Nao sou a Mulher Perfeita sou eu
Teu corpo era meu naquele momento;
Eu te tinha em minhas mãos, e também em meus lábios.
Tu era minha.
E eu era teu!
Se eu soubesse que tu iria;
Não construiria minha casa em teus braços;
E não plantaria meus sonhos, em teu sorriso.
Meu coração palpitava
Enquanto meus olhos ardiam
Pela tua ida, eu ia sucumbindo;
Era que no meio daquela névoa
Teu sorriso de aconchego
Ia-se sumindo...
Deixando para trás, os pedaços de meu coração
E um rastro de solidão...
Eu esperaria por você
Eu esperaria o tempo que fosse, para ver florescer o que nasceu em mim, sem apressar teu coração, sem exigir que me ames assim.
Esperaria você compreender
que o nosso amor também pode ser lar, que não há nada de errado em sentir, nem motivos para o coração se calar.
Esperaria, não por acreditar na dor, mas por acreditar na beleza de nós duas, na possibilidade de um dia chamar de amor aquilo que hoje ainda vive entre dúvidas.
Porque eu não sei explicar como aconteceu, nem quando meu coração escolheu você.
Só sei que, entre tantos caminhos, o meu encontrou no teu algo que eu não sabia querer.
E tudo o que sinto é puro e verdadeiro, não quero te prender, só quero te mostrar que existe um sentimento bonito e inteiro que, se você permitir, pode te fazer voar.
Quero que saiba que não há pressa, que o meu carinho não exige uma decisão.
Quero que o tempo, com sua delicadeza, te permita escutar a voz do teu coração.
Porque você é a pessoa que eu não procurava, mas que a vida, tão misteriosamente, me apresentou.
E, sem que eu percebesse, enquanto te encontrava, alguma coisa bonita dentro de mim despertou.
Eu esperaria por você, sim,
mas não como quem espera por um milagre distante.
Esperaria como quem acredita no amanhã, com o coração sereno e o amor transbordante.
E, se um dia você olhar para mim e sentir que também deseja esse caminho,
quero que saiba que há um mundo bonito aqui, onde podemos descobrir o amor com carinho.
Não preciso que você tenha todas as respostas, nem que compreenda agora tudo o que sente.
Só quero que saiba que, entre tantas possibilidades, conhecer você já tornou a minha vida diferente.
E quem sabe, no tempo certo, sem medo ou segredo, possamos transformar esse sentimento em nós duas.
Porque, se existe algo que desejo de verdade, é descobrir com você o quanto a vida pode ser bonita quando duas almas se permitem ser felizes juntas.
Sinal da Cruz
Senhor, abençoe minha mente
Que eu tenha bons pensamentos e liberte-me do mal.
Senhor, abençoe minha boca
Que dela saiam palavras que sejam
De agradecimentos e propagação dos seus ensinamentos.
Senhor, abençoe meu coração e, assim serão retiradas todas as tristezas, raivas e falta de amor.
Preencha todo o meu ser com seu amor.
Meu Senhor e meu Deus, obrigada
Amém!
Eu amaria cada átomo do seu corpo.
E, se me fosse concedida a faculdade de contemplar aquilo que os olhos não alcançam, amaria também cada partícula de sua alma, cada pensamento que jamais ousou pronunciar e cada silêncio no qual sequer você foi capaz de compreender a si mesma.
Pois, que é o corpo senão a manifestação transitória de algo que, em sua essência, talvez não pertença inteiramente à matéria?
E se a carne se desfaz, se os átomos que hoje compõem sua existência amanhã se dispersam pelos confins da criação, que seria do amor que lhes dediquei? Pereceria ele com a forma, ou permaneceria, incorpóreo, na memória eterna das coisas que um dia se encontraram?
Pergunto-me se amar alguém não seria, em alguma medida, reconhecer-lhe a existência para além daquilo que dela nos é permitido conhecer.
Porque não amo somente aquilo que vejo em você. Amo também aquilo que ignoro. O mistério que precede suas palavras, a imensidão que se oculta por trás de seus olhos e até mesmo as partes de si que talvez jamais sejam reveladas a mim.
