Nao podem ser Explicadas mas Sentidas
Se tiver que ser, será! Não adianta nada sofrer por antecipação, canalize energia para gerar resultados e não o contrário.
Viver os desígnios de Deus não é ser dependente, é não atrasar as bençãos já alinhadas a ti pelo Senhor.
A desigualdade não deve ser vista com a igualdade reducionista mínima a todos e sim como disparidade de impostos e aumento no custo de vida; mentira travestida de democracia.
"O Silêncio de Não Ser Pai"
Não sou pai. E há nisso um espaço — não de vazio, mas de eco. Um campo onde o tempo passou, e deixou intacta uma terra que poderia ter sido semeada.
Não ser pai não é ausência de amor.
Talvez, seja amor que não precisou de nome, que não se debruçou sobre berços, mas se espalhou em gestos, em presenças sutis, em silêncios partilhados.
O mundo, com sua pressa de moldar destinos, parece esperar que todos sigam a mesma trilha: encontrar, gerar, ensinar, repetir. Mas e aqueles cujos passos desenham outro mapa? E aqueles que escutam a vida por outros ângulos, sem o riso de um filho chamando pelo corredor?
Às vezes penso: teria sido bonito... Ser chamado de pai com a voz trêmula de uma criança, encontrar meu rosto espelhado em outro pequeno rosto. Talvez um dia. Talvez nunca. E tudo bem.
Há paternidades que não vestem título.
Há frutos que não brotam do sangue, mas do cuidado que deixamos pelo caminho. Já fui abrigo, já fui raiz, mesmo sem ter dado nome a ninguém.
Não ser pai é, por vezes, um caminho mais silencioso.
Mas há sabedoria no silêncio, há paz em aceitar que a vida se desenha também nas entrelinhas. E que o que não foi, ainda assim, pertence ao que somos.
A maior prisão do ser humano não são correntes de ferro, mas as correntes invisíveis da ignorância, do medo e do ego. A maioria vive condicionada a defender apenas os próprios interesses, acreditando que acumular, competir e controlar é o caminho para a realização. Poucos realmente se preocupam em estender a mão sem esperar algo em troca.
Vivemos cercados por pessoas que repetem padrões, alimentam conveniências e permanecem presas aos mesmos ciclos. Quando surge a oportunidade de romper com o conhecido, muitos preferem voltar à própria caverna, onde as ilusões parecem mais confortáveis do que a responsabilidade de despertar.
A luz simboliza o conhecimento que rompe a escuridão da ignorância. Essa perspectiva entende que a libertação começa quando o indivíduo questiona as estruturas que o aprisionam, abandona a submissão ao pensamento automático e assume a responsabilidade pela própria consciência. Não se trata de esperar um salvador, mas de tornar-se autor da própria transformação.
Quebrar os círculos viciosos exige coragem. Exige abandonar relações baseadas apenas em interesse, romper crenças limitantes, deixar para trás o medo da mudança e recusar a repetição inconsciente dos mesmos erros. A verdadeira liberdade nasce quando ninguém mais controla sua mente, suas escolhas ou seu propósito.
Encontrar pessoas que caminhem ao seu lado por lealdade, verdade e compromisso é raro. Por isso, antes de buscar apoio no mundo, fortaleça a própria consciência. Quem desperta deixa de ser conduzido pelas correntes da massa e passa a trilhar um caminho próprio, guiado pelo discernimento, pela responsabilidade e pela busca contínua do conhecimento.
A libertação não acontece quando o mundo muda. Ela acontece quando você rompe as amarras que o mantinham preso ao mesmo ciclo e escolhe, conscientemente, viver além das ilusões.
Saudades de um ser chamado... qual é o seu nome? Não importa o nome, mas importa a saudade entre nós dois...
Demonstre fome
Mas não se deixe ser consumida
Por ela
Pois o poder é a forma mais bonita
Da perdição.
O propiciatório não pôde ser tocado. O sagrado da Aliança é a fronteira invisível onde a culpa humana sangra o seu próprio silêncio para que a razão possa, enfim, fazer as pazes com o mistério do perdão.
Reno Fioraso
“O Infinito em Fragmentos”
Não quero ser um. Quero ser todos. Quero sentir como o místico sente Deus, como o pagão sente a carne, como o engenheiro sente a precisão dos números. Quero contradizer-me, porque na contradição habita a totalidade. Ser coerente é ser parcial. É escolher uma porta e fechar todas as outras. Eu quero atravessar todas as portas simultaneamente, mesmo que para isso precise me estilhaçar em mil pedaços.
