Nao Tente Adivinhar o que
Para os que não entendem de lirismo, amar também é uma matemática. Quando a gente ama, a gente aprende a dividir, somar e multiplicar o amor, subtraindo as diferenças.
As dificuldades não permanecem o tempo todo, os instantes se renovam e inauguram oportunidades. Deus nos presenteia com mudas pra gente florir o jardim da vida, o que nos faz levantar com vontade de florescer. E o plantio para melhor colheita é o amor.
Quem tem pena é galinha, os fracos que se arrebentem. A gente colhe o que planta e quem tem luz não nasceu pra sombra.
Que eu possa ser sempre uma cortina aberta de felicidade e não uma encenação cheia de aparência. Que eu fale sempre a verdade e não deixe de ser o que eu sinto. Que eu tenha esse poder de deletar o vazio porque gosto de ecoar. Que as pessoas ruins saiam da minha vida por livre e espotânea pressão porque não aguenta quem é de coração.
Lamentável esta fúnebre notícia em nosso estado. Mais lamentável ainda é saber que não é só o Recife um aterro, mas quase todo nosso litoral, e para ser mais precisa, o nosso mais recente mangue aterrado fica em Porto de Galinhas. Mas o que se vende por aí são as belezas cenográficas e não a nossa cruel realidade. E não morre só uma mocinha que tinha muito o que curtir no Brasil e fazer na vida, morre todos os dias a nossa natureza e muitas vítimas. E sabe como solucionam nosso problema? Ameaçam biólogos que protegem o ecossistema, vendem nossas terras para outros países, aterram mangues e edificam grandes resorts. A placa de aviso contra o perigo, ou ataque de tubarão, não paga nosso cartão postal, nem as vidas que se vão em meio ao turismo de bolso político e empresarial. O Litoral Sul de Pernambuco virou uma explosão, o Porto de Suape explode todos os dias embarcações e corpos estendidos na areia da praia. E mais, arrecifes artificiais ou rede de proteção não resolve nosso caos. Pois não existe vida apenas fora da água e nem só de tubarão vive o mar. Lamentável!
Eu gosto de quem vive sem amarras, que procura facilitar a vida. De quem aponta felicidade e não tristeza. De quem sabe escolher bons caminhos e não se perder em buracos. Eu sou feliz ao lado de pessoas que me aceitam e acreditam no meu jeito de ser. Gosto de pessoas que vivem sem códigos, que estão disponíveis sem exigir que você decifre nada ou seja o que você não é. O que me faz feliz é a leveza de sentir. O tempo e seu peso não poderá levar isso de dentro de mim. Eu gosto de entrelaçar as mãos por um motivo a mais do que união. Eu gosto da proteção que isso passa, da troca de energia que emana, da particularidade com a qual as mãos se tocam e deixam significado. É uma forma de dizer que estarei sempre alí por mais que os obstáculos nos desafiem o que realmente permanece, costuma vir de quem não tem medo de ficar.
João Sem-Braço
Não nasci para cálculos. Não meço palavras, perco os sentidos e os centímetros, avalie os sentimentos. Para os fardos da atualidade e a busca incessante do ser, a reciprocidade não anda de vento em poupa. Pasmem! O cenário frio e calculista dos tempos modernos é retrógrado e vago. É veemente o traço da fugacidade encontrado nas projeções de vida e sua conjuntura folclórica. O romance foi assassinado. Na prática, a luta entre os sexos, é vista burlando a boa-fé da espontaneidade. E o que se assemelha a um personagem poético, é dotado de uma inocente ingenuidade. “Sabe de nada inocente”. Porque nada disso é verdade! Tudo é calculado. A aptidão para os números é multiplicada pelos corpos, subtraída pelo vácuo e somada ao descaso. Desejam praticar o desapego, apegados ao passageiro. Olha o passeio! Dar as mãos é coisa do passado, estão passando é a mão mesmo. A flor da pele fica os nervos com a falta de senso, raros são os arrepios em meio aos poros sufocados de desdém. Os beijos efusivos tornaram-se tentativas do chamado “forçar a barra”. Parece que as pessoas hoje em dia são maquetistas deste cenário onde o dissabor acarreta uma aptidão para esquivar-se do romance. A frase clichê “quer romance, compra um livro”, virou música popular complementada pelo filósofo Mr. Catra “quer fidelidade compre um cachorro e quer amor volta pra casa da mamãe”. A tendência é esta! Os espertinhos (as) de plantão implantaram nas mentes estéreis a ideia de poder como meta sem baldrame para conquista. Nada se ganha sem o devido mérito. “Bonito isso, né? Eu li num livro”.
Não economizo amor, invisto. Não engulo amor, respiro. Não silencio amor, grito. Não guardo amor, demonstro. Não escondo amor, escandalizo. Não unifico amor, pluralizo. Não sonego amor, declaro. Não desprezo amor, abrigo. Não verbalizo amor, pratico. Não divido amor, multiplico. Não publico amor, politizo. Não prendo amor, liberto. Não julgo amor, aceito. Não torturo amor, sinto. Não desenho amor, pinto. Não soletro amor, poetizo. Não espero amor, faço. Não cobro amor, eu amo.
Não dê corda para te enforcar, não doe coração pro umbigo, não entregue verdade para mentira, não se aproxime da distância, não esquente o que deve ficar frio, não crie expectativas para decepção. A medida da vida é proporcional à intensidade que se vive.
É preciso amar a si mesmo para entender que não precisamos "ter" alguém para amar. Escolhemos alguém para compartilhar, dividir e multiplicar o amor, jamais entregar todo amor que temos a alguém. Penso que o amor é o combustível da existência onde o tempo, as escolhas e experiências se encarregam de transformar. O amor transforma. Mas, não é por causa dos outros e sim das nossas expectativas ou aprendizado. Não podemos cobrar o que não fazemos. De que forma é o seu amor? Quando olho para dentro de mim, vejo que meu amor precisa de equilíbrio, precisa ser meio. É sempre tão intenso pra mais ou pra menos. E o seu? Quando olho pra trás, vejo que apontei muito meus dedos, fui apontada, mas o que eu fiz sobre isso? Fui exemplo do amor? A gente só recebe aquilo que está preparado para receber, quando sabemos dar sem esperar nada em troca, sem cobrar do tempo um jeito individual, porque o amor é livre. Livre de qualquer explicação, tempo ou adjetivo. O amor apenas se sente. Sinta o seu ♡
Saudade nao sobrepõe a vontade de querer perto, nem impõe o desejo das expectativas. Saudade são lembranças boas que ficam para sempre. Saudade é ausência mesmo. Não machuca porque sabemos que são apenas lembranças, não é físico. Saudade é o amor que passou e ficou, é àquele até logo...
