Nao tenho o Direito de Magoar Ninguem
V O G A L
A frágil busca do eterno.
O nascimento, começo do fim.
A lenta decomposição do corpo físico.
E quando te custa a paz, é caro demais.
O silêncio de uma tarde de domingo.
A leveza dos acordes de jazz.
A saudade, soma de momentos felizes.
E os dias passam lentos.
Eu vendo minha força de trabalho.
Apenas uma carta do baralho.
Eu camuflado a troco dos proventos.
Apnéia de sentimentos.
L I B E R T A S
Hoje vivo acompanhado de meus pensamentos.
Estes sobrevoam quintais sem algemas, açoites, angústias e tormentos.
Quase meio século em busca de conhecimentos.
E o que sei? Quase nada.
Calouro do curso em que nós formamos na linha de chegada.
Me equilibro entre escolhas e consequências.
Nada é um acaso e sim uma necessária experiência.
No entanto, não há liberdade onde não existe lei.
Que se faça valer nossa carta magna, 5° artigo, inciso IX, que é direito nosso até onde sei.
Em meus sonhos te cultivo, e lutarei sempre para que todos desfrutem dessa opção.
Não só na impressão, mas verdadeiramente na ação.
Que o poema mostre que sim, se pode!
Que só não há remédio para a morte.
“Responsável pelo que sou, minha sentença é ser livre”.
SÓ POR HOJE
Embriaguei-me de razão, empanturrei-me de paz.
Só com a certeza de receber um tanto faz.
Parti para o embate com a força que desconhecia me acompanhar.
Com os olhos vestidos d’água e o nó na garganta prestes a sufocar.
Mudam-se as regras durante o jogo, um tabuleiro com cenário surreal.
Sistema sem lei, é só “la prata” que comanda nossa vida atual.
As fronteiras desapareceram, a terra é meu quintal.
É por tudo que amo que vou até o final.
A luta é árdua, as vezes desanima.
Meu coração dita o ritmo pelo futuro da minha menina.
Está tudo tão claro, mas consigo entender quem se esconde.
Meus pés mantém a marcha, preciso de companheiros no front.
As canções me inspiram, as orações me fortalecem.
O mantra que veio da esquina, sonhos não envelhecem.
As forças se equilibram, cada um tem sua missão.
Não se esqueça que a rosa tem no espinho sua proteção.
A L V O R E C E R
Em um amanhecer qualquer de mais um dia comum.
Na rota previamente traçada, meus pensamentos buscam o infinito.
Tal como lápis branco, aviões riscam o céu azul de brigadeiro.
No asfalto com linhas amarelas áureas, navego pelo mar verde de açúcar.
A velocidade faz com que o tempo ande depressa demais.
O grito de socorro da natureza chega a atravessar o para-brisa.
Animais cruzam meu caminho sem saber para onde fugir.
Lágrimas escorrem pelo rosto. Estas não são capazes de encher o rio.
O caminho com o formato de serpente é perigoso como tal.
A energia que vem do sol, meus olhos não podem ver.
Solução para um futuro incerto? Um dia a mais ou a menos?
Mistérios de nossa existência, lutemos por nossa sobrevivência.
D O C E V E N E N O
Infiéis amores eternos invadem a tela, pintura usando aquarela.
Passeio dominical de barco à vela, modelo linda na passarela.
O sorriso na foto esconde a dor, ninguém se importa com o “eu interior”.
Produto exposto na prateleira perto do vencimento, pouco se importa com sentimento.
A quantidade de curtidas, o ego satisfaz; Narciso de tempos atuais.
Permuta-se quinze minutos de fama por sessenta de cama.
Inteligência não dá audiência, jogo de cartas, exercício de paciência.
Segue o jogo, segue o fluxo, acende o fogo, ostenta-se o luxo.
Aparências enlatadas, excesso de sódio as mantêm conservadas.
Belo rótulo, não se lê o que está escrito, a caveira adverte, sinal de perigo.
A respiração falta, a matéria veneno da alma, cuidado com a mente e o coração, aprecie com moderação.
S I M P L E S A S S I M
O melhor abrigo é o colo de mãe.
A melhor escolha é a que te faz feliz.
A pureza vem do sorriso de uma criança.
Na chuva de verão ela linda dança.
A simplicidade tem mais sabor.
Eu e você, juntos seja onde for.
Menos acordes, mais verdade.
Mais empatia, menos vaidade.
Competição ou cooperação?
A fortaleza é construída na união.
Existe mérito em uma corrida desigual?
Poucos cruzam ilesos a linha final.
TESOURO DOS REMÉDIOS DA ALMA
Meu grito é meu escrito.
Triste, solitário, caótico, meio esquisito.
Meu escrito diz respeito a mim.
Lugar de fala, histórias que chegaram ao fim.
Não se recomeça o que acabou.
Apenas se colhe o que plantou.
Cabeça no infinito, pés no chão.
Raiz da árvore, bola de sabão.
A arte é cura, libertação.
Tradução da alma e coração.
Meu tesouro não é matéria.
Não foi conquistado gerando miséria.
VIVO
Cicatrizes, batalhas, histórias contadas.
Poucos triunfos, perdas contabilizadas.
Próximo nível do jogo, não emocionei a razão.
Arritmia, luz, câmera, ação.
A solidão do tamanho do mundo.
Alpinista de um poço bem fundo.
Perdi a guerra, não estou no poder.
Ainda me resta a última bala, é bom você saber.
Minhas impressões digitais estão em tudo que faço.
O sentimento, edificado em cimento e aço.
Trovador solitário, semeador de estrelas.
Esse sou eu, meus ideais, minhas bandeiras.
SOUL
Vou seguir ao teu lado até onde conseguir.
Aproveitar cada segundo e quando possível sorrir.
Já que o tempo é breve, que seja leve.
Tentar manter a calma, conectar-se com a alma.
Só te peço o que você pode dar.
Só te peço que mesmo sendo segundo, seja intenso.
Sua voz é música, seu toque é cura.
Seu olhar é luz, sua companhia é vida.
Há guerras que se perdem acreditando estar acampado as portas do paraíso, e quando você acorda percebe que está no sepulcro da liberdade.
CCF 08/01/2024
Era um vez, um garoto.
Vivia pensando, sempre, pensando.
Como um mergulho no mar, afundando.
Cada vez mais curioso, e ainda sim, desesperado.
Ou subia para respirar, ou descia para descobrir.
Só poderia escolher um só.
Morreria pra entender, ou viveria para duvidar.
Mas, no fim, por pensar demais, o garoto não subiu, nem desceu.
E ali mesmo morreu, sem nem poder se decidir.
Existem caminhos que queremos ir urgentemente, mas será que estamos caminhando com a mente ou o coração?
Poeticamente é sempre bom amar, o amor consolida o que antes era fragilizado pela fragilizada paixão, o amor é a certeza que deu tudo certo.
A infância…
Foi o tempo, que o tempo passou.
Quanto tempo mais se espera?
A paciência é o limite da alma.
Outrora, pequena menina
Corria pelo campinho com vestido verde, buscava seu pipa.
Que voava pelo céu
Suavemente sorria, tamanha alegria.
Em um instante
Um menino no campinho corta seu pipa.
Ela chorou, chorou
Ele viu e nada fez.
Até hoje essa menina
Espera pelo peixinho voltar no vento.
Quem sabe um dia seu pequeno, pipa amarelo limão.
Volte pelo vento!
Shirlei Miriam de Souza
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