Não posso
não posso mais te olhar como o céu, a noite e as estrelas, agora outra imensidão me preenche e os raios da manhã dourando a tua silhueta na calçada me faz imaginar que o infinito é o espaço ínfimo entre teus olhos, teu sorriso e tua boca... sei que essa viagem é longa e a eternidade é feita de segundos, mas onde estarei na ausência do teu abraço, a eternidade é tão lacônica e a brevidade das ilusões sussurra nas brisas matinais... não posso mais te olhar como um luar que morre nos primeiros raios da manha; este sentir me ensinou pra sempre que pra sempre é sentir assim... as aflições que conduzem a noite trazem a serenidade que nos ensina a esperar, é isso que chamam de esperança. ah, este sentimento esquisito de sentir as estações como se pudéssemos manusear o tempo... o tempo bate portas, colore as florestas, descolore as nossas cãs em busca de horizontes, mas essa ilusão que acolhe nossos olhares é só um tema poético batido, surrado e de validade prestes a vencer. quero caminhar por uma trilha que me conduza sempre a tua presença
Não posso te falar de amor,
não posso te falar de amor
o meu amor é tão calado,
é tão mudo, tão silente, tão oculto
o meu amor é a periferia perigosa,
pisa em ovos,
olha de soslaio,
fala sozinho com essa multidão de becos,
travessas e vielas
essa multidão que não ouve,
não fala e nem escuta falar de amor
Tempo.
Eu não quero te perder, não, eu não posso te perder.
Não posso te perder de novo, o tempo está me esmagando.
É como se as horas não passassem, cada minuto dura um século sem ti.
As flores nascem e morrem, a lua some e volta, até mesmo o grande mar se expande e evapora.
Eu vejo o tempo indo embora.
Será que ainda temos tempo? Será que pode me dar alguns minutos? Só mais uns minutos...
Não, não pode ser.
Não faça isso! Ainda temos tempo!
O monitor cardíaco se equilibra e vejo aquela maldita linha verde vagando calma pela tela.
Aonde está a lua? As flores?
O oceano...
Talvez eu o tenha transbordado pelos olhos...
Você perdeu seu tempo.
Adeus, minha flor.
Não devo te amar
Não posso te amar
Mas além de tudo
Não quero parar
Prefiro continuar nessa confusão
Do que sentir em vão
Prefiro uma paz a longo prazo
Se depois de tudo
Ainda ficar ao meu lado
Tenho medo
medo de não me entender
De não conseguir ver
Ou até mesmo compreender
Sentimentos passíveis de te perder
És como um cristal
Lindo, belo, perfeitamente lapidado
Tendo que tomar seus devidos cuidados
E De tão lindo
não consegue por muito tempo
ser olhado
Ainda assim, é muito apreciado
E se entregue em certas mãos
Pode ser certamente preservado
Vi em ti a mas pura verdade
Vi em ti brilho, vida
Em um mundo de tanta escuridão
Encontrei uma luz escondida
Não sei se um dia me pertencerá
Mas o pouco que tenho de ti me satisfaz
Momentos unânimes que passo contigo
Preenche um sentimento pulsante e pertinaz
Posso ter escolhido amar na hora errada
Ou escolhido a pessoa errada pra amar
Mas como iria saber que estes vastos sentimentos
poderiam voltar?
A indecisão tomou conta de tudo
Te quero sempre por perto
Mas sinto que não é pertencer
quando se trata de você
Penso que já é do mundo
E sonho alto demais
Em achar q um dia posso te ter
Talvez esteja sendo correspondida
ainda mergulho num mar de dúvidas
Mas saiba que ficarei a sua espera
Tomando os devidos cuidados
para que não me afogue na véspera
espero que até lá
Ainda habitemos a mesma atmosfera
HUMANO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Não posso tudo,
e o meu querer
não é bastante.
Nem quero tanto,
com tal poder,
com tanta força
ou tanta farsa.
Depois da estrada
termina o mundo,
e tudo é tudo...
só resta o nada.
EXORCISMO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Grito em vão, porém grito, não posso perder
o poder de revolta que meus olhos bebem,
minha sã consciência desses tempos baços,
meus espaços de ação em favor da esperança...
Com a voz estridente ou silêncio profundo,
numa tela, uma pauta ou num muro baldio,
nas entranhas do mundo e nas periferias
das verdades da vida que mente pra mim...
Tenha eco, não tenha, tanto faz pro grito,
esse rito, esse culto, minha tradição,
mão na tábua que o mar não engoliu ainda...
É assim que devolvo demônios e pragas,
que desvio as adagas, confundo inimigos
e me faço de vivo pra sobreviver...
