Nao Queira Reviver o Passado
Amores que Ficam
O amor, quando não tem futuro, quando não se transforma em dois caminhando como um só, quando não leva dois na mesma direção, acaba sendo apenas uma forma bonita de partir o coração.
E eu me recuso a partir o meu com amores de verão, de momentos, de ocasiões.
Não quero o que chega para aquecer a pele e depois desaparece com a estação.
Não quero presenças que só existem quando é conveniente, nem sentimentos que cabem apenas no intervalo entre uma vontade e outra.
Se for para amar, que seja inteiro.
Que tenha caminho, escolha, coragem e destino.
Porque o meu coração não procura um amor que aconteça.
Procura um amor que permaneça.
Mística
Há coisas que não chegam... acontecem. Como a lua quando toca o mar sem jamais perguntar se pode. Há encontros que parecem acaso, mas carregam no silêncio a assinatura de algum mistério antigo. E há olhos que não apenas olham: reconhecem.
Talvez a alma saiba antes do corpo. Talvez o corpo apenas reconheça aquilo que a alma já sabia, antes mesmo que o coração compreendesse o sussurrar do destino.
Eu não temo o que não consigo explicar, mas paraliso o olhar diante do que não sei nomear. Há beleza demais no invisível para exigir do mistério uma certidão de existência, uma prova, todas as garantias.
Prefiro acreditar que algumas portas se abrem sozinhas, que certas presenças chegam na hora exata, como um soprar dos ventos, sem aviso, sem promessa, apenas porque era tempo de chegar. E que algumas histórias já foram escritas em algum lugar onde o tempo não alcança.
Maktub. Estava escrito. Ou talvez apenas esperando o instante certo para ser lido.
Porque há coisas que não se entendem. Sentem-se. Reconhecem-se.
E quando a alma sente, até o silêncio se torna oração e canção.
E talvez seja essa a mais bonita forma de mistério: não saber de onde veio, não saber para onde vai, mas sentir, no mais profundo de si, que aquilo que chegou já nos pertencia antes mesmo de chegar.
Parar não é desistir
Parar não significa desistir.
Silenciar não significa ter medo.
Voltar, muitas vezes, não significa retroceder.
Esconder-se não significa fraqueza.
E fugir, às vezes, é necessário.
Somos tendenciosos a acreditar que tudo isso é sinal de alguém que nasceu sem crédito, sem coragem ou sem força para continuar.
Mas nem sempre é assim.
Às vezes, parar é respirar.
Silenciar é preservar-se.
Voltar é reconhecer que o caminho precisa ser outro.
Esconder-se é proteger-se.
E fugir é ter sabedoria para entender que nem toda batalha merece ser enfrentada.
Porque desistir é abandonar o propósito.
Recuar, às vezes, é apenas ganhar forças para voltar ainda mais forte.
Há pessoas que chegam à nossa vida como quem acende uma luz que nunca mais se apaga. Não entram para mudar tudo com estrondo, mas com a simplicidade firme de quem traz uma bondade verdadeira.
With you, eu descobri que a verdadeira coragem não é a ausência do medo, mas sim a certeza de que existe uma mão segurando a minha para enfrentarmos qualquer coisa juntos. Você me deu a segurança de ser exatamente quem eu sou, me abraçando com todas as minhas falhas e virtudes.
_Enzo Ruchell_
Por muitas vezes, o **“patinho feio”** é considerado feio porque não bajula ninguém para ser aceito.
napoli.
Eu ainda não conheço Napoli.
E talvez seja justamente por isso que Napoli tenha conseguido existir tanto dentro de mim.
Antes de conhecer uma cidade, a gente inventa uma versão dela. Junta fotos, histórias, músicas, filmes, partidas de futebol, prédios antigos, ruas que nunca atravessou e um mar que só conhece pela tela. Vai montando, aos poucos, um lugar que talvez nem exista exatamente daquele jeito.
Mas existe Napoli.
Pelo menos a Napoli que eu imagino.
Napoli, para mim, começa antes do avião pousar.
Começa naquele instante em que eu imagino sair de algum lugar e simplesmente caminhar sem saber direito para onde estou indo. Napoli sendo o nome das placas, o idioma nas conversas, as roupas penduradas entre os prédios, o barulho das pessoas atravessando uma rua estreita enquanto alguma janela permanece aberta.
Eu imagino Napoli assim.
Imperfeita.
Viva.
Um pouco suja, um pouco caótica, um pouco triste.
Bonita justamente porque não parece estar preocupada em ser.
Napoli não é uma foto que eu quero visitar.
É uma sensação que eu quero descobrir se existe.
Eu penso em Napoli e penso no Vesúvio.
Não pelo vulcão em si, mas pela ideia de uma cidade inteira vivendo diante de alguma coisa que poderia destruí-la e, ainda assim, acordando todos os dias para continuar.
Isso me fascina.
Talvez porque eu goste de lugares que carregam uma ameaça sem precisar falar sobre ela.
Napoli parece ter alguma coisa disso.