Inventei-me vários. Não por loucura, mas por necessidade metafísica. Como poderia um só homem conter o universo? Como poderia uma só voz cantar todas as canções possíveis? Então fragmentei-me. Fiz de minha ausência de centro a minha obra-prima. Onde outros construíram identidades sólidas como fortalezas, eu construí um arquipélago de ilhas que nunca se tocam mas pertencem ao mesmo oceano.
Há aquele que nega o pensamento e vê apenas o que existe. Há o que exalta os deuses antigos e a beleza sensorial do mundo. Há o engenheiro das palavras, frio e preciso. Há o que escreve mensagens cifradas sobre ocultismo e hermetismo. E há eu, que não sou nenhum deles e sou todos ao mesmo tempo, o maestro invisível de uma orquestra onde cada músico toca uma partitura diferente.
Sentir tudo de todas as maneiras. Não é dispersão. É ambição máxima. É querer ser o universo experimentando a si mesmo. Cada emoção possível, cada pensamento concebível, cada filosofia imaginável - tudo isso precisa ser vivido, sentido, expresso. Não posso me limitar a ser católico ou ateu, monárquico ou republicano, clássico ou moderno. Preciso ser todos esses e seus opostos, porque a verdade não está em nenhum deles mas na soma impossível de todos.
Os outros escrevem o que sentem. Eu sinto o que escrevo. Ou melhor: invento quem sinta o que preciso expressar. É uma fraude? Talvez. Mas é a fraude mais honesta que existe. Porque reconhece que toda identidade é ficção, todo “eu” é personagem, toda coerência é máscara. Eu apenas tive a coragem de admitir que sou teatro, e de fazer desse teatro a minha verdade.
Não tenho biografia. Tenho bibliografias. Não tenho psicologia. Tenho dramaturgia. Minha vida não está nos fatos que vivi mas nas vidas que criei. Enquanto outros buscam encontrar-se, eu me perdi propositadamente em todas as direções possíveis. E nessa perda encontrei algo maior que qualquer identidade individual poderia oferecer.
A unidade do ser é uma prisão confortável. “Conheça-te a ti mesmo”, diziam os gregos. Mas e se não houver um “ti mesmo” para conhecer? E se formos apenas potência pura, possibilidade infinita que se trai cada vez que escolhe uma forma? Preferi não escolher. Ou melhor: escolhi todas as escolhas, habitei todas as possibilidades.
Minha ausência de identidade fixa não é falha. É método. É filosofia encarnada. É a prova viva de que podemos ser mais que nos permitem ser. Que podemos explodir os limites do eu e nos espalhar por todos os eus possíveis. Que podemos fazer da multiplicidade não uma doença, mas uma arte.
Serei lembrado? Talvez. Mas por quem? Pelo sensacionista? Pelo heteronímico? Pelo ortónimo melancólico? Por todos e por nenhum. Porque minha obra não é o que escrevi. Minha obra sou eu - ou melhor, a ausência de mim transformada em constelação de presenças.
Sentir tudo de todas as maneiras. Viver todas as vidas. Morrer todas as mortes. Ser nenhum para poder ser todos.
Esta é a única identidade que aceito: a de não ter nenhuma.
E assim me tornei múltiplo, para que na multiplicidade coubesse o universo inteiro.
Pessoa: o nome perfeito para quem escolheu ser todas as pessoas possíveis.
A única escola que ensina a ser pai chama-se filho(a).
Não se preocupe, as experiências te moldarão.
Não veja a dor como punição e sim como preparação, pois a semente para crescer precisa ser partida, a luz para iluminar precisa ser quebrada, a ave para voar precisa das quedas, o bebê para viver precisa romper.
Todos nós que viemos à Terra trazemos e levamos uma história digna de ser reconhecida ou não. Há muitas vidas que, enquanto vivas, passam anónimas aos olhos de outras pessoas e do mundo, despercebidas dos olhares dos muitos, discretas e silenciosas diante do mundo, embora imensas e intensas dentro de si. Peregrinam à margem do aplauso verdadeiro ou falso, do elogio, do louvor, da hagiografia, sem se imporem, só se dando pela sua presença após a sua ausência deste mundo.
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