E se, porventura, a eternidade nos concedesse existências sucessivas, e em cada uma delas você surgisse sob uma nova forma, com outro nome, outra face e outras memórias, ainda assim eu desejaria reconhecê-la.
Não por recordar quem você foi, mas por sentir, em algum recanto inexplicável de minha consciência, que há existências cuja presença não nos parece inteiramente estranha, mesmo quando tudo nelas nos é desconhecido.
Talvez amar seja isso: não exigir que a forma permaneça, mas desejar que aquilo que nela reconhecemos jamais se perca.
E se um dia me perguntassem por que a amei, não responderia que foi por sua beleza, por suas virtudes ou pelo bem que sua presença me proporcionou.
Diria apenas que, entre as infinitas possibilidades de existência que o universo poderia ter produzido, houve uma em que você existiu.
E a mim, que nada exigi da criação para além da oportunidade de testemunhá-la, isso já me pareceu um milagre inigualável.
Enquanto eu caminho procurando o amor, deixo que a voz do coração me guie e a luz da minha alma me ilumine.
De seus lábios tirei
o doce sabor
o sabor do amor.
Em seus olhos que brilham
Eu encontrei o brilho e a esperança
De quem ainda estava aprendendo a amar.
MABUJES
No deserto quando eu era menino
Uma voz bem ao longe sussurrava
Que a verdade não estava no destino
Mas em cada passo que eu dava.
Cresci sobre dunas de areia
Aprendi com a observação
Segui a luz que clareia
Na candeia da intuição.
Vi homens brigando por certezas
Que julgavam ser a única verdade
E outros chorando de tristeza
Por terem confiado em falsidades.
Não estão no fim da jornada
As respostas que tanto procuro
Elas estão nas várias pegadas
Que deixo nos longos percursos.
E a voz que me chama
É o outro eu que reside
No âmago das entranhas
Que minha mente não atinge.
Vi impérios desmoronarem
E o poder deixar os poderosos
Vi pessoas se digladiarem
Por conceitos religiosos.
Servi sem esperar recompensas
Ouvi opiniões contraditórias
Aprendi sobre os pais das crenças
E sobre personagens da história.
Mas foi no templo do silêncio
Que encontrei as respostas
Aos muitos questionamentos
Que pesavam em minhas costas.
A luz que o peregrino
Anseia encontrar
Só estará no destino
Se lá ele a colocar.
O viajante que junta azeite
Nos trajetos que permeia
No destino encontra deleite
Ao ver brilhar sua candeia.
Limpe o vidro do espelho
Até que ele consiga
Revelar o ser mais belo
Que seu interior abriga.
E caso ele se quebre
Não interrompa a viagem
Porque o que ele reflete
Vai além da sua imagem.
Ele exibe o outro eu
Que sua essência ilumina
E que o liga a Deus
Por ser centelha divina.
Não no fim, mas no caminho
Está a chance de redenção
Para quem nos pergaminhos
Anota sua evolução.
Se a noite roubar as cores
Das flores que você plantou
Deixe o sol devolver às flores
As cores que a noite roubou.
Seja guia e inspiração
Para quem caminha a esmo
Porque no fundo todos são
Peregrinos de si mesmos.
Eduardo de Paula Barreto
02/04/2026
“O alfaiate dos silêncios”
Toda vez que alguma coisa me feria, eu procurava o alfaiate da esquina. Ele trabalhava dentro de um relógio parado e tinha o costume de costurar bolsos por dentro das pessoas.
Mais um? perguntava, sem levantar os olhos.
Eu concordava. Ele abria um pequeno espaço entre minhas costelas e guardava ali o que eu não tivera coragem de dizer. Depois, fechava tudo com uma linha tão fina que ninguém percebia. Eu saía, comprava pão, cumprimentava os vizinhos. Quando me perguntavam como estava, uma risada escapava da minha boca antes que eu pudesse responder.
Com os anos, fui ficando cheio de bolsos. Havia palavras dobradas junto ao pulmão, despedidas atrás do estômago, uma tarde inteira comprimida sob o coração. Para caber mais, comecei a diminuir cada acontecimento. Uma humilhação virava um mal-entendido. Uma ausência, falta de tempo. Certas frases, que ainda me cortavam durante o sono, eu chamava de brincadeira.
