Nao tenho o Direito de Magoar Ninguem
*Estou em fuga*
Preciso fugir desse teu olhar que me prende,
desse olhar que me vê bagunçado
e mesmo assim fica.
Preciso me afrouxar desse teu abraço que me prende,
desse abraço que é cadeia,
mas é a única casa que eu tenho.
Preciso desviar desse teu caminho que me acompanha,
porque pra onde eu vou,
você já foi primeiro dentro de mim.
Preciso arrumar um jeito,
ou um pretexto,
qualquer mentira bonita,
pra não depender desse teu corpo
que não me deixa ir.
Mas como é que foge
de quem mora na fechadura?
Como é que afrouxa
o abraço que virou pele?
Como é que desvia
do caminho que virou destino?
Eu quero ir, eu juro que quero.
Mas meu corpo já decorou o teu.
E quem decora,
não esquece.
Só finge que vai.
(Saul Beleza)
*BOLERO NUNCA MAIS*
Bolero contigo nunca mais.
Bolero é colado demais,
é promessa demais,
é peito com peito fingindo que é pra sempre.
Contigo, nunca mais.
Um tango talvez,
na hora da despedida.
Tango pode.
Tango é bonito pra quem já vai embora.
Tem drama, tem perna, tem queda,
mas todo mundo já sabe que termina quando a música acaba.
Então guarda o bolero.
Bolero é pra quem fica.
Pra gente?
Deixa o tango.
Uma última dança,
bem pisada,
sem sorriso,
sem volta.
Depois cada um pro seu lado da rua.
Sem porta encostada.
Sem travesseiro.
Só o eco do salto no salão vazio.
(Saul Beleza)
*inteira pela metade*
prefiro te imaginar rindo inteira
em outro abraço,
do que te ter aqui
pela metade.
metade não me aquece,
metade me confunde,
metade me faz ficar
onde já não estou mais.
se for pra ser minha,
que seja inteira.
se não for pra ser inteira,
que seja livre.
e que eu aprenda,
mesmo doendo,
a amar o que você se tornou
longe de mim.
(Saul Beleza)
janela fechada.
Como esquecer,
se toda janela que abro
dá pro mesmo lugar?
Eu fecho a cortina,
mudo de casa,
mudo de cidade,
mas o vidro me entrega.
não é o passado que me persegue,
sou eu que o plantei no futuro.
cada plano meu
tinha o teu rosto.
Eu mesmo escrevi
que te veria em todo amanhã.
agora o amanhã chegou,
e você não está,
mas o que eu criei sobre você
ainda está.
Abro a janela pra respirar,
e respiro você. Não faz mal, feche as janelas.
(Saul Beleza)
Pague o resgate
Venha me resgatar
desse inferno
que é pensar em você.
pague o preço,
questione o valor,
me julgue depois,
mas venha.
porque até esse inferno
tem gosto de céu
quando é você que me prende nele.
é tortura e abrigo,
é dor e casa,
é o lugar de onde eu quero fugir
de onde eu fico
te esperando.
(Saul Beleza)
Se for para eu te olhar com olhos de maldade,
que Deus derrame cegueira em meus olhos.
Se for para eu te tocar sem amor,
que minhas mãos percam o tato.
Se for para eu te falar sem verdade,
que minha voz se cale.
Porque em você eu só sei ver o bem,
só sei tocar com carinho,
só sei falar com amor.
*- Saul Beleza*
Nem saí da cama ainda...
Dormi muito tarde,
já era cedo quando peguei no sono.
E agora a cama me abraça
como você não abraçou,
o lençol me prende
como eu queria te prender.
Lá fora o mundo grita,
aqui dentro eu só quero
mais cinco minutos de você
no meu pensamento.
*- Saul Beleza*
Vou navegar na crista da tua onda,
lindo enquanto dura,
alto enquanto me deixas.
Pois sei...
quando a maré baixar,
serei esquecido na areia da praia.
Como espuma.
Como rastro.
Como se nunca tivesse amado tanto.
*- Saul Beleza*
Como nós seríamos nos anos 80...
Eu de jaqueta jeans,
cabelos longos e bagunçado,
te esperando no orelhão com uma ficha no bolso.
Você de vestido florido,
fita no cabelo,
chegando atrasada só pra me ver ansioso.
A gente dançando coladinho ao som de rádio FM,
sem celular,
sem pressa,
sem medo do amanhã.
Eu te levaria pra casa de Brasília bege placa IT 6711,
com uma fita cassete gravada só com nossas músicas de amor, a gente se beijando em casa sinal fechado,
e te dando um garra no portão
como se o mundo fosse acabar ali.