SEU SEM QUERER
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Já não posso insistir no bem querer
que me leva, me joga, me deságua,
me desova no seu arquivo morto,
onde vivo a ilusão de que lhe tenho...
Abro mão desse porto pontual,
desse ponto cravado em alto mar,
do luau solitário que lhe rendo
pra ganhar uns trocados de afeição...
Guarde sua distância pra si mesma,
não a quero com tanto sem querer
ou com tanta preguiça e reticência...
Deixarei que a saudade seja sua
uma vez, uma lua, um por acaso;
quero troca; não quero doação...
SEM MEIO TERMO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Faço as pazes comigo, já não posso
com a força da minha intransigência,
minha essência que nunca se permite
um aroma de ventos renovados...
Não preciso mudar, só consentir
uma nova visão do para sempre,
um sentir menos tenso e congelado
entre medos e cismas de antemão...
Seguirei mais comigo, faço as pazes
com as velhas verdades reprimidas
ou as vidas deixadas no caminho...
Solto sonhos, liberto as esperanças,
dou andanças aos passos ocupados
e não deixo de ser, mas deixo estar...
SOCIEDADE - NOVELA - SOCIEDADE
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Cheguei à conclusão de que não posso exigir que a arte pare no tempo, sob pena de se tornar fútil; superficial; sem qualquer compromisso com as realidades contemporâneas. A dramaturgia, por exemplo, quando não se propõe a exibir histórias de épocas passadas ou de cunho estritamente religioso, tende a se tornar alienada, fora de propósito e contexto, caso exceda nos véus. A menos que haja intenção dos autores, por questões de humor, fantasia ou romance atemporal.
Como não dá para enfiar computadores, smartphones, armas nucleares e comportamentos ultramodernos em histórias de séculos, quiçá milênios passados, também não dá para fazer o oposto nas histórias de nosso tempo. Afinal, a arte existe em razão da sociedade; não a sociedade em razão da arte.
Excetuando os casos de fanatismo artístico, em que a falta de compromisso com crianças, adolescentes e outros vulneráveis interfere perniciosamente no processo natural e gradativo de formação ou assimilação, não acho nada imoral. Nem contradidático. Nem escandaloso. Na arte, no entretenimento nem na lida interpessoal e consensual. É só uma questão de achar ou não por bem consumir, e de querer ou não, de forma explícita, inequívoca e decidida, interagir com o outro. Tudo com discernimento próprio; não de acordo com regras, prismas ou imposições de que ou quem quer que seja.
É claro que havemos de repudiar qualquer manifestação artística e de outras naturezas, se houver clara imposição ou incitação ao ódio; ao preconceito; à exclusão; ao crime. Mas confesso que o que tenho visto é que a mídia, em especial a dramaturgia na maioria das vezes tem feito, com ou sem eficiência e sucesso, é exatamente pregar a compreensão, a tolerância, o respeito e os novos olhares sobre as diferenças cada vez mais evidentes. Com vícios, distorções e falhas, mas cabe às famílias aplicar seus filtros, propor as devidas reflexões, assessorar seus vulneráveis para o entendimento viável do que assiste. Ou proibir a audiência, pelo reconhecimento da incapacidade de assessorar.
O que nenhuma pessoa, família, grei, organização ou grupo tem o direito de fazer é decidir o que os outros podem ou não podem, com base nas suas proibições internas, por moralismo; fanatismo; ideologia; crença; imposição de cultura ou tradição.
Que se denuncie o que fere a lei; o que é crime ou contravenção. Mas ninguém se julgue apto a reger a sociedade; a exigir que todos vivam dentro de seus moldes ou virem suas ovelhas compulsórias. Voltando à dramaturgia, chegamos ao tempo em que, por falso moralismo e ditadura de fé, como se já não bastassem os preconceitos religioso, de gênero e até racial, temos que conviver com o preconceito a depender dos programas que apreciamos, a emissora de rádio ou televisão que preferimos, o jornal que lemos, os sites que acessamos e até as músicas de nossa expressa preferência.
Na contramão do que muito cidadão tem feito, se um dia me acudisse a ideia de mover um processo judicial de natureza pública, baseado em influências de comportamentos, eu preferiria processar a sociedade, da qual faço parte, pelas más influências que ela, sim, tem levado às telenovelas. Repito que a arte existe em razão da sociedade; não a sociedade em razão da arte.
HOJE
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Só não posso dizer que teremos depois;
que seremos pra sempre; nem pra logo mais;
temos mais a fazer do que fazer promessas
ou traçar o destino que a ninguém pertence...