Certa manhã, não consegui vestir a camisa. Durante a noite, meus bolsos haviam crescido para fora do corpo. Arrastavam-se pelo quarto, pesados, derrubando os móveis. De um deles saía a chuva de uma terça-feira antiga. De outro, uma voz repetia meu nome num tom que eu levara anos tentando esquecer.
Corri ao alfaiate.
Preciso que esconda isso.
Ele procurou a agulha, mas suas mãos estavam cobertas de ferrugem.
Já não há onde costurar.
Sentei no chão. Pela primeira vez, reparei que o relógio onde ele morava não tinha ponteiros: tinha duas mãos apertadas contra a boca.
Tentei fazer uma piada. Saiu um soluço.
O alfaiate puxou uma cadeira e sentou perto de mim. Ficou ali, sem medir nada.
Então contei. No começo, falei baixo, com vergonha de ocupar tanto silêncio. Disse uma frase e esperei que ele me pedisse uma prova, que trouxesse a dor de outra pessoa para comparar com a minha. Mas ele apenas continuou sentado.
Contei mais.
Enquanto eu falava, os bolsos se abriam. A chuva encontrou uma janela. A terça-feira voltou lentamente ao calendário. Aquela voz atravessou a porta e foi perdendo força pela rua.
Ainda havia muita coisa preso em mim quando anoiteceu. O alfaiate acendeu a luz.
Podemos continuar amanhã disse.
Voltei para casa com a camisa amarrotada e alguns botões abertos. Na padaria, perguntaram se estava tudo bem. Minha velha risada chegou até os dentes, pronta para trabalhar.
Dessa vez, pedi que esperasse.
Descrição:
, “O alfaiate dos silêncios” fala sobre o peso de esconder a própria dor para continuar parecendo forte. A crônica transforma esse hábito em algo visível: cada sentimento calado ganha um bolso dentro do corpo, até que já não existe espaço para guardar mais nada.
O alfaiate representa o mecanismo que o narrador criou para disfarçar o sofrimento e seguir com a vida. Procurá-lo se torna uma rotina, assim como comprar pão ou cumprimentar os vizinhos. Esse detalhe mostra como alguém pode carregar uma grande tristeza enquanto mantém uma aparência comum, sorridente e disponível.
Os bolsos guardam aquilo que ficou sem expressão: palavras que não foram ditas, despedidas mal compreendidas, lembranças dolorosas. Quando o narrador transforma uma humilhação em “mal-entendido” ou uma frase cruel em “brincadeira”, ele diminui a importância do que sentiu. Aos poucos, passa a desconfiar do próprio direito de se magoar.
O relógio parado sugere que certas experiências continuam acontecendo dentro dele, embora o tempo avance do lado de fora. As duas mãos apertadas contra a boca tornam essa imagem ainda mais forte: o silêncio mantém o narrador preso ao que não conseguiu contar.
Quando os bolsos crescem para fora do corpo, aquilo que estava escondido passa a interferir em sua vida. A chuva antiga, a terça-feira e a voz que repete seu nome dão forma à memória: acontecimentos que pareciam encerrados ainda ocupam o presente.
A mudança começa quando o alfaiate deixa a costura e se senta para ouvir. Ele não pede justificativas, não compara sofrimentos, não exige que o narrador demonstre a gravidade da ferida. Sua presença oferece espaço para que a história seja contada. Conforme as palavras encontram saída, a terça-feira pode voltar ao calendário: começa a ocupar seu lugar no passado.
A frase “Podemos continuar amanhã” também importa. Ela respeita o tempo de quem fala. O narrador não precisa contar tudo de uma vez nem sair dali completamente recuperado. Ainda há coisas presas, mas agora existe a possibilidade de compartilhá-las.
No final, pedir que a velha risada espere é um pequeno gesto de liberdade. Pela primeira vez, ele interrompe a resposta automática que escondia sua verdade. A crônica termina nesse instante porque ali já aconteceu algo profundo: ele começa a se ouvir e a permitir que os outros o conheçam além do sorriso. Sua dor pode finalmente existir sem precisar pedir desculpas pelo espaço que ocupa.
