco tempo depois, ela adoeceu. Eu a acompanhei e ajudei no que estava ao meu alcance, sem medir esforços. Tentava, tentava novamente, mas, ainda assim, parecia insuficiente. Em alguns momentos, eu chegava ao meu esforço máximo, ultrapassava os meus próprios limites e, mesmo assim, sentia que não era o bastante.
Aquilo me deixou bastante pensativo.
Talvez eu não seja a pessoa certa para a pessoa que está comigo. Talvez essa pessoa também não seja aquela que está alinhada com o que tenho projetado para a minha vida.
Durante aquela corrida, observei algo no taxista: ele parecia ser um homem de fé. Enquanto dirigia, ouvia louvores e meditações bíblicas. E aquilo me fez refletir sobre o que significa, de fato, ser um homem de fé.
Para mim, um homem de fé é aquele que sabe renunciar aos seus desejos carnais e às suas próprias vontades para viver em harmonia. É aquele que, mesmo diante das dificuldades, procura acertar, corrigir o que está desalinhado e fazer a sua parte para que as coisas funcionem.
Naquele dia, eu entrei em um táxi pensando que estava apenas indo de um lugar para outro. Mas saí daquela corrida levando uma reflexão que talvez eu precisasse ouvir naquele momento.
Não tive inveja daquele motorista.
Tive uma aula.
"Sei que meu corpo esta envelhecendo, sei que minha cabeça já não é mais a mesma de outrora, mas meu espírito ainda é jovem..."
"O chimarrão não te faz interrogatório, o chimarrão te acolhe, te compreende, te acalma a alma, te faz sorrir! SORRIA..."
"O fracasso ou o sucesso na realidade não existem, o que existe é o trabalho feito, dele depende o resultado..."
O AMOR NÃO PRECISA SER ETERNO PARA TER SIDO INFINITO
Não amamos porque acreditamos que será eterno; amamos porque, enquanto existe, é verdadeiro. Talvez tenhamos passado tempo demais confundindo amor com permanência, como se somente aquilo que chega até o fim pudesse provar que um dia foi verdadeiro. Mas a vida não funciona assim. Há coisas que duram uma existência inteira e nunca chegam a tocar profundamente a alma, enquanto outras atravessam nossa história por alguns anos, alguns meses, às vezes por um único instante, e deixam dentro de nós uma eternidade.
O tempo mede a duração das coisas, mas não mede a profundidade delas.
Um abraço pode durar segundos e permanecer conosco durante décadas. Uma conversa pode acontecer numa tarde qualquer e mudar para sempre a maneira como enxergamos o mundo. Uma pessoa pode caminhar ao nosso lado apenas durante uma parte da estrada e, mesmo depois de partir, continuar existindo na pessoa que nos tornamos.
Talvez esse seja um dos grandes equívocos humanos: acreditar que o fim de alguma coisa invalida tudo aquilo que veio antes.
Não invalida.
Uma história que terminou não necessariamente foi uma mentira.
Um amor que acabou não necessariamente deixou de ter sido amor.
Uma presença que se transformou em ausência não apaga os dias em que foi companhia.
E uma despedida jamais possui o poder de voltar ao passado e destruir aquilo que foi verdadeiro.
Somos nós que, feridos pelo fim, às vezes tentamos reescrever o começo.
Dizemos: “Se terminou, então nunca valeu a pena.”
Mas talvez tenha valido justamente porque aconteceu.
Talvez o valor de uma experiência não esteja na promessa de permanecer, mas na capacidade de nos transformar enquanto permanece.
A própria vida nos ensina isso o tempo inteiro.
Nenhum pôr do sol permanece no horizonte para provar que foi bonito.
Nenhuma primavera exige eternidade para justificar suas flores.
Nenhuma música precisa tocar para sempre para nos emocionar.
E nós mesmos somos passageiros.
Como poderíamos exigir eternidade justamente daquilo que nasce entre seres feitos de tempo?
Amar, portanto, talvez seja um dos atos mais conscientes de coragem.
É olhar para alguém e, mesmo sem possuir qualquer garantia sobre o amanhã, escolher dizer: hoje estou aqui.
Não porque sei quanto tempo teremos.