Um amor periférico, à flor do contato,
é meu sonho de alguém até quando não sei,
sem a lei como tábua de passar a vida
que não tem que ser lei nem terá que ser tábua...
Só aceite o que trago sem nota fiscal,
não me peça projetos que não tenho a dar,
tenho a dor de saber que nada sei de mim...
Temos muitos passados; hoje nos cai bem;
querer bem é tão livre quanto cisco ao vento
e ninguém é feliz; estar feliz me basta...
PLATÔNICO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Se não posso te amar como esperas de mim,
posso dar esse afeto que vai pro riacho;
há um sim marginal nos meus olhos pendentes
onde o tacho estendido pode se prover...
Não é falta de amor; é questão de província;
sou domínio, fronteira, marcação formal;
mal me furto aos pedaços para sonhos breves
à deriva dos nós em redor desse laço...
Correspondo à magia, mas me falta chão;
dar o pão do meu corpo é retirar bem mais
desse todo que o toldo já delimitou...
O que sobra do mar são correntes restritas
que se doam nos vãos do sermão social
das escritas das terras e das relações...
DESDE QUANDO NÃO SEI
Demétrio Sena - Magé
Sempre tive uma dor que não posso explicar;
também sinto saudades de nada e ninguém;
tenho vastas lembranças do que não me lembro,
como quem se perdeu do coração e a mente...
Trago muitas tristezas que não sei por que;
lambo tantas feridas que nem vejo em mim;
há um fim sem começo, muito menos meio
em minh'alma cansada porque não se cansa...
Eu me olho no espelho sem saber quem vi,
porque nunca vivi e mesmo assim sou velho
de jamais ter nascido no vão de quem sou...
Na verdade não sou no mais fundo em meu ser,
por morrer desde quando me notei brotar
neste chão que não sinto nas plantas dos pés...
... ... ...
Respeite autorias. Isso é lei
OLHOS ALÉM
Demétrio Sena - Magé
O que já me conforta pode ser bem raso;
entretanto não posso renegar meus olhos;
ver num prazo tão curto a leveza fluir
entre males que ainda revelam as presas...
Há percalços e tudo é com muita peleja;
dos piolhos vencidos ficaram as lêndeas;
ninguém olhe ao redor e veja o paraíso,
mas caíram as lendas do nosso impossível...
Os vilões do poder têm poder de chantagem;
a coragem precisa saber agregar
e tecer estratégias contra os extremistas...
Ajudei a compor esta fase da história;
Já não ter um governo com ódio nos olhos
é a grande vitória na qual me comprazo...
... ... ...
#respeiteautorias Isso é lei
sou uma pessoa difícil ,reconheço, mas não posso mudar,eu criei essa pessoa em mim e pago caro por isso as vezes, mas estou disposta a isso..foi uma escolha.
Será
Será que o que se esta a passar é real e de confiar?
Não posso saber mas se um dia o tempo padecer
eu vou perceber
O tempo não se controla só se deixa rolar a espera de um dia encontrar
A tão esperada resposta da vida
mas até lá, será?
Não posso contar em uma mão todos os anos que estamos juntos, preciso da outra mão para te segurar e fazer você se sentir melhor. Não é como um passeio no parque para amarmos um ao outro, mas quando nossos dedos se entrelaçam não posso negar que você vale a pena, PORQUE DEPOIS DE TODO ESSE TEMPO, EU AINDA ESTOU A FIM DE VOCÊ. Eu deveria ter superado todos os calafrios, mas eu estou a fim de você. E querido, mesmo nas nossas piores noites, eu ainda estou a fim de você. Deixe eles se perguntarem como chegamos tão longe, porque eu não preciso me perguntar de maneira nenhuma. Depois de todo esse tempo, eu ainda estou a fim de você. Relembro a noite que conheci sua mãe, e na volta dirigindo pra minha casa, eu disse que amava você. Você sentiu o peso do mundo cair dos seus ombros. E cantamos juntos sua canção favorita, até a eternidade. Algumas coisas fazem sentido, e uma delas são você e eu. Querido, não há um dia que eu não estou a fim de você.
Não posso enganar a mim mesma
dizendo que não penso mais em você
do fundo do meu coração
eu tenho muito a te dizer.
Quando estamos juntos, estamos bem. Não posso negar, se eu estou com você, tudo flui naturalmente, nossa parceria é fundamental.
Não posso ser livre enquanto qualquer outra mulher neste mundo está presa, seja por correntes físicas ou mentais. Mesmo que isso signifique que nunca alcançarei a liberdade que sempre sonhei, porque o que realmente me traz paz de espírito é lutar por justiça!
