Nao sou a Mulher Perfeita sou eu
Quando eu desejo
Que alguém tenha um bom dia
Desejo somente
e mentalmente
Não mando um beijo
Não mando um abraço
Apenas penso na pessoa
E peço a Deus
Que lhe mande alegria
Imprimo-a no meu coração
Em uma tela colorida
Se ela é importante na minha vida
Não conto pra ela
Eu guardo somente pra mim
Esse carinho resumido
E exponho a minha saudade
Uma vez ou outra
Mas só o digo de vez em quando
Assim ninguém há de pensar
Que eu não ligo
e continuo gostando sempre
e todo dia
Sem confessar
que é eternamente
Pois tudo que existe todo dia
Não tem necessidade de contar
A gente mostra
também no silêncio
e na paciência
E guarda um pouco de carinho
Para entregar pessoalmente
Quando a gente
Finalmente se encontrar.
Acordo cedo
E guardo os meus sonhos
Eu os escondo pra mim
Talvez seja medo
Que aconteçam ou não
Abaixo da linha do Sol
A vista alcança por demais distante
Mas eu tenho que admitir
Que a gente não consegue
distingüir com clareza
Entre duas belezas pulsantes
diante dos nossos olhos
O dia passa e novamente a gente falha
Durmo tarde
Abaixo da linha da Lua
Me pergunto
Quantas Luas serão necessárias
Quantos Sóis terão a necessidade
de clarear os meus caminhos
Quantos anos ainda viveremos
Tão perto e tão sozinhos
Quantos desertos atravessaremos
e quantos sonhos guardaremos
pra nós mesmos
Antes de viver
A ilusória realidade
Que bate à nossa porta todo dia
E nos convida a conhecer aquele lugar
Acima da linha dos sonhos
Iluminada pelos faróis
Pelas Luas
e pelos Sóis despercebidos
Que trazemos todos
dentro de nós
Eu nasci
Numa tarde de segunda-feira
Eu vim ao Mundo
e não houve escolha
Não houve festa
e nem muita alegria
Eu vim a este Mundo
e somei mais um
Como nascem os bichos
e nascem as folhas
Exceto a ciência de Deus
Não houve nenhum segredo
A vida ofereceu-me uma estrada
A única opção que me havia
Era escolher a calçada
Eu trilhei o lado sem medo
Pois, depois que já estamos no Mundo
A pior parte já passou
Vivê-la triste é um erro Crasso
Com alegria, talvez seja ledo
Mas a alegria é sempre melhor
E melhora mais ainda
Se faço isso desde cedo
E desde aquele dia
Se não tenho servido pra nada
Ao menos trago um sorriso no rosto
E tento
Não atrapalhar mais ainda
A paisagem cada vez mais sofrida
deste Mundo
Onde me puseram
Nos braços da minha mãe
ela foi a única que sorriu
Naquela tarde de segunda-feira
em que eu cheguei
Depois daquele dia
eu aprendi a sorrir, mesmo sem vontade
Mas naquele dia
Eu confesso que chorei
Chorei de verdade
Talvez eu esteja
Já a meio caminho
daquele lugar
Onde todo Mundo um dia
Precisa chegar
Mas não há como saber
Eu bem que gostaria
de quem sabe...não ter vindo
Pois olhando à minha volta
Me vem a clara impressão
de que estamos voltando
Parece que estamos perdidos
Carecendo de um Norte
ou de um Oriente
Navegamos desorientados
Ao sabor da própria sorte
a confiar na própria astúcia
Enquanto a tempestade não chega
e o lobo não vem
Talvez eu esteja a meio caminho
Mas acho muito mais provável
Que o lugar não seja este
Nem a estrada seja esta
Existe algo escondido
Diante de mim
Diante de nós
Distante de todos
E enquanto não o sabemos
Vivemos, aparentemente juntos
Mas no fundo, todos já percebemos
O quanto ainda nos sentimos
Meninos perdidos
Almas sós.
Quanto mais parece perto
Mais difícil de alcançar
Mas meu coração não pára
E eu te respiro com o ar
Vou vivendo,enquanto morro
Sem esperança de socorro
Eu grito e você não me ouve
Penso em você quando chove
Te vejo em tudo que se move
E não encontro uma razão
Razão é o que menos importa
Então vem, que eu abro a porta
Ou me chama, que eu pulo a janela
Se ficar a casa é sua
E com você eu assisto a novela
E com você eu ficaria
Até o resto dos meus dias.
Se os deuses não vão comigo
opiníões se dividem
e deuses não se decidem
eu, a meu tempo, idem
meus gritos não os comove
e há quem chore pela chuva
enquanto chove
os alcança meu silêncio
galvanizando uma aliança
a procura de respostas
negros pássaros sem asas
nas sombras de noites escuras
com o som de um olho que abre
e a duração de um eco no vácuo.
Eu tenho os olhos no céu
porém não olho pro Sol
Não faço nada impossível
Se fizer foi sem saber
e você, sôfrega...tropeça
eu não entendo aonde vai
com tanta pressa.