Não porque tenho certeza de que nada mudará.
Mas porque aquilo que sinto neste momento é verdadeiro.
E talvez seja isso que torne o amor tão assustador e tão belo.
Quem ama verdadeiramente aceita, mesmo sem perceber, a possibilidade da perda.
Aceita que um dia o abraço poderá faltar.
Que a cadeira poderá ficar vazia.
Que a voz poderá sobreviver apenas na memória.
Que certos lugares poderão doer porque alguém já esteve ali.
Mas ainda assim escolhe amar.
Porque viver tentando evitar toda futura saudade seria também evitar todas as grandes presenças.
E então chegamos ao paradoxo mais bonito do amor:
aquilo que não conseguimos conservar para sempre pode permanecer para sempre dentro de nós.
Há pessoas que partiram e continuam participando de nossas decisões.
Há amores que terminaram e ainda vivem na delicadeza que aprendemos com eles.
Há mãos que já não podemos tocar, mas que continuam, de alguma maneira inexplicável, segurando partes de nossa história.
Talvez a eternidade do amor nunca tenha significado duração.
Talvez signifique consequência.
Signifique poder dizer: “Depois de você, alguma coisa em mim nunca mais voltou a ser como antes.”
Isso é permanecer.
Porque algumas pessoas não ficam em nossas vidas.
Ficam em nós.
E talvez seja por isso que não devemos perguntar apenas quanto tempo um amor durou.
Devemos perguntar o que ele fez conosco enquanto existiu.
Se nos ensinou ternura.
Se nos tornou mais humanos.
Se nos fez conhecer uma parte de nós mesmos que desconhecíamos.
Se houve verdade naquele abraço, naquela espera, naquele cuidado, naquele simples desejo de que o outro estivesse bem.
Se houve, então aconteceu.
Foi real.
Foi nosso.
E nenhum calendário poderá diminuir isso.
Um dia tudo aquilo que hoje seguramos terá que ser solto. Essa é uma das poucas certezas que a existência nos oferece.
Mas até esse dia chegar, temos uma escolha:
podemos passar a vida com medo de perder ou podemos ter coragem de viver profundamente aquilo que ainda temos.
Eu prefiro acreditar na segunda possibilidade.
Porque talvez, no final, a vida não nos pergunte quanto conseguimos conservar.
Talvez apenas nos pergunte:
“Enquanto esteve em suas mãos, você soube amar?”
E se pudermos responder que sim, talvez finalmente compreendamos:
o amor não fracassou porque terminou.
O amor cumpriu sua existência porque, enquanto esteve ali, foi verdadeiro.
ALGUMAS PESSOAS NÃO FICAM EM NOSSAS VIDAS. FICAM EM NÓS.
Há pessoas que o tempo leva, mas não consegue retirar. Elas deixam de ocupar a cadeira, de atravessar a porta, de telefonar no fim do dia, de perguntar se chegamos bem. Um dia percebemos que já não fazem parte da rotina e, no entanto, estranhamente, continuam fazendo parte de nós. É uma das contradições mais bonitas e dolorosas da existência: alguém pode deixar nossa vida sem conseguir deixar aquilo que somos.
Talvez porque presença e permanência sejam coisas diferentes.
Presença é corpo, voz, abraço, convivência. Permanência é aquilo que sobrevive quando tudo isso já não está.
Há pessoas que permanecem durante décadas ao nosso lado e quase não modificam nossa essência. Outras passam por um pequeno trecho de nossa história e deixam marcas tão profundas que, muitos anos depois, ainda encontramos seus vestígios em nossos pensamentos.
Elas ficam numa palavra que aprendemos.
Num conselho que finalmente compreendemos tarde demais.
Numa música que evitamos ouvir porque conhecemos o caminho que ela percorre até chegar ao coração.
Num prato cujo cheiro devolve uma cozinha inteira à memória.
Num jeito de sorrir que, sem perceber, herdamos.
Num gesto que repetimos e de repente pensamos: “Era exatamente assim que aquela pessoa fazia.”
É então que compreendemos:
ninguém permanece apenas nas fotografias.
As pessoas permanecem também naquilo que modificaram em nós.