“Eu descobri, em minhas pesquisas, que o universo são as memórias, frutos de todas as relações que tive desde a 8ª semana de gestação até os dias de hoje! O universo que é a favor ou contra mim sou eu mesmo, enquanto ser do inconsciente!”
— O Humanizado
O que eu sempre digo é que Deus é muito detalhista com carinho que faz aos filhos! Na hora e na maneira certa!
Sempre acreditei que recomeços existem enquanto estamos respirando.
E, aqui estou eu, renascendo em todas as nuances da minha vida.
Às vezes, o sucesso está a uma linha de uma frase escrita com a alma.
Eu achei que tivesse perdido a inspiração.
Mas, com tudo o que aconteceu, eu renasci com minhas palavras, da forma mais forte possível.
20 de agosto de 2025 - tive dois sonhos nessa madrugada...
Sonhei que eu abraçava a Mayla e ela estava muito feliz no sonho e eu também, eu dizia que a amava.
04:22 04/08/2025 Acabei de ver a minha mãe sozinha em um caixão...
Acabei de acordar, eu acordei após em um milésimo de segundos chegar em um velório onde não havia ninguém além de mim e um outro homem responsável pelo velório, acredito eu. Eu cheguei próximo ao caixão e vi a minha mãe, ela tinha algodão no nariz e na sua boca havia esparadrapos, seus olhos estavam cerrados. Ela vestia um vestido vermelho marsala, que ela tinha. Ela estava serena. Não havia flores, nem um paninho cobrindo ela, dentro do caixão.
Enquanto eu me aproximava do caixão bem devagar e com olhar observador, um homem me olhava, enquanto levantava a cabeça dela do caixão após retirar o algodão do nariz dela e o esparadrapo da boca dela e me mostrava o rosto dela.
Eu apenas falei: "ainda bem que você colocou algodão e esparadrapo na boca dela, é bom que não vaza líquido." Ele me olhava seriamente, era como se ele quisesse que eu gravasse bem o rosto dela morta, ele segurava com carinho. Eu apenas olhei e não senti nenhum tipo de sentimento, além de entender que ela havia morrido em plena solidão, porque o velório estava emanando um vazio existencial absurdo. Nem mesmo chorei. Mas, no velório, não havia ninguém mais além de mim, além daquele senhor de pele escura e cabelo duro e grisalho.
Estou aqui bem confusa. Será que ela está morta? Não tenho mais notícias dela, faz algum tempo... Será que ela morreu agora mesmo, por isso vi em sonho? Será que ela já morreu em outro dia e agora que vi? Não sei. Só sei que as escolhas dela, levou ela para distante de mim e dos meus irmãos. Se tiver realmente acontecido, que ela finalmente possa descansar em paz. Agora, sinto um enorme pesar. Não é algo fácil de lidar. Ela foi embora sem se despedir de mim, literalmente, mas se tiver acontecido dela ter ido para outra dimensão. Pelo menos consegui ver o seu rosto sereno pela última vez.
Edit: Ela está vivíssima 15 de março de 2026
10:27 10 de setembro de 2022
Hoje sonhei fugindo e me escondendo de coisas que eu tinha medo...
Quando entrei em um lugar estranho e me escondi, olhei para cima e todas aquelas coisas que me perseguiam, elas conseguiram me encontrar.
De repente, uma forte ventania começou e eu apenas observava, enquanto via tudo desabar ao meu redor...
Uma forte tempestade envolvia meus medos e levava tudo aquilo que eu amava.
Em frente aos meus olhos, enxerguei que tudo o que eu queria bem, na verdade, não queria ir...
Eles eram forçados, por uma força invisíve!
Enquanto isso, eu apenas permanecia no lugar, com medo de que aquilo também me levasse para longe, para algum lugar desconhecido, onde não conseguiria saber...
Os meus sonhos, sempre me mostram coisas que apenas fazem parte da minha realidade e o medo que senti naquele momento, é o mesmo medo que eu sinto agora...
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