Moça bonita, há muito tempo que eu espero
não é mentira, você pode acreditar
Que eu preparei estas palavras com esmero
eu esperei por muito tempo pra falar
Quero que saiba que não quero pedir nada
saiba que eu quero tudo lindo pra você
saiba que eu nunca te esqueci nenhum minuto
Eu sei que nunca te ganhei pra te perder
Agora vou embora mais tranquilizado
a vida inteira eu vou lembrar que te falei
que a vida inteira eu só quis ser teu namorado
que a vida inteira o seu sorriso eu esperei
Quero que saiba que não quero pedir nada
saiba que eu quero tudo lindo pra você
saiba que eu nunca te esqueci um só minuto
e eu sei que nunca te ganhei pra te perder
agora eu vou embora mais tranquilizado
a vida inteira eu te deixo pra lembrar
que a vida inteira eu só quis ser seu namorado
Amor tão grande nunca mais você verá
Em vez de viver minha vida
eu passo o tempo procurando
dizer o que nunca foi dito
fazer o que não pode ser feito
encontrar o que o tempo esqueceu
desvendar o que a vida escondeu
procurar o que é preciso perder
em vez de viver simplesmente
quero entender o que aflige tanto a gente
e consertar o que incomoda tanta gente
desativar o que controla tantas mentes
falar, onde o tempo se cala
desamarrar onde a corda prende
dormir, enquanto o mundo acorda
discordar quando você concorda
caminhar enquanto a Terra se abala
calar, sempre que o Mundo fala
ouvir, sempre que um mudo cala
Lembrar, no lugar de esquecer
morrer ao invés de viver
Às vezes tudo que eu queria
era apenas não ser eu
e nem ter esta vida que Deus me deu
e nem ser do jeito que fui feito
ser qualquer outra pessoa
e portanto, ser perfeito e gente boa
pois todos defeitos do mundo
existem apenas em mim
mas se eu não fosse eu
seria eu, de qualquer jeito
este ser humano ridículo e imperfeito
por melhor que fosse feito
então, talvez as coisas sejam assim
e tudo que posso dizer ao mundo
e que, se algo der errado
podem pôr a culpa em mim.
olho pela janela
não vejo o Mundo
vejo parte dele
às vezes eu acho
que simplesmente
nesta parte
eu não me encaixo
haverá outros lugares
outros Mundos
outras épocas
outras vidas
onde minha presença
e pensamentos
normalmente insatisfeitos
seriam normais
e bem vindos?
Será que a vida
é mesmo vida?
o Mundo é concreto?
o tempo, este eu sei
não é continuo
e muito menos reto
será que os olhos
são mesmo as janelas da alma?
ou será que o Mundo
espia-me a alma
através dos meus olhos?
Eu queria ter um casaco grande
pra sair à noite no sereno
meu pai me trouxe um que não servia
mas eu ainda uso ele todo dia
casaco pequeno é
que nem casaco grande
só que pequeno
eu quis viver uma grande alegria
e eu ainda a vivo todo dia
vida feliz ou vida triste
depende de quem avalia
eu quero escrever um poema
e não sei fazer direito
escrevo este
não saber fazer
não é problema
poema ruim é melhor
que nenhum poema
escrever coisa bonita
não se compara a dar presente
pois não tem aonde
amarrar aquela fita
assim eu posso estar presente
na vida de quem lê
apesar de quase sempre
parecer estar ausente
e se eu não te contar
você nunca vai saber
que talvez este poema malfeito
tenha sido escrito
enquanto eu pensava em você
queria que você soubesse
que apesar das coisas que digo
no fundo, de verdade
nem ligo
mas não encontro outro recurso
pra te fazer pensar
em mim por um instante
pensamentos que permanecem
distantes o resto do dia
queria apenas te dizer
que acordar não significa
por cor em nada
mas sim, estar de acordo
mesmo não
estando acordado
Uma vez eu te pedi
um par de sapatos marrons
que você não podia comprar
eram os sapatos dos meus sonhos
mas nem tudo estava acabado
voltando pra casa eu ainda tinha
você sempre aqui, ao meu lado
o chão da cozinha, de jornais forrado
pra meus pés descalços
não pisarem chão gelado
apesar dos percalços da vida
a vida, que hoje analisando
faz todo sentido
um dia os sapatos marrons
estavam nos jornais e nos meus pés
eu chutei todas as pedras que pude
mãe, me perdoe se falhei
na infância, hoje em dia
ou talvez na juventude
viveria tudo de novo com você
os tempos ruins
hoje lembrando, foram tempos
muito bons
enfrentaria o mundo de novo
com meus velhos sapatos marrons.
