Nao Tente Adivinhar o que

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Do medo


Medo...
Esconde tudo em tudo o que é lugar onde não possa encontrar...
anda devagar, com medo de chegar,
não joga... assim, não corre o risco de não ganhar...
não dorme, com medo do que vai encontrar quando acordar...
não vive, com medo de ver a hora de a morte se aproximar...
Não se olha no espelho...
com medo do que seus olhos possam lhe revelar.
E a vida a passar...
e o medo tudo a paralisar.

O Direito nasce quando a sociedade decide que sofrer uma injustiça não autoriza cometer outra.

O Direito é a memória institucional de uma humanidade que descobriu que a força não produz verdade.

O verdadeiro teste de uma Constituição não está no tratamento que reserva aos fortes, mas no limite que impõe contra eles.

O Direito não elimina a força; ele transforma a força em responsabilidade.

A justiça não pergunta apenas quem venceu a luta; pergunta por que alguém precisou lutar para ser reconhecido.

E sim, as lágrimas eram verdadeiras, pois o inconsciente não mente. Ele não usa máscaras, como o consciente o faz geralmente.

Quem só olha para o que não tem nunca terá nada.

"O imitador não passa de um parasita existencial incapaz de evoluir. Sua busca por vitórias comparativas serve apenas como um curativo provisório para a sangria do ego ferido, na vã esperança de que superar a sua marca apague o próprio vazio."

- Leandra Pinheiro

Toda democracia precisa de tribunais capazes de dizer “não” quando o poder aprende a dizer “sim” a si próprio.

O Direito não é a ausência de conflitos, mas a recusa de resolvê-los pela destruição do outro.

⁠Ontem eu era criança, e hoje já tenho contas para pagar, mano o tempo não para.

Tenha uma vida de solução, não fique a espera da felicidade no vazio, a nossa vida é cheia de problemas, seja feliz enquanto você os resolve.

Algumas fases acabam, mas não ficam inúteis. Elas viram parte da arquitetura da gente. ❤️

autobahn.

Não tenho GPS, mas, de tanto memorizar filmes, me parece que estou na Autobahn. A música alta quase não deixa escutar o ronco do carro em que estou pilotando. Acho que estou ficando maluco, porque fechei os olhos, abaixei o volume e continuo dirigindo esse carro que, por algum motivo, deve ser meu. Sem me guiar pela visão, apenas pelo barulho reconhecido do motor, já devo estar batendo uns cento e noventa por hora.

Como eu vim parar aqui?

Nem precisei sair da minha cidade. Talvez tenha saído apenas da minha sanidade.

Quero sentir que o perigo que estou correndo de morrer vai queimar mais nas minhas veias com a junção do que está tocando ao fundo, porque talvez seja onde eu consiga chegar mais perto daquela sensação. Quero me afogar nesse sentido.

O que fizeram comigo?

Você é alguma espécie de droga?

Porque eu não consigo parar.

Talvez seja isso que uma droga faça. Não necessariamente aquilo que entra no corpo, mas aquilo que entra na cabeça e começa a convencer a gente de que, por alguns segundos, viver no limite é melhor do que viver normalmente.

A pista continua.

Ou talvez seja a minha cabeça que continue inventando uma pista.

Não vejo placas. Não vejo outros carros. Não vejo nada além daquele pedaço de estrada que minha imaginação decidiu construir para mim. E, ainda assim, tudo parece tão real que consigo sentir o volante vibrando nas minhas mãos.

Talvez eu esteja tentando fugir.

Engraçado.

Passei tanto tempo querendo ir embora daqui que agora nem sei mais se estou dirigindo para algum lugar ou apenas tentando chegar longe de mim.

A cidade ficou para trás.

As pessoas também.

Os planos, as promessas, os nomes que um dia significaram alguma coisa. Tudo parece pequeno quando visto pelo retrovisor, até desaparecer completamente.

A música muda.

Por alguns segundos, eu não reconheço a próxima faixa.

E isso me assusta mais do que a velocidade.

Porque eu sempre reconheci as músicas.

Sempre soube qual vinha depois. Sempre soube qual música ouvir quando alguma coisa doía, como um médico que receita exatamente o remédio para onde você precisa resolver a dor, qual colocar quando precisava lembrar de alguém, qual deixar tocar quando queria fingir que estava tudo bem.

Mas agora não reconheço.

Talvez eu esteja finalmente chegando em algum lugar que nunca conheci.

Acelero.

Não porque quero morrer.

Isso seria fácil demais de explicar.

Acelero porque quero sentir alguma coisa que não seja essa espécie de vazio educado que me acompanha todos os dias. Quero que o coração bata por alguma razão que não seja ansiedade. Quero que minhas mãos tremam porque estou vivo, não porque estou tentando entender por que ainda me importo com certas coisas.

Quero um motivo físico para sentir aquilo que já não sei explicar por dentro.

E então percebo que talvez eu tenha confundido intensidade com vida.

Talvez tenha passado tanto tempo procurando alguma coisa que me fizesse sentir que comecei a aceitar qualquer coisa que doesse o suficiente.

É por isso que você parece uma droga.

Porque eu sei que não deveria precisar de você.

E mesmo assim, quando você aparece, tudo fica mais alto.

As músicas.

As lembranças.

As vontades.

Até o silêncio.

Você não precisa fazer nada. Basta existir em algum canto da minha cabeça para que eu volte a ser aquele idiota que acredita que talvez dessa vez seja diferente.

Talvez seja por isso que eu estou nessa estrada.

Não estou fugindo da cidade.

Estou fugindo da possibilidade de que a minha vida tenha se acostumado demais com a ausência de certas coisas.

E talvez eu tenha vindo parar aqui porque precisava de um lugar onde ninguém pudesse me perguntar para onde estou indo.

Porque eu não sei.

Não sei onde termina essa estrada.

Não sei quem colocou essa música.

Não sei por que o velocímetro continua subindo.

Não sei por que ainda estou segurando o volante.

Só sei que, pela primeira vez em muito tempo, existe alguma coisa dentro de mim gritando.

E eu acho que estava com saudade de ouvir minha própria voz.

Então diminuo.

Não paro.

Apenas diminuo.

O suficiente para ouvir o motor.

Depois o vento.

Depois minha respiração.

E, por último, aquilo que eu vinha tentando calar desde o começo.

Meu próprio pensamento.

Talvez eu não precise morrer para descobrir que estou vivo.

Talvez eu só precise parar de correr como se a vida estivesse sempre alguns quilômetros à minha frente.

Olho para a estrada.

Dessa vez, com os olhos abertos.

E ela continua.

Longa, escura, absurda.

Como quase tudo que ainda não sei resolver.

Mas, pela primeira vez, eu não tenho tanta pressa de chegar.

Porque talvez o destino nunca tenha sido a parte mais importante,

E sim…

Não há tormento maior do que envelhecer temendo os anos que passam, esquecendo que o relógio mede apenas momentos, não o valor do que fizemos com eles — e assim transformar o tempo em carcereiro da própria existência.

Nos afastamos sem querer daquilo que amamos. É a alma se defendendo de uma dor que ainda não sabe nomear.

O momento mais forte da sua vida não será quando você ganhar uma batalha, mas quando, destruído, você decidir se reconstruir.

Políticos prometem para o povo e governam para o partido. Enquanto as pessoas não entenderem isso, o ciclo não quebra.

Sentir falta de algo que ainda não foi embora é uma das dores mais silenciosas que existem. Tudo passa, e saber disso deveria nos tornar mais presentes, não mais ansiosos.