Nao Tente Adivinhar o que
A dor acaba
Quando faz calor, modifica o seu jeito
Sempre diz “não” disfarçando o “sim”
O que irão dizer destes fatos isolados
Se agora uso bermuda e não uso jeans?
(Oh, não... não mais)
Será que haverá o paraíso algum dia?
Está tão ruim ajuntar trocados na rua
(Estou caído, caído no chão)
Já perdi o sono umas quantas vezes
Por pensar demais sem pensar direito
Sei que você sabe que estou sofrendo
Ficar muito bem não seria perfeito?
Uma tarde de sol, porém sem praia
Queremos lembrar do que não temos
Poderia ser apenas falta de sabedoria
Mas o que nos restou foi muito menos
A dor mata, a dor castiga
Quem já se sentiu assim
A dor corrói por dentro
E lhe destroça por fim
A dor se vai, a dor volta
Até o adeus derradeiro
A dor conhecemos bem
Nada é tão verdadeiro.
O beatle porto-alegrense
Ele não consegue mais cantar
Ele não consegue mais sorrir
Estamos tensos, Júpiter Maçã
Porque tu não estás mais aqui
Deve ter encontrado um lugar
Pra se escabelar, tomar cerveja
De gente com essência interior
Bom gaúcho não foge da peleja
O milênio passará e tu seguirás
Sendo rei da cena underground
Cascavellete em rede nacional
Com gurizada curtindo o sound
O TNT explodiu com a notícia
Um 21 de dezembro marcante
Tortas e cucas não amenizaram
O luto que sentimos pela noite
Tu poderias ter parado de beber
Dizias que não fazias ali o bem
Deixaste os teus mantras a nós
Sempre fiéis a Júpiter... amém!
Dando nota
— De 1 a 10, como você me classifica?
— Com 0.
— Sou tão ruim assim?
— Não, você é diferente.
Além da situação e da oposição
Fechei o jornal, desliguei a televisão
Não acessei as páginas da internet
Deixei para outra hora ler as notícias
Afinal de contas, me percebo inerte
Novas discussões de velhos temas
Os óbvios: política, religião e futebol
Vários opinantes circulam na rede
E eu aqui, deitado sob a luz do sol
A situação é ruim e a oposição pior
Não posso abraçar qualquer causa
Acho que estou acima de um muro
No entanto, queria dar uma pausa
Tem muito ódio sendo propagado
E eu não compactuo com o ideal
Estou visualizando outras cenas
O mal não some com mais mal.
O cúmulo do individualismo é evitar um relacionamento para não ter que dividir a cama com outra pessoa.
Não existe final feliz se tratando de amor. Na melhor das hipóteses, o casal ficará junto até que um morra e deixe o outro com saudade.
Suposta preocupação
A vizinhança adora fazer fuxico
Fala com prazer da vida alheia
Se não tem história, inventa ela
De futilidade tem a cabeça cheia
Alguém perto comprou um carro
Então é impossível não comentar
Serve de alimento para a cobiça
Vira assunto no almoço e jantar
O vizinho gosta de outro homem
Que escândalo à família “de bem”
Ninguém conhece aquele sujeito
Entretanto julgam mal ele também
Grande entretenimento é fofocar
Para quem mediocremente existe
Olhando de camarote o restante
Sem ver a sua ignorância triste.
Resguardo da pátria
Faz 15 anos que ele foi à guerra
E, desde então, não mais voltou
Sua mulher continua no casebre
Recordando tudo o que passou
Tantos planos estão esfacelados
Em nome do resguardo da pátria
Contudo, a bandeira bem tremula
Representada por militar ou pária
O governante motiva o confronto
Pois não terá de pegar em armas
Vê o desenlace pelos bastidores
Enquanto famílias são ceifadas
Não há real vencedor na batalha
Muitos entregam seu maior bem
Tratando com artilharia pesada
Fatalmente se dizima alguém
Histórias ricas resultando em pó
De corajosos que agora jazem
Um pranto que retumba no ar
É o dos que ficam à margem
A mulher ainda está esperando
Já que ele prometeu o retorno
Em uma promessa incumprível
Do soldado morto em Livorno.