Eu me sinto meio que esquecido
a cada dia que se passa
mas não me sinto ressentido
na vida tudo tem um preço
talvez seja isso mesmo que eu mereça
enquanto caminho sozinho
com memórias cheias de ferrugem
eu me enxergo assim
incapaz de desenhar a vida
com as cores que agora exigem
sinto minhas mãos calejadas
os olhos cheios de fuligem
porém, caminho ainda
debaixo de um Sol escaldante
mas deixei de ser preponderante
já faz alguns invernos
momentos são sempre momentos
somente pensamentos são eternos
um dia a vida bate
e no outro a gente apanha
os dias de vitória vejo
cobertos por teias de aranha
a cada dia que passa
e descubro que na vida nunca tive
qualquer proeminência
e que junto com os sonhos
também há de naufragar
os dias que vivia na inocência
tem dias em que eu me sento
sob as sombras dos muros do inferno
mas Deus vem e diz que aquilo
que hoje é velho
amanhã será moderno
E então cheguei aqui...
eu sei, não parece muito
mesmo assim, não compreendo
como foi que consegui
Quando tudo começou
isso, há muito tempo atrás
despojado de qualquer recurso
sem saber no que pensar
ou em quê sentir
fui seguindo
o tropel da cavalgada
muitas vezes ao fim
da viagem que
me conduziria a mim
percebia que não havia
de maneira nenhuma
aprendido ou ensinado nada
a vida soava onírica
e sem ter quem me ensinar
optei por procurar
o lado lírico do viver
hoje em dia
olhando o caminho percorrido
não me lamento
e muito menos me arrependo
de não ter acumulado
não haveria onde guardar
portanto, fui dividindo
que quem estivesse ao meu lado
irmão, amigo ou desconhecido
vivendo o Sol de cada dia
um dia de cada vez
o otimismo se fez escola
entrei em lagos
chutei bola
e tentando, então
compreendi
que nunca aprenderia a nadar
futebol, então...nem pensar
mas olhando hoje a vida, penso
que o empirismo me deu o bom senso
de saber que nunca haveremos
de chegar a nenhum consenso
e, apesar de tantos tropeços
que houve desde o começo
eu ainda estou aqui
e assim vou permanecendo
pois não tenho pra onde ir
Teu coração não é só seu
um pedaço aí me pertence
muito mais que você pensa
no dia que nele eu adentrar
hei de reformar
tudo que já viveu
Um cantinho aí é meu
portanto trate de cuidar
dos teus batimentos cardíacos
mesmo que não saiba
pode haver por aí, um maníaco
esperando pra escrever
uma singela poesia
nas paredes do teu coração
te dar um dia de alegria
ou talvez o resto da vida
portanto, não seja atrevida
te confesso hoje, senhora
aqui já passou da hora
desde que você entrou
eu joguei as chaves fora.
Ontem eu escrevi alguma coisa
Não sei se você gostou
Espero que tenha gostado
Porém;
"ontem" é passado
Hoje eu preciso escrever de novo
E é escrevendo que me movo
O homem que vive e nada cria
Nem ter nascido devia
Há criações melhores
muito melhores que as minhas:
Um roçado de feijão
Laranjas, tangerinas, maçãs
Eu cultivo apenas poesia
Uma vez comido o feijão
Eu posso vir aqui todas manhãs
E, talvez, criar uma canção
E quem sabe, alegrar seu dia
Se você não gostar...
eu tentei
pretendo voltar amanhã
e escrever novamente
a vida é algo que não pára
Nuns dias não dá certo
em outros a gente erra
por querer
Nem todo mundo
gosta de tangerina
Um poema é só um poema
Mas, se procurar
talvez encontre uma mensagem
Mais linda que imagina
Nem tudo que os olhos te mostram
são do jeito que enxergou.
Eu queria voar todo dia
ao seu redor,
quando acordasse
Porém Deus não deu-me asas
poderia ser pior
Talvez minhas asas se cansassem
antes que meus olhos te vissem
Eu queria voltar pra casa todo dia
e te encontrar
Mas Deus não me deu uma casa
poderia ser pior
Talvez eu voltasse pra casa
e você tivesse se cansado
de me esperar
Eu queria saber escrever
poesia todo dia pra você
Mas Deus não me deu talento
pra satisfazer tua exigência
mas mesmo assim ainda tento
Juntando palavras
que ouço do vento
e o pouco de inteligência
que Deus me deu
Poderia ser melhor
Poderia acontecer
de o vento me trazer
o beijo misterioso
que trouxesse o alívio
de me levar para um lugar
aonde não existisse
qualquer lembrança
de você
Assim como as pedras
Não podem ser chamadas
de cidade
Minhas palavras eu sei
Que não dizem nada
Meus pés não fazem a estrada
Minha alma
há muito desenganada
já sabe que asas
Não significam liberdade
Palavras no alto da montanha
Ecoam
Há muito eu estou lá
gritando à toa
Saber escrever
Em linha reta
Não faz, nunca fez
e nem fará jamais
de mim um poeta
Silêncio e nem dinheiro
trazem paz
A luz do Sol
não faz o dia
Tentar achar a paz perdida
Não traz mais
Harmonia
em minha vida.
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