*- Saul Beleza*
Procura-se um lugar para se esconder.
Às vezes me sinto tão ancho,
tão grande, tão cheio de tudo,
que não me caberia no oceano.
Outras vezes me sinto tão estrecho,
tão pequeno, tão pouco,
que me esconderia
por trás de um grão de areia.
E no meio disso tudo,
eu só procuro um lugar
onde eu caiba inteiro
sem precisar me explicar.
Saul Beleza
De quem eu gosto?
Foram tantas tentativas
de se gostar de alguém...
Mulheres incríveis.
Amei todas,
quando estávamos juntos.
E agora aqui,
perdido,
sem saber de quem eu preciso.
Talvez não seja sobre
de quem eu gosto,
mas sobre quem eu sou
quando não estou tentando gostar de ninguém.
O amor que você deu foi real.
O vazio agora também é.
Respira.
Ele passa,
e te ensina a ficar.
Saul Beleza
Hoje a ficha caiu,
e com ela caiu a máscara.
Senti vergonha,
vergonha de ter me declarado,
vergonha de ter mostrado tanto,
pra quem queria tão pouco.
Mas aí eu pensei...
Vergonha de amar?
Nunca.
Do amor que sinto por você
eu não me envergonho jamais.
Se for pra me arrepender de algo,
que não seja de ter amado demais.
Porque te amar em silêncio,
te amar sem plateia,
sem retorno,
sem promessa...
foi a coisa mais verdadeira,
mais bonita,
e melhor que eu já tive em vida.
(*Saul Beleza*)
Um dia Deus soube de mim.
E agora o que eu faço?
Antes eu andava escondido,
achando que ninguém via minhas quedas.
Agora Ele sabe meu nome,
sabe minha dor,
sabe meu endereço.
Quem é Ele?
É aquele que soube de mim
e mesmo assim ficou.
Não foi embora quando viu meu caos,
não se assustou com meu pranto.
Soube de mim
e me chamou de filho.
E agora o que eu faço?
Agora eu descanso,
porque quem não me esquecia
finalmente me encontrou.
(Saul Beleza)
Se estou tomando café é por você.
Isso ao meu entender
vale mais que um convite
em dias normais.
Porque não é só café.
É pausa,
é pretexto,
é saudade disfarçada de rotina.
Mas saiba,
que estou aqui degustando,
xicara por xicara,
pensando em ti.
Saul Beleza
Eu sou uma gramática completa,
com ponto final onde tem que ter,
vírgula onde precisa respirar,
e reticências só quando a saudade pede.
Minha oratória é simples,
mas é verdadeira.
E no mundo de hoje,
verdade simples vale mais que discurso bonito e vazio.
não enfeito.
Eu sinto. E digo.
E é por isso que quem me lê,
fica.
(Beleza de Freitas)
Hoje tomei posse de mim.
Sem festa, sem juiz, sem plateia.
Só eu e a cadeira
que já me viu pequeno.
Resolvi me escolher.
Não por orgulho,
por cansaço de me encolher.
Eu semeava nos outros
e me deixava em pousio.
Queria colheita
com o terreno vazio.
Hoje não.
Hoje eu fico comigo.
Me rego.
Me espero.
Me tenho.
E se for pra ser talvez,
que seja talvez meu,
inteiro,
eterno.
(Saul Beleza)
"*Sei que vai me deixar"*
mas por favor,
saia aos poucos,
nunca de uma vez,
para que eu não sinta tanta dor."
E eu saí.
Aos poucos,
como se pede pra chuva parar,
como se reza.
Primeiro tirei a voz.
Depois o corpo.
Por último, o prato azul ficou na mesa,
sozinho.
Pensei que aos poucos doía menos.
Mentira.
Aos poucos a dor aprende seu nome,
seu endereço,
sua cadeira vazia em um canto da sala.
Você me pediu pra sair aos poucos,
e eu,
maluco sensato,
obedeci.
Até hoje estou saindo.
(Saul Beleza)
Hoje o céu tá mais sertanejo,
e a terra mais silenciosa.
Que o Rick descanse com os dele,
com viola no colo,
com chapéu na mão,
com a voz que agora vira saudade
mas não morre.
A voz sertaneja nunca morre,
Ela só muda de palco.
Sai da rádio e vai pro céu
cantar pro povo que já foi.
Fica aqui o nosso
"obrigado, Rick"
cantado baixinho,
como se fosse moda antiga.
Meus sentimentos pra família dele e pra todos nos que sentimos.
(Saul, teu fã)
“Sua profissão é a preciosa semente do patrimônio. O trabalho honesto e profissional é a origem de toda a riqueza meritória.”
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