Uma cidade que sabe que o chão pode tremer, que o passado pode voltar em forma de cinzas, que o mar pode guardar histórias demais, mas que ainda assim existe café pela manhã, futebol à tarde e gente voltando para casa à noite.
É assim que eu imagino Napoli.
Não como um paraíso.
Como um lugar humano.
Eu imagino o futebol em Napoli quase como uma religião antiga. Imagino o nome de Maradona ainda atravessando paredes, camisas, conversas, crianças que talvez nem tenham nascido quando ele jogava, mas cresceram ouvindo que houve um homem que fez uma cidade acreditar em alguma coisa.
E talvez seja isso que eu procuro quando penso em Napoli.
Não uma cidade perfeita.
Uma cidade que acredita.
Napoli acredita no futebol.
Napoli acredita no mar.
Napoli acredita na própria história.
Napoli acredita até nas próprias contradições.
E talvez eu queira acreditar também.
Às vezes penso em como seria estar em Napoli sem ter nada para fazer.
Sem roteiro.
Sem obrigação.
Sem aquela pressa de transformar cada lugar em foto.
Só estar.
Sentar em algum lugar e observar uma cidade que eu passei tanto tempo imaginando finalmente existir na minha frente.
Talvez eu olhasse para o Vesúvio.
Talvez para o mar.
Talvez para uma rua qualquer.
E provavelmente pensaria:
"Então era isso que eu estava tentando imaginar."
Mas existe uma coisa ainda mais bonita em não conhecer Napoli.
Eu ainda posso sonhar.
Ainda posso colocar em Napoli tudo aquilo que procuro no mundo.
A possibilidade de recomeçar.
A sensação de estar longe o suficiente para ouvir meus próprios pensamentos.
A liberdade de ser desconhecido.
A melancolia de perceber que uma vida pode caber em outro lugar.
Eu não sei se Napoli é assim.
Talvez não seja.
Talvez eu chegue lá e descubra que algumas das coisas que inventei nunca existiram.
Talvez o café seja apenas café.
Talvez as ruas sejam mais barulhentas do que bonitas.
Talvez o Vesúvio não pareça tão imenso.
Talvez Napoli não tenha nada da Napoli que eu criei.
E tudo bem.
Porque existe uma beleza estranha em desejar um lugar antes de conhecê-lo.
Você começa a construir uma casa dentro de uma cidade onde ainda não colocou os pés.
Napoli é essa casa, por enquanto.
Uma casa imaginada.
Um nome repetido.
Napoli.
Napoli.
Napoli.
Como se repetir fosse uma maneira de aproximar.
E talvez um dia eu chegue…
Talvez eu desça do avião, respire aquele ar pela primeira vez e perceba que a cidade real é completamente diferente da cidade que construí na cabeça.
Mas talvez, no meio de alguma rua qualquer, com o Vesúvio aparecendo ao longe e o mar existindo onde eu só conhecia por fotos imaginárias, eu entenda uma coisa
Alguns lugares a gente visita pela primeira vez duas vezes.
A primeira é quando chega.
A segunda é quando percebe que passou anos sonhando com aquele momento.
E quando esse dia chegar, eu não vou querer que Napoli seja exatamente como imaginei.
Vou querer apenas olhar para ela e pensar:
Napoli.
Então era você.
A cidade que eu conheci antes de chegar.
“O que você tem para fazer, faça hoje, porque o hoje é vivo; o amanhã não existe, ainda vai nascer.”
Há momentos em que sinto tanta felicidade que não cabe em mim.
Em outros instantes, uma tristeza de meio mundo.
Emoções que não pertencem a mim.
Preferi não relatar sobre o barulho que ecoava dentro de mim.
Uma vez que muitos os vias, mas não queriam ouvir.
Não se esqueça das vezes em que você se ergueu em meio às tempestades da vida, mesmo quando suas mãos tremiam, sua voz falhava, sua respiração se tornava tênue e talvez o medo sussurrasse em seus ouvidos, mas ainda assim, você permaneceu firme, desafiando a escuridão com a luz da sua determinação.
Querido Agosto, Chegue devagar.
Traga-me dias tranquilos, que não cobrem muito de mim.
Pois quero pouco.
Quero abrir cadernos com folhas em branco, ouvir o som da chuva contra a janela,sentir o abraço do calor da lareira e o perfume das bebidas quentes.
Quero apenas existir inteira e silenciosa, sem precisar justificar meus passos lentos.
Quero que seja simples e que baste.
O meu lar não tem paredes, nem janelas abertas para o vento.
Ele se faz lar no instante em que o teu toque toca a minha pele com amor.
É no calor da tuas mãos que repousa a minha paz, é no contorno dos teus dedos que reconheço cada parte de mim.
E se um dia me perguntarem onde moro, eu apenas direi:
— É no toque das tuas mãos,
onde tudo em mim encontra abrigo.
Ah, como é fácil se quebrar nas expectativas, uma vez que elas não passam de ilusões vestidas de esperança.
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