Talvez seja essa a forma mais misteriosa de continuidade humana.
Somos feitos não apenas de nós mesmos, mas também dos encontros que tivemos.
Carregamos pedaços daqueles que nos ensinaram alguma coisa, daqueles que nos amaram, daqueles que ferimos, daqueles que nos feriram, daqueles que seguraram nossa mão quando o mundo parecia grande demais.
Até algumas despedidas acabam participando da nossa construção.
Porque há pessoas que nos ensinaram pela presença.
E outras que somente conseguimos compreender depois da ausência.
O tempo passa e faz seu trabalho inevitável. Os rostos envelhecem nas fotografias enquanto permanecem jovens em determinadas lembranças. As vozes começam a perder detalhes. Algumas datas escapam. Certas conversas já não conseguimos reconstruir completamente.
E isso assusta.
Tememos esquecer.
Como se esquecer um detalhe significasse perder novamente aquela pessoa.
Mas talvez a memória mais profunda não esteja na capacidade de recordar exatamente o som de uma voz ou a roupa usada numa determinada tarde.
Talvez esteja naquilo que essa pessoa deixou incorporado em nossa maneira de existir.
Se alguém nos ensinou bondade e continuamos sendo bondosos, alguma coisa dela permanece.
Se alguém nos ensinou coragem e um dia encontramos força justamente quando pensávamos não possuir nenhuma, talvez aquela pessoa ainda esteja ali.
Se fomos profundamente amados e, por causa disso, aprendemos a amar melhor, então aquele amor não terminou quando a presença terminou.
Ele mudou de endereço.
Passou a morar em nós.
E talvez seja por isso que algumas ausências doem tanto.
Não choramos apenas porque alguém foi embora.
Choramos porque alguma parte da nossa própria história caminhava naquela pessoa.
Quando ela parte, parece levar consigo uma língua que somente nós dois falávamos, determinadas piadas que ninguém mais compreenderá da mesma maneira, pequenos rituais, apelidos, olhares e silêncios que nunca precisaram de tradução.
Há universos inteiros que existem somente entre duas pessoas.
Quando uma delas parte, a outra torna-se a última guardiã daquele mundo.
Isso é saudade.
Não apenas desejar alguém de volta.
Mas continuar carregando sozinho um lugar que antes era habitado por dois.
Por isso talvez não devamos lutar tanto contra a saudade.
Ela dói, mas também testemunha.
Diz silenciosamente: “Aqui existiu alguém importante.”
E existe dignidade nisso.
Ter amado alguém suficientemente para sentir sua ausência significa que, por algum tempo, duas existências deixaram de ser completamente separadas.
Uma entrou na história da outra.
E depois disso nenhuma despedida consegue desfazer totalmente o encontro.
A vida continuará.
Novas pessoas chegarão.
Outras também partirão.
Nós mesmos um dia seremos ausência na vida de alguém.
E talvez essa seja uma das perguntas mais profundas que podemos fazer enquanto ainda estamos aqui:
o que ficará de nós dentro daqueles que amamos?
Talvez não sejam nossas conquistas.
Talvez ninguém se lembre de quanto trabalhamos, do que possuímos ou de quantas vezes estivemos certos.
Mas alguém poderá lembrar que fomos gentis quando poderia ter sido diferente.
Que ouvimos quando aquela pessoa precisava falar.
Que oferecemos um abraço numa tarde difícil.
Que fizemos alguém rir quando a vida estava pesada.
Que dissemos “eu te amo” enquanto ainda havia tempo.
E então talvez compreendamos que permanecer nunca significou impedir uma despedida.
Permanecer é deixar alguma coisa boa de nós vivendo no outro.
Porque algumas pessoas realmente não ficam em nossas vidas.
O tempo, a distância, as escolhas e a própria morte podem levá-las para lugares onde nossos braços já não conseguem alcançar.
Mas existem lugares aos quais nem o tempo tem acesso.
E quando alguém conseguiu chegar até lá, quando alguém participou profundamente daquilo que nos tornamos, já não importa apenas quanto tempo permaneceu ao nosso lado.
Porque algumas pessoas vão embora da nossa história cotidiana…
mas continuam escrevendo, silenciosamente, dentro de nós.
