Nao Tente Adivinhar o que
Se não passarmos pela dor, a dor nunca passará. Não haverá aprendizado, evolução e o luto sempre existirá. Não negue ou fuja da dor, da frustração. Eu sei que dói, sei que é ruim, mas, se não aceitarmos que a dor é parte da vida; que a noite chegou, mas o sol virá, repetiremos sempre os padrões do erro, nosso céu será cinza e nosso semblante trará um peso lúgubre do luto.
Alguém já te disse que você é lind@ hoje? Se não, se lembre que você é como anjo que encanta todos olhares por onde passa é brilho e luz.
- alguém da infância citou
A paz não pode ser jamais o silêncio da tristeza. A paz é o respirar aliviado de quem entende que pode sair de uma fase vergonhosa e, por isso, continua acreditando e sempre em atividade. Não se entrega a uma vida no piloto automático.
Os egoístas e orgulhosos, não são o que acham que são, são apenas seres humanos vazios, usando de um ego ingênuo para enganar a si próprio.
Não há feito que sobreviva à solidão da passagem do tempo. No longo prazo, todos os nossos acertos são pífios e não há maquiagem que dissimule o óbvio:nunca seremos nada. Buscar a realização pessoal baseada no outro é um dos indícios de que a esquizofrenia pode ser coletiva.
Estava calculando jogada no sofá: o quão danoso seria parar de fingir que comprei a estupidez da realização pessoal pela óptica de terceiros a fim de me dedicar a questões, que a mim, soam mais prementes? O que pode, inclusive, perpassar por me dedicar a questão nenhuma, se eu quiser.
Concluo que o covarde merece toda a desgraça que o acontece; inclusive a de desperdiçar a própria vida, como praxe, esporte e falta de criatividade.
A vida é um pouco parecida com um mergulho na parte que não bate sol em uma cachoeira, dói os ossos, mas purifica. A fina camada que separa o meu interno e externo não consegue conter o meu espirito, que se entrega a tudo aquilo que crê e acha belo. Mais atenta aos meus sentimentos, procuro sempre ser extremamente leal a mim mesma. Utilizando da minha liberdade, para me aprisionar a tudo aquilo que me faz sentir viva.
- Não consigo respirar. Eles são muitos.
E naquela multidão de vozes do mesmo timbre, ela se sentou recolhendo os joelhos na testa. Bem baixinho começou a suplicar:
- Silêncio
- Silên...
Sem que a ordem de comando surtisse efeito, foi enfática (com leve tom de brava piedade, como se quisesse chamar a atenção sem agitá-los demais):
- SILL!!!
Com a conquista de meios olhares, continuou:
- Sssssi...
E com a ordem acatada, inspirou ar, expirou lágrimas rolando joelhos abaixo.
Era o seu deságue desesperançoso.
Ninguém podia a salvar de si mesma, nem suas vozes interior.
A minha escrita não é um ditado do pensamento.
Agora, por exemplo, não sei quais durezas se materializarão em palavras organizadas. O leme é o sentimento, mas das águas que navegaremos, só reconhecerei o território ao percorrer até o ponto final desta última linha.
O meu pensamento só ganha forma a partir da leitura.
Meu papel: atender ao chamado.
O do universo: se encarregar de me recompensar pelos risco que assumo em seu nome.
Só tem uma coisa pior do que não saber perdoar, é ser especialista em fingir que perdoou!!!
Pensem nisso CAMPEÕES!!!
Por vezes tentava me manter aquém,
Mas é impossível para quem sente permanecer alheio,
Não posso fugir, sei bem de onde veio.
Aquele lugar perto do mar não merece meu desdém.
Da distância onde falar à presença me bastava,
O simples estar, era o suficiente, minha saudade a abraçava.
E nem esse poema rápido poderia ser organizado,
Quem dirá dos meus sentimentos, todos exagerados.
O dia que não aconteceu
Era mais um dia normal em sua vida, dentro do seu mundo, que até então, era um quintal de alguns hectares, seguindo uma rotina diária que ela não se lembra mais.
Se lembra do sentimento de segurança que esse seu mundo trazia, e mal sabia que com um toque ele iria se quebrar. Ela lembra também, de ter seguido parte da sua rotina diária neste dia, e de ter sido impedida de conclui-la, mesmo não sabendo exatamente qual foi. Lembra de estar escuro, do local exato, mas não se lembra da hora e nem do momento em que começou.
Apesar da memória embaralhada, ela ainda consegue descrever alguns detalhes, como o brinquedo na mão esquerda (que ela também não se lembra qual era) a sombra ao seu lado, na direita, da sombra sim, ela consegue se lembrar. Como ela poderia se esquecer da sombra? Além de ter sido tocada pela sombra algumas vezes, ela convivia com a sombra dentro daquele seu mundo de alguns hectares. Mundo esse, que já não era mais seguro.
Depois de ter sido impedida de concluir a sua rotina, ela se lembra de não entender o que tinha vivido e o porquê de a sombra ter decidido escurecer todo o seu mundo. Ela descobriu a escuridão que lhe foi forçada através da sombra, um tempo depois de ter sido contaminada. Mas ainda não tinha noção da dimensão.
Se lembra de acordar com a sensação de ter tido um pesadelo e foi convencida de que aquele dia não aconteceu. Foi um sonho ruim. Por muito tempo conviveu com o gosto amargo desse dia escuro, que não havia acontecido, mesmo sentindo a sensação real de estar contaminada.
O pesadelo voltava a aparecer para ela em alguns sonhos, por vezes com detalhes novos, outras reforçando algumas memórias. Mas não importava, ela precisava esquecer, não poderia falar desse sonho ruim com ninguém. Não entendia ainda, mas tinha a sensação de que se contasse, iria contaminar mais alguém com lembranças de um dia que não existiu. Ela precisava esquecer o pesadelo e encarar a sombra.
Por vezes, ela não conseguiu, revivia aqueles detalhes e sentia muito medo de olhar para sombra. Mas ainda assim, ela era obrigada a conviver com a sombra.
Tempo depois, ela tomou coragem de se aproximar novamente e viu de perto o quanto o mundo da sombra era obscuro e entendeu que não queria deixar que essa contaminação se espalhasse dentro dela, também não queria que o seu mundo fosse feio ou ainda que o mínimo possível, parecido com o da sombra.
Ela fez daquele pesadelo cicatriz, e apesar do quão doloroso ainda é olhar para a cicatriz, voltou a se sentir em casa dentro do seu mundo resumido em hectares. Teve a certeza de que a sombra foi condenada pelo tempo, a viver dentro desse pesadelo do dia que não aconteceu. Inverteram-se os papéis. Se fez indiferente ao ponto de sentir que agora é a sombra que sentia medo e insegurança ao lado dela.
O dia que não aconteceu, deixou marcas.
Não brigues comigo.
Se eu escrever sobre dor, vou machucá-lo em sua identificação.
Mas se escrevo sobre esperança é para confrontá-lo à descoberta.
É nesse olhar que te entrego a minha empatia.
Minha mente não para. Sinto que tudo me atrai, mas nada me prende. Tudo me distrai. Minha mente não para. Acordo no meio da noite. O corpo dando sinais de que precisa se movimentar. A mente não dá sinal algum. Mantenho-me estática. Imóvel. Perdendo tempo. Tempo esse, que parece não mais existir para mim. Minha mente não para. No limite. Limite esse, que me vejo quase todos os dias indo ao seu encontro. Exaustão. Minha mente não para. Exaustivo. Todos os dias tem sido. Ao final deles, silêncio. Tudo quieto. Mas a minha mente